O educador é o principal interlocutor no campo do conhecimento por ser responsável por contribuir com a formação e desenvolvimento dos estudantes, além de despertar e sensibilizar para a importância de um meio ambiente saudável. Por isso, acredita-se que a EA deve ser inserida desde os anos iniciais da vida escolar, momento em que as crianças se encontram em fase de descoberta e formulação de ideias e conceitos. Assim, o professor tem um papel de extrema importância na construção da EA no contexto escolar, e por isso, foi escolhido como sujeito dessa pesquisa, que busca compreender e traçar o panorama da EA em Ilha Solteira.
As escolas municipais de Ensino Fundamental I de Ilha Solteira (SP) compõem, em seu quadro de funcionários para desenvolver a EA, professores polivalentes e especialistas. Para efeito de entendimento, professores polivalentes
são aqueles que atuam em uma classe dos anos iniciais do ensino fundamental I e lecionam todas as disciplinas da grade curricular, sendo exigido para o seu exercício a formação em curso superior ou magistério como garante o art. 62 da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), Lei n. 9.394/1996, (BRASIL, 1996):
A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal (BRASIL, 1996).
Devido a dimensionalidade de sua formação e dentro de suas atribuições compete ao professor polivalente contemplar as diferentes áreas do conhecimento, favorecendo o seu trabalho interdisciplinar da EA:
O atributo de um profissional possuidor de competências que lhe permitam superar os limites de uma ocupação ou campo circunscrito de trabalho para transitar para outros campos ou ocupações da mesma área
profissional ou de áreas afins [...] permite ao profissional
transcender a fragmentação das tarefas e compreender o processo global de produção, possibilitando-lhe, inclusive, influir em sua transformação. (BRASIL, 1999, p. 37).
Quanto ao professor especialista, compreende aquele formado em uma área específica que lhe assegura lecionar em determinada disciplina referente a sua formação. Este termo é característico da Secretaria Municipal de Educação de Ilha Solteira para definir os professores habilitados em Ciências ou Geografia, por exemplo, que são responsáveis em lecionar a disciplina de EA nos anos iniciais. A presença do professor especialista corrobora para a melhoria de práticas pedagógicas, o que faz dele um docente preparado para os desafios inerentes das temáticas ambientais da atualidade. Além destes, existem na rede municipal professores especialistas em outras áreas como Educação Física, Matemática e Arte, que lecionam as respectivas disciplinas na escola em Tempo Integral e na Educação de Jovens e Adultos (EJA), porém esses, não compõem os sujeitos participantes dessa pesquisa.
Reconhecendo a importância do assunto, é relevante discutir a exigência de um especialista para lecionar EA, já que não é uma postura normativa da LDB, porém o município sente a necessidade de ter como pré-requisito a formação de Ciências ou Geografia, pois a formação nessas áreas oferecem maior afinidade às temáticas ambientais, o que proporciona aos professores dessas áreas maior
autonomia e embasamento para trabalhar com as questões acerca da realidade ambiental, podendo assim, oferecer maior criticidade e discernimento a respeito do tema. Contudo, não se descarta a capacidade dos professores polivalentes para trabalharem a EA, sendo este um tema transversal proposto na LDB e um tópico que deveria ser abordado em todos os cursos de licenciatura, como apontado na PNEA.
Sendo a educação essencial ao processo de transformação e humanização dos sujeitos, cabe ao professor, tanto polivalente ou especialista, a tarefa mais importante de sistematizar os saberes dentro da perspectiva crítica e reflexiva. Assim, Guimarães (2011) sugere que para se fazer EA é preciso um planejamento com uma ação pedagógica, sendo essencialmente participativo por professores, alunos e comunidades, onde cada um possa contribuir com a sua experiência e o seu exercício de cidadania. É no planejamento que se deve considerar os conteúdos das diferentes áreas de conhecimento, relacionando a realidade para então transformá-la. É nesse processo que se gera novos valores e atitudes em busca de um equilíbrio e relações integradoras do ser humano com a natureza.
Para isso, a formação inicial dos professores deve ser direcionada à reflexão de conceitos e pressupostos ambientais que norteiam as políticas e práticas de EA. Para Morales (2012), a universidade é uma instituição social que tem seu papel na reconfiguração de mundo e deve oferecer uma formação ambiental que oriente a produção de conhecimentos e valores, para que, apoiados no princípio sustentável, os futuros educadores possam aprender coletivamente a complexidade ambiental dentro da perspectiva interdisciplinar.
Para Tozoni-Reis (2012),
A inserção da EA na escola terá consequências educativas significativas se investirmos na formação inicial e continuada de professores como intelectuais críticos. Isso é, investirmos no estudo aprofundado das relações da educação com a sociedade e da sociedade com o ambiente na formação dos professores, no estudo sobre as demandas das diferentes classes sociais pela educação escolarizada e pela conservação ambiental (TOZONI- REIS, 2012, p. 286).
A autora reforça que é preciso empreender os esforços na inserção da EA dentro da formação de professores da educação básica no ensino superior público e privado, de forma que os conteúdos críticos e reflexivos sejam articulados e pautados na busca da autonomia (TOZONI-REIS, 2012).
Acreditando na importância de uma educação apoiada na perspectiva crítica, a EA deve estar na escola com professores especialistas ou não, como um modo de promover experiências reflexivas e comprometidas com a realidade social. Por isso, é importante que todos os cursos de licenciatura e pedagogia ofereçam a EA para que todos os profissionais do ensino dominem e façam da EA uma contribuição interdisciplinar.
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Capítulo II - PERCURSO METODOLÓGICO DA PESQUISA
“Conhecer é tarefa de sujeitos, não de objetos. E é como sujeito, e somente enquanto sujeito, que o homem pode realmente conhecer”. (Paulo Freire)