• Nenhum resultado encontrado

Parte I – Enquadramento Teórico

1. O conceito de arte

1.2. A relação da arte com o ensino

1.2.4. A arte nos documentos orientadores e reguladores do ensino de espanhol língua

1.2.4.2. O Plano Curricular do Instituto Cervantes

O PCIC (Instituto Cervantes, 2006) é o segundo documento orientador que nos

propusemos analisar. Este consiste no resultado do trabalho que teve como objetivo proporcionar a todos os docentes da rede do Instituto Cervantes, e a qualquer profissional relacionado com o ensino da língua castelhana, uma proposta amplia sobre o desenho e desenvolvimento curricular de programas de espanhol como língua estrangeira. Nos três volumes que o constituem, podemos encontrar inventários, divididos por secções e níveis de referência, que pretendem, como se lê na introdução ao documento “servir a distintos fines y utilidades relacionados con el aprendizaje, la enseñanza y la evaluación del español” (p. 11).

Este documento teve em conta o QECR, mas tentou aprofundar a questão do espanhol e tentar responder à necessidade já apontada no documento anterior para a criação de diferentes materiais de aplicação mais prática do exposto no Quadro.

Tal como o documento precedente, o PCIC desenvolve a ideia de que o aluno está no centro do processo de aprendizagem e que, como tal, é necessário que o professor e qualquer programa de aprendizagem de espanhol tenha em atenção as suas diferentes aceções: 1) o aluno como agente social; 2) o aluno como falante intercultural; 3) o aluno como aprendente autónomo.

24

No que diz respeito ao nosso tema de estudo, interessava-nos sobretudo analisar a forma como poderíamos fundamentar a nossa proposta de utilização das artes como recurso didático e de motivação à luz deste documento.

Apesar de não haver nenhuma secção diretamente relacionada com o recurso às artes como opção metodológica, o PCIC, através dos seus diversos inventários, permite ao professor criar situações em que os alunos desenvolvam a sua competência linguística e intercultural através deste tema.

Assim, o PCIC recupera o tema das atividades artísticas que já aparecia referido no QECR, bem como o seu caráter aberto e abrangente:

En función del análisis que se haga de las necesidades y expectativas de los alumnos, así como de las características de cada situación particular de enseñanza, podrán añadirse nuevas entradas de exponentes en uno u otro epígrafe, de manera que pueda darse una respuesta adecuada a los requerimientos de un currículo o programa determinado. Por otra parte, debe entenderse que las series de exponentes que se presentan en cada una de las entradas son también abiertas, es decir, admiten otros elementos que pueden completar la serie del modo que sea conveniente a la situación y a las circunstancias pedagógicas (IC, 2006, Nociones especificas. Introducción).

Do mesmo modo, o documento recupera do Quadro a noção do aluno como falante intercultural e são várias as referências a essa dimensão do aluno como capaz de identificar os valores da nova cultura à qual acede através da língua, estabelecendo uma ponte entre ela e a sua cultura de origem. Para isso, é necessário que se permita ao aluno:

[…] aproximarse a otras culturas, y particularmente a las de España y los países hispanos, desde una perspectiva intercultural. En esta perspectiva, la comunicación trasciende el mero intercambio de información para abarcar la comprensión, la aceptación, la integración, etc., de las bases culturales y socioculturales comunes que comparten los miembros de las comunidades a las que accede el alumno: la memoria histórica, las formas de vida, los valores, las creencias, etc., que a menudo impregnan la literatura, el cine, las artes plásticas, etc. (IC, 2006, Habilidades y actitudes interculturales. Introducción).

Nos inventários de “Habilidades y actitudes interculturales”, “Referentes culturales” e “Saberes y comportamientos socioculturales”, apresenta-se as formas como o aluno deverá desenvolver a sua competência intercultural, em cujos pressupostos nos baseámos para a elaboração das nossas atividades didáticas.

De destacar que no inventário “Referentes culturales” faz-se referência a criações e produtos culturais, nos quais, na nossa opinião, se poderá incluir o recurso a obras de arte no objetivo de contribuir para a competência intercultural dos alunos, pois este tema “recoge las tendencias artísticas y culturales, con sus autores y creaciones, que

conforman el patrimonio cultural de España y de Hispanoamérica.” (IC, 2006,

25

De referir que nestes inventários encontrámos os dois tipos de cultura a que alude Berdet (2007):

[…] los contenidos relativos a la cultura en minúsculas o cultura social, formada por costumbres, tradiciones, ritos y usos propios de cada sociedad, en la que incluiremos la pragmática sociocultural, la comunicación no verbal, las fiestas y tradiciones populares, la gastronomía, el modo de vestir y actuar en determinadas situaciones y (…) los contenidos relativos a la cultura institucional, o Cultura en mayúsculas, relacionada con lo que podemos denominar como Historia de la Civilización. Esta Cultura comprende la historia de los hechos y manifestaciones superiores de la sociedad, y está tradicionalmente estructurada en distintas disciplinas académicas, tales como la Literatura, la Historia, el Arte (música, pintura, escultura), la Arquitectura (los estilos arquitectónicos) y el Cine, considerado como una manifestación cultural y artística. (p.213)

Para efeitos do nosso trabalho de investigação, interessava-nos sobretudo a noção de Cultura com C maiúsculo tal como a entende a autora, embora nos tenha parecido desnecessário apresentar no nosso trabalho o termo escrito dessa forma.

Finalmente é importante destacar que o PCIC apresenta a configuração de uma identidade cultural por parte do aluno, o processamento e assimilação de saberes culturais e socioculturais, a interação cultural e a mediação cultural como níveis progressivos de desenvolvimento da já referida competência intercultural. Como docentes preocupados com a fundamentação pedagógica da nossa prática profissional, procurámos seguir as descrições apresentadas em cada um destes inventários. Nesse sentido, no segundo capítulo deste trabalho, apresentámos atividades que tinham como objetivo levar o aluno a perceber e apreciar “las culturas con las que se establece contacto desde diferentes perspectivas y decidir en qué medida se completa la propia identidad cultural con las aportaciones recibidas a partir del contacto con hechos o productos culturales de otras comunidades” (IC, 2006, Organización del inventario).

Documentos relacionados