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3 O EMPREENDEDORISMO NO MUNICÍPIO DE MOSSORÓ/RN

3.2 O PERFIL DE EMPREENDIMENTO E EMPREENDEDORES NO MUNICÍPIO

Através dos dados obtidos por meio da pesquisa feita, foi possível montar o perfil dos empreendimentos e empreendedores da cidade de Mossoró/RN. A

pesquisa abrange várias características e particularidades do mercado

mossoroense. A começar pela distribuição dos empreendedores por gênero, onde 52,5% são do sexo feminino e 47,5 do sexo masculino. Ao fazer uma comparação desses dados com o atual panorama dos empreendimentos pelo Brasil, nota-se que as mulheres vêm conquistando seu lugar no mercado através da criação de pequenos negócios. De acordo com dados do GEM (Global Entrepreneurship Monitor) as mulheres representam 51% dos novos empreendimentos. Esse fato engrandece o país, pois demonstra o ganho de espaço das mulheres através de sua competência e espirito empreendedor.

No quesito faixa etária, a pesquisa constatou que 2,5% dos empresários tem até 20 anos de idade, 17,5% tem entre 21 e 30 anos, 25% tem entre 31 e 40 anos, 37,5% tem entre 41 e 50 anos, 12,5% tem entre 51 e 60 anos e os empresários com 61 ou mais anos de idade representam 5%. Ou seja, fica claro que a faixa etária dominante entre os empresários do centro de Mossoró se encontra entre os 31 aos 50 anos de idade, que detém 62,5% do total.

Já quanto a sua escolaridade, foi detectado que entre os empresários de Mossoró/RN, 12,5% tem o Ensino Fundamental incompleto, 2,5% não completaram o Ensino Médio, com 45% tendo-o feito, 12,5% também não concluíram o Ensino Superior, mas em contrapartida, 25% possuem o diploma de graduação e 2,5% chegando a concluir a pós-graduação. Segundo o GEM (Global Entrepreneurship Monitor), proporcionalmente, as pessoas com pós-graduação são as mais engajadas em novos empreendimentos no país (22,9%). Não significando que a maior parte dos novos empreendimentos é criada por mestres e doutores, já que a expressão

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desta parte da população em números absolutos é menor do que a de pessoas de níveis escolares inferiores. Apesar disso, na área analisada, nota-se que a maior porcentagem tem apenas o Ensino Médio completo, então, com o crescimento do empreendedorismo como uma atividade econômica, se faz necessário a inclusão de grades que trabalhem o empreendedorismo no ensino fundamental e médio, devido a maior parte dos empresários fazerem parte desse perfil.

Quanto à idade das empresas, a pesquisa verificou que apenas 5% das empresas foram constituídas a menos de um ano da data da entrevista, sendo a maior parcela a de empresas com idade entre 1 e 4 anos de existência, sendo 30% das analisadas. Sendo 12,5% as empresas entre 5 a 9 anos, 15% as com 10 a 14 anos, assim como as entre 15 a 19 anos, 10% as com 20 a 24 anos e 2,5% as empresas com idade entre 55 a 59 anos.

Segundo o Site UOL, 48% das empresas constituídas no Brasil, fecham suas portas em três anos. Tendo com uns dos principais motivos de fechamento das empresas a ausência de planejamento e a gestão descontrolada. Cenário esse, condizente com os dados apurados na pesquisa no centro de Mossoró, como pode ser visto no Gráfico 1:

Gráfico 1- Tempo de atividade das empresas entrevistadas.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2019.

No enquadramento do tipo de ramo (comércio, indústria e serviço), a indústria foi um setor ausente no universo dos empreendimentos analisados. Ficando o comércio bem à frente com 82,5% e o serviço com 17,5% das empresas

entrevistadas, evidenciando o quanto o comércio local representa uma importante fonte de empregos para a população da cidade e região.

Quanto ao tipo de negócio, a região pesquisada se mostrou bastante variada. Ficando a venda de óculos e relógios como a principal escolha de negócio dos empreendedores e em primeiro lugar com 15% do total entrevistado. Em segundo lugar, três tipos de negócio vêm lado a lado com 10%, são eles: venda de bebidas, de alimentos e de roupas e acessórios. Logo atrás, com 5%, temos as drogarias, financeiras, venda de materiais de beleza e perfumaria, de artigos religiosos, de embalagens e de livros e papelaria. Por último, com 2,5%, confecções de carimbo, conserto de celular, escritórios de advocacia e contabilidade, manutenção de motos e bicicletas, artesanato e manutenção de relógios e ouro.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2019.

Na pesquisa, também foi identificado que 65% dos proprietários acumulavam a função de gerente, enquanto 35% delegavam essa função para um funcionário. Segundo o site Destino Negócio (2015), a posição de gerente tem importância fundamental na empresa, pois detém influência direta na maneira de como a corporação irá render. O gerente é o responsável pela organização de projetos, por determinar papeis, pela atribuição de tarefas, o acompanhamento e motivação da equipe, sempre estimulando todos a trabalharem em busca de um objetivo comum.

Outro dado importante que foi coletado na pesquisa, foi a porcentagem de empresas que eram registradas na Receita Federal. Verificou-se que 82,5% Gráfico 2- Tipo de negócio das empresas entrevistadas

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disseram possuir os registros necessários a seu funcionamento. Faltando 17,5% das empresas se registrarem aos devidos órgãos regulamentadores.

Com a empresa devidamente registrada nos órgãos competentes, o

empresário obtém uma série de vantagens, como poder contratar um empregado

legalmente, passa a ter direito aos benefícios da previdência social e se habilita para a obtenção de uma possível linha de crédito.

Falando em linha de crédito, a pesquisa também fez um levantamento a respeito do assunto e constatou que apenas 7,5% das empresas entrevistadas disseram possuir algum tipo de empréstimo público. As outras 92,5% disseram não ter pegado nenhum empréstimo.

Também foi registrada a quantidade de funcionários empregados nas empresas pesquisadas. Não possuem empregados 12,5% das empresas em questão. Em sua grande maioria, precisamente 80% delas, possuíam entre 1 a 9 funcionários em seus quadros. Ficando 2,5% para empresas com 10 a 19, 20 a 50 e com mais de 100 funcionários, cada.

Quanto ao seu porte, as Microempresas (ME) representam 62,5% das empresas entrevistadas, sendo a categoria mais existente no centro de Mossoró. Muito atrás vem os Empreendedores Individuais (MEI) com 22,5%. Por ultimo, lado a lado, as Empresas de Pequeno Porte (EPP) e as de Médio Porte com 7,5% cada. De acordo com o site EGestor (2014), na contramão do que muitos acham, as micro e pequenas empresas são peças fundamentais na promoção do crescimento econômico do Brasil. Antes de tudo, essas empresas colaboram na criação de empregos e renda para os cidadãos, atuando como fator importante na diminuição das desigualdades sociais.

De acordo com a pesquisa, ainda existem um considerável número de empresas que não usam tecnologia para auxiliar na condução do seu negócio. Essa parcela de empresas representa 35% do universo de empresas entrevistadas, restando 65% de empresas que usam tecnologia na condução do seu negócio. Dentre as pessoas que usam tecnologia em seus empreendimentos, 69,2% usam apenas para fins da empresa e 30,8% também utilizam para fins pessoais, além dos fins profissionais.

Dentre os empresários que usam tecnologia em suas empresas, 69,2% utilizam softwares específicos para o seu tipo de negócio, 61,5% se utilizam de

editores de texto, 57,7% de planilhas eletrônicas e 11,5% de outros tipos de tecnologia.

De acordo com Rodrigues (2008), o sucesso de um empreendimento está sujeito ao grau de qualidade que os mesmos buscam estipular como maneira de melhorar e inovar sua tecnologia em seus produtos e serviços ofertados. A tecnologia não tem a intensão de substituir o homem, mas sim de auxiliar no processo produtivo, assim como diminuir os custos e preservar o meio ambiente.

Segundo Flammo (2018), Qualquer empreendedor que deseja ter o seu negócio conhecido, com altos índices de venda e rotatividade de clientes entrando e saindo do seu estabelecimento, deve dar a devida importância à publicidade, cabendo a ela mostrar a importância da sua marca e a qualidade de seus produtos e serviços. Posto isso, a pesquisa detectou quais os meios de divulgação mais usados pelas empresas entrevistadas.

O meio mais usado foi pelas Redes Sociais, com 57,5% dos entrevistados. Em segundo lugar ficou o Rádio com 17,5%. O Carro de Som e Panfletos em terceiro juntos com 10% cada e por ultimo, Jornais e Site próprio, ambos com 2,5%. Entre os entrevistados, 40% não fazem nenhum tipo de divulgação.

Gráfico 3- Meios de propaganda usada pelas empresas entrevistadas.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2019.

De acordo com a Harpia Propaganda (2017), os brasileiros utilizam suas redes sociais em média entre três e quatro horas por dia. Com a existência de consumidores tão presentes nas redes sociais, as empresas não podem fechar os olhos para este mercado. Em comparação a outras maneiras tradicionais de

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divulgação, as mídias sociais têm como chamariz o baixo custo de investimento, já que com valores abaixo de R$ 30 uma empresa já consegue impulsionar posts.

Quanto uso do estabelecimento, a pesquisa revelou que 82,5% das empresas entrevistadas possuem os imóveis alugados, sendo somente 17,5% dos empresários, proprietários do imóvel.

Já quanto ao caráter dos empreendimentos, 100% são privados, não tendo sido entrevistado nenhuma associação ou cooperativa. Dentre as empresas, todas de caráter privado, 10% fazem parte de algum tipo de rede de negócio.

Outra questão levantada na pesquisa foi se os empresários pensam em fazer com que suas empresas cresçam. 77,5% deles disseram que sim, mas, impressionantemente, 22,5% disseram não ter interesse em ter seu negócio expandido.

Outro fator importante para se entender o perfil dos empreendedores e empreendimentos é saber o motivo de sua existência. O que levou a criação daquele negócio. A pesquisa identificou cinco motivos principais. A maioria dos entrevistados, 30% deles, está no negócio por motivos de herança ou exemplos na família. Em segundo lugar está a identificação de uma oportunidade no mercado e a procura por independência profissional, ambos com 22,5%. Em seguida vem a identificação de oportunidade em trabalhos passados, com 17,5%. Exemplo em círculos de amizade vem logo atrás com 5% e, com 2,5%, outros motivos.

Segundo Matias (2018), a grande parcela de companhias que existem no Brasil é composta por empresas familiar. Sendo elas 80% das mais de 19 milhões dos empreendimentos nacionais. Para alguns especialistas, uma empresa familiar é criada a partir da primeira geração de uma família, mas sua consolidação somente ocorre com sua respectiva sucessão da geração seguinte.

Então, como se pode verificar, Mossoró permanece dentro da estatística nacional no que se refere a empresas familiares, oriundas de herança ou exemplo da família, estarem em maior número no mercado.

Gráfico 4- O que originou o negócio das empresas entrevistadas.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2019.

A entrevista também abordava se os empresários possuíam outro negócio além daquele em que se encontrava no momento. 75% dos entrevistados disseram não possuir outro negócio. Sendo que 25% tinham outro empreendimento.

Já quando a pergunte feita era se os empresários possuíam outra fonte de renda, 65% disseram não possuir, contra os 35% que tinham outros meios de arrecadação.

Um dos aspectos mais importantes detectados na pesquisa foi quais eram as maiores dificuldades alegadas pelos empresários para o andamento negócio e sua sobrevivência no mercado. Foi constatado que a crise econômica representa 32,5% como sendo a maior dificuldade vivida na percepção dos empresários. Logo atrás vêm os impostos elevados com 20%, à concorrência com 15%, à burocracia com 12,5%, à insegurança, falta de capital de giro e inadimplência dos clientes, juntos com 7,5% e a mão de obra desqualificada, falta de domínio de gestão, espaço insuficiente e a falta de estacionamento por último com 2,5% cada. Alegaram não ter nenhuma dificuldade, 7,5% dos entrevistados.

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Gráfico 5- As principais dificuldades que os empresários alegam enfrentar.

Fonte: Elaborado pelo autor, 2019.

Por último, foi perguntado aos empresários que sugestões eles teriam para um novo negócio para a cidade de Mossoró. Onde 40% não souberam ou preferiram não responder. Surgiram algumas sugestões isoladas como um parque aquático ou hotel para animais, dentre outras, mas em 27,5% dos casos, os entrevistados sugeriram mais opções de restaurantes e bares. Lembrando que no Gráfico 2 pode-se visualizar que estabelecimentos de venda de bebidas, assim como o de alimentos, estão lado a lado em segundo lugar como os mais numerosos em tipos de negócio nas empresas entrevistadas.

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