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O papel dos recursos humanos no novo mundo do trabalho

13 metáforas que significam, respectivamente, barreiras invisíveis que isolam certas pessoas de determinadas funções que tradicionalmente levam às posições mais altas dentro da organização e

5.5. O papel dos recursos humanos no novo mundo do trabalho

O complexo da reestruturação produtiva leva, nos últimos anos, as empresas a mudarem seus formatos, trazendo profunda implicações para a área de recursos humanos. Dá-se ênfase ao trabalho em grupo e os trabalhadores são levados a ampliar sua área de atuação, a tomar-se mais generalistas e mais flexíveis.

De um lado, a função recursos humanos tem sido considerada chave nos processos de mudanças organizacionais. A qualificação do trabalho passa a ser generalizada, atingindo "todos os trabalhadores", e as pessoas precisam estar em constante treinamento para aprender a utilizar tudo que a tecnologia oferece. Deflagra, também, uma mutação na forma de as empresas remunerarem o trabalho; ao invés de salário fixo, dão ênfase ao salário variável.

De outro lado, com a descentralização das decisões e a ampliação dos papéis dos trabalhadores, atividades que eram específicas da área de recursos

humanos, como contratações, desligamentos e treinamentos, estão sendo executadas por cada área dentro das suas necessidades. Em função do "enxugamento" das empresas, o processo de terceirização tem se intensificado. É comum a transferência de atividades, ditas não-essenciais, para terceiros, entre elas algumas que compõem o departamento de recursos humanos.

No começo as empresas terceirizavam setores que não eram considerados essenciais (atividade-fim) restaurantes, serviço médico, segurança, transporte de empregados. Contudo, a partir da era Collor a terceirização pulverizou-se por outros setores, mesmo alguns mais próximas das atividades-fins das empresas (Oliveira, 1994).

Depara-se, no interior das empresas, com um extremo de uma classe operária mais qualificada, e com outro extremo de trabalhadores desenvolvendo atividades precariamente. Com o objetivo de reduzir custos, as grandes empresas repassam o risco dos negócios para as pequenas empresas e livram-se dos encargos sociais. Análise do DIEESE (1993) sobre os efeitos da terceirização constata que é visível a redução dos salários e dos benefícios sociais. E também as condições de segurança no trabalho são bastante precárias nas subcontratadas.

Conforme Alves (2000, p. 266), a terceirização tem dimensão política, "na medida em que tende a fragmentar o coletivo operário, debilitando a organização da classe trabalhadora". Além disso, o poder de negociação dos trabalhadores, nas empresas subcontratadas, mostra-se frágil.

Quanto à ação sindical no contexto da terceirização, percebe-se que o declínio do número de empregados na categoria metalúrgica tem fragilizado a resposta organizada dos trabalhadores e que o movimento sindical vem enfrentando sérias dificuldades para reagir e procurar estancar, pelo menos parcialmente, a perda de postos de trabalho (Ramalho, 1997, p. 92).

A pesquisa na Arx evidenciou que a área de recursos humanos tem passado por várias transformações. A empresa terceirizou atividades como segurança, restaurante, berçário para os filhos das trabalhadoras, transporte, recrutamento e seleção.

O recrutamento e parte da seleção é realizada por duas consultorias instaladas na cidade de Joinville. Após a entrevista preliminar, o candidato é encaminhado para o departamento de recursos humanos da empresa, para que seja avaliado por um psicólogo e também pela chefia imediata da para qual está se candidatando. Nos primeiros meses de experiência (três meses) o trabalhador contratado fica sob responsabilidade da empresa de consultoria. Durante esse período, o trabalhador é avaliado pelos colegas e pelos supervisores, sendo contratado se atender as expectativas da empresa.

Conforme relato dos entrevistados na empresa, a partir do final do ano passado, tem-se presenciado um novo desenho da estrutura, uma nova formar de operar, trabalhar em times. E a missão da empresa é ser, em todo o mercado, o fornecedor preferencial de soluções para o setor de refrigeração. "Buscar as

melhores práticas de mercado para uma melhor qualidade de vida das pessoas, assegurar o cumprimento dos aspectos legais trabalhistas, isso é obrigação, é lei não tem o que discutir"( Entrevista 5 - Gerente).

Diante do novo desenho e da missão da empresa, o objetivo da área de recursos humanos é desenvolver projetos que criem uma cultura de trabalho em grupo e também que valorizem o trabalhador.

Um dos projetos citados diz respeito à diversidade de sexo, de raça, de cultura. Cabe ressaltar que esse tema é novo nas empresas brasileiras. Segundo (Fleury, 1998), as organizações que desenvolvem programas para gestão da diversidade na sua maioria são subsidiárias de empresas norte-americanas que

iniciam seus programas com o incentivo da matriz. Além disso, visam criar vantagens competitivas.

"Estamos desenvolvendo alguns projetos, com relação a essa questão de diversidade. Isso é um negócio que tá pegando muito forte hoje, você ter dentro da empresa determinado número de pessoas de sexo feminino, ter negros, brancos, esse é o negócio" (Entrevista 5 - Gerente).

" Nós temos a característica de empregar mão-de-obra feminina até pela natureza do produto. Não existe numa diferença na política de recursos humanos em relação ao sexo feminino ou masculino" (Entrevista 8 - Supervisor).

"Hoje ainda na nossa reunião de diretoria nós dissemos: Não temos nenhuma mulher aqui. Falta mulher na diretoria, mas não existe nada de diferente em relação às práticas de recursos humanos com relação a sexo" (Entrevista .5 - Gerente).

Outro projeto destacado está relacionado com o sistema de recompensar as pessoas por habilidades e competências. Segundo um dos gerentes entrevistado, essa ferramenta implica a identificação das competências que distinguem as pessoas de alto desempenho das de médio, focalizando as competências essenciais da complexa redes de funções responsabilidades, metas, habilidades e conhecimentos dos trabalhadores. Esse sistema forma a base para selecionar e recompensar os trabalhadores. Milkovisch e Baudreau ( 2000), acreditam que essa forma de avaliar representa mudança cultural em direção a um maior senso de responsabilidade e autogestão dos trabalhadores.

Nesse ponto, o argumento do gerente consultado converge com as idéias acima quando coloca que o grande projeto da empresa é o de células semi- autônomas. Vale lembrar que o sistema baseado nas habilidades e nas competências, ainda, não é realidade na empresa estudada. A empresa continua praticando as tradicionais formas de contratação, de seleção e avaliação.

"Com o sistema de habilidades e competências, deixa de existir aquele quadradinho que tem uma pessoa e passa a ser um processo. Então a habilidade não é só o conhecimento técnico que você tem, mas também envolve os aspectos comportamentais. É um projeto que vai abranger todos os cargos" (Entrevista 5 - Gerente).