1. DO CONHECIMENTO AO ACESSO AO CONHECIMENTO
1.1. O Conhecimento Nutricional
1.1.2. O Nutritional Knowledge Questionnaire
O Nutritional Knowledge Questionnaire (NKQ) foi concebido para ser utilizado na população em geral, com 18 anos ou mais, (9) tendo sido utilizado em estudos epidemiológico na Inglaterra, (15; 6) e em outro países, nomeadamente Irlanda (16) e Bélgica. (13) Os investigadores Parmenter e Wardle publicaram em 1999 um artigo que descreve a metodologia de desenvolvimento deste questionário (Anexo 1: Artigo de validação do NKQ).
O NKQ, até chegar a forma como se apresenta (Anexo 2: O NKQ e as respostas correctas), foi desenvolvido e validado em duas fases:
1) FASE PILOTO
a. 1201 questões foram revisadas por dois painéis diferentes (um de dietistas e outro de psicólogos), chegando a um questionário de 102 questões sobre conhecimentos nutricionais e mais 12 questões demográficas.
b. O questionário inicial foi aplicado 391 indivíduos (com mais de 18 anos) e analisado em termos de Dificuldade dos itens, Discriminação dos itens e Consistência interna.
c. Foi calculado o alfa de Cronbach para cada uma das partes: Compreensão dos termos 0,69; Recomendações dietéticas 0,76; Fonte de nutrientes 0,9; Escolhas diárias dos alimentos 0,66; Relação dieta-doença 0,79.
d. As 102 questões passaram a 50, porque foram removidos os itens: respondidos correctamente por mais de 90% ou menos de 30% dos participantes; com uma correlação do item com pontuação total de menos de 0,2, aceitando alguns em circunstâncias excepcionais. Ainda foi excluída a 1ª parte do questionário (compreensão dos termos) porque ficaram com poucos itens com critério de dificuldade e correlação com a pontuação final.
2) FASE FINAL
a. O questionário final de 50 questões foi aplicado a dois diferentes grupos em relação aos conhecimentos nutricionais: com nível especializado em conhecimentos nutricionais (74 finalistas da licenciatura em dietética) e sem nível especializado em conhecimentos nutricionais (94 finalistas da licenciatura em ciência da computação), em dois diferentes momentos diferentes (105 estudantes responderam no 2º momento), no fim de uma aula, a fim de analisar a Validação do construto; Consistência interna e Reprodutibilidade. b. A Validade de construto foi sugerida pela pontuação significativamente maior
do grupo com nível especializado em conhecimentos nutricionais (p<0,001), apesar de ter sido encontrada uma pequena diferença de géneros entre grupos.
c. A Reprodutibilidade foi medida através do Coeficiente de Correlação R de Pearson entre a diferença entre a pontuação dos 105 estudantes que responderam o questionário duas vezes.
d. A Consistência interna foi medida através do alfa de Cronbach da análise do primeiro questionário respondido pelos 168 estudantes.
Assim, o NKQ apresentou uma Reprodutibilidade de 0,98 e uma Consistência interna de 0,97, com base na fase final do estudo. Traduz os conhecimentos nutricionais através uma pontuação de 0 a 110 pontos, somando 1 ponto por resposta correcta.
O NKQ está organizado em 4 secções. Cada uma das secções corresponde a um sub- questionário que pode ser utilizado separadamente, traduzindo campos específicos do conhecimento nutricional, com pontuação e validade independentes:
• Secção I: Recomendações Dietéticas
o Formada por 11 itens, pontuação de 0-11,
o Alfa de Cronbach de 0,70 e Fiabilidade (teste-reteste) de 0,80. • Secção II: Fonte Alimentar de Nutrientes
o Formada por 69 itens, pontuação de 0-69,
o Alfa de Cronbach de 0,95 e Fiabilidade (teste-reteste) de 0,94. • Secção III: Escolhas Alimentares Saudáveis
o Formada por 10 itens, pontuação de 0-10,
o Alfa de Cronbach de 0,76 e Fiabilidade (teste-reteste) de 0,87. • Secção IV: Relação Dieta-Doença
o Formada por 17 itens, pontuação de 0-20,
o Alfa de Cronbach de 0,92 e Fiabilidade (teste-reteste) de 0,97.
Ainda é importante referir que o NKQ é um questionário de auto-aplicação com 50 questões, das quais: 6 são de respostas abertas e as restantes, fechadas. Algumas questões (12) estão subdivididas em sub-questões e são tratadas individualmente. Para algumas questões ou sub- questões, não é atribuída nenhuma pontuação, enquanto outras têm uma pontuação atribuída que pode variar de 1 a 3 pontos, consoante o número de respostas correctas dadas à questão. As questões ou sub-questões que têm cotação atribuída serão denominadas de itens.
Em relação às questões fechadas: Quase todas incluem a opção “não tenho a certeza” (que reduz o viés por tentar adivinhar) com a excepção de 10 questões; 11 questões ou sub- questões não tem pontuação atribuída; Todas as questões consideradas itens (que têm cotação atribuída) são cotadas com 1 ponto se acertadas e 0 se erradas.
Em relação as questões abertas, todas são cotadas (por isso tratadas por itens) com 1 ponto por cada resposta dada correctamente. Dos 6 itens, 4 têm uma pontuação máxima de 1 ponto; 1 pode ser cotado até 2 pontos; O outro, até 3 pontos. Quando os itens são respondidos incorrectamente, não é atribuído nem descontado nenhum ponto.
As informações sobre as respostas correctas ao questionário (Anexo 2: O NKQ e as respostas correctas) e como devem ser feitas as pontuações das questões (Anexo 3: Pontuação atribuída aos itens do NKQ) foram gentilmente cedidas pelos autores do NKQ, Parmenter e Wardle.
Tendo em conta as suas propriedades de validade e fiabilidade, o atributo estético e o facto de ser de auto aplicação, o NKQ poderia ser uma alternativa de baixo custo para avaliar o estado dos conhecimentos nutricionais em Portugal.
No entanto, instrumentos para avaliar estado/resultados de/em saúde, quando desenvolvidos e testados num pais ou cultura específicos, não pode ser assumido como prontamente e directamente transferido para outro contexto. (34) Outra opção seria elaborar um questionário novo mas, com já foi referido, novos questionário só deve ser desenvolvidos quando não houver um outro adequado. (8)
Além de facilitar o trabalho inicial, validar um questionário previamente existente também permite fazer uma melhor comparação entre os dados dos países, por exemplo Inglaterra e Portugal. Assim, considera-se que é possível estudar os conhecimentos nutricionais dos portugueses através do NKQ. No entanto deve ser primeiramente traduzido, adaptado e validado para a cultura portuguesa antes para ser utilizado em Portugal.