CAPÍTULO III A FORMAÇÃO DE DOCENTES DO CURSO DE PEDAGOGIA
3.1 O CONTEXTO DA PESQUISA
3.3.1 O perfil do aluno
Apesar de não relacionar-se diretamente ao objetivo da pesquisa, no tocante a identificação de saberes e habilidades para a atuação do pedagogo, optou-se por iniciar a apresentação dos resultados da pesquisa traçando um perfil dos sujeitos participantes. Tal opção tem como objetivo propiciar o conhecimento mais abrangente da realidade pesquisada, identificando quem são os sujeitos da pesquisa e como se inserem no contexto pesquisado.
O curso de Pedagogia da Instituição pesquisada é oferecido no período noturno, com duração de 6 semestres. O acesso ao curso se dá através de processo seletivo na modalidade tradicional e processo seletivo continuado, na modalidade eletrônica agendada, caso hajam vagas remanescentes.
A fim de melhor definir o perfil dos acadêmicos participantes da pesquisa, optou-se por realizar um levantamento dos dados sócio-econômicos coletados por meio de questionário aplicado pela instituição por ocasião do processo seletivo realizado quando estes acadêmicos, que concluem o curso em 2010, estavam ingressando na Universidade.
Segundo os dados do referido levantamento, 81% dos ingressos no curso de Pedagogia no ano de 20082 são residentes em Anápolis, 81% ainda não possui filhos, cerca de 9% possui renda familiar de até um salário mínimo e em torno de 47% renda familiar entre dois e quatro salários mínimos. Em relação ao transporte para a universidade, 50% dos acadêmicos declaram ir de ônibus. Quanto à instituição onde cursaram o Ensino Médio, 61% dos acadêmicos cursou esse nível de ensino todo em escola pública.
Os dados evidenciam que a maioria dos acadêmicos não possui alto
2 Como o curso de Pedagogia tem a duração de três anos, os ingressos no ano de 2008 são os
concluintes do ano de 2010, salvo casos específicos que podem influenciar no andamento do curso, como transferências, trancamento de matrícula, entre outros.
poder aquisitivo, já que mais da metade possui renda familiar inferior a quatro salários mínimos. Importante considerar também que, de acordo com o questionário sócio-econômico aplicado pela instituição durante o processo seletivo, mais de 60% dos alunos de pedagogia são provenientes da rede pública de ensino. As características do curso noturno favorecem o acesso desses acadêmicos à universidade, na medida em que possibilitam aos mesmos trabalhar durante o dia
Quanto ao nível sócio-econômico, o desprestígio social da profissão docente tem contribuído para a construção de uma identidade docente enquanto um profissional de baixa renda. Gadotti (2006, p. 23) ao falar sobre o perfil sócio- econômico dos professores ressalta que “não há como negar: somos profissionais de baixa renda”.
Nóvoa (1995) também relata a questão da desvalorização salarial e social da profissão docente. Segundo o mesmo autor, na ótica da máxima capitalista contemporânea, o professor é visto como um “pobre diabo” que não foi capaz de arranjar uma ocupação mais bem remunerada, visão que fez com que muitos professores abandonassem a docência a fim de procurar uma promoção social em outros campos profissionais.
Os dados apresentados a seguir referem-se aqueles coletados por meio do questionário de pesquisa. Convém lembrar que o referido questionário é composto de duas partes, sendo a primeira destinada a coletar dados relacionados ao perfil dos participantes da pesquisa, abrangendo quatro questões fechadas e a segunda mais direcionadas aos objetivos da pesquisa, compreendendo dez questões fechadas. Os mesmos foram respondidos por 43 acadêmicos concluintes do curso de pedagogia no segundo semestre de 2010.
Em relação à faixa etária, os acadêmicos do curso de Pedagogia são em sua maioria jovens. De acordo com os questionários aplicados, 49% das acadêmicas encontram-se na faixa etária dos 20 aos 25 anos, 21% entre 26 e 30 anos, 9% possuem de 31 a 35 anos, 14% de 36 a 40 anos e 7% com idade superior a 40 anos. Nenhuma das respondentes tinham idade inferior a 20 anos. Quanto ao estado civil, 49% das acadêmicas participantes são casadas, 44% declararam-se solteiras, 5% são separadas ou divorciadas e 2% declararam possuir outro estado civil.
O quadro de desvalorização profissional da profissão docente nos últimos anos, com uma das mais baixas remunerações para o profissional de nível superior,
é considerado fator desestimulante para que o jovem, ao ingressar na universidade, faça a opção pela licenciatura.
Questionou-se aos acadêmicos acerca dos motivos que os levaram a escolher o curso de Pedagogia. Ressalte-se que nesta questão poderiam ser marcadas mais de uma alternativa. O gráfico a seguir esboça os resultados obtidos:
GRÁFICO 1
MOTIVOS DA ESCOLHA DO CURSO
39% 11% 3% 22% 1% 14% 10%
Identificação com a profissão
Orientação/sugestão/incentivo da família ou amigos Já atuava na área educacional e faltava a qualificação
Por uma profissão onde existe sempre oportunidades no mercado de trabalho Por ter uma carga horária menor de trabalho
Por ser um curso superior, onde as mensalidades são mais acessíveis Pela expectativa de aprofundar os conhecimentos e atuar como pedagogo Fonte: questionários aplicados pela autora
De acordo com o gráfico acima, a identificação com a profissão foi o motivo apontado por 39% dos participantes. Gadotti (2006) ressalta que muitas professoras, ao serem indagadas sobre porque escolheram esta profissão indicam como principal motivo “gostar de criança”. entretanto, não basta vocação, o professor precisa ser capacitado e sua formação deve contemplar aspectos técnico- pedagógicos e também os aspectos ético-políticos.
Pimenta e Anastasiou (2002) argumentam que os professores, quando chegam aos cursos de Licenciatura, trazem consigo inúmeras e variadas experiências do que é ser professor. Na maioria das vezes não se identificam como professores, uma vez que olham o ser professor e a Universidade do ponto de vista do ser aluno. Essas experiências que muitas vezes guiaram sua opção profissional,
vão guiar suas escolhas pedagógicas e até mesmo seu relacionamento com os alunos.
Chama a atenção o fato de que 22% das participantes dizem ter escolhido o curso de pedagogia por ser uma profissão com maiores oportunidades no mercado de trabalho, e 14% por ser um curso com mensalidades mais acessíveis. Mais uma vez fica evidente que a licenciatura muitas vezes é considerada uma opção para o aluno de baixa renda, uma vez que apresenta uma melhor expectativa de colocação no mercado de trabalho, além de ser um curso noturno (permitindo que o aluno trabalhe durante o dia) e com mensalidades mais acessíveis.