MAPA 7 – Uso e Ocupação da Comunidade de Barbados
2.5 DISSENSOS LOCAIS: A VISÃO DA COMUNIDADE SOBRE O PARQUE E A
2.5.1 O parque segundo o ICMbio
2.5.1.3 O plano de manejo para o ICMBio
Após 23 anos da criação do Parque Nacional de Superagui e, portanto, da atuação de 18 anos com pendências para sua regularização51, a gestão da UC iniciou em 2012 o processo de elaboração do Plano de Manejo52.
Até o presente momento a UC trabalha com um Manejo Moderado, conforme indicou Guadalupe Vivekananda. As atividades permitidas consistem em passeios a pé ou de bicicleta na Praia Deserta e na praia da Ilha das Peças, não podendo acampar e nem usar motocicleta. É possível fazer uma trilha na Barra do Superagui que vai até a Praia Deserta. Há a possibilidade de hospedagem nas vilas, sendo possível, também, observar o dormitório dos papagaios de cara roxa na Ilha dos Pinheiros (não sendo permitido o desembarque nessa ilha).
Quanto a questões relativas às atividades tradicionais de subsistência, Guadalupe destaca a influência de legislações externas ao Parque e que, geralmente, são confundidas pelas comunidades. Alguns moradores, segundo ela, incorporam ao seu discurso contra o Parque algumas restrições de uso gerais, de leis estaduais ou federais externas ao ICMBio, como se ele fosse o responsável por todas elas. Esta falta de esclarecimento sobre quais restrições são efetivamente relacionadas ao Parque intensificam os conflitos entre UC e comunidades.
Em entrevista sobre o Parque53, o atual chefe da UC, Marcelo Bresolim, relata:
É claro que muitos conflitos se apresentam no dia'a'dia dos gestores do parque. Afinal, existe uma população, na maior parte pescadores artesanais, vivendo dentro ou no entorno imediato do parque. Os comunitários possuem grande resistência e descrédito em relação aos órgãos ambientais e às ONGs, muito em função da ausência de políticas públicas de saúde, educação e plano de manejo. Mas também originados por uma dificuldade histórica de associativismo e da repetição dos velhos discursos, verdadeiros “mitos” contra UCs. Um dos maiores desafios será reverter a imagem negativa do parque junto aos locais e isto só será possível com o incremento de um turismo responsável, com uma melhoria da gestão do recurso pesqueiro e da importante ferramenta estadual do ICMS Ecológico (Marcelo Bresolim em entrevista à Rede PróUC, 2009).
Como dito anteriormente, a falta de esclarecimento sobre as restrições e funções de cada instituição ou órgãos ambientais corroboram para alguns conflitos entre comunidades e
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O Artigo 27 da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000 – que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, determina que toda UC deve elaborar um Plano de Manejo no prazo máximo de cinco anos a partir da data de sua criação.
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Ainda para a referida Lei, o plano de manejo consiste em um documento técnico onde, a partir dos objetivos de cada UC, se elabora o zoneamento e normas de utilização dos recursos naturais.
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Entrevista realizada no dia 29/09/2009 para a Rede Pró'UC. Disponível no sítio oficial da rede: http://www.redeprouc.org.br/parquesnacionais/
Parque. A fiscalização por vezes violenta de alguns órgãos consiste em um dos elementos mais citados entre moradores. Para Guadalupe Vivekananda, a própria confusão sobre as funções de cada instituição ocorre pelos trabalhos realizados em parcerias.
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A entrevistada cita ainda exemplos como o defeso do camarão, período em que ocorrem fiscalizações mais rígidas nas regiões do interior da baía e no mar aberto. Muitos moradores associam as fiscalizações ao Parque ou acreditam que é a equipe da UC que as orientam ou denunciam os moradores.
O Plano de Manejo, como afirma Guadalupe, está sendo realizado com recursos advindos de compensação ambiental do Porto de Itapoá. Neste momento estão sendo desenvolvidos estudos para diagnosticar a situação atual referente à ocupação humana e às proposições para o uso público. Três profissionais foram contratados e seguem uma metodologia própria, em acordo com a equipe do ICMBio, seguindo um roteiro metodológico. A previsão de término do Plano de Manejo é para dezembro de 2013, passando pela consulta do conselho consultivo.
De acordo com a entrevista de Marcelo Bresolim à Rede Pró'UC (2009) a prioridade da gestão da UC é a elaboração do Plano de Manejo e o encaminhamento da regularização fundiária.
Guadalupe Vivekananda esclarece a estratégia para a regularização fundiária através do Plano de Manejo. Algumas áreas do Parque já haviam sido tituladas pelo Estado, na época em que Superagui ainda fazia parte do continente. Já Ilha das Peças tem sua totalidade pertencente à União. Grandes empresas acabaram comprando áreas em Superagui, no entanto, elas não estão conseguindo comprovar a dominialidade da área, o que impede a indenização. A área do Vale do Rio dos Patos estaria dividida em glebas, mas não há a comprovação sobre os reais donos das propriedades uma vez que a área sofreu um processo de grilagem de terras, sobretudo no período em que o governo incentivou a plantação de palmito.
Já os pescadores artesanais são considerados posseiros, o que implica no pagamento de indenizações referentes apenas ao valor das casas. Guadalupe ressalta que a regularização fundiária para as vilas de pescadores seria prejudicial aos mesmos, ao passo que eles
necessitam da área para sobreviver e o valor das indenizações, por serem casas simples, seriam uma agressão à sua sobrevivência. Se ocorresse a indenização e os pescadores se deslocassem para outras áreas, poderiam ocorrer problemas sociais ainda mais graves. Desta forma, os pescadores só terão a regularização fundiária com indenizações se isso ocorrer por vontade própria. Guadalupe acrescenta que:
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Até o Plano de Manejo entrar em vigor, as populações continuam com restrições no uso de seu território. Quanto às atividades comuns à vida local, Guadalupe salienta que muitas delas não serão permitidas, não pela restrição referente ao Parque, mas por se tratar de legislações estaduais e federais específicas, como atividades extrativistas ligadas ao cipó54, por exemplo. Sobre as roças a entrevistada alega:
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Os estudos sobre o modo de vida das comunidades estão sendo realizados por uma socióloga a partir de questionários e reuniões. Também estão sendo feitos mapeamentos que, segundo Guadalupe, servirão para um diagnóstico, sobretudo dos aspectos que despertam o orgulho da comunidade e as dificuldades de cada vila.
Cada aspecto relacionado ao extrativismo dentro dos limites do Parque será analisado. Guadalupe destacou que estão sendo realizados estudos sobre o uso e manejo da cataia e caxeta. Quanto ao extrativismo de subsistência de outras espécies a entrevistada coloca que serão necessários estudos para averiguar cada caso, sendo o termo de compromisso o documento que poderia liberar esses usos e manejo:
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Embora a entrevistada tenha ressaltado que as proibições são referentes a leis estaduais ou federais, o exemplo em específico citado por ela, o cipó, não possui nenhuma lei contrária a sua extração e uso.
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(Guadalupe Vivekananda – entrevista 2012).
O objetivo da gestão do Parque é que a partir dos estudos para o Plano de Manejo se tenha um panorama para o desenvolvimento da atividade turística, mais especificamente o turismo comunitário: 2 , % . * , % + , + , ! % 6 7 * . 0 % , . - " 0 " , , % H 6 7 D ! , + , , . -. % + . ! ; " " N " / % K 2 6 7 % , , , , ! , . ,
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Neste contexto, Guadalupe destacou a atuação de um profissional contratado para frequentar as comunidades e identificar elementos que possam ser aproveitados na atividade turística. Segundo ela, a esperança da atual gestão da UC é que o Plano de Manejo vá além de um documento padronizado, mas que seja adequado à lógica de Superagui, que consiga aproveitar suas características e suprir suas necessidades.