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1. MARCO TEÓRICO

1.8 O PNLD/2002 e a análise lingüística

Parece-nos relevante trazer à tona, nesta seção, alguns aspectos do perfil43 dos livros didáticos destinados ao Ensino Fundamental (5a. a 8a. séries), referentes ao PNLD/2002. Primeiro, pelo fato de ser sobre os livros dessa modalidade de ensino que pretendemos desenvolver nossa pesquisa, depois pelo fato de acreditarmos que a compreensão de um objeto de estudo, a partir da revisão de um olhar lançado a priori pode nos dar pistas para uma análise mais consistente.

De acordo com Rojo (2003), são componentes avaliados nos LDPs de Língua Portuguesa:

i. a natureza do material textual;

ii. as atividades de leitura e compreensão de textos escritos; iii. as atividades de produção de textos escritos;

iv. as atividades para a produção e compreensão de textos orais;

v. as atividades de trabalho e reflexão sobre os conhecimentos lingüísticos vi. o manual do professor;

vii. os aspectos gráfico-editoriais.

Os resultados da avaliação pedagógica, tomando como base, os requisitos acima, para traçar um perfil do LDP de 5a. a 8a. séries, mostraram que o percentual geral de critérios bem atendidos na avaliação de 37 coleções foi baixo, ou seja, alcançou 62% dos quesitos ou rubricas. (ROJO, 2003)

Outro aspecto relevante nessa avaliação diz respeito à eficiência das estratégias adotadas pelos editores, muito bem mais sucedidas que as traçadas pelos autores de LDPs., já que os percentuais mais altos de avaliação positiva recaíram sobre aspectos gráfico-editoriais.

43 Este perfil foi elaborado, a partir da avaliação pedagógica realizada pela Comdipe/SEF/MEC, por meio do PNLD.

Um outro aspecto relevante diz respeito também a dados que apontaram para uma discrepância entre o que diz o manual do professor e entre o que está proposto no LDP, o que leva a supor que a revisão desses manuais é feita por especialistas. Aspectos que indicam um domínio editorial e não autoral (cf. ROJO, 2003).

Um outro ponto importante é a avaliação da abordagem das coleções a respeito da “reflexão” sobre a língua e a linguagem nas coleções em análise. É importante ressaltar que, nesse tópico, foram avaliadas as atividades que trabalharam a linguagem voltada para o uso, atividades epilingüísticas, atividades metalingüísticas, atividades de transmissão e atividades de reflexão.

Os resultados mostram que apenas 44% dos LDs examinados apresentam algum tipo de preocupação em relacionar o conhecimento gramatical com o uso da língua e da linguagem. E somente 28% da amostra recorre a procedimentos epilingüísticos e reflexivos. O grosso do trabalho sobre os conhecimentos lingüísticos ainda se dá de maneira transmissiva (83% dos casos), recorrendo, quase sempre a metalinguagem (em 75%) (ROJO, 2003, p.97).

Aautora chega à constatação de que parece haver uma contradição entre os resultados verificados e a importância dada pelos PCN (1998) ao tópico em análise, considerado este como o mais indicado para a construção dos conhecimentos lingüísticos, devido ao percentual de 64% de adequação, verificado na avaliação.

Para a autora, três aspectos devem ser levados em consideração: o primeiro é com relação à própria avaliação do PNLD-2002. Se fossem retiradas as coleções de LDPs que adotavam um ensino de gramática transmissivo, só restariam dez exemplares; depois a própria dificuldade de se chegar a um consenso sobre o ensino de gramática e sobre as modalidades desse ensino, entre os estudiosos do assunto. Além disso, a própria tradição das práticas dos professores de 3° e 4° ciclos do Ensino Fundamental, marcada por um ensino de gramática normativa, o que leva a escolha dos professores a recair sobre os livros menos recomendados.

Rojo (2003) conclui, afirmando que os procedimentos de avaliação do PNLD provocaram uma melhoria na qualidade dos LDPs. Todavia, ainda muito se tem a fazer do ponto de vista didático-metodológico nos campos do ensino de língua materna, especificamente no caso do ensino de gramática e no uso da oralidade em sala de aula.

1.8.1 O PNLD/2005 e a análise lingüística

O PNLD/2005, semelhante também ao PNLD 2002, procura nos seus critérios de avaliação acompanhar a “virada pragmática” no ensino de língua materna. Com base nos critérios classificatórios postulados pelo PNLD/2005, referentes aos conhecimentos lingüísticos, as recomendações são as seguintes:

Objetivam levar o aluno a refletir sobre aspectos da língua e da linguagem relevantes tanto para o desenvolvimento da proficiência oral e escrita, quanto para a capacidade de análise de fatos da língua e da linguagem. Por isso mesmo, seus conteúdos e atividades devem:

i. ter peso menor que os relativos à leitura, à produção de textos e à oralidade, especialmente aqueles relativos à morfossintaxe;

ii. estar relacionados às situações de uso;

iii. considerar e respeitar as variedades regionais e sociais da língua, situando a norma culta nesse contexto lingüístico;

iv. subsidiar as demais atividades com um aparato conceitual capaz de abordar adequadamente a estrutura, o funcionamento e os mecanismos característicos dos diferentes gêneros e tipos de texto;

v. estimular a reflexão e propiciar a construção dos conceitos abordados (BRASIL, 2004).

O documento apresenta ainda, no final das resenhas, dois gráficos: o primeiro informa o percentual relativo à aprovação das obras, e o segundo mostra o percentual de cada módulo avaliado no que se refere à adequação aos critérios de aceitação do referido programa.

Os gráficos permitem-nos fazer algumas possíveis leituras: 22% das coleções analisadas não atenderam aos critérios eliminatórios e, por isso, foram excluídas na análise, o que equivale a um percentual pequeno, quando se observa que houve 78% de aprovação das coleções. O documento reconhece, no entanto, que as coleções que foram aprovadas são bastante diferentes entre si, privilegiando alguns enfoques (eixos) em detrimento de outros. Reconhece, ainda, que algumas coleções não apresentam uma didatização tão adequada aos critérios de aceitação do Programa quanto outras coleções, fato que se explicita nas ressalvas ou restrições presentes nas resenhas, em especial na seção Em sala de aula.

1.9 Os PCN e o ensino de análise lingüística: o que é prescrito e algumas