UMA ANÁLISE ESPACIAL DOS DETERMINANTES DA MORTALIDADE POR DOENÇA RESPIRATÓRIA NA PARAÍBA
MATHEUS OLIVEIRA DE ALENCAR
2.2. O Plano Real e o Processo Inflacionário no Brasil
Para relatar acerca das definições e influências da inflação, é de suma importância ter ciência que as variações da variável “desemprego” afeta várias outras variáveis, provocando um efeito em cadeia na economia.
A taxa de desemprego baixa gera um aumento na demanda por trabalho ocasionando uma elevação dos salários nominais. Neste caso, a economia pode apresentar altas taxas de crescimento, em contrapartida acarretará um aumento nos preços (NAZARETH, 2011).
Fica evidente que a variável “inflação” influência na variável “desemprego”, especialmente através do regime de metas da primeira, em que o governo estabelece o piso e o
teto da meta. Se esta variável reduz, impacta em um crescimento do desemprego gerando uma redução do consumo. Outro fator que afeta as famílias é a quantidade de impostos no Brasil. Os valores cobrados são altíssimos, enquanto que o salário se comparado com a inflação período após período decresce o poder de compra das mesmas, principalmente as de baixa renda.
De acordo com Gonçalves (2006), a carga fiscal brasileira onera os contribuintes, afetando a demanda por produtos domésticos e diminuindo o poder aquisitivo das famílias.
Isso significa que com o aumento da inflação, a taxa dos tributos também aumenta em termos nominais, ou seja, o trabalhador terá de aumentar a quantidade monetária para adquirir os mesmos produtos ou reduzir os itens que compõe a sua alimentação.
A inflação pode também ser causada pela excessiva emissão de moedas pelo governo sem a contrapartida de uma elevação na riqueza do país (produção de bens e serviços). Desta forma, o dinheiro é desvalorizado gerando uma queda no poder aquisitivo (PAULA et al. 2011).
Um exemplo disso são as intervenções do BACEN (Banco Central) no mercado de câmbio comprando e vendendo moeda, com o intuito de promover uma valorização ou desvalorização cambial para atingir as metas de inflação.
O surgimento da crise, influenciada principalmente pela inflação, induziu diversos estudos para saber os efeitos de seu crescimento e a forma de combate da mesma (BARBOSA, 2008).
Para Oliveira et al. (2013), a inflação é um problema mundial, onde há uma queda do poder de compra, impactando de forma negativa principalmente na população assalariada, que tem o aumento incompatível com esse fenômeno.
É importante ressaltar que o aumento periódico do salário mínimo não preserva o poder aquisitivo das famílias, isso porque os reajustes salariais na maioria das vezes estão abaixo da inflação, reduzindo a quantidade consumida, diminuindo a demanda por produtos, impactando em uma redução do poder de compra. Outra questão importante é a influência do crescimento econômico, que apresenta pontos positivos e negativos para a população, pois em um país que apresenta um alto grau de crescimento, não significa necessariamente que todos estão sendo igualmente beneficiados em relação ao nível de renda e o acesso a serviços e recursos sociais. Diante disso, Stoffel et al. (2012, p. 4) afirmam:
“O crescimento econômico é condição necessária, porém não suficiente para que o desenvolvimento econômico ocorra. Apenas gerar maior volume de produção não significa que todos estão melhorando suas condições. O acesso ao emprego e renda precisa ser democratizado de forma que todos possam participar da ‘divisão do bolo’ da geração e distribuição de riquezas. Em países com disparidades antigas como no
caso brasileiro as mudanças não são rápidas, sendo necessária a adoção de políticas que permitam o avanço econômico e social o que resultará em melhores condições de vida, senão para todos, mas ao menos para a maioria. Mas este caminho não é curto e passa pela geração de empregos e a superação do problema do desemprego”.
Com o aumento do desemprego, influenciado basicamente pela redução da quantidade produzida, há uma redução do consumo já que os trabalhadores desempregados não irão manter o mesmo padrão. Dessa forma, com o aumento da inflação ocorre uma elevação do valor da cesta básica, mesmo que o país esteja em pleno crescimento, porém, com o desemprego em alta, muitas famílias não terão acesso à alimentação necessária para manter a segurança alimentar.
Nesse contexto, é importante ressaltar que “os índices mais difundidos são os índices de preços ao consumidor”, que medem a variação do custo de vida de segmentos da população (a taxa de inflação ou de deflação). Essa taxa mostra a variação de um número índice que é calculado a partir da média ponderada de preços de vários bens (previamente estabelecidos por um instituto de pesquisa) (PAULA et al. 2011).
Como esses índices estão atrelados à inflação, um aumento no segundo provocará uma elevação dos índices, indicando crescimento do preço dos produtos. Portanto, o índice de preços é importante porque informa as famílias para as mesmas se planejarem para adquirir os produtos que se encaixa na sua renda.
Neste caso, Moreira (2011, p.7 apud Paula et al. 2011), relata que:
“[...] Para mensurar a inflação, é preciso utilizar índices de preços, construídos para a finalidade de acompanhar a evolução dos preços. Algumas das entidades credenciadas para divulgar os índices de preços são: IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; a FGV - Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro; a FIPE - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, em São Paulo, o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos, em São Paulo; e o IPEA - Instituto de Pesquisas Econômicas, em Belo Horizonte.”
As principais organizações que estão envolvidas no cálculo de inflação foram essas enumeradas anteriormente, porém, como já foi dito, o Brasil adotou um processo de indexação da economia atrelando todos os preços da economia ao IPCA.
De acordo com Pimentel (2013), o Regime de Metas de Inflação (RMI) é oficialmente adotado em 1999, e a partir daí, a política monetária brasileira passou a funcionar da seguinte forma: O Conselho Monetário Nacional (CMN) no qual seu presidente é o Ministro da Fazenda estabelece as metas de inflação e faixas de flutuação para o IPCA e o Comitê de Política monetária (COPOM) buscará atingir essa meta através da utilização da taxa de juros de curto prazo, SELIC.
Essas mudanças foram adotadas posteriormente a implementação do Plano Real. O regime de metas foi adotado após a desvalorização do câmbio com o intuito de elevar as exportações, e aumentar a taxa básica de juros brasileira para atrair capital estrangeiro. Neste caso, o país adota um sistema de abertura comercial, principalmente através da entrada de multinacionais provocando um aumento na oferta de empregos.
Para Mendonça (2007), o principal problema para obtenção do regime de metas no Brasil é a dificuldade para captação das metas que provoca falha da âncora nominal na busca por a meta desejada. Sendo que, a taxa de juros aparece como o principal instrumento da autoridade monetária para se alcançar a respectiva meta e provocando, uma rígida baixa da taxa SELIC.
Diante de tantos fatos relevantes referentes à inflação, é muito importante relatar acerca dos processos inflacionário no Brasil e os planos que tinham como principal objetivo estabilizar a economia do País.
Na década de 1960, o processo inflacionário acelerou-se de forma elevada devido à falta de uma política de contenção de preços. Os anos 80 a inflação alcançou índices relativamente altos atingindo três dígitos, o Brasil vinha passando um período de recessão e, diante disso, foi elaborado um plano de congelamento de preços conhecido como Plano Cruzado que tinha como principal característica tabelar os preços. Porém como a economia apresentava um componente inercial, o plano não conseguiu alcançar os objetivos e provocou uma aceleração inflacionária maior.
Em 1987 foi elaborado o Plano Bresser que congelava preços e salários, porém por um período fixo, exemplo cinco meses, também não obteve êxito. No ano seguinte foi implantado o Plano Verão, com as mesmas características de congelamento de preços e acompanhado por uma reforma monetária, tendo o mesmo resultado dos planos anteriores.
Após vários planos de estabilização e controle inflacionário serem aplicados sem sucesso. Em 1993 houve mais uma tentativa de estabilização da economia brasileira. Diante da perspectiva do novo plano, Pereira (1998, p.97), afirma o seguinte:
“Para se chegar à futura estabilidade da economia e da moeda nacional, seria necessário, então, colocar em prática, junto com o plano, uma série de medidas que levassem a economia a uma das mais severas políticas de contenção de gastos, monetária, fiscal, de investimentos e cambial. No entanto, algumas dessas medidas até hoje não surtiram efeito ou, ainda, não foram realmente colocadas em prática pelo governo.”
No entanto, o principal objetivo do plano foi alcançado com a inserção da nova moeda da economia que provocou uma valorização do câmbio e, consequentemente, da moeda brasileira, provocando também o controle da inflação. Nesse contexto, pode-se afirmar que o
plano real conseguiu alcançar os objetivos propostos no período em que foi aplicado e, diferentemente dos planos anteriores, conseguiu obter sucesso.
3. Metodologia