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O objeto de estudo das pesquisas apresentadas

No documento Texto completo (páginas 97-100)

Leny Rodrigues Martins Teixeira***

2.1 O objeto de estudo das pesquisas apresentadas

A tabela abaixo apresenta os dados gerais relacionados ao conteúdo das 151 comunicações apresentadas nos dois en- contros focalizados que, trabalhadas me- diante análise de conteúdo, deram origem a 6 categorias e respectivas subcategorias, conforme se segue:

CATEGORIAS SUBCATEGORIAS 2003 f 2004 f Total f (%)

1. Licenciaturas 4 6 10

2. Estágio supervisionado 3 - 3

3. Práticas de ensino; estratégias 4 5 9

4. Formação dos formadores 1 12 13

5. Docência no ensino superior 2 2 4

1 - Formação inicial

S ub-total 14 25 39 (21,2)

1. Propostas para formação contínua 7 8 15

2. Uso de novas tecnologias 3 8 11

3. Processos de formação 13 8 21

4. Necessidades dos docentes 8 4 12

5. Demandas relac. à educ. inclusiva - 3 3

2 - Formação contínua e desenvolvimento profissional docente

Sub-total 31 31 62 (33,7)

1. Profissionalização e socialização 1 2 3

2. Trajetória profissional; carreira 1 2 3

3. “Mal estar”, stress e desistência - 2 2

3 - Profissão docente e identidade profissional

Sub-total 2 (2,4) 6 (6,1) 8 ( 4,3)

1. Construção e reconstrução dos saberes 5 6 13

2. Mobilização dos saberes 7 - 7

3. Processos aprendiz. na docência 4 3 10

4 - Saber docente e aprendizagem profissional

Sub-total 16 9 25 (13,6)

1. Concepções teóricas presentes nos processos de formação 6 6 12 2. Concepções teóricas subjacentes à prática 5 5 10 5 - Concepções teóricas

subjacentes à formação

e à prática dos professores Sub-total 11 11 22 (12.0)

6 - Outros 11 17 28 (15,2)

Total geral (*) 85 99 184 (100)

Tabela 1– Comunicações apresentadas no GT Formação de Professores nos VI e VII

Encontros de Pesquisa em Educação da Região Centro Oeste.

(*) O total geral ultrapassa o número de Comunicações apresentadas nos eventos porque, em alguns casos, os trabalhos foram classificados em mais de uma categoria.

98 Josefa A. G. GRIGOLI; Leny R. M. TEIXEIRA. Formação de professores: uma análise... Uma primeira análise dos dados co-

loca em evidência a presença expressiva de pesquisas sobre a questão da formação contínua e do desenvolvimento profissional dos docentes, que predominam em relação às demais categorias. Esse “deslocamento” do foco das pesquisas da formação inicial para a formação contínua corresponde ao movimento teórico e prático na área de for- mação de professores a que se assistiu nas duas últimas décadas. Os estudos se volta- ram para esse novo foco, seguindo uma tendência que, fundamentada em muitos resultados de pesquisa, considera o contexto profissional propiciador de experiências valiosas para o desenvolvimento profissio- nal dos docentes, “uma vez que é na esco- la que os professores aprendem” (CANÁ- RIO, 2001, p.7). As propostas de capaci- tação inspiradas nesse modelo têm gerado controvérsias no seio da comunidade dos educadores por serem muitas vezes identifi- cadas com as políticas neoliberais e as dire- trizes do Banco Mundial que priorizam a capacitação em serviço para o setor edu- cativo do terceiro mundo, por considerá-la uma “via promissora”, em detrimento da formação inicial, vista como “beco sem saí- da” (TORRES, 1998).

Examinando as subcategorias iden- tificadas nessa categoria 2, percebe-se o aumento do interesse dos pesquisadores pelas questões relacionadas com o uso de novas tecnologias no processo de forma- ção contínua e desenvolvimento profissio- nal dos docentes. Embora os dados brutos mostrem que a produção ainda é pouco desenvolvida, ela quase triplicou do sexto para o sétimo encontro. Sabendo-se que

existe todo um esforço do poder público no sentido de colocar as TIC a serviço da formação contínua dos docentes, é de se esperar um incremento na produção de pesquisas sobre essa temática2.

A subcategoria “processos de forma- ção” se destacou nos dois encontros, evi- denciando o interesse dos pesquisadores em “mapear”, registrar, descrever e analisar o que está ocorrendo nessa área. Por outro lado, parece ser menor o interesse dos pes- quisadores por “auscultar” as necessidades dos docentes, nesse terreno da formação contínua e do desenvolvimento profissional, uma vez que o número de comunicações que abordaram essa questão foi menos ex- pressivo nessa categoria, nos dois encontros considerados. Nessa mesma direção, os es- tudos relacionados com as demandas dos professores em relação à formação para atuar na perspectiva da educação inclusiva compareceram de forma pouco significati- va e apenas no evento de 2004, o que faz supor que tais estudos estejam sendo apre- sentados no GT específico, voltado para as questões da Educação Especial.

A comparação do número de comu- nicações classificadas nessa categoria 2 com o das que tratam da profissão docen- te e identidade profissional (categoria 3) mostra um acentuado “descompasso” da pesquisa, provavelmente um reflexo do “descompasso” do real. Ao decidir acerca das questões a serem investigadas, os pes- quisadores voltaram a atenção antes para a formação contínua e o desenvolvimento profissional docente do que para as ques- tões relacionadas com a profissão docente e identidade profissional. Em outras pala-

Série-Estudos... Campo Grande-MS, n. 23, p. 93-106, jan./jun. 2007. 99 vras, esses dados em conjunto parecem

sugerir que podemos estar ilusoriamente avançando (ou pretendendo avançar) no campo do desenvolvimento profissional, sem o correspondente avanço na constru- ção de uma verdadeira profissão docente e uma sólida identidade profissional. Em- bora se possa perceber um ligeiro acrésci- mo percentual nas comunicações dessa terceira categoria, do VI para o VII EPECO, os números permanecem baixos e não autorizam otimismo em relação a essa questão. Mais uma vez, cabe assinalar que a socialização profissional deve ter como horizonte o desenvolvimento da identida- de profissional (CARROLO, op.cit: 27) e que o grau de interesse dos pesquisadores pela temática provavelmente reflita o próprio movimento social.

A categoria “saber docente e apren- dizagem profissional” responde por 13,6% das comunicações deste GT, na média dos dois encontros, com distribuição pouco equi- librada pelas subcategorias e destaque

para os estudos sobre “construção e recons- trução dos saberes” pelos professores. Além disso, os estudos classificados nessa cate- goria se revelaram mais consistentes do ponto de vista da fundamentação teórica e das decisões metodológicas no encami- nhamento da pesquisa que lhes deu origem. Nesse sentido, embora a categoria 2 tenha se destacado pelo maior número de comu- nicações, a produção relacionada com a categoria 4 parece mais bem consolidada. 2.2 A origem/vínculo das comunicações apresentadas

Identificar a origem/vínculo dos estu- dos que geraram as comunicações apresen- tadas permite lançar alguma luz sobre as condições de produção e desenvolvimento da pesquisa em educação, particularmente sobre a temática da formação de professo- res, na Região Centro-Oeste. A tabela abai- xo sintetiza as informações obtidas nos pró- prios textos das comunicações e/ou fichas de inscrição dos participantes do evento.

Natureza do trabalho que originou a comunicação 2003 f 2004 f Total (%)

1. Dissertação ou tese 27 24 51 (33,8)

2. Iniciação científica 11 15 26 (17,2)

3. Pesquisa individual 16 17 33 (21,8)

4. Grupo de Pesquisa 13 12 25 (16,6)

5. Grupo Pesquisa inter-institucional 3 2 5 (3,3)

6. Sem informações 5 6 11 (7,3)

Total 7 5 76 151 (100)

Tabela 2 - Origem/vínculos das pesquisas apresentadas nos VI e VII Encontros de Pes-

100 Josefa A. G. GRIGOLI; Leny R. M. TEIXEIRA. Formação de professores: uma análise... Uma primeira constatação é a de que

os Encontros de Pesquisa em Educação cumprem plenamente uma de suas fun- ções, constituindo-se num espaço privilegia- do para a divulgação e debate dos estudos e pesquisas desenvolvidos nos programas de pós-graduação da Região. Um terço das comunicações apresentadas foram identifi- cadas como resultantes de dissertações ou teses em andamento ou já defendidas. Além disso, a presença de várias comunicações decorrentes do desenvolvimento de projetos de iniciação científica (17,2%) sugere a arti- culação existente entre os programas de pós-graduação com os cursos de gradua- ção, provavelmente aqueles voltados para a formação de professores.

A presença de Grupos de Pesquisa já é bastante expressiva, uma vez que res- ponde por 20% das comunicações apresen- tadas, acompanhando uma tendência que privilegia a produção coletiva do conheci- mento. Importante destacar que 3,3% dessa produção resultam de grupos de pesquisa inter-institucionais, anunciando uma ten-

dência positiva no cenário regional. Final- mente, 21,8% das comunicações resultaram de projetos individuais. Um refinamento dessas informações, mediante cruzamento de dados, possivelmente mostrasse que boa parte dos pesquisadores participa de grupos de pesquisa e, simultaneamente, desenvolve também pesquisas individuais.

2.3 Os objetivos das pesquisas que

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