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Metodologia de pesquisa

4.1 Pequenas e médias empresas (PMEs)

4.1.1 O perfil das pequenas e médias empresas (PMEs)

Os critérios usados para classificar uma PME variam de país para país, podendo ser do tipo quantitativo, referindo-se ao número de empregados, volume de negócios, ativos fixos totais ou o balanço de resultados operacionais, entre outros; bem como do tipo qualitativo quando se refere às formas de relações da empresa com o seu ambiente externo / interno e entre as pessoas e os grupos sociais existentes; o estilo de gestão, o processo de sucessão, etc. Segundo Kruglianskas (1996, p.7), “o modo de classificar as empresas quanto ao seu porte varia de autor para autor”.

Dados da OECD (1996) indicam que o número de PMEs nos países componentes desta organização é de aproximadamente 99%; o número de empregos gerados é em média 65% e a contribuição das PMEs ao PIB destes países é, em média, na ordem de 48% (vide Tabela 4.1 a seguir).

Tabela 4.1 O papel das PMEs na economia mundial

PAÍS Nº DE PMES (%) EMPREGOS (%) CONTRIBUIÇÃO DAS PMES AO PIB (%) Austrália 96,0 45,0 23,0 Canadá 99,8 65,7 38,0 Dinamarca 98,8 77,8 56,7 França 99,9 69,0 61,8 Alemanha 99,7 65,7 34,9 Itália 99,7 48,9 40,5 Japão 99,5 73,8 57,0 Portugal 99,0 79,0 66,0 Espanha 99,9 70,5 70,6 Reino Unido 99,9 66,0 33,3 Estados Unidos 99,8 53,1 48,0 Fonte: OECD (1996)

No Brasil, segundo o SEBRAE (1995), os seguintes parâmetros são encontrados:

- Número de PMEs (%): 89,6.

- Empregos gerados pelas PMEs (%): 79,5. - Contribuição das PMEs ao PIB (%): 21.

As diferenças entre os dados dos países da OECD decorre dos critérios adotados para classificar as PMEs e que variam segundo os países. No Brasil, o critério mais utilizado é o que envolve o setor econômico e a quantidade de empregados (vide Tabela 4.2 a seguir), enquanto na maioria dos outros países o critério baseia -se no faturamento.

Tabela 4.2 Classificação das PMEs brasileiras quanto ao setor e o número de empregados CLASSIFICAÇÃO / SETOR / Nº EMPREGADOS INDÚSTRIA SERVIÇOS / COMÉRCIO

Microempresa Até 19 Até 09

Pequena Empresa 20 – 99 10 – 49

Média Empresa 100 – 499 50 – 99

Grande Empresa Mais de 499 Mais de 99

Fonte: SEBRAE (1995)

Em seus estudos, Carmo (2000, p.74) classifica, segundo seu tamanho, as empresas da seguinte forma:

- Pequena Empresa: de 1 a 100 funcionários. - Média Empresa: de 101 a 500 funcionários. - Grande Empresa: acima de 500 funcionários.

Para Hall (1984, p.40), o tamanho da empresa “É o pessoal disponível na organização. Essa é a medida mais comumente usada e também a conceituação de tamanho usada em 80% dos estudos revistos por Kimberley”. Ressalta-se, que Kimberley (1976) apud Hall (1984) atribui ao tamanho quatro componentes, sendo o número de funcionários um deles. Price (1972, p.175) reitera: “Most of the studies

conducted by the Comparative Organization Research Program define size in terms of the number of employees”. Para o contexto da presente pesquisa, tal conceito é

apropriado, uma vez que houve dificuldades em se obter as informações de faturamento em todas as empresas pesquisadas, sem exceção.

As pequenas e médias empresas apresentam particularidades em sua estrutura e porte que as diferenciam das grandes. Em geral, sete são comumente citadas na literatura:

1ª) O proprietário, juntamente com o(s) sócio(s)-gerente envolvido(s), exercem um forte controle individual em todas as decisões empresariais.

2ª) As estratégias são elaboradas de forma intuitiva e sem planejamento por parte do empresário, ocorrendo pouca formalização destas estratégias para os funcionários. Segundo o U.S. Small Business Administration (SBA, 1998), uma das principais razões de falência das microempresas e também das pequenas empresas americanas é a falta de planejamento do negócio. De modo semelhante ocorre no Brasil.

3ª) Como conseqüência do forte controle individual, a estrutura administrativa das PMEs é bastante simples; minimizando os níveis hierárquicos, reduzindo os custos e simplificando as tomadas de decisões.

4ª) As PMEs possuem um contato muito próximo com o seu mercado consumidor, o que em princípio, permite uma resposta rápida e eficiente às mudanças nele.

5ª) Há um contato muito direto entre os proprietários-dirigentes e os funcionários, o que pode permitir uma maior flexibilidade para negociações e execução de trabalhos. 6ª) Existe uma convergência de interesses mútuos entre a PME e a família. Em outras palavras, o patrimônio da família do empresário costuma estar envolvido nos assuntos da empresa. Daí, normalmente, os membros da família auxiliarem de alguma forma na atividade da empresa.

7ª) Outra característica encontrada nas PMEs é a pouca utilização de máquinas e equipamentos sofisticados, o que pode ser compensado pela criatividade e pelo elevado conhecimento técnico disponibilizados por grande parte dos funcionários ou do proprietário (Saviani, 1995)

Cândido e Dias (1998) identificaram, de um modo geral, os elementos que compõem o perfil das PMEs brasileiras:

Ø São pouco competitivas;

Ø As políticas de treinamento são, de um modo geral, ineficientes e inadequadas; Ø Inexistência de um sistema de custos;

Ø Atraso e deficiência tecnológica; Ø Escassez de recursos econômicos;

Ø Pouca participação nos mercados internacionais;

Ø Poucos investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D); Ø Gestão centralizada;

Ø Estrutura leve, sem complexidade;

Ø Estreito contato pessoal entre direção, empregados, fornecedores e clientes;

Ø Integração relativamente forte na comunidade a qual pertencem os proprietários, empregados, fornecedores e clientes;

Ø Ausência de planejamento.

Entre os fatores de ordem macro que acarretam dificuldades para o funcionamento e posterior crescimento das PMEs no Brasil estão a crise econômica pela qual passa o país; a falta de incentivos e subsídios do governo às PMEs exportadoras; as altas taxas de juros; o acesso restrito ao crédito; a exigência de contrapartidas elevadas ao se pleitear financiamentos junto a bancos; a crescente concorrência estrangeira; entre outros, que são diariamente discutidos em vários pontos do país.

Cândido e Abreu (2000) apontam que os principais problemas encontrados nas PMEs brasileiras podem ser descritos pelos seguintes aspectos:

Quadro 4.1 Principais aspectos e problemas enfrentados pelas PMEs brasileiras

ASPECTOS PROBLEMAS

Gestão Deficiência na condução; falta de delegação; desconhecimento de variáveis macroeconômicas

Poder de negociação

Frente a fo rnecedores e clientes; frente a entidades financeiras; frente a organismos públicos

Custos Escassez e/ou ausência de uma política de custos

Estratégia de mercado

Falta de organização na comercialização; falta de planos de vendas; necessidade de maior vinculação com o mercado

Finanças Dificuldade em conseguir crédito; elevadas taxas de juros

Produção Escasso planejamento; obsolescência tecnológica

Estrutura de vendas

Necessidade de dimensionamento; escassa força de vendas

Capacitação Falta de motivação nos diferentes níveis; escasso treinamento; falta de informação

Diversificação de produtos

Necessidade de dimensionamento; falta de especialização

Aceitação no mercado

Escassa participação; posicionamento nulo

4.2 A Região Metropolitana do

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