5.2 Teoria da identificação social e organizacional
5.2.2 O papel do egresso e o comportamento de apoio a sua IES
Após vasta pesquisa na literatura sobre ex-alunos e suas instituições de ensino, pôde-se verificar que é maciça a preocupação das universidades norte-americanas com a questão da sua manutenção, uma vez que os recursos estaduais e federal vêm apresentando declínio (MCDEARMON, 2012). A preocupação primordial dessas instituições é promover a identificação, isto é, o envolvimento do seu aluno, que, posteriormente será egresso, a fim de que este continue a apoiar a sua IES após a formatura. Todas as pesquisas encontradas desenvolvidas acerca desse assunto nos EUA têm o objetivo de identificar maneiras de aumentar o apoio e de aliviar as pressões financeiras dessas instituições nos dias de hoje (MCDEARMON, 2012).
Diferenças culturais são significativas quando se comparam os egressos do ensino superior brasileiro com os do ensino superior norte-americano. Estes últimos percebem positivamente o compromisso, em muitos casos, de ser egresso de uma determinada instituição, o que pode acarretar doações financeiras, participação em conselhos e eventos promovidos pela IES e aconselhamento de novos ingressantes, entre outras iniciativas.
McDearmon (2012) realizou pesquisa para validar os resultados encontrados na pesquisa feita por Mael e Ashforth (1992), na qual se concluiu que a identificação organizacional foi significativamente relacionada com todos os pressupostos, gerando, inclusive, contribuições financeiras para as universidades e aconselhamento para a captação de novos alunos. McDearmon (2012) utilizou um quadro teórico diferente dos outros dois autores. Ele abordou a questão do papel do egresso perante sua instituição de ensino, isto é, a sua posição de egresso perante sua faculdade ou universidade, o que vai, segundo ele, moldar o seu comportamento social.
Stryker (2002 apud MCDEARMON, 2012)43, que diz que o comportamento humano é dependente de classificações e que estas trazem expectativas que alimentam o comportamento de uma pessoa e definem uma diretriz para determinar interações sociais de um ambiente (mais à frente, esse conceito será mais bem trabalhado). Ainda de acordo com Stryker (2002 apud MCDEARMON, 2012)44, o termo posição se refere a qualquer categoria socialmente reconhecida de atores e o termo papel é usado para responder às expectativas que correspondem à posição em questão. O papel dos alunos ou ex-alunos em relação a sua instituição refere-se aos comportamentos dos indivíduos que ocupam essa posição. Contudo, esse papel leva em consideração o conceito de escolha, que pode motivar determinado papel de comportamento do indivíduo, não sendo apenas a expectativa social referente àquele papel, mas também relativo a um papel de decisão, de escolha. O exemplo dado pelo próprio McDearmon (2012) faz alusão à paternidade. Em termos biológicos, todo indivíduo macho que produz uma prole pode ser considerado pai. No entanto, o apoio, os cuidados e outras expectativas sociais são relativos à vontade do indivíduo em exercer esse papel de pai. De acordo com Callero45 (1985, p. 205 apud MCDEARMON, 2012, p. 290),
"papéis salientes têm implicações para as relações sociais na medida em que anunciam aos
outros quem somos''.
Em síntese, as pessoas podem exercer vários papéis ou identidades, como McDearmon (2012) mesmo relata, a partir do momento em que há vontade para tal. Inclusive, em determinados momentos da vida social um papel pode se sobrepor a outro, como é o caso do indivíduo que em idade escolar tem a sua identidade estudantil mais evidenciada, salientada. É esse trecho da teoria que toca a questão do vínculo do egresso com a sua IES e que pode ser promovido ou evidenciado, dependendo da escolha do indivíduo e das expectativas sociais.
Embora não seja intenção deste trabalho aprofundar nos entendimentos acerca do interacionismo simbólico, uma vez que este está sendo usado de modo operacional na pesquisa, é importante esboçar uma explicação mais cuidadosa do assunto, para que seja mais bem compreendida a relação do conceito com a questão dos egressos. Para tanto,
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STRYKER, S. Symbolic interactionism: A social structural version. Caldwell, New Jersey: The Blackburn Press, 2002.
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Ibidem. 45
deve-se registrar que o interacionismo simbólico é uma escola advinda da microssociologia, comumente estudada nos campos da sociologia e da psicologia social. Atribui enorme importância ao significado simbólico e ao modo como os símbolos relacionam-se com a interação social. A premissa do campo é que o indivíduo e a sociedade são unidades inseparáveis e interdependentes (MENDONÇA, 2002).
O termo interacionismo simbólico diz respeito à interação que ocorre entre os seres humanos. Esta interação humana, em especial, consiste no fato de que os homens interpretam as ações uns dos outros, ao invés de apenas reagir a essas ações. A resposta de um indivíduo a uma ação de outro é baseada no significado que o primeiro atribui a esta ação (BLUMER, 1986). Desse modo, a vida social, para esta abordagem, é um processo de desdobramento no qual o indivíduo interpreta seu ambiente e atua com base nessa interpretação. Ainda segundo Blumer (1986), o interacionismo simbólico é sustentado por três pressupostos. O primeiro estabelece que os seres humanos agem em relação às coisas baseando-se nos significados que as coisas tem para eles. O segundo assume que o significado de tais coisas é proveniente da, ou provocado pela, interação social que se tem com os indivíduos. O terceiro defende que esses significados são manipulados e modificados por meio de um processo interpretativo usado pelas pessoas ao lidarem com as coisas que elas encontram.
Pode-se entender então, a importância do significado que surge dos relacionamentos entre os próprios egressos, e destes com a própria universidade. O papel de um indivíduo enquanto aluno e ex-aluno é resignificado em todo momento que ocorre uma interação entre as partes e, por conseguinte, pelo processo de interpretação promovida por essa interação.