4 APORTES METODOLÓGICOS
4.2 O PERSONAGEM QUE NOS “FALA” E COMO “OUVIR”
Ao tratarmos da gama de possibilidades de um texto literário com caráter histórico, optamos por analisar o modo como os personagens dizem de suas experiências dentro do contexto criado pelas obras. Ao pesquisar o modo como a mestiçagem opera em Viva o Povo Brasileiro e em A Geração da Utopia, percebemos não só como a noção de mestiçagem se encontra atrelada a um contexto de concepção da nação e da identidade nacional, mas também observamos a oportunidade de perceber como essa mestiçagem se encontra no dia-a-dia dos personagens dentro do contexto trabalhado na obra. Isto é, de que maneira a questão da mestiçagem se insere em situações cotidianas, e em situações cotidianas de caráter histórico, quando as situações, relações de poder e dominação, valores, regras, cultura e representações denunciam mais do que um discurso sobre a mestiçagem, e sim um conteúdo polissêmico de estruturas significantes, referentes ao modo como a mestiçagem se insere na cultura, no dia-a- dia, no contexto de países, como Brasil e como Angola, que passaram por processos diferenciados de colonização em contextos distintos?
Para entender como “conversar” com tais personagens, lanço mão do trabalho de Fraya Frehse, em cuja etnografia sobre a noção de civilidade na São Paulo de fins do Império se dispõe a ouvir personagens do passado e seu comportamento para entender de que maneira, através dos regramentos e da conduta a noção de civilidade chegou em uma determinada época. Ainda que não trabalhando com documentos oficiais ou com arquivos, mas com textos literários de caráter histórico, pude enxergar a uma interlocução viável com os processos de reconhecimento da qualidade dos personagens para nos dar uma dimensão relacional e parcial sobre relações sociais, valores, cultura e sociedade em uma determinada época e período.
Ao estabelecer o que chama de “diálogo para valer” dentro de um mesmo plano epistemológico daqueles que são o objeto do discurso antropológico, Frehse enfatiza que tal modo de conhecer é “eminentemente etnográfico”, quando o pesquisador recorre à sua
formação antropológica para analisar o contexto espaço-temporal em questão (FREHSE, 2006: 300). Fazer esta aproximação significa evocar uma experiência cognitiva baseada no “estranhamento das distâncias” e das proximidades em termos de referências culturais e teóricas entre o pesquisador e o contexto que se estuda. Sendo a noção de etnografia da qual partimos uma “negociação” que norteia o contato entre o pesquisador e seu objeto de estudo ao longo da pesquisa, bem como a escrita do texto é a interpretação das categorias nessa pesquisa, entendemos que nosso objeto de estudo se fixa tanto nas obras como na história, cabendo, portanto, essa negociação se dá em termos de ler as obras negociando nossa interpretação com aquela interpretação que é usualmente feita a partir de fontes secundárias.
Afinal, entender o modo como a mestiçagem existe fora e dentro das obras, nesta perspectiva, significa assumir que nesta atividade há um duplo “processo de objetivação”, no qual o pesquisador aprecia como os personagens vivem seus processos de objetivação e, em um outro momento, “auto-objetiva-se” para interpretar que análises podemos colher dessa leitura e de que modo ela descreve e faz parte do contexto apreendido. Interpretamos estes processos de objetivação como maneira de assumir que a realidade é objetivada quando refletida pelo sujeito no seu cotidiano com a linguagem, os objetos e o próprio meio social, com um duplo processo de objetivação tanto do pesquisador, em compreender como esta realidade surge, bem como do objeto, em traduzir a força da linguagem no cotidiano em realidade de forma reflexiva16. Em Viva o Povo Brasileiro, significa entender como os mestiços dialogam com as positividades e negatividades da própria mestiçagem em diversos contextos históricos, e na aproximação com grupos marginalizados; em A Geração da Utopia, significa perceber de que maneira a mestiçagem se encontra associada a metáforas da colonização, quando não a determinadas representações políticas e regiões do país.
Ao vincular etnografia e perspectiva epistemológica, Frehse entende que a pergunta a ser direcionada para o objeto de estudo passa por essa convergência, isto é, a aproximação histórica para conhecer a vida social de uma determinada época, e pela formulação de uma questão teórica que, no caso aqui trabalhado, tem na nação e identidade nacional atrelada à mestiçagem o seu eixo; em outras palavras, aquilo que se considera propriedade do contexto da obra e do momento vivido por aqueles personagens. Subentende, portanto, uma aproximação
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Fraya Frehse recupera, a partir do trabalho de Cecilia McCallum, a perspectiva de que a etnografia sugere uma postura epistemológica que “define a antropologia”; por isso, os dados na pesquisa antropológica tanto se baseiam em “processos de objetivação” de quem aprecia os processos de “objetivação” vividos pelos outros como, em um segundo momento, “auto-objetiva-se” por meio da análise e descrição do contexto observado. Assim, temos a sugestão de que à etnografia está implícito um modo de “conhecer a realidade sociocultural”, enquanto “postura” perante o conhecimento, forma de se posicionar diante do objeto de estudo durante o trabalho (FREHSE, 2006: 301).
histórica, ao mesmo tempo que referenciada por uma questão teórica. Uma indagação capaz de demarcar o “cenário espaço-temporal empírico de referência” (FREHSE, 2006: 302).
Ressaltando a questão da formação teórica para o trabalho do pesquisador, Frehse (2006) também destaca que o exercício do “estranhamento”, isto é, das nuances que mediam os procedimentos metodológicos, também deve ser resultado de uma inspiração advinda de um estudo teórico. Ou seja, o exercício do estranhamento se dá no próprio deslocamento histórico e cultural para o conhecimento da realidade de onde partem as obras que aqui trabalhamos. Sem ele, o pesquisador se perde, e não possui perguntas a direcionar para a interpretação do texto ou referências para tanto. A pesquisa, portanto, demonstra-se minuciosa quando exigido que, munido destas referências descritas, precisamos estar atentos aos pequenos fatos do cotidiano construído no contexto de um texto literário, ao aparentemente insignificante, remontando a uma noção de rotina, que descreve a “intimidade” do pesquisador na convivência com suas fontes, saberes e experiências de vida.
Desta maneira, atentamos para as regras de conduta que revelam ajustes a serem feitos com base em determinadas regras, influindo em comportamentos e interações sociais, mesmo em se tratando de uma análise de obras literárias ou de personagens de outras épocas cuja voz se sobressai no texto. Porém, estudar regras de convivência e de sociabilidade também significa estudar a adesão a essas regras e como elas levam a uma constância e padronização dos comportamentos. Em outras palavras, o modo como os personagens “se traduzem” em indivíduos cuja vida social gira em torno de questões relacionadas à formação da nação e da identidade nacional, em associação com o que a mestiçagem representa para eles, significa obervar o modo como a sociedade se organizava dentro de um contexto, em suas regras, valores e formas de organização (FREHSE, 2006). E, então, vem o trabalho de inspiração e de imaginação requerida pela abordagem etnográfica.
Ao construir uma mediação a partir destes conteúdos socioculturais e históricos, pode-se perceber que a lógica cultural opera segundo as regras, o preconceito, discriminações, posições, ocupações e visão de mundo de personagens mestiços. Ainda segundo Frehse (2006), a perspectiva etnográfica se dá nesses enfoques como estratégia literária, entendendo, em nosso caso, que o autor da obra torna inteligíveis os processos vivenciados por aqueles que seriam personagens mestiços para dar uma dimensão do que seria a cultura, a sociedade e os valores de um determinado período. Remetendo à Geertz (2008), e ressaltando que a qualidade dos textos literários também pertence a uma determinada ênfase etnográfica ao retratar uma cultura, os dados do etnógrafo são sempre “construções das construções de outros”; ou, como demonstra
Frehse (2006), no caso de estudos etnográficos de temáticas históricas, tais construções se fazem com base nos “indícios” de construções de outros.
Neste ponto, concordamos com James Clifford (2008) acerca da inviabilidade de lidar com o informante, isto é, um sujeito tão inserido nos processos que entendemos observar que ele seria um “guia” da cultura na qual está inserido. Para o autor, o termo “colaborador”, como alguém que estaria frente à frente contribuindo com o texto, a partir de sua própria imaginação sociológica e interpretação de cultura, seria mais justo. Muito embora Frehse (2005b) trabalhe a noção de “informante”, nós podemos toma-la aqui como um ponto de referência, mas que ainda não quer dizer aquilo que realmente entendemos por ser um “colaborador”, no sentido empregado por Clifford (2008).
Ao constituir-se, o diálogo para valer com esse campo epistemológico entende, no caso da nossa pesquisa, um diálogo com fontes primárias e secundárias, ou seja, com as obras e com aquilo que foi escrito sobre elas, e dentro daquilo a que nos dedicamos observar. Para Frehse (2005b: 136), a mediação com o objeto de estudo é feita segundo informações que já possuímos dele, propiciando um “cruzamento de dados” de fontes diversas e com os conhecimentos que as fontes secundárias sugerem para que possamos chegar a um campo imaginário de interlocução com os personagens.
Frehse (2005b) recupera em Henri Lefebvre a noção de que o imaginado e o vivido se embatem no real e o constituem, enfatizando que seria difícil estabelecer a fronteira entre o real imaginado e o real material. Dentro do trabalho de campo, não haveria obrigações de reconstituição do passado, mas a relação com fontes históricas e secundárias nos disponibiliza uma conexão maior entre eventos e personagens. Uma vez que a dimensão autoral do trabalho etnográfico nos dá margem para a imaginação, e muitas vezes para a teorização acerca do vínculo entre narrativa antropológica e literária, o campo imaginário se torna um espaço em que a imaginação do pesquisador se soma à imaginação sobre a linguagem e os simbolos que compõem o contexto do objeto de estudo.
Acerca da “relevância dos informantes”, como utilizamos em nossa pesquisa, Frehse (2005b) entende que eles seriam personagens que, “tematizados na documentação”, atuam de forma “analiticamente relevantes no campo imaginário que o pesquisador constrói a partir da interlocução com as fontes” (FREHSE, 2005b: 136). E se ressalta que este “informante” surge de uma construção teórica do pesquisador para indagar às suas fontes aquilo que anseia observar e compreender. Sendo esse “informante” alguém forjado no “contato” com a pesquisa, outra definição importante se encerra no seguinte trecho:
O informante é, de fato, testemunho localizado no tempo e no espaço, dotado de um modo de inserção bem específica na realidade local a ser estudada pelo antropólogo. Um testemunho a ser considerado criticamente, a fim de compreender o que ele pode ou não revelar acerca da realidade social contemplada (FREHSE, 2005b: 137).
Com base nestas características, uma interlocução se dá na relação entre o pesquisador e estes terceiros, inseridos no campo que objetivamos compreender e colher de interpretações possíveis. Para Frehse (2005b: 149), à medida que uma pesquisa etnográfica entende uma “hierarquia estratificada de estruturas significativas”, descrevendo comportamentos e interações, uma etnografia serve para a descrição dessa hierarquia, ou seja, uma descrição densa.
Acerca desse equacionamento, Frehse também destaca que este é um meio que historiadores usam para chegar ao que chamam de “crítica das fontes”, isto é, ao levar o pesquisador às evidências que trazem os documentos, elegendo um personagem cuja história ele contará. Uma vez remetido a uma “materialidade produtora de impressões sobre a realidade social”, o pesquisador contaria com essa figura do informante para elaborar acerca daquela realidade histórica e aproximá-la da pesquisa. Neste processo como um todo, Frehse (2005b) ainda destaca a questão da distância cultural como um desafio, um “horizonte epistemológico”. Uma vez considerando essa distância, a etnografia seria uma narrativa que ressalta as “descobertas interpretativas aleatórias e fragmentadas” com base em uma problematização “teórico-metodológica” na diferença cultural entre o pesquisador os sujeitos estudados, ou a época em que viveram e as sociabilidades inferidas de sua inserção no contexto social.
A construção do informante, ou colaborador, já é um esforço de objetivação. Se o papel do pesquisador e o seu vínculo com o outro no campo ocorre também no processo de construção desse “informante”, já se entende que para interpretar um personagem que é a construção de outro autor já sabemos que há uma objetivação primeiro do autor, para depois identificar nessa objetivação uma interpretação que elaboramos a partir de um constructo teórico e metodológico. Segundo Frehse (2005b), estes informantes contribuiriam para reservar aos dados históricos um lugar no chamado “presente etnográfico”, algo que reafirma que a construção de um campo epistemológico para a relação do pesquisador com o campo e seu colaborador é uma forma de partir da noção de construção desse campo dentro do presente, ressaltando as motivações do presente e do pesquisador.
Em Viva o Povo Brasileiro, escolhemos como informantes os personagens mestiços que, na narrativa, subentende uma herança genealógica de pais brancos, geralmente fruto de uma violência sexual cometida pelos brancos contra negras escravizadas, como é o exemplo da
personagem Maria da Fé; tais mestiços se encontram dentro de um contexto em que precisam se arvorar de condições para sobreviver como mestiços em diversos períodos da história do Brasil, conforme ela é retratada no romance. De outro lado, A Geração da Utopia carrega um outro sentido sobre a mestiçagem, e este é o do ‘assimilado’ ou ‘crioulo’, ou seja, de negros ou mestiços que se assimilam da cultura do colonizador branco e europeu para alcançar um determinado grau de educação, prestígio e status social, ainda que sensível à causa da independência em Angola, como é o exemplo do personagem Aníbal.
Ao optar por trabalhar com colaboradores, entendemos não apenas que o personagem é uma construção do autor, mas que ele, inserido dentro do contexto da obra, pode nos guiar demonstrando seu comportamento, seus valores e sendo, a seu modo, um lugar referencial a partir do qual entendemos observar a obra e compreender de que maneira há uma visão sobre a nação e identidade nacional nestes países. O colaborador se encontra tão inserido dentro do contexto pesquisado, que seu comportamento, fala, valores e interações já dizem bastante do lugar destinado a ele no contexto retratado, levando em conta aquilo que queremos observar.
Durante o trabalho de aplicação dos conceitos e da metodologia em sua tese, Fraya Frehse (2005a) deixou transparecer que as potencialidades deste método possuem detalhes a serem observados pelo pesquisador. Dentre eles, diante da ampla gama de informações acerca do período analisado, como atribuir o real significado destas experiências e captar, como poderíamos imaginar adiante, suas totalidades? Para Frehse (2005a), a multiplicidade de versões deixa entrever que os significados se sobressaem aos acontecimentos. Uma vez que tais significados são dados pelas partes, estes são sempre referentes a um contexto sociocultural de análise; assim, uma “pletora de significados acaba por contribuir para transformar o acontecimento naquilo que lhe é dado como interpretação: em evento” (FREHSE, 2005a: 24).
Ao exemplificar, parodiando o historiador Robert Darnton, que buscar entender o humor de operários na França setecentista significa compreender na piada um indício de distância que separa o pesquisador do contexto sociocultural estudado, Frehse (2005a) quer dizer que uma parte do trabalho do etnógrafo diante das fontes históricas é o de aproximar-se da compreensão por uma via analítica bem específica. Uma vez que manifestações como esta são parte do comportamento e das sociabilidades que se pode observar à época, o pesquisador deve partir da relação simbólica que este comportamento mantém com determinados modos então vigentes de perceber no dia-a-dia um determinado desenvolvimento histórico.
Seria, portanto, possível compreender algo muito mais abrangente a partir de um simples hábito, como o que foi outrora descrito; a saber, o que tais mediações aparentemente pequenas e fugazes teriam a revelar sobre a própria “historicidade” dos processos sociais em
curso. E tais processos seriam “o modo pelo qual as pessoas vivenciam e percebem o mundo que criam, ao mesmo tempo em que são por ele criadas” (FREHSE, 2005a: 27). Assim, comportamentos, gestos, falas, sotaques, modos de fala e de viver são características de um cotidiano dotado de formas de viver no espaço e tempo que dizem de como estes personagens vivem, no nosso caso, com a mestiçagem e de que maneira o mundo os cria, colocando-os em posições, classes e situações nas quais o elemento da mestiçagem é um fator importante.
Embora Frehse (2005a) destaque que essa perspectiva é usualmente usada para compreender antropologicamente a história urbana, reivindicamos o desafio de usá-la para compreender o pensamento social e o elemento da mestiçagem dentro de dois romances literários com viés histórico. Assim, apreender as mediações simbólicas referentes ao modo como os indivíduos habitam uma cidade ou um espaço, percebendo o mundo e criando histórias, em meio a uma vivência acerca de processos históricos e sociais, é que nos propomos a refletir de que maneira o contexto das obras cria personagens que as habitam e repetem essas manifestações de modo a desvelar novos significados sobre aquilo que buscamos.
Nosso objeto de estudo também inclui grandes eventos por trás da noção de nação e identidade nacional, em um momento no qual o território angolano se encontra em processos que culminariam com a independência e, de outro lado, em que o processo de inclusão do negro e do mestiço passou por diversos momentos e silenciamentos acerca da violência sofrida por ambos à procura de se inserir na sociedade brasileira. Os processos caracterizados como o impacto da modernidade, da ideia de civilidade ou de suas consequências tecnológicas entre os personagens escolhidos por Fraya Frehse (2005a), em nossa pesquisa a análise recai sobre a violência do colonialismo, o modo de pensar pós-colonial, a dimensão sempre questionável do mito da democracia racial conferido ao Brasil, a noção de hibridismo em África, a crítica do modelo de desenvolvimento e a busca do progresso no Brasil e em Angola; e, claro, os enigmas baseados na mestiçagem em um e outro país, além dos desafios para se pensar uma nação e identidade brasileira e angolana.
A saída, para captar uma noção de “totalidade” dessas experiências e que nos leve a tematizar a mestiçagem, compreendendo como ela se constrói nas obras, é “mover-se analiticamente no interior da ficção criada” (FREHSE, 2005a: 39). Ao assumir o texto como um conjunto de histórias de personagens, transeuntes, moradores, passageiros, sobre as atividades sociais em curso dentro de um determinado processo de construção histórica e social de um tempo, a estratégia metodológica é a de construir, a partir da imaginação e da interpretação, uma história ou narrativa tematizada dos conflitos, tensões e processos de identificação com a mestiçagem e a identidade nacional. O corpus elaborado a partir de excertos selecionados
constitui, por sua vez, o foco da análise sociológica; os comportamentos, gestos, condutas, vozes e expressões, os indícios possíveis para captar uma lógica cultural vigente; sobre os dilemas acerca da mestiçagem e identidade nacional, entre suas tensões e conflitos, chegar a discursos sobre a ação no tempo e espaço ficcional criado com base em um contexto vigente, nas representações que se faz sobre a vida entre colonos e colonizados, escravizdos e senhores, dentre outros.
Segundo José Guilherme Magnani (2009), existem escolhas teóricas no interior da pesquisa que entendem que o pesquisador não pode se separar delas, nem tampouco da particularidade a que está sujeito o objeto de estudo que impõe suas próprias estratégias de aproximação. Indo na mesma direção, a etnografia seria uma maneira de operar na qual o pesquisador adentra o universo do pesquisado e compartilha do seu horizonte para, em uma relação de troca, “comparar suas próprias teorias com as deles e assim tentar sair com um modelo novo de entendimento” (MAGNANI, 2009: 135).
Deste modo, são múltiplas as maneiras de perceber na literatura noções do que seria uma totalidade das experiências do modo de ser e de sentir um determinado período e lugar. Não se