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4. Área 1 – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem

4.2. O processo de planeamento

4.2.3. O plano de aula

Segundo Bento (2003) “Com o planeamento da unidade temática dão-se os primeiros passos para a preparação da aula. Os objetivos e conteúdos essenciais estão definidos em traços largos; a aula está integrada no processo global da unidade didática, está assinalada a sua função. (…) sem se elaborar e terem atenção o plano anual e o plano da unidade temática, sem se analisar e avaliar o ensino anterior, não se pode falar propriamente de preparação das aulas (…) a preparação da aula constitui, pois, o elo final da cadeia de planeamento do ensino pelo professor” (p. 164). De acordo com o mesmo autor, é fundamental ter em atenção os planeamentos realizados

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anteriormente, de forma a ser construído o “elo final da cadeia”: o Plano de Aula.

O plano de aula assume um perfil singular, preciso e real, portanto deve ter nele espelhadas informações de caráter pormenorizado, evitando informações globais. Bento (2003) refere que “Cada aula fornece um contributo totalmente específico, apenas a ela pertencente, para a solução das tarefas de uma unidade temática, do programa anual, e do programa de toda a escolaridade. Tem que assumir sempre uma função concreta, na qual se reflitam, de forma bem proporcionada, as tarefas principais da unidade ou ciclo de ensino mais lato em que inclui” (p. 102). É este documento que torna possível transportar aquilo que foi idealizado pelo professor aquando a elaboração dos MEC’s de cada modalidade. Rink (2014) concorda com o anteriormente descrito, enunciando que o plano de aula é um guião no processo de ensino baseado nos objetivos que foram determinados durante a construção da unidade didática.

Bento (2003) defende que a aula deverá ser estruturada em três partes diferentes: parte preparatória, parte principal e parte final. Rink (2014) concorda com o autor supracitado, discorrendo que a aula deve ter um princípio, meio e fim, pois somente desta forma o professor conseguirá conceder propósito às experiências dos alunos. O planeamento usado durante este ano letivo dividiu as aulas em três partes, estando em conformidade com os autores atrás descritos, sendo elas: parte inicial, parte fundamental e parte final.

As categorias didáticas inclusas no plano de aula, para além dos objetivos da aula e função didática, foram o tempo disponível para cada exercício, os conteúdos, os objetivos comportamentais, as situações de aprendizagem, as componentes críticas e a organização dos alunos/professor. Ao longo do ano letivo, esta organização revelou ser adequada, sendo simples, rápida e fácil de consultar.

Durante o planeamento, as situações de aprendizagem foram sempre pensadas de forma a responderem ao enunciado nos objetivos comportamentais. Na minha opinião, tem lógica planear uma determinada aula desta forma, visto que em primeiro lugar deve pensar-se no aluno. Posteriormente, torna-se importante pensar numa situação que proporcione aprendizagem efetiva ao aluno.

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Inicialmente, dada a minha inexperiência de planeamento, a construção de um plano de aula era um processo bastante demorado e complexo. As principais dificuldades que enfrentei prenderam-se no grande número de fatores que tinha que conjugar para que o plano de aula fosse construído (matérias de ensino, condições temporais, condições espaciais, características dos alunos, entre outros). Para que a elaboração dos planos de aula melhorassem foi fundamental a partilha de conhecimentos com os meus pares, com a PC e com a PO. De modo a delinear os objetivos de cada aula, o módulo 8 – a aplicação – foi fundamental para que os níveis de organização dentro de cada unidade didática fossem alcançados com maiores índices de aproveitamento.

Outra das minhas dificuldades residia na pouca variedade de exercícios que usualmente planeava para as aulas de 90 minutos. Com a ajuda da PC, esta variabilidade na prática foi aumentando. Com esta evolução, as aulas passaram a ser mais motivantes para os alunos.

Fruto da minha insegurança inicial, aliada à minha falta de experiência, o plano de aula estava sempre comigo (quer na mão, pousado perto de mim, ou no bolso do casaco). Em conversa com a PC, esta aconselhou-me que devia abandonar a sua presença na minha mão, para assim estar disponível para exemplificar algum exercício ou para realizar algum tipo de ajuda a algum aluno. Penso que a superação deste aspeto foi bem conseguida, visto que deixei a sua utilização um pouco de parte durante a lecionação das diversas modalidades. Para que esta evolução fosse garantida, fazia sempre uma revisão ao plano de aula antes da sua lecionação, sendo que apenas o consultava caso tivesse alguma dúvida. Com esta alteração notei que ganhei credibilidade junto aos alunos. Estes começaram a sentir-se mais seguros quanto ao meu conhecimento acerca das modalidades.

Com o decorrer do estágio Profissional, tornou-se fácil de constatar que o plano de aula é o nível de planeamento mais sujeito a alterações. Bastava que faltasse um número elevado de alunos, condições atmosféricas adversas, velocidade com que os alunos adquirem os comportamentos previstos ou a reação dos alunos a determinado exercício, para que toda a dinâmica organizativa da aula fosse alterada.

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Esta aula estava destinada para a avaliação diagnóstica, porém o mau tempo inviabilizou o planeamento que havia sido realizado. Desta forma, quando cheguei à escola pedi ao professor que lecionava aula no pavilhão que me cedesse metade do espaço. Este pedido foi prontamente atendido. Apesar da instalação ter sido cedida, optei por estender um pouco mais o espaço até à bancada onde foram colocadas 10 estações de condição física. (Reflexão de aula, 8 de Janeiro de 2016).

Todas estas variações ao nível do planeamento de aula levaram-me a concluir que não é possível prever todas as componentes que o podem influenciar diretamente. Neste âmbito, ao longo do ano letivo o processo reflexivo foi essencial para melhorar as minhas ações quando o planeamento não se ajustava às condições que estavam programadas. Warford (2011), tal como patenteia Vygotsky (1986) refere que as aprendizagens surgem quando o professor experimenta a surpresa, confusão e conflito em longos períodos de tempo. Segundo o mesmo autor, estas situações assumem-se como fulcrais no processo de mudança do professor no sentido do desenvolvimento profissional.