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O NEOLIBERALISMO NOS EUA E NO REINO UNIDO

Muito embora o Estado de bem-estar social inglês tenha sido mais extenso, eficiente e universal que algum dia sequer se sonhara na Norte-América, a City londrina já impunha políticas monetaristas ao governo muito antes da chegada de Thatcher ao poder, conformando ali um tipo de liberalismo embutido. Além disso, conforme aponta Schimitter (1979), as composições neocorporatistas inglesas se deram de forma circunscrita a setores específicos, nunca chegando à abrangência que tiveram, por exemplo, na Alemanha. Na Inglaterra, as reformas do Estado de bem-estar no pós-guerra sofreram desde cedo uma forte oposição liberal capitaneada pela mídia local — sobretudo liderada por bastiões conservadores como o

Financial Times e o The Economist — e academia, encontrando na London School of Economics sua mais notável trincheira ideológica. A multiplicação nas décadas de 1960 e 1970

de think tanks liberais, bem como a eclosão de um movimento estudantil com inclinações pós- modernas (portanto, individualista, consumista, libertário e, cá entre nós, teórica e intelectualmente raso), compunha um quadro social de constante crítica ao Estado de bem-estar como uma forma de agressão contra as individualidades. Porém, na opinião de Harvey (2005), o neoliberalismo propriamente dito, embora alimentado por esse contexto, só ganhou força a partir de uma crise de lucratividade capitalista. “Embora houvesse muitos elementos a partir dos quais construir o consenso para uma virada neoliberal, o fenômeno Thatcher não teria surgido, e muito menos vencido, não fosse a séria crise de acumulação do capital durante os anos 1970.” (Harvey, 2005, p. 67). Após uma série de contingências desfavoráveis — greves gerais, desabastecimento e paralisação de serviços públicos —, o Partido Trabalhista inglês, então dominante, perdeu espaço nas eleições legislativas possibilitando que o Partido Conservador, à época presidido pela liberal conservadora e deslumbrada Margaret Thatcher, obtivesse a maioria absoluta do parlamento, o que lhes proporcionou a capacidade de indica-la como Primeira Ministra, em 1979.

Thatcher iniciou uma era de reformas neoliberais no Reino Unido que, segundo Harvey, foi ideologicamente muito mais radical do que teria sido sequer possível nos EUA. Se Reagan havia promovido, de um lado, uma redução dos gastos sociais do Estado, de outro ele empregou um novo militarismo que, ao fim, representou inclusive um aumento dos gastos do Governo. Thatcher, por outro lado, intensificou as políticas monetaristas com objetivo alegado de controlar a inflação, restringindo demanda, estrangulando a economia e limitando os gastos públicos, o que resultou em elevados níveis de desemprego no país. Além disso, empregou uma política de enfrentamento dos sindicatos de trabalhadores, ignorando reivindicações e greves, enquanto que aprovava legislações para contratações temporárias e sub-remuneradas (em outras palavras, de trabalho precário). Um dos conselheiros econômicos da Primeira Ministra, Alan Budd, citado por Harvey (2005, p. 68-69), chegou a afirmar categoricamente que a contração econômica dos anos 1980 induzida pelas políticas econômicas defendidas por Thatcher tinha apenas um único objetivo, que era o de neutralizar o poder dos sindicatos para permitir o aumento da exploração capitalista do trabalho, isso por meio da formação de um exército industrial de reserva de trabalhadores desempregados e, de preferência, desassistidos, que aceitassem qualquer barganha por um posto de serviço.

Nesse período também foi colocado em prática um amplo programa de privatizações, pondo à venda, segundo Harvey (2005) por preços muito inferiores ao verdadeiro valor de mercado, empresas e serviços que eram controlados pelo Estado. Foram cedidas empresas lucrativas e eficientes, como a British Petroleum, British Aerospace, Associated British Ports (seaports), British Telecom, British Gas, British Airways, British Steel, National Bus Company, British Airport Authority, as Water Agencies, entre muitas outras. O processo de privatização chama a atenção por algumas características particulares: previamente era realizado um saneamento das dívidas da empresa a ser negociada, no qual o Estado fazia um aporte extra de capital para que os passivos fossem zerados ou negociados a longo prazo; então se investia em atualizações tecnológicas, com um orçamento limitado; por fim, as apresentavam para venda, num processo no qual aos compradores era oferecido acesso a linhas de crédito subsidiado, entre outras benesses. Processo inclusive que foi continuado nos anos 1990 e 2000, levando a privatização das ferrovias, da rede de produção e distribuição de energia (inclusive nuclear), os

portos restantes, os serviços de ônibus, até mesmo o serviço de correios.57 Além disso, conforme destacam Fournier e Grey (2004), os recursos destinados a pesquisa científica no Reino Unido sofreram com uma mudança muito significativa na Era Thatcher. As linhas de financiamento para áreas como ciências sociais, letras e artes foram interrompidas, enquanto que áreas como economia, gestão empresarial e engenharias passaram a receber aportes muito maiores. A justificativa, segundo os autores, era a que seria preciso modernizar a gestão empresarial da economia inglesa com fins de aumentar sua competitividade em âmbito internacional. Como destaca Harvey “[...] o objetivo no caso também era modificar a cultura política ao ampliar o campo da responsabilidade pessoal e corporativa e estimular uma maior eficiência, a iniciativa individual/corporativa e a inovação.” (2005, p. 70).

Segundo Cooper (2012), os Estados Unidos de Reagan e o Reino Unido de Thatcher se caracterizaram pela convergência de políticas internas, de orientação neoliberal, sobretudo no que diz respeito à política econômica monetarista, às políticas de redução de impostos na margem (destinadas ao alívio fiscal das grandes fortunas), à oposição contra a organização sindical do trabalho, assim como suas políticas de privatização e desregulamentação da economia.58

Como explica Cooper (2012), a política macroeconômica monetarista marcou a Era Thatcher-Reagan. Ambos os governantes partiam da premissa de que a inflação era um dos principais problemas que seus países enfrentavam e que sua causa era o excessivo volume de moeda na economia, este por sua vez causado por elevados gastos do Estado que, segundo sua opinião, imprimiam mais dinheiro que a economia era capaz de produzir valor. Nesse quesito,

57 Para um debate mais aprofundado (não necessariamente crítico) sobre os processos de privatizações no Reino

Unido sob a Era Thatcher e sua sequência, ver: (i) BATIDZIRAI, Davison H. A critical analysis of privatization

of the telecommunications sector: the case of Talkom; who benefits, who loses? Dissertação (Mestrado).

University of Natal, Durban, 1999; (ii) BOWMAN, Andrew. An illusion of success: the consequences of British rail privatization. Accounting Forum, v. 39, n. 1, p. 51-63, mar. 2015; (iii) COOPER, James. Margaret

Thatcher and Ronald Regan: a very political special relationship. London, UK: Palgrave Macmillan, 2012; (iv)

EDWARDS, Chris. Margaret Thatcher’s privatization legacy. Cato Journal, v. 37, n. 1, winter 2017; (v) SCOTT-SAMUEL, Alex. et al. The impact of Thatcherism on health and well-being in Britain. International

Journal of Health Services, v. 44, n. 1, p. 53-71, 2014.

58 O que podemos inferir a partir do trabalho de Cooper (2012) — que, em sua essência, pretende descrever as

transferências de políticas entre Reagan e Thatcher —, é que esses dois governantes não necessariamente combinavam entre si na realização das políticas neoliberais. Porém, ambos foram influenciados por think tanks que se relacionavam entre si, notadamente ligados pela relações de fundo com a Sociedade Mont Pèlerin, assim como pelo forte lobby exercido pelas classes capitalistas de seus países, que financiaram seus partidos e pautaram ideologicamente (de forma indireta, mas muitas vezes de forma direta, participando da composição administrativa dos governos) sua agenda.

ambos foram influenciados por think tanks liberais dos EUA e do Reino Unido, esses por sua vez, unidos pela influência e atuação [transnacional] da MPS. Tanto Thatcher quanto Reagan declaravam abertamente admiração e proximidade ideológica com o monetarismo de Milton Friedman e a teoria das expectativas racionais de John Muth — ao passo que, interessantemente, se distanciavam do monetarismo de Hayek e da Escola Austríaca. E, é também importante notar, Reagan e Thatcher igualmente iniciaram seus governos recebendo como herança países que já haviam se dobrado no sentido de adotar políticas macroeconômicas monetaristas, as quais buscaram apenas intensificar. Tanto o governo trabalhista inglês pré-Thatcher, como a equipe econômica do democrata Jimmy Carter nos EUA, já haviam começado reformas nesse sentido. Além disso, tanto o presidente republicano quanto a primeira ministra conservadora foram obrigados a, quando essas políticas se mostraram ineficazes, adaptá-las às contingências das realidades econômicas que governavam.

Já as políticas fiscais de Reagan e Thatcher foram influenciadas por supply-side

economists — economistas partidários da interpretação de que o lado da oferta das economias

é o mais importante, portanto precisa ser alvo de políticas públicas específicas — segundo Cooper (2012).59 Essa interpretação levou tanto Ronald Reagan como Margaret Thatcher a

propor e implementar programas de alívios de impostos, sobretudo no que tange aos impostos

59 Esses economistas — como Arthur Laffer, Robert Mundell, Glenn Hubbard, John Rutledge e mesmo Milton

Friedman (embora esse último credite uma importância maior ao volume monetário, ao controle inflacionário e à estabilidade monetária, para indução de investimento), entre outros —, partem de três premissas: (i) a das expectativas racionais, a qual defende que indivíduos respondem a incentivos e se antecipam anulando ou distorcendo os efeitos esperados de políticas econômicas com o intuito de maximizar seus ganhos individuais; (ii) são os investimentos realizados por capitalistas (do lado da oferta nas economias) que engendram emprego, consumo e renda, em outros termos, o próprio crescimento econômico — numa continuação da Lei de Say; e (iii) capitalistas irão investir se, e somente se, observarem que poderão incorporar integralmente os ganhos obtidos com essas inversões. Portanto, se houverem impostos de renda progressivos que atinjam as grandes riquezas, os capitalistas optam simplesmente por não investir, uma vez que parte dos ganhos serão apresados pelos governos por meio das taxas. Assim, sugerem que os impostos na margem — ou seja, sobre as rendas adicionais, as grandes riquezas — devem diminuir ou não existir, garantindo ao capitalista ganho integral sobre o investimento novo; dessa forma, capitalistas sentir-se-iam incentivados a realizar mais inversões, o que, por sua vez, gerariam um maior crescimento econômico. Esse modo de ver a economia sugere que, mesmo que o Estado sofra quedas de receitas decorrente da redução de impostos, essas diminuições são compensadas pelo aumento marginal de receitas decorrente do crescimento econômico associado. As evidências empíricas de EUA e Reino Unido (que apresentaram crescentes déficits reais depois de amplos cortes de impostos para grandes fortunas na década de 1980), sugerem que esse pressuposto é equivocado. Embora investimentos capitalistas sejam função das expectativas de ganhos manifestas na eficiência marginal do capital, a integralização dos ganhos é apenas uma das variáveis dessa função, a qual ainda inclui também demanda efetiva, demanda potencial e mais um conjunto de outros fatores. Logo, a redução de impostos, per se, não garante, necessariamente, que haverá investimentos, da mesma forma que a disponibilidade de poupança, per

se, não o faz. Ver: ROBERTS, Paul C. “supply-side” economics: theory and results. National Affairs, n. 31, p.

de renda na margem. É interessante notar, porém, que ambos já advogavam pela redução de impostos antes mesmo de virem a conhecer os argumentos providos por supply-side economists. Reagan já na década de 1960, em palestras e programas de rádio, defendia a redução de impostos como um direito natural dos “mais produtivos”, enquanto que o Partido Conservador de Thatcher sempre manteve em sua pauta a limitação da intervenção estatal, sobretudo em termos de impostos. O argumento econômico foi incorporado por ambos já mais próximo de suas campanhas eleitorais pelos cargos executivos, aparentemente muito mais como recurso retórico para convencer suas populações de que aquelas demandas particulares dos super-ricos teriam efeito generalizadamente benéfico. Ronald Reagan foi muito mais efetivo e engajado em sua política de redução de impostos que Margaret Thatcher, de acordo com Cooper (2012). Em verdade, no primeiro mandato Reagan realizou um amplo e rápido programa de alívios tributários na margem, assim como aqueles direcionados para grandes empresas; enquanto no segundo mandato operou uma reforma tributária que tornariam permanentes aqueles alívios até então temporários. No entanto, face ao aumento de gastos militares, o governo de Reagan simplesmente construiu déficits. Resistente ao aumento de impostos, esses déficits então foram financiados por meio do mercado financeiro, o que significou aumento das taxas de juros, graças à posição até então confortável dos Estados Unidos como credor mundial, posição a qual a partir dali começaria a se deteriorar. Thatcher, por sua vez, devido à situação específica da economia inglesa, precisou abortar logo cedo sua proposta de gradual corte de impostos, a qual foi retomada apenas no final do mandato.

Ainda de acordo com Cooper (2012), os governos de Reagan e Thatcher foram marcados por sua oposição vigorosa (e vitoriosa) contra organizações trabalhistas. Ambos enfrentaram grandes greves lideradas por sindicatos importantes — por exemplo, do

Professional Air Traffic Controllers (PATCO) nos EUA, e do National Union of Mineworkers

(NUM) no Reino Unido — da mesma forma: incitando a opinião pública contra a ação sindical por meio da mídia; criminalizando, encarcerando, demitindo e expurgando sindicalistas; aprovando leis antissindicalistas, para o claro benefício de empregadores; retirando quaisquer garantias trabalhistas até então conquistadas pelos movimentos, com flexibilização de salários, condições de trabalho e mesmo relações de emprego. O curioso é que, se de um lado o Partido Conservador sempre sustentou uma retórica antissindicalista, tendo levado Thatcher ao poder sem atenuar seu discurso, o caso de Reagan foi bem diferente. Embora tenha durante anos sustentado em textos e pronunciamentos a extinção de garantias como o salário mínimo e a sindicalização, durante suas campanhas eleitorais todos esses pontos de vista foram

relativizados, negados ou abandonados. Reagan chegou inclusive a receber o apoio político — e irregularmente financeiro, por meio dos já mencionados PACs — de muitos dos sindicatos que depois contribuiria para destruir. De fato, a política antissindicalista de Reagan foi muito mais conjuntural do que a de Thatcher, para quem praticamente todos os esforços convergiam no sentido de alcançar seu objetivo único (declarado, publicamente repetido e seguidamente reiterado) de destruir o trabalhismo e criminalizar o sindicalismo. Na prática, porém, ambos os governantes lograram flexibilizar as relações trabalhistas, dissolver a importância econômica e social dos sindicatos de trabalhadores (enquanto que os sindicatos patronais se tornavam peças- chave nas administrações públicas) e estabelecer políticas para coibir e criminalizar a organização trabalhista.

As práticas de privatização e desregulamentação tiveram sentidos muito diferentes nos Estados Unidos de Reagan e no Reino Unido de Thatcher. Segundo Cooper (2012), nos EUA pouco havia por privatizar, uma vez que ali o Estado sempre relutou em interferir mais diretamente na economia, tanto o é que o processo de privatização no Reino Unido realizado por Thatcher foi idealizado como uma maneira de americanizar sua economia. A então primeira ministra admirava o extenso papel que o setor privado assumia no continente americano e, portanto, queria emular aquilo em sua economia doméstica; tanto as empresas públicas quanto os resquícios neocorporatistas eram vistos como traços de comunismo no Reino Unido, o que precisava ser extirpado. Nos EUA, curiosamente Reagan travou uma batalha contra a tradição secular da economia americana em tentar manter padrões aceitáveis de competição. A desregulamentação norte-americana — tanto econômica (em termos de redução dos marcos legais de concorrência) como social (eliminando regras de proteção ambiental, segurança do trabalho e do consumidor) — visava simplesmente retirar quaisquer limites impostos pelo Estado às empresas, mesmo que isso resultasse em menor concorrência interna. O objetivo do governo era, declaradamente, não interferir na maneira alegadamente natural de se fazer negócios. Claro, o setor mais beneficiado foi o de serviços, mais especificamente o sistema financeiro. Não por acaso, a década de 1980 marcou esse setor por fusões, aquisições e por uma multiplicação sem igual de produtos financeiros e alternativas de investimento, assim como pelo surgimento de bolhas especulativas, as quais inclusive resultaram na crise de 1989.

Além disso, Thatcher e Reagan, juntos, se articularam em âmbito internacional no sentido de promover a estratégia neoliberal. É possível inferir a partir da exposição de Cooper (2012), Dumenil e Levy (2004), Dardot e Laval (2016), Harvey (2005) e Phelan (2014) que,

uma vez tendo se consolidado o neoliberalismo nos EUA e no Reino Unido — dois dos mais importantes países da economia-mundo capitalista —, os governantes se engajaram numa cruzada internacional por sua expansão. Acompanhados por suas indústrias de comunicação e mídia — que alegremente disseminaram conceitos ainda imprecisos como globalização, competição internacional, flexibilização do trabalho e reformas modernizadoras —, Thatcher e Reagan trabalharam para criar institucionalidades que se aproveitavam do momentum da crise fiscal do Estado para promover a solução neoliberal. Dentre as muitas frentes, iniciou-se uma discussão referente à modernização do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT) que em 1995 culminou com a criação da Organização Mundial do Comércio (OMC), cujo objetivo era o de eliminar barreiras alfandegárias. Além disso, as missões do Fundo Monetário Internacional (FMI), bem como a ajuda disponibilizada pelo FMI e pelo Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), passaram a ser condicionadas a adoção de uma série de medidas neoliberais por parte dos países assistidos — medidas que no final da década de 1980 ficariam conhecidas como o Consenso de Washington. Também se engajaram na promoção de negociações com o intuito de realizar a flexibilização e desregulamentação do mercado financeiro em nível global as quais, em 1988, se consolidaram no acordo de Basileia I (o qual, ironicamente, retoricamente assumia para si o papel de regular o mercado visando evitar colapsos; devido a seguidas crises financeiras, foi acrescido de dois novos acordos em 2004 e 2010, Basileia II e III, respectivamente).

Assim, de acordo com a exposição de Harvey (2005), o neoliberalismo emerge no terceiro quartel do século XX primeiro como um movimento intelectual, depois como uma estratégia política. Harvey (2005) destaca que o pensamento neoliberal parte da premissa de que é preciso assegurar liberdades de decisão e autonomia para todas as pessoas, de forma irrestrita, livrando-as assim das forças ditas opressoras tradicionais. Mas, na prática, se materializa como uma estratégia para cercear as liberdades coletivas e assegura a liberdade da classe capitalista em explorar o trabalho e acumular capital. Da mesma forma, para Dumenil e Lévy (2004), o neoliberalismo, antes de ser um esforço de liberalização econômica, é uma estratégia de ação coletiva realizado pelo grande capital, a partir da representação política das finanças. O movimento, que ganhou corpo a partir da crise, crítica e sepultamento do Estado de Bem-Estar nas economias centrais do capitalismo mundial, encontra sua verdadeira expressão na centralidade assumida pelo sistema financeiro.