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8. CONCEITOS DE TURISMO SUSTENTÁVEL E DE TURISMO NAS ILHAS

9.2. O Ordenamento do Território e o Ambiente 64

Na ilha do Porto Santo, o tecido urbano encontra-se disperso e algo degradado, devido a algum crescimento anárquico gerado à margem da produção de solo urbano organizado. O grande número de construções efectuadas nos últimos anos, apresenta alguma má qualidade e nalguns casos é fortemente descaracterizador da paisagem. No entanto, existe já desde 1998 o Plano Director Municipal (PDM).

Em termos de regionais, e como factores preponderantes de ordenamento do território e consequente protecção do ambiente, refira-se ainda o POTRAM (Plano de Ordenamento de Território da Região Autónoma da Madeira) e o atraso na necessária implementação do POOC (Plano de Ordenamento da Orla Costeira). O primeiro é definido assim pelas entidades governamentais:

“O POT define a estratégia de desenvolvimento do turismo na Região e o modelo territorial a adoptar, com vista a orientar os investimentos, tanto públicos como privados, garantindo o equilíbrio na distribuição territorial dos alojamentos e equipamentos turísticos, bem como um melhor aproveitamento e valorização dos recursos humanos, culturais e naturais. Constitui, ainda, objectivo do POT que a distribuição territorial e as características dos empreendimentos turísticos se adequem às realidades paisagísticas e históricas das diversas zonas da Região e que se insiram no meio social e cultural, contribuindo para o desenvolvimento local integral. Tendo em conta a necessidade de orientar o crescimento no horizonte temporal e físico que abrange, o POT estabelece limites e ritmos de crescimento do alojamento, bem como valores para a sua distribuição territorial.” É este mesmo instrumento que indica, portanto, a capacidade máxima de alojamento para cada Concelho da Região.

Quanto ao POOC, o Governo Regional da Madeira deu início à elaboração de vários abrangendo, por troços, toda a costa das ilhas da Madeira e de Porto Santo. No entanto, “…a necessidade de articulação das suas opções com as do Plano para o Ordenamento do Território na Região Autónoma da Madeira (POTRAM) e com as dos planos directores municipais para as respectivas zonas de influência - planos cuja elaboração fora entretanto iniciada - e, bem assim, a constatação, por acontecimentos então ocorridos, da imprescindibilidade de neles serem tidos em consideração factores até aí não valorados, designadamente mediante elaboração de cartas de risco, conduziram a que a conclusão dos POOC se não tenha ainda efectivado.”

A mesma entidade afirma-se ciente do seu dever constitucional de promover políticas activas de ordenamento do espaço territorial e também da particular vulnerabilidade dos valores ambientais e paisagísticos em causa. Contudo, “…a presunção de dominialidade relativa a todas as parcelas de terreno inseridas na margem das águas do mar, a inadequação da dimensão física da margem, no que respeita às ilhas desta Região Autónoma, e o formalismo dos procedimentos administrativos inerentes ao reconhecimento de direitos de propriedade privada sobre prédios integrados na margem - mesmo que documentalmente titulados -, colocando dificuldades por vezes inultrapassáveis aos respectivos proprietários, levam a que a atribuição de usos privativos em tais faixas territoriais constitua o único instrumento célere e eficaz ao

dispor da Administração, quando pretenda viabilizar projectos a que reconheça um incontestável interesse público.”

Considera ainda que a existência do POTRAM e de vários planos municipais de ordenamento do território eficazes assegurarão cabalmente a protecção dos interesses em causa. Daí que se possibilite “…novas construções ou instalações fixas e indesmontáveis nas orlas costeiras, sempre que os fins a que se destinem sejam compatíveis com as opções constantes do POTRAM e do plano municipal para a área.”

Mas apenas se pode admitir a “…atribuição de usos privativos em locais já classificados como de produção de solo urbano por via do POTRAM ou de plano municipal de ordenamento do território plenamente eficaz e ainda sujeitar o projecto da instalação a levar a efeito a parecer das entidades que exerçam competências relativas a essa área do domínio público marítimo, fixando-se os critérios a considerar em tal pronúncia.”

As questões ambientais são naturalmente incontornáveis nos dias que correm, e naturalmente estão na ordem do dia numa ilha tão ambientalmente vulnerável, como é a da Porto Santo. Os debates focam as questões da poluição, das energias alternativas, da necessária educação ambiental, entre outras. O desenvolvimento sustentável baseia-se também na sustentabilidade ambiental, como já referido, pelo que desenvolver um destino turístico sem ter em atenção as particularidades ambientais do mesmo, é condenar esse destino à insustentabilidade.

No entanto, compatibilizar as actividades exploradas humanas com o meio ambiental, reveste-se de complexidade, pelo que existe necessidade imperiosa de tratar as questões ambientais de uma forma integrada, global e numa perspectiva de longo prazo.

A base de toda e qualquer política ambiental, deve ser o respeito e a preservação do meio envolvente. Deve igualmente procurar elevar os padrões de qualidade de vida da população residente, sobre quem primeira e principalmente as mesmas políticas têm influência. A degradação da base de sustentação ambiental em consequência das actividades económicas, o que à partida e a curto prazo pode trazer benefícios à sociedade no geral, resulta posteriormente num claro empobrecimento da mesma.

Daí a necessidade incontestável de preservação ambiental e do ordenamento do território na ilha do Porto Santo.

A protecção do ambiente passa também e imperativamente pela educação e consciencialização ambiental, permanente e contínua, da população. As acções para se incrementar a educação ambiental e para reforçar a protecção e o controlo ambiental, têm passado pela actuação da Porto Santo Verde, SA – empresa municipal.

Acções desenvolvidas, entre outras:

 Controlo microbiológico da areia/águas balneares;

 Regulamento de resíduos sólidos da ilha do Porto Santo - Recolha de resíduos e equipamentos eléctricos e electrónicos, para além da recolha normal de resíduos sólidos urbanos e introdução da reciclagem na ilha;

 Informação e sensibilização ambiental (campanhas de sensibilização nas escolas);

 Controlo de aterro de terras e similares.

Persistem, todavia, problemas graves no tratamento dos resíduos (pós-recolha), que apenas ficarão solucionados, aquando da entrada em funcionamento do novo Centro de Processamento de Resíduos Sólidos do Porto Santo. De facto, os entulhos que derivam do sector da construção e sucata tinham como destino a “Lapa”, local onde está a ser construído o novo centro de processamento.

Esta situação, provocou durante largos anos a descaracterização da paisagem daquela zona, com constantes deslizes de sucata e entulho para o mar, já que o local situa-se junto à linha da costa norte da ilha. Adoptou-se então a solução de depositar os entulhos nas pedreiras desactivas, e assim requalificar as pedreiras abandonadas por exaustão de recursos.

Todavia, apesar da solução encontrada, a verdade é que a deposição de aterros não resolve o problema grave da requalificação das pedreiras, que continua a descaracterizar a paisagem portossantense. E as sucatas continuam infelizmente à mostra, no parque da Câmara Municipal junto a uma das principais entradas da ilha, o aeroporto, até serem enviadas para fora da ilha.

O Porto Santo tem participado no esforço global de diminuição das emissões poluentes associadas à produção de energia. Actualmente, existe um projecto-piloto de integração de energias renováveis com pilha de combustível, na ilha do Porto Santo. Esta tecnologia reúne todas as condições para substituir os antigos combustíveis fósseis nos próximos 20 ou 30 anos. A sua utilização em alternativa a um sistema de combustão convencional, reduz as emissões de NOx e Co2 para níveis praticamente insignificantes (inferior a 4% do valor dos sistemas convencionais), enquanto as emissões de SOx são reduzidas pelo menos em cerca de 65%, não só devido a uma maior eficiência energética mas, igualmente, porque parte do enxofre é retida pela própria pilha. A eficiência eléctrica situa-se entre 45 a 50 %, ascendendo a uma eficiência global de 80% numa instalação de co-geração. Além disso, apresentam baixos níveis de ruído, dispensando a necessidade de sistemas de isolamento sonoro.

Importante foi também a colocação de passadiços sobre o cordão dunar, em muitas das entradas para as praias da ilha. Esta medida da responsabilidade da Sociedade de Desenvolvimento do Porto Santo, procura preservar as frágeis dunas do Porto Santo, noutros tempos, alvo de constantes atentados, quer pelas construções junto à praia, quer pela criação de acessibilidades para passagem dos próprios visitantes das praias.

9.3. Caracterização das Infra-estruturas e Equipamentos Colectivos