De acordo com alguns pesquisadores os intérpretes de LIBRAS surgiram na década de 80 a partir das igrejas protes- tantes, devido à necessidade de pregar, catequizar também o surdo utilizando sinais. A língua sinalizada assume grande importância em todos os contextos: seja o educacional ou o do convívio de surdos e ouvintes.
O instrutor de libras tem como uma de suas funções, o ensino da Língua Brasileira de Sinais no âmbito escolar, tanto para a educação de alunos surdos quanto para ouvintes. Um dos principais componentes auxiliadores do professor nesse caso são os matérias concretos, pois é com a demonstração que o aluno passa a adquirir novas experiências formando seu conhecimento.
O profissional que atua no processo educativo de alu- nos surdos que necessitam aprender a Língua Brasileira de
Sinais, deve estar apto a língua em questão (LIBRAS), assu- mindo a responsabilidade de educar o aluno, para que o mes- mo assuma a Língua Brasileira de Sinais, como a língua ma- terna e o português como a segunda língua.
O papel da educação especial assume, a cada ano, importância maior, dentro da perspectiva de atender as crescentes exigências de uma socieda- de em crescente renovação e busca incessante de democracia, que só será alcançada quando todas as pessoas sem discriminação tiverem acesso à informação ao conhecimento e aos meios neces- sários para formação de sua plena democracia. Mas, como o discurso democrático nem sempre correspondem as práticas das interações huma- nas, alguns segmentos da comunidade principal- mente os sujeitos com necessidades especiais permanecem à margem, descriminados, exigindo ordenamentos sócios específicos, que lhes garan- tam o exercício de direitos e deveres. (STOBAUS 2004 p.23)
De acordo com Stobaus (2004) a cada ano que passa a educação inclusiva se torna cada vez mais importante para uma sociedade, que está sempre em constante renovação buscando os direitos, a democracia, que só serão alcançados quando houver a extinção da discriminação, pois o precon- ceito velado ainda persiste. Todas as pessoas devem ter a garantia dos direitos e deveres, podendo assim ser ativo na comunidade tendo acesso a informação e a todos os meios necessários para a realização das interações humanas.
Portanto e de grande importância ter o maior número possível de profissionais capacitados na área da LIBRAS para atender as enormes carências. O professor da educação inclu- siva capacitado na Língua Brasileira de Sinais tem que estar sempre se aperfeiçoado, para estar atualizado quanto as pos-
síveis mudanças ocorridas e também por que a LIBRAS é uma linguagem que exige bastante prática.
A inclusão de alunos com necessidades especiais na escola regular, como caminho fundamental para atingir a inclusão social, constitui uma meta, nesse novo século, cada vez mais firme, nos di- ferentes sistemas educativos nos quais pretende educar o aluno com necessidades especiais na es- cola regular. Isto pressupõe que o sistema educa- cional como um todo assuma a responsabilidade e não uma parte dele, a educação especial. (STO- BAUS,2004, p.25)
Segundo Stobaus (2004) o caminho para a inclusão ne- cessita que os alunos com necessidades especiais participem da escola regular com seus direitos de aprendizagem garan- tidos, assim como os outros alunos. O educador deve ter o cuidado de aperfeiçoar as atividades educativas, tornando- -as inclusivas tanto para ouvintes quanto para surdos, para que todos os alunos tenham a possibilidade de participar. Sabemos que isso ainda não ocorre em todas as instituições, podemos observar que na maioria dos casos de inclusão de crianças surdas, estas são apenas socializadas, mas não par- ticipam das atividades educativas, principalmente, devido a falta de formação do docente em LIBRAS, ou da ausência de um intérprete de LIBRAS na instituição de ensino; então os alunos com surdez ficam isolados afetivamente, pois como as relações interpessoais não se desenvolvem plenamente ape- nas com a presença, é preciso uma linguagem (LIBRAS) para que os ouvintes e surdos possam se comunicar, construir vín- culos e construir seu conhecimento.
Temos consciência também de que, um professor desperta na criança a paixão pelos estudos, ela mesma buscara o conhecimento e fará tudo para corresponder. Isso ocorrerá não só nos níveis de
pré-escola, primeiro grau e segundo grau, mas também no nível superior. Quando o aluno desco- bre que a maior e melhor escola, é aquela que dele dentro dele mesmo, ninguém o segura. Ninguém mais precisará lhe dizer para fazer isto ou aquilo. Ele mesmo se encarregará de buscar os “infinitos conhecimentos e experiências” que existe e espe- ra por ele. Isso tudo se resume em uma questão saber despertar conscientizar e confiar. (ALMEI- DA 2003, p.64)
A concepção acima ressalta a importância do bom edu- cador na vida das pessoas, o professor tem mãos o futuro de cada aluno seja qual for a faixa etária em que esteja atuan- do. É despertando no aluno a paixão por aprender que ele irá buscar os conhecimentos por conta própria. Esta premissa é ainda mais relevante na vida de uma criança surda, pois se o professor for um bom mediador dos conteúdos, o aluno terá inúmeras oportunidades de se desenvolver.
Não é producente apenas reclamar da falta de profissio- nais habilitados para atuar na sala de aula com alunos surdos, cabe a nós educadores nos mobilizarmos para aprendermos o essencial sobre LIBRAS para não prejudicarmos a educação dos alunos surdos.
Muitas vezes alunos surdos desistem da escola, ou até mesmo seus pais decidem que é melhor a desistência, por causa do isolamento ao qual são submetidos no meio esco- lar. Esta situação seria atenuada caso o professor soubesse o básico em LIBRAS, já que sabemos que não existem profis- sionais capacitados para atender a demanda de surdos inclu- sos no ensino regular no Brasil. O docente poderia também adicionar ao conhecimento de LIBRAS, o uso do lúdico, o que iria ajudar bastante no processo de interação entre os colegas ouvintes e surdos; permitindo um maior contato social e de- senvolvimento cognitivo.