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5 Discussão dos resultados

5.4 O papel do cliente no processo

Os respondentes apontaram que o papel dos clientes, de acordo com o nível de análise da pesquisa, indivíduos que ocupam cargos de chefia ou gerência, durante o processo de consultoria, é fazer o elo do consultor com a organização a fim de gerar as informações necessárias para que seja feito o diagnóstico de maneira precisa. Esse fato é importante, pois uma vez que o diagnóstico é feito, este servirá de base para o desenvolvimento dos trabalhos.

O contrato é visto como um elemento de regulação da prestação do serviço. Nele ficariam estabelecidos os direitos e obrigações de cada parte, consultor e cliente, como uma forma, então, de tanto a consultoria quanto o cliente se garantirem legalmente em relação a aspectos acordados e que não foram cumpridos.

Assim, o contrato deve conter o entendimento da demanda, deixar claros os seus propósitos após a intervenção, as atividades que serão realizadas e o papel de cada um neste processo para que se alcancem os objetivos determinados. Esta percepção vai ao encontro

Envolvimento da Alta-administração Propiciar um ambiente investigativo Suporte aos projetos Disseminação do conhecimento gerado Dar exemplo Intermediar a relação entre a organização e o consultor Interesse na resolução dos problemas

Favorecer recursos de aprendizagem e prática no ambiente organizacional

Estímulo à participação dos funcionários Repassar a necessidade da consultoria para os gestores da área Favorecer a credibilidade dos funcionários em relação ao processo

da visão de Appelbaum & Steed (2005) que afirmam estar o êxito da intervenção organizacional relacionado, também, com a clareza e comunicação das expectativas e dos resultados entre as partes.

Esta negociação das expectativas se mostra importante, pois segundo o conceito de autopoiese de Maturana & Varela (2003), os estímulos do ambiente provocarão perturbações no indivíduo de acordo com a sua estrutura interna. Com isso, não se pode prever o comportamento que o indivíduo demonstrará a partir de sua relação com o consultor, e isto pode acarretar uma sensação de fracasso em relação à prestação do serviço, pois o cliente pode alegar que não aprendeu o que “queria”. Assim é mister acordar as expectativas de ambas as partes em relação aos resultados esperados depois de realizada a intervenção.

Nesta fase, é importante também que a consultoria contratada discuta, com os clientes, as dificuldades encontradas pela organização contratante no desenvolvimento de processos de consultorias anteriores. Segundo o modelo de Patterson (2000), as experiências e a familiaridade do cliente em relação ao serviço de consultoria impactarão nas suas expectativas em relação a este serviço. Então, é importante que ele possa refletir sobre as suas práticas a fim de aprender com elas. Schon (1983) salienta que a prática reflexiva é central para que os indivíduos reflitam sobre o seu entendimento implícito na ação, critiquem, reestruturem e incorporem apoio em suas ações futuras (SCHÖN, 1983). Com isso, os clientes podem identificar os fatores que facilitaram e dificultaram intervenções passadas, potencializando-os ou minimizando-os.

Neste cenário, o cliente precisa estar aberto e participar das atividades sugeridas pelo consultor, pois como reza o construtivismo proposto por Candy (1991) o conhecimento é algo externo que é construído internamente. Uma vez que a aprendizagem de adultos que ocorre em contextos diversos é proveniente, principalmente, da experiência da própria vida, do trabalho e da reflexão da experiência, sendo fundamentalmente auto-dirigida, ou seja, direcionada por iniciativas e ações do aprendiz, o sentido que as pessoas dão às suas experiências é bastante subjetivo e cada um pode também refletir sobre suas experiências em um ou mais níveis diferentes, de forma que o processo reflexivo é em si pessoal, particular e individual (MEZIROW, 1991). Assim, o conhecimento gerado pelo indivíduo dependerá da reflexão feita por ele das experiências vivenciadas durante o processo de

intervenção, visto que segundo Jarvis (1987) o aprendizado é transformação da experiência em conhecimento, habilidades, e atitudes. Dessa forma, o indivíduo precisa participar ativamente do processo de intervenção e internalizar a necessidade da reflexão na sua prática profissional.

Como forma de participação, inclui-se também a realização de um programa de acompanhamento, a fim de perceber se as tarefas planejadas e os resultados esperados estão acontecendo. Portanto, os clientes podem sugerir alterações na metodologia de trabalho do consultor, em função do andamento da intervenção, de forma que este possa criar um ambiente de trabalho mais propício à aprendizagem de acordo com a cultura daquela organização, aspecto apontado por Gable (1996) como pilar para o sucesso da intervenção.

Além disso, os clientes têm a oportunidade de sistematizar o conhecimento gerado internamente por ele, a fim de, como disse Mezirow (1991), validar as aprendizagens fundamentais através do discurso reflexivo e agir em busca dos resultados esperados, de sorte que a aprendizagem reflexiva se torne transformativa.

Todavia a coleta de dados apontou que, em geral, a disponibilidade do cliente para a participação do processo de intervenção é sempre muito restrita em função das inúmeras tarefas que a atividade que ele exerce, demanda. Assim sendo, este acaba por não cooperar com o trabalho do consultor e as atividades planejadas não são executadas da forma como deveriam, e acabam por interferir, negativamente, nos resultados esperados após a realização do serviço. Inclusive, alguns respondentes apontaram que os clientes têm ciência disto e se mostram satisfeitos em relação aos resultados alcançados, em função da sua participação.

O desconhecimento do cliente em relação à sua atividade profissional e as conseqüências que cada ação tem nos negócios da empresa também foi apontado na coleta de dados como um dificultador da participação do cliente no processo de consultoria. Neste caso, os consultores apontaram que o cliente não consegue entender muito bem o que eles querem dizer, e em consequência, acabam se afastando do processo. Quando não há um entendimento dos clientes quanto à prestação do serviço, Gable (1996) salienta que o cliente não está preparado para, autonomamente, implementar projetos similares.

Figura 8: O impacto do papel do cliente na prestação do serviço de consultoria