2. AGROINDÚSTRIA CANAVIEIRA NO BRASIL
2.2 O Noroeste de Minas Gerais e o Vale do Paracatu
O Noroeste de Minas é uma das doze mesorregiões do estado de Minas Gerais, formada pela união de dezenove municípios, agregados em duas microrregiões (Paracatu e Unaí). É uma região cuja economia gira em torno do agronegócio, que é responsável por 56,5% do valor arrecadado em ICMS, segundo o IBGE (Pesquisa Agrícola Municipal, 2006).
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Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool do Estado de Minas Gerais. 6
Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais. 7
Consultoria, Assessoria Agronômica, Tecnologia e Logística Aplicada a Cana-de-Açúcar. 8
Figura 1 – Localização do Noroeste de Minas e de suas microrregiões
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Noroeste_de_minas, adaptado pela autora.
A região Noroeste de Minas Gerais era, nas décadas de 1950 e 1960, caracterizada pelo vazio demográfico, organização socioeconômica arcaica e pela insignificante importância econômica para o país. Seu desenvolvimento se deu a partir da construção de Brasília, Goiânia e as conseqüentes obras em infra-estruturas e estradas. Com uma vasta região de cerrados inexplorados, favoráveis a mecanização e com a proximidade da capital, a região passou a ter atenção governamental, que se tornou um pólo de desenvolvimento. Alguns programas como o POLOCENTRO, na década de 1970, e o PRODECER (Programa de Desenvolvimento dos Cerrados), na década de 1980, atraíram grande quantidade de investimentos para a região, que hoje conta com moderna agropecuária. (INDI, 2003).
A Tabela 14 mostra as principais culturas agrícolas da região em 2006, em termos de valor de produção, e sua evolução no período de 2000 a 2006. A agricultura na região é destaque na produção de grãos, principalmente soja, feijão e milho. A cana-de-açúcar ocupa o 6° lugar (2006) em termos de importância econômica, e apresentou uma evolução de 353,80% no valor de sua produção no período 2000-2006, período em que saltou da 9° para a 6°
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posição. Espera-se um crescimento ainda maior, em virtude da instalação de duas destilarias no município de Paracatu, no ano de 2007.
Tabela 14 – Culturas agrícolas importantes no noroeste mineiro, em termos de valor da produção (em mil reais)
Cultura 2000 2006 Evolução Soja 88.849 307.973 246,62% Feijão 75.465 183.490 143,15% Milho 115.612 124.867 8,00% Café beneficiado 21.370 70.160 228,31% Algodão 27.465 44.519 62,09% Cana-de-Açúcar 9.277 42.098 353,80%
Fonte: IBGE, Pesquisa Agrícola Municipal, 2006.
A produção de cana-de-açúcar do Noroeste Mineiro está concentrada na Microrregião de Paracatu-MG, que responde por 98,74% da produção da região, em virtude da localização das empresas processadoras, nos municípios de Paracatu e João Pinheiro, listadas na Tabela 15.
Tabela 15 – Usinas e Destilarias no Noroeste de Minas Gerais
Usina/Destilaria Cidade Microrregião
Destilaria Vale do Paracatu Agroenergia Ltda. Paracatu Paracatu
Bioenergética Vale do Paracatu Paracatu Paracatu
Destilaria Rio do Cachimbo João Pinheiro Paracatu G5 Agropecuária – Fazenda Tapera João Pinheiro Paracatu
Fontes: Siqueira (2004), SIAMIG, FIEMIG, CONSULCANA E UDOP, 2008.
Paracatu é um município do noroeste mineiro com cerca de 80 mil habitantes. A área do município é 8.232km2, sendo que a metade desta é ocupada por estabelecimentos agropecuários e nestes, 10% são lavouras, 22% pastagens naturais, e 14% matas nativas. O agronegócio envolve diretamente 5,6% da população do município e gera 23% do PIB do
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município e 13% do valor da produção agrícola do noroeste mineiro, além de gerar 63,36% do valor arrecadado em ICMS no município. Na Tabela 16 apresentam-se algumas culturas significativas para o município. (IBGE, Pesquisa Agrícola Municipal, 2006).
Tabela 16 – Importância das principais culturas agrícolas, temporárias e permanentes, em termos de valor da produção, para o Município de Paracatu-MG
Cultura Valor da produção
(milhões de reais)
Importância em relação ao valor de produção total
Soja 32,400 27,98% Feijão 23,140 19,98% Milho 15,282 13,20% Café 10,868 9,39% Algodão 8,438 7,29% Arroz 3,694 3,19% Cana-de-acúcar 3,600 3,10% Outras 18,355 15,87%
Fonte: IBGE, Pesquisa Agrícola Municipal, 2006.
A cidade está situada às margens das rodovias BR 040 e MG 188, e dista 220 quilômetros da capital federal. A região começou a ser explorada no século XVIII, com a extração de ouro. No entanto, foi a mudança da capital para Brasília que fez com que a cidade retomasse seu crescimento alicerçado na agropecuária, via projetos de colonização como o Projeto Entre Ribeiros e Mundo Novo, que foram iniciados no final da década de 1970. A agricultura irrigada também ganhou muitos incentivos governamentais nessa época, com programas como o PLANOROESTE (Plano de Desenvolvimento Rural Integrado do Noroeste Mineiro) e o PRODECER (Programa de Desenvolvimento do Cerrado Brasileiro). (BORTOLOZZO, 2001).
Em Paracatu, o primeiro projeto atendido pelo PRODECER foi o Projeto de Colonização Paracatu Entre Ribeiros, implantado em 1983 e dividido em quatro etapas, sendo algumas já em funcionamento e outros ainda somente implantados. Houve comprometimento entre várias entidades governamentais, para a gestão e financiamento do Projeto Entre Ribeiros, que hoje posiciona o município como um dos maiores e mais importante pólo de agricultura irrigada no Brasil, com destaque para a irrigação por pivô central. (BORTOLOZZO, 2001;RODRIGUEZ, 2004).
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Na região coexiste hoje a agropecuária intensiva e diversificada e a exploração mineral empresarial realizada pela multinacional RPM9 (ouro) e pela Votorantim Metais (zinco).
O município está incluído na região de Cerrado, que é o segundo maior bioma do Brasil. Possui topografia predominantemente plana ondulada, solos bem drenados (majoritariamente do tipo Latossolo Vermelho, Vermelho-Amarelo e Amarelo) e facilidade para retirada da vegetação, o que favorece as práticas agrícolas mecanizadas. As temperaturas médias anuais oscilam entre 21 e 24°C, e o regime pluviométrico é de 1400 mm anuais, em média. O município está localizado na região Aw de classificação climática de Köppen, possuindo temperaturas elevadas com chuva no verão e seca no inverno. Segundo o Zoneamento Agropedoclimático da Cana-de-Açúcar, o município de Paracatu e especificamente o Projeto Entre Ribeiros, possuem áreas classificadas como zonas aptas, porém com restrição hídrica e áreas inaptas, conforme APÊNDICE A deste trabalho.
Os aspectos naturais favoráveis somados à presença de completa infra-estrutura de apoio fazem do município um pólo agrícola de destaque em Minas Gerais.
O potencial agrícola do município e especificamente do Projeto Entre Ribeiros motivou o investimento de dois grupos em usinas na região: a Destilaria Vale do Paracatu - Agroenergia Ltda. e a Bioenergética Vale do Paracatu, ambas com foco exclusivo de produção de etanol. Ambas encontram-se em fase de construção e com previsão de início de funcionamento em 2009. As empresas terão suas sedes de funcionamento na região do Projeto Entre Ribeiros. A Destilaria Vale do Paracatu terá capacidade de processar em torno de três mil toneladas de cana por dia, conforme parecer técnico aprovado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (2007), e a Bioenergética adquiriu uma planta industrial capaz de moer ao redor de quinze mil toneladas de cana por dia, conforme informações obtidas na própria empresa.
Com essa capacidade instalada, a demanda dessas empresas será ao redor de 3,6 milhões de toneladas por safra, o que demandará, sob as produtividades médias obtidas no Noroeste de Minas (IBGE, 2006), a incorporação de mais de quarenta mil hectares para a produção da cana-de-açúcar.
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