Dentre os preceitos emitidos por Sachs (1993), a sustentabilidade reúne quatro pressupostos básicos. Buscamos a síntese apresentada por Sampaio (2000, p. 51), que apresenta os postulados abaixo.
O primeiro deles é a prioridade ao alcance das finalidades sociais, redirecionando o processo de crescimento econômico, visando ao alcance de objetivos sociais prioritários, traduzidos pelas suas necessidades materiais e psicossociais, como autodeterminação política e auto-realização. O segundo postulado valoriza a autonomia, que busca um grau de controle maior do processo de desenvolvimento, mediante a participação da sociedade civil organizada, canalizando e maximizando os seus recursos disponíveis. O terceiro, busca uma relação de simbiose com a natureza, que abandone o padrão arrogante de relacionamento com o meio ambiente biofísico instaurado pela modernidade à luz do paradigma cartesiano vigente. O último, redenomina a eficiência econômica, internacionalizando efetivamente a problemática dos custos sócio-ambientais do processo de desenvolvimento. Isso acarreta uma forma de apreciação correspondente à intemalização aos verdadeiros responsáveis das extemalidades até então socializadas e ocultadas da sociedade.
Em Redclift (2000, p. 113) se encontra a referência de que "[...] por exemplo, a indústria automobilística japonesa, ao operar em nível global, procurou reduzir a poluição no país, transferindo fábricas de carros para outras localidades. Pode-se discutir se foi, ou não, intenção dos fabricantes 'extemalizar' seus custos ambientais."
A seu turno, a Agenda 21 (1992), como um plano de ação, contém questões fundamentais. Descendo ao nível local, o planejamento para a implementação das estratégia propostas para a proteção ambiental soa como imperativo.
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O relatório Brundtland (CMMAD, 1988) apresenta o espaço local (município) como um incubador das atividades globais. É a partir dele que se começa a transformação paradigmática pretendida. O espaço local apresenta resposta imediata às novas realidades. É ali que tudo acontece em termos de causas e conseqüências visíveis ao meio ambiente. Encontramos em Fisher (1993) apud Sampaio (2000, p.52):
ü espaço local possui ideias complementares em um sentido c antagônicas cm outro. Sc, por um lado, o espaço local possui uma conotação de âmbito espacial delimitado, como base, território, microrregião e outras designações que sugerem constância a uma certa inércia, de outro, ele contém igualmente o sentido de espaço abstrato de relações sociais que se quer privilegiar e, portanto, indica movimento e interação de grupos sociais que se opõem em tomo de interesses comuns. Ou seja, o local não é apenas fisicamente localizado, mas socialmente construído.
Assim, os elementos territoriais, naturais, econômicos, culturais e sociais, em realidade, apresentam-se como um conjunto indissociável, que anima o espaço social. E a sociedade em movimento, nos dizeres de Santos (1994).
A análise do documento Nosso Futuro Comum (CMMAD, 1988), mostra que há o estímulo para que os governos nacionais e estaduais transfiram aos municípios a solução de seus problemas, mormente através de planejamento participativo, de modo que este minimize as deficiências e estimule as potencialidades locais.
Da mesma forma, de acordo com o relatório Brundtland (op. cit.) apenas um governo autônomo pode garantir que as necessidades, os hábitos, as formas urbanas e rurais, as prioridades sociais e as condições ambientais da área se reflitam no planejamento local de desenvolvimento. É a ação local que desencadeia a sustentabilidade global.
3.8.1 Concebendo o planejamento
Como nos diz Sampaio (2000, p. 28), "planejamento é um processo que seleciona um curso de ação, reorientando um conjunto de meios para atingir o seu fim, isto é, o planejamento é uma metodologia e não um fim em si mesmo."
Planejamento é, basicamente, na concepção de Almeida, Moraes, Souza & Malheiros (1999), um processo de raciocínio, onde se deve enfrentar, de maneira crítica, as situações que se apresentam. Assim, o planejamento difere da lei, da política, da administração. Não obstante, ele deverá estar estreitamente associado aos três para desempenhar suas tarefas.
Plano é, seguindo o raciocínio anterior, principalmente um meio para comunicar certas informações e para coordenar a ação com as metas previamente escolhidas, sendo assim, um artifício para registrar certas decisões.
De acordo com Almeida et al. (1999, p. 13), modernamente, o processo de planejamento tem passado de seqüencial para interativo. Existe, sem dúvida, uma série de etapas a seguir. Mesmo expressas em uma sucessão temporal, em realidade, o processo é cíclico e se realimenta constantemente, gerando soluções e propostas num processo contínuo de tomadas de decisões.
O processo de planejamento é continuado na gestão, ao pôr em prática as determinações do plano. No entanto, atualmente, é considerada artificial a separação entre planejamento e gestão, e esta gestão é concebida como uma etapa interativa cujos dados realimentam as fases do planejamento.
Nessa direção, podemos afirmar que a ação deveria ser planejada como um instrumento para aproximar duas dimensões - teoria e prática; uma espécie de práxis para reduzir o intervalo que as separa. A execução do planejamento dá-se através de programas de curto prazo. O controle de tais programas conduz ao conhecimento sobre a posição e o cumprimento do plano e permite ciclo de retomo entre planejamento e gestão.
Ainda em Almeida et al. (op. cit.) podemos observar que a realização do plano passa por determinadas etapas, que se resumem em:
- identificação e descrição do sistema: reconhecimento das variáveis relevantes para a compreensão de sua estrutura e funcionamento;
- definição dos objetivos com base aos problemas atuais e futuros e suas interações; - geração de soluções que satisfaçam os objetivos sem violar as restrições do sistema;
- seleção da solução que melhor satisfaça os objetivos através de um processo de avaliação, no qual interferem certas apreciações subjetivas e juízos de valor; e
- execução e controle.
O planejamento ambiental não possui definição muito precisa, ora se confunde com o próprio planejamento territorial, ora é uma extensão de outros planejamentos setoriais mais conhecidos (urbanos, institucionais e administrativos), que foram acrescidos da consideração ambiental. Ainda em Almeida et al. (op. cit. p. 40), podemos, encontrar o sentido do planejamento ambiental:
De qualquer mcxio, as detínições que leniam ser mais abrangentes consideram que: planejamento ambiental consiste cm um grupo de metodologias c procedimentos para avaliar as conseqüências ambientais de uma ação proposta e idcntilicar possíveis alternativas a esta ação [...] ou um conjunto de metodologias e procedimentos que avalia as contraposições entre aptidões c os usos dos territórios a serem planejados.
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No Brasil, são apresentadas algumas propostas de sistematização das ações do planejamento ambiental, que tratam essa questão associada ao desequilíbrio entre as atividades humanas e o meio ambiente físico natural, onde propõe que o equilíbrio passa por duas situações diferentes: corrigir os desequilíbrios provocados pelas forças da natureza ou de atividades humanas e intervir na natureza e controlar as atividades humanas para evitar desequilíbrios futuros. Nesta direção, Almeida et. al. (1999) dividem a ação preventiva nos aspectos de controle e planejamento, em que esta última estabelece a tomada de decisão baseada em duas questões: onde? e qual a intensidade? Considera também que as atividades humanas, como a homogeneidade da organização econômica ditada pela base capitalista, são absolutamente relevantes para esse tipo de ação. Concluem Almeida et al. (1999) que a ação preventiva de planejamento não é um produto acabado, mas um processo político/administrativo. Propõem, então, que os municípios e populações envolvidos devam ser os agentes de correção, adaptação e concretização ou não das propostas, segundo a resultante das forças e interesses sócio-políticos e econômicos existentes.