Inicialmente, para a apresentação deste capítulo, estava prevista apenas uma pesquisa bibliográfica para o entendimento do significado dos objetos técnicos em que foi possível, na época, uma apresentação oral do tema com a finalidade de discussão entre os componentes do NEMHE (Núcleo de Estudos de Memória, História e Espaços). Posteriormente, com a pesquisa de campo e as entrevistas, esse conhecimento do objeto técnico tornou-se fundamental não só nesse capítulo, mas em toda a pesquisa.
Neste capítulo, algumas considerações foram feitas em torno da definição do termo objeto e do termo técnico a partir de um estudo e de um levantamento de dados do acervo dos objetos técnicos voltímetro e osciloscópio. Em seguida, foi feito um estudo sobre o tema para o desenvolvimento da escrita deste capítulo em que é apresentado um diálogo entre os autores: Gilbert Simondon (1958), Pierre Bourdieu (por Sergio Miceli, 2004), RASSE, Paul (1997) e VENTURA (2001), que escrevem sobre o objeto técnico. A partir dessa apresentação e discussão segue-se então com a escrita deste.
O autor Gilbert SIMONDON (1958), em sua tese filosófica, vai além do estudo sobre objetos técnicos. Ele fala da existência presente nos objetos técnicos e incentiva uma tomada de consciência do modo de existência desses objetos técnicos. Para ele: “o pensamento filosófico deve ser um dever análogo àquele representado na abolição da escravatura e da afirmação de valor da pessoa humana”. Portanto, a principal causa de alienação no mundo contemporâneo, para Gilbert Simondon, reside no fato do desconhecimento da máquina, que não é uma alienação causada pela máquina, mas pelo não conhecimento de sua natureza e de sua essência, por sua ausência do mundo das significações e por sua omissão na tábua de valores e conceitos que fazem parte de uma cultura.
Segundo Simondon, Gilbert (1958) p. 19, “o objeto técnico é submisso à sua origem, mas é difícil definir a origem do objeto técnico, porque a individualização dos objetos técnicos se modifica ao curso de suas origens. Não podemos definir os objetos técnicos por seu pertencimento a uma espécie técnica, as espécies são fáceis de distinção, sumariamente pelo uso prático, desde que se aceite tomar o objeto técnico para um fim prático a que ele responde, mas se compõe de uma especificidade ilusória, pois nenhuma estrutura fixa corresponde a um uso definido”.
O autor vem ilustrar essa teoria com o exemplo que pode ser obtido a partir de funcionamentos e de estruturas muito diferentes:
“um motor a vapor, um motor a gasolina, uma turbina, um motor de mola ou a peso são todos igualmente motores, portanto, existem mais analogias reais entre um motor de mola e um arco, de um impulso sobre uma pipa que entre o mesmo motor e um motor a vapor”.
Com isso, Gilbert Simondon explica que a usabilidade ou o simples uso reúne as estruturas de funcionamento heterogêneas sob gêneros e espécies que tiram seu significado da relação entre um tipo de funcionamento para um outro em que há a mediação humana. Então, aquilo a que se dá um nome único, como por exemplo, de motor, pode ser múltiplo num instante e pode variar no tempo mudando de
especificidade. O autor, então, prefere tratar de critérios relativos à origem do objeto técnico para, depois, tratar de sua especificidade:
“O objeto técnico individual não é tal qual uma coisa, dada aqui e agora, mas na qual se dá a origem. A unidade do objeto técnico, sua individualidade, sua especificidade, são os caracteres de consistência e da convergência de sua origem”.
Para Gilbert SIMONDON:
“a origem de um objeto técnico faz parte de seu ser. O objeto técnico não é anterior ao que ele se torna, mas presente em cada etapa daquilo em que se torna. O motor a gasolina não é o mesmo motor dado no tempo e no espaço, mas existe uma continuidade que vai desde os primeiros motores aos que nos temos hoje e que estão ainda em evolução”.
O autor exemplifica o funcionamento evolutivo de um objeto técnico:
Um estado definido de evolução contém em si estruturas e esquemas dinâmicos que são a princípio uma evolução das formas. Um motor de automóvel de hoje não descende de um motor de 1910, por que esse de 1910 foi construído no passado. O de hoje também não descende de nenhum outro porque é confeccionado relativamente ao seu uso, e de fato, por tal uso, um motor de 1910 permanece superior a um motor de 1956.
Na explicação do autor, esse motor pode suportar um aquecimento importante sem “gripar” ou morrer. Assim, no funcionamento de um motor térmico, cada peça é isolada das outras, parte por parte.
“O motor antigo é um conjunto lógico de elementos definidos por uma função completa e única. Cada elemento pode cumprir sua função própria se ele é como um instrumento perfeitamente finalizado, orientado inteiramente para o cumprimento de sua função. Uma mudança permanente de energia entre dois elementos aparece como uma imperfeição, se essa mudança faz parte do funcionamento teórico, existe uma forma primitiva do objeto técnico, e a forma abstrata, dentro daquela em que cada unidade teórica é material e tratada como absoluta. Existe uma série de problemas no funcionamento conjunto de todos os elementos ditos como problemas técnicos e que de fato, são problemas de compatibilidade entre os conjuntos dados”.
O problema técnico é, então, o da convergência das funções de uma unidade estrutural. No entanto, para o autor, p.25:
“não é suficiente afirmar que a evolução técnica de um objeto técnico se faz pela passagem de uma ordem analítica a uma ordem sintética condicionante da passagem da produção artesanal à produção industrial. Mesmo se esta evolução é necessária, ela não é automática, e convém pesquisar as causas desse movimento evolutivo”.
Para ele, “essas causas existem essencialmente na imperfeição do objeto técnico abstrato”.
Nesta sequência, a apresentação prosseguiu com GILBERT SIMONDON: “em nossa cultura o objeto técnico não teria um significado, mas uma função: ser útil”. Ou seja, não é dada a devida importância ao objeto técnico ou às técnicas de forma geral no ambiente cultural, talvez em parte pela sua “feiura”, conforme dito por DUFRENNE. Segundo VENTURA (2001):
“O objeto é um documento, ele é portador de uma informação em si. Ele é produto de uma atividade humana, o resultado de uma série de ações intencionais. Do material do qual é fabricado, de sua forma, de sua decoração, podemos decifrar sua utilidade, seja doméstica, ritual, militar, funerária, etc”.
No Curso Técnico de Eletrônica, o objeto técnico tem sua especificidade; ao mudar de ambiente, adquire uma nova forma de uso. Nesse sentido, a transição do objeto técnico de um ambiente a outro implica uma negociação que propõe a troca necessária ao enriquecimento tecnológico científico e cultural para esses dois ambientes, passando a ser mostrado, como visto em VENTURA, “como resultado de uma série de ações intencionais”.
A partir das respostas das entrevistas com os professores, chegamos ao contexto histórico e social dos objetos técnicos, por exemplo, como os objetos técnicos chegaram ao Curso Técnico de Eletrônica da instituição CEFET-MG, por que vieram, de onde vieram e de que modo se apresentam nas exposições como objetos do acervo desse curso..
O registro do acervo dos objetos técnicos do curso de eletrônica que faz parte da memória e da história do curso está sendo estudado pelo NEMHE. Inicialmente, esse núcleo é o responsável pelas exposições desses objetos, em que o voltímetro e o osciloscópio são pioneiros.
O acervo do Curso Técnico de Eletrônica foi montado com o intuito de preservação do lugar da memória da instituição e de uma cultura tecnológica, constituindo um processo de evolução da técnica, da cultura, da formação profissional e das profissões. O espaço de exposição e atendimento ao público aconteceu com a exposição do Voltímetro Tesla na semana nacional dos museus, no ano de 2007, seguido pela exposição do osciloscópio, em maio de 2008.
Neste capítulo, a proposta foi mencionar os objetos técnicos voltímetro e osciloscópio do curso de eletrônica e seu uso técnico. Segundo levantamento da documentação feita, os objetos técnicos da eletrônica vieram do Leste Europeu e chegaram ao CEFET por volta de 1968, através de acordos comerciais entre os países que utilizavam a moeda de troca ou escambo. Muitos desses objetos técnicos, também
chamados de equipamentos técnicos, foram utilizados para criar e equipar muitos laboratórios técnicos de escolas do Brasil. O Curso Técnico de Eletrônica, como dito anteriormente, foi criado em 1970 com esses objetos. Entre eles, o primeiro utilizado foi o Voltímetro Tesla. Percebe-se, nas exposições, que a apresentação dos objetos técnicos como forma de comunicação da memória do Curso Técnico de Eletrônica do CEFET-MG é importante e ,neste aspecto, eles podem caracterizar um lugar de influência da instituição na sociedade.
O voltiohmímetro era utilizado nas aulas práticas de laboratórios para comprovação da teoria e estudo de equipamentos de medidas e deixou de ser utilizado porque a instituição adquiriu equipamentos melhores e mais atualizados. Surgiram, então, os multímetros portáteis que mediam tensão, resistência e corrente elétrica.
Nos laboratórios, os objetos técnicos voltímetro e osciloscópio foram os responsáveis por muitas formações de técnicos e permaneceram em uso por cerca de aproximadamente 30 anos. Segundo historiadores do NEMHE, “ao chegar no Curso Técnico de Eletrônica, de sua forma original de fabricação, o objeto técnico foi produzido a objeto técnico escolar no Curso Técnico de Eletrônica”.
No ambiente escolar do curso de eletrônica, o objeto técnico foi e ainda é utilizado pelos alunos e professores para executar medições de tensão e resistência elétrica, mas o que essas medidas representavam e representam no contexto de reflexão de uma prática pode ser uma tarefa para o ambiente expositivo; assim como a constituição interna desses instrumentos pode levar a compreender os fundamentos da eletricidade e da eletrônica e os princípios de funcionamento de voltímetros e osciloscópios. Percebe-se, dessa forma, que as exposições podem oferecer contribuições no sentido de explorar mais detalhes e propor reflexões em relação à propriedade dos objetos técnicos, sabendo que por seu uso específico no curso técnico, esses detalhes podem não ser tão significativos dentro desse ambiente.
A seguir são apresentadas algumas abordagens introdutórias sobre a eletrônica e o uso técnico dos objetos técnicos voltímetro e osciloscópio e seu uso no ambiente escolar.
6.1 – Apresentação e interatividade dos objetos técnicos
Um objeto técnico pode ser apresentado nas exposições ou nos museus sob diversas formas. Normalmente é esperado que uma dessas formas seja pela estética, em que a sedução e a beleza apareçam em primeiro plano. Inevitavelmente, o objeto apresentado deve ter em sua aparência algo que desperte o olhar do público. Com os
objetos técnicos do CTELE Voltímetro Tesla e osciloscópio, analisados nas exposições, percebeu-se que, nesse ambiente, eles adquirem novas formas, ainda que ali esteja tal qual são vistos no ambiente técnico escolar. Na entrevista feita com professores na exposição, dois deles não acreditam que o objeto técnico mude pelo fato de estar na exposição. Para eles, o objeto técnico é o mesmo em qualquer lugar devido à sua especificidade. Um professor discorda: “não considero porque ele está interligado a um circuito elétrico”. Este fato justifica a visão desses professores em relação ao objeto técnico expositivo.
Podemos observar, assim, que o objeto técnico é considerado como tendo uma função que lhe é própria no ambiente escolar, é visto dessa maneira pelo profissional que lida com ele, ou seja, para esse profissional, o objeto técnico não muda; mesmo na exposição, ele será sempre o mesmo. No entanto, o que podemos refletir ou considerar, segundo os autores SIMONDON, VENTURA e BOURDIEU, é que o objeto técnico, como portador de saberes, adquire outras formas de mediação, através das quais, por assim dizer, esses objetos se transformam. Tal transformação se dá não exatamente em sua aparência física, mas devido ao fato de estar contextualizado noutro ambiente ou noutras possibilidades de visão dentro e a partir de suas próprias características técnicas.
Para alguns autores que usaram metáforas de representação para objetos técnicos como num conto de Lima Barreto, as possibilidades de ilustração dadas ao objeto técnico são inúmeras, de acordo com a imaginação e abstração a eles atribuídas. Para ele:
“O objeto técnico perde sua funcionalidade e adquire significados. A técnica deixa de ser um meio para um fim e passa a nos dar as regras de formação de um imaginário, que é o modo como o ser humano lida com ela”.
Neste trabalho, observamos que o objeto técnico não deixa de ser um objeto técnico por estar noutro ambiente, mas se aproxima mais das novas possibilidades que ele adquire e das utilidades que possibilitarão novas leituras e outros olhares para seu público nas exposições.
Dessa forma, pode-se dizer que “um imaginário técnico” também pode ser visto através do diálogo entre objeto e visitante, que decorre de forma sutil em função da capacidade humana de imaginar. O processo de negociação vem facilitar essa busca da comunicação entre ambos e convida a decifrar nas exposições os significados, seja técnico, literário, físico, artístico ou científico, atribuídos ao objeto técnico naquela exposição.
A existência do objeto técnico, sua história, seu percurso e seu uso têm um significado para a comunidade de usuários e também uma utilidade na exposição. Nas exposições, esses objetos técnicos adquirem formas e utilidades diferentes na medida em que lhes são atribuídos outras utilidades; além de uma finalidade, possuem outras formas de expressão. Nossa proposta foi explorar, através das interações entre sujeito e os objetos técnicos voltímetro e osciloscópio, os fatores que influenciam essa exploração em termos de negociação e mediação presentes no entorno dos objetos técnicos e suas características de uso tanto como objeto técnico escolar, no passado, como para objeto de exposição. Particularmente na exposição, esses objetos técnicos adquirem uma forma diferente daquela em que se apresentavam como objetos técnicos de estudo escolar.
Segundo Bourdieu (1971):
“os produtos das atividades humanas considerados objetos de arte adaptados para exposições, podem ser considerados de formas diferentes: desde uma concepção estética adequada a sua exposição a uma percepção que não difere nem por sua lógica nem pelos objetos da vida cotidiana”.
O visitante recebe e experimenta uma informação que lhe é passada através de um objeto; no caso dos usuários de um objeto de sua vida cotidiana, reconstrói e interpreta sua própria mensagem. Não é pretendido saber o que foi interpretado individualmente pelo sujeito visitante, mas analisar os aspectos que influenciam essa comunicação sujeito-objeto técnico, já dito, em termos de mediação, negociação e interação ocorrida nesses ambientes.
Na exposição, os objetos técnicos são inicialmente mostrados com a intenção de comunicar através de formas de mediação em que a negociação tem um papel, mediático e interativo, a sua utilidade como objeto técnico expositivo.
Nesse ambiente, foi feita uma abordagem de análise prosseguindo com os estudos à luz das teorias pesquisadas também da interação por Marcos Silva, (2000) mediação por VYGOTSKY; e BOURDIEU (1971), bem como as entrevistas dos usuários visitantes da exposição.
No decorrer das entrevistas com professores na exposição, é possível observar, em seus discursos, a importância dos objetos voltímetro e osciloscópio para o registro e a história do Curso Técnico de Eletrônica. Observamos que esses objetos técnicos trazem uma construção evolutiva do processo tecnológico ao serem mostrados na exposição, uma vez que esse conceito não é bem concebido de forma geral ou se tem apenas uma noção de novidade quando se trata de tecnologia. Conforme visto, os
equipamentos analógicos, ao serem mostrados nas exposições, surgem como indagações em relação aos equipamentos utilizados hoje. Além de um registro, esse é um momento reflexivo e questionador para o visitante. É questionador por mostrar que existem perdas e ganhos e que esses objetos técnicos nas exposições nos apontam que as perdas, apesar de necessárias, nem por isso devem ser desconsideradas ou nulas, mas, pelo contrário, podem ser mostradas, seja para ver uma história na trajetória do objeto, seja para perguntar de que maneira a ciência ou a tecnologia daquele objeto fez e ainda faz parte dos objetos ou invenções construídas hoje, ou ainda para simplesmente aprender com elas; ver que existem e delas surgem essas que aí estão.
O processo de substituição do voltiohmímetro aconteceu com o surgimento dos componentes semicondutores que substituíram as válvulas, o que acarretou: redução de tamanho; peso; consumo de energia; melhor portabilidade, precisão e exatidão das medidas. Neste ponto, surge uma questão: onde foi parar o componente substituído? A resposta pode não ser do interesse dos que não pretendem ou não querem saber para onde foi tal substituto, no entanto as exposições mostram que esse componente ou objeto técnico que foi jogado fora poderia ter sido motivo de identificação com a história de sua evolução e de sua origem, de onde partiu e o porquê de seu uso ou da sua importância hoje, como visto anteriormente no discurso de alguns professores. Em relação ao conhecimento de um objeto do passado, lembra o professor M. que: “entender o que passou é de fundamental importância para a gente entender o que tá hoje”.
Dessa forma, são os registros históricos representados pelo objeto técnico que podem levar a um reconhecimento social de uma comunidade ou uma região. Esse fato e o que estes objetos técnicos têm mais a “dizer” em termos técnicos e científicos podem ser um dos objetivos das exposições.
As exposições possibilitam uma comunicação ativa entre sujeito e objeto. Segundo Marco Silva:
“Mudança no cenário comunicacional. Ocorre a transição da lógica da distribuição (transmissão) para a lógica da comunicação (interatividade). Isso significa modificação radical no esquema clássico da informação baseado na ligação unilateral emissor-mensagem-receptor. O emissor não emite mais no sentido que se entende habitualmente, uma mensagem fechada, ele oferece um leque de elementos e possibilidades à manipulação do receptor”.
Nesse sentido, a interatividade com o objeto pode acontecer sob diversas formas. Uma delas é através da percepção “estética do produto transformado”, segundo Bourdieu, em que “o artista é capaz de aplicar uma intenção pura de pesquisa a
qualquer objeto”, então cita o exemplo do artista Marcel Duchamp, que envia um urinol ao Salão dos Independentes em New York, como tendo a “capacidade infinita” de apreender qualquer objeto, tenha ele sido produzido ou não segundo uma intenção. Assim, as obras destinadas a museus se encarregavam puramente do estético, mas á medida que a autonomia no campo intelectual se amplia, de acordo com Bourdieu, os artistas procuram “encontrar um duplo sentido ao termo com alvo explícito a contestações simbólicas”.
FREUD (1976, p.237, vol. XVII), num pequeno artigo sobre o estranho, faz uma analogia à estética “no sentido da qualidade do sentir”. O tema do estranho relaciona-se, segundo Freud, “com o que é assustador como aquilo que desperta o medo em geral”. Contudo, prossegue escrevendo na p. 239, “nem tudo que é novo e não familiar é assustador”. Os sentimentos de natureza positiva, como menciona, em geral, se preocupam com o que é belo, atraente e sublime mais do que com sentimentos opostos de repulsa e aflição. Na sua teoria sobre o luto e a melancolia, Freud fala da recuperação e superação de objetos. Alguns artistas da época queriam transformar o psicanalista em uma espécie de “santo padroeiro”, mas aqui Freud trata do luto no lugar do sentido anterior dado ao objeto.
A interatividade com o objeto técnico (computador), por exemplo, oferece todos os meios necessários a uma atividade interativa incluindo o hipertexto20. Esse computador conectado à internet aumenta o leque de interatividades e, num grau mais elevado da interatividade, segundo Marco Silva (2000), permite múltiplas conexões em rede. O autor adverte, portanto, que a interatividade não é uma novidade da era digital. É um conceito da comunicação e não apenas da informática:
“Antes do computador conversacional é possível encontrar a expressão mais depurada do termo na arte “participacionista” da década de 1960, definida também como “obra aberta” (Umberto Eco). O que permite garantir