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3. CAMINHOS METODOLÓGICOS p

3.1 O Paradigma da Complexidade como método para fazer e

Pensamos, como forma de (des)organizar nosso pensamento e assim buscar novos caminhos para uma construção geográfica mais ampla e diversa, que neste momento o Paradigma da Complexidade contribui, de maneira significativa, com olhar diferenciado acerca do Espaço.

A forma com que a Complexidade concebe o Espaço modifica certa linearidade tanto dos fenômenos espaciais, como das relações e das ações que se estabelecem em cada parte que compõe todo. Para Morin, pensar de forma complexa é considerar todos os elementos, movimentos e relações ao mesmo tempo. Baseado na inseparabilidade das partes constituintes de um todo, tornando-o assim, complexo. Assim,

À primeira vista [...] um tecido (complexus: o que é tecido em conjunto) de constituintes heterogêneos inseparavelmente associados: coloca o paradoxo do uno e do múltiplo. Na segunda abordagem, a complexidade é efetivamente o tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações, acasos, que constituem o nosso mundo fenomenal (MORIN, 2001, p. 20).

Dessa forma, todo o conjunto e os elementos que o compõe estariam ao encontro com uma nova abordagem proposta pela pesquisa, trabalhar todo um determinado arranjo espacial dentro da Cartografia Social. Pensar de maneira complexa é não fragmentar o pensamento, nem a construção dele em partes. Mas sim um pensamento que unifica e que lida com as incertezas. Acreditamos que é necessário navegar em um mundo de incertezas, trabalhar com dúvidas para assim gerar novas reflexões, ou seja, proporcionar movimentos constantes para fazer e pensar Geografia. No entanto, quais são os motivos pelos quais escolhemos a Complexidade para pensar a geografia? Pensamos que assim como no espaço, a Complexidade trabalha a partir de um emaranhado de conexões e redes, de ordem e desordem ao mesmo tempo, ou seja, ele globaliza.

Podemos dizer que a Complexidade nos convoca, nos desacomoda e nos (re)organiza provisoriamente a pensar de forma transdisciplinar, talvez por isso seja um desafio tanto para os professores ao ensinar Geografia como para os sujeitos alunos ao aprender. Todavia, ela não configura um novo problema, nem torna o ensino

mais difícil, ela necessita da complementariedade de todos os saberes que hoje estão fragmentados em disciplinas escolares.

O que buscamos refletir a partir do Paradigma da Complexidade é trabalhar com a ideia de que nem sempre uma cabeça bem cheia é uma cabeça bem feita (MORIN, 2003). Que a evolução e construção de nossas ideias não podem depender da quantidade de conteúdos que memorizamos, mas sim como articulamos nossos pensamentos.

Assim como Morin afirma, vivemos em uma época de mundialização, onde todos os nossos problemas deixaram de ser particulares e são mundiais. Compartilhamos, enquanto sociedade, todos os benefícios e malefícios do processo de Globalização, então porque não pensamos no conjunto global, como um todo e coletivamente? Dessa forma, não podemos conhecer o todo sem conhecer as partes, assim como não podemos conhecer as partes sem conhecer o todo. Deveríamos então, ser estimulados a um pensamento que nos permitisse ligar as partes. Como forma de tornar mais claro o pensamento complexo, nos propomos a trabalhar com alguns princípios propostos pela Complexidade, os quais são complementares entre si e ao mesmo tempo interdependentes. Apontamos então os princípios escolhidos que nos auxiliarão na construção de um pensamento complexo acerca da Cartografia Social como forma de pensar o Espaço Geográfico, ou seja, nossa forma de enxergar e entender o mundo:

1. O princípio Hologramático: coloca em evidência as organizações complexas, em que, não somente a parte está no todo, como o todo está nas partes. Funciona como um organismo global, estando a totalidade presente no individual. Temos assim, que cada indivíduo carrega consigo a sociedade através de sua cultura, língua, costumes.

2. O princípio do circuito recursivo: circuito gerador onde, os produtos e os efeitos são, eles mesmos, produtores e causadores daquilo que os produz. Assim, nós, indivíduos, somos os produtos de um sistema de reprodução que vem do início dos tempos, mas esse sistema não pode se reproduzir se nós mesmos não nos tornarmos produtores (MORIN, 2003, p. 95). Este circuito trabalha com a ideia de que os indivíduos produzem a sociedade a

partir das relações e consequentemente, a sociedade produz a humanidade destes indivíduos através da cultura e linguagem.

3. O princípio dialógico: Une dois princípios ou noções, devendo excluir um ao outro, mas são indissociáveis em uma em uma mesma realidade. A dialógica permite assumir a racionalmente a associação de noções contraditórias para conceber um mesmo fenômeno complexo.

Pensamos que estes princípios elegidos possam contribuir para que organizemos o nosso pensamento e assim encaminhemos a pesquisa. Dessa forma, nos encaminhamos para as reflexões nesta investigação, onde não é possível conceber os fenômenos de maneira isolada e singela, mas como um processo contínuo de construção de saberes. Esta forma de entendimento de mundo permite ir adiante a partir de um conjunto de ideias que não cessam e que nos movimentam a seguir a diante. A Complexidade nos permite analisar o todo em um dado momento, não satisfazendo-se com verdades absolutas, dessa forma, ela contribui nas reflexões de salsa de aula, pois pensar o espaço em um certo momento. Este espaço não será o mesmo com o passar dos anos, é dinâmico e mutável. Por isso, entender a complexidade do mundo e com ele suas dinâmicas nos desafia a pensar, no caso desta pesquisa, a pensar como se aprende Geografia a partir do lugar. Existem várias possiblidades de estudar o lugar e desvendar a essência que esta categoria de análise tem para cada sujeito envolvido nesta pesquisa.

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