(BARKER, 1989)
Alguém já disse que precisamos prestar atenção no futuro, porque é nele que vamos passar o resto de nossas vidas. Porém, às vezes, isso não passa de palavras para muitas pessoas que acabam ficando quase que totalmente amarradas ao presente. Ou então sonham sobre o futuro, mas não fazem nada a respeito. E assim os sonhos parecem no melhor dos casos ilusão e no pior impossíveis. Mas pensar dessa forma sobre o futuro é um engano.
O objetivo é mostrar porque visões positivas do futuro são tão essenciais para nações e orga- nizações, corporações e comunidades, indivíduos jovens e velhos, sem deixar de fora qualquer um de nós que queira fazer uma diferença significativa no mundo.
iniciei meu estudo do futuro em 1973, no final da Guerra do Vietnã. A OPEP controlava o preço da energia, Watergate estava no início, e a inflação disparava fora do controle no mundo inteiro. Para muita gente, dos capitães da indústria, aos transeuntes pelas ruas, os problemas do presen- te pareciam tão avassaladores que parecia infrutífero ficar pensando no futuro. Mesmo assim, em meio a toda essa turbulência e pessimismo encontrei em trabalho de três pesquisadores que me provaram que ter a atitude exatamente oposta, uma atitude positiva era muito melhor. Cada um desses estudiosos a seu modo me convenceu que é essencial que pensemos a respeito, sonhemos com e eventualmente imaginemos nosso futuro e especialmente nos tempos mais difíceis.
De fato eu acredito que ter uma visão positiva do futuro, talvez seja o mais poderoso motiva- dor que você e eu possuímos para mudanças.
Agora, vamos fazer uma viagem para ver como essas idéias se encaixam e como usar essas idéias para tornar as nossas organizações, as nossas famílias e as nossas vidas mais ricas e mais proveitosas.
Começamos nossa viagem aqui (na Grécia), devido ao estudioso Holandês Fred Polack que escreveu o livro intitulado “Visão do Futuro”. Polack estava extremamente interessado nas relações entre as nações e suas imagens de futuro.
Ele fez uma pergunta tipo ovo da galinha; “Será que a imagem positiva do futuro de uma nação é a conseqüência do sucesso da nação? Ou, será que o sucesso de uma nação é a conseqüência de sua imagem positiva do seu futuro?” E em busca da resposta a essa pergunta, ele estudou a literatu- ra de muitas nações antigas e modernas para ver quão positivamente escreviam sobre seus futuros e até que ponto suas expectativas se concretizam. O que ele encontrou acha-se perfeitamente sim- bolizado em Atenas no Partenon.
O Partenon foi primeiro uma visão na mente do arquiteto. Da mesma forma os gregos imaginaram o futuro de sua cultura. Como aconteceu tudo isso?
Bom, os gregos começaram com os sonhos, mas então trocaram seus sonhos por algo muito mais forte – a Visão. “A visão é o resultado dos sonhos em ação”.
O que Polack descobriu em suas pesquisas foi que uma visão significativa antecede ao suces- so significativo. Em um caso após outro ele viu o mesmo padrão emergindo: primeiro, uma visão impressionante do futuro era mostrada pelos líderes. Então, essa imagem era compartilhada com suas comunidades, as quais concordavam em apoiá-las. Então, juntos, trabalhando em sintonia, eles tornavam a visão uma realidade. Esse foi o caso na Grécia há 2 500 anos e o mesmo aconteceu em Roma e na Espanha, em Veneza, inglaterra e França. Foi o mesmo padrão nos EUA. E, ainda hoje, podemos notar o poder e a visão varrendo o mundo inteiro da Europa Oriental à Costa do Pacífico. O que me parece especialmente interessante na pesquisa de Polack é o fato de que muitas dessas nações quando começaram sua escalada para a grandeza não contavam com recursos adequados, nem a base populacional crítica, sem uma vantagem obrigatória evidente, na verdade venceram contrariando as probabilidades, o que elas tinham de fato era uma visão profunda de seus próprios futuros. E esse é o ingrediente principal, não o único, mas o primeiro e mais importante. As nações com visão são capazes de muitas coisas. Nações sem visão estão em perigo.
Todos, em nossas vidas, temos rios para cruzar e na outra margem está o nosso futuro. Às vezes as águas são tranqüilas e é fácil de atravessar, mas às vezes o rio é turbulento e cheio de imprevisibi- lidades. Muitas vezes nesses períodos turbulentos tentamos cruzar o rio simplesmente pulando na água e começando a nadar, acabamos sendo arrastados pela correnteza e levados por água abaixo. Esperamos que o lugar em que chegarmos do outro lado valha a pena. Mas há um modo melhor de cruzar o rio tendo uma visão do nosso futuro. Então, quando notamos a nossa visão nos saudan- do com a sua força positiva, ela como que nos dará uma corda para atravessarmos o rio, para nos dar um ponto de apoio enquanto estamos atravessando; e o rio vai tentar nos arrastar, nos soltar da corda, tentar nos afastar do nosso destino, não é fácil se segurar. Temos de puxar com nossos braços, pensar com nossas mentes, sentir com nossos corações. Ninguém mais pode fazer isso por nós. E embora não haja garantia de que chegaremos às nossas metas, essa corda lançada pela força de nossa visão nos oferece a melhor ligação para o futuro. E se a segurarmos firmemente em nossa mão, então, estaremos prontos para pular na água, apostando no amanhã.
Vimos países que foram do nada a líderes do mundo. Examinamos as pesquisas sobre os in- gredientes básicos que levam crianças ao sucesso. Nós visitamos um lugar onde pessoas foram sub- metidas a condições mais difíceis a que um ser humano pode ser sujeitado para sobreviver. E tudo isso tem uma linha comum – o poder de uma visão positiva do futuro. Surge o questionamento: se funciona para nações, se funciona para crianças, se funciona para adultos, será que funciona para organizações? É claro que sim. Na verdade essa discussão é fundamental para o ser humano em todos os níveis. As organizações são um dos melhores lugares para se ver o exemplo disso porque elas têm a complexidade e o tamanho certo para efetivamente usar o poder da visão.
Pensem nas organizações iniciantes e maduras, com ou sem fins lucrativos, que estejam se saindo excepcionalmente bem e aposto que estão sendo motivados por uma visão. Vamos dar al- guns exemplos:
A Boeing, por exemplo, e sua visão de um avião enorme e de alcance mundial que se tornou o 747. A Sony com sua visão de entretenimento para todos – o Walkman.
A France Telecom, a companhia telefônica francesa que resolveu ser a melhor empresa telefô- nica da Europa, quando talvez fosse a pior.
A iBM que apostou a corporação na sua visão da série 360 de computadores. A American in Company, com sua busca incessante da perfeição.
O Exército da Salvação, sem fins lucrativos que tem tido uma visão de 100 anos para ajudar pobres e carentes.
E a Toyota, cuja visão não é só ser a melhor fábrica de carros do mundo, mas a maior.
Então eu pergunto: o que compõe uma grande visão? Primeiro, deixe-me contar a vocês algo que não faz parte de uma visão. A visão nunca é expressa apenas em números financeiros. Esses números são sempre uma conseqüência de uma visão realizada. Logo, quais são os ingredientes?
1. As visões precisam ser desenvolvidas por líderes. Visões não são criadas pelas massas, agora, os bons líderes falam com o seu pessoal, e ouvem o seu pessoal. Veja bem, eles executam e explo- ram o mundo também, mas é uma função da liderança e não dos seguidores tomar todos esses
inputs, concentrá-los e transformá-los numa coerente e poderosa visão.
2. As visões de um líder têm de ser compartilhadas com sua equipe e sua equipe precisa con- cordar em apoiá-las. Se vocês tiverem compartilhado e obtido apoio, vocês terão então criado a co- munidade da visão. Para as organizações, esse ato de compartilhar cria um acordo sobre a direção. E assim que tiver um acordo quanto à direção, isso melhora a sua tomada de decisão substancial- mente – porque cada decisão pode ser comparada com a direção da visão. A comunidade de visão precisa agir em conjunto para trazer a visão à realidade.
3. Uma visão precisa ser abrangente e detalhada. Só as generalidades não são o bastante: “Queremos ser o número um no mercado. Queremos ser uma empresa com renome mundial. Que- remos ser os maiores inovadores do nosso ramo” – são palavras bonitas, mas isso não forma uma visão. Para se ter uma visão precisamos saber: COMO, QUANDO, POR QUE e O QUÊ, com precisão suficiente de modo que cada membro da comunidade da visão possa encontrar o seu próprio lugar significativo e importante dentro da visão. Cada um precisa saber como irá participar e contribuir.
4. A visão precisa ser positiva e inspiradora. Uma visão, para ter alcance, deve desafiar cada um de nós a crescer substancialmente, a ampliar suas habilidades, a alcançar além de suas capacidades. Uma visão precisa valer a pena. Quando você cria a sua visão é melhor errar para o lado do exagero, do que para a modéstia.
Certa vez me disseram que em épocas turbulentas como a que atravessamos agora, a única coisa que pode ajudá-los são os seus valores. Eu sugeri que havia outro modo de se pensar nisso. Os valores são os instrumentos para medir se sua direção está correta. Percebe-se que sem os valores pode até criar uma visão que seja imoral ou anti-ética. Os valores impedem você de cometer esse erro. Mas os valores, embora sejam essenciais à visão, não podem nos dar uma direção, só a visão pode fazer isso. É uma função da visão determinar o seu destino.
Em síntese, a visão é: iniciada pelo líder; compartilhada e apoiada; abrangente e detalhada; po- sitiva e inspiradora. Quando tiverem tudo isso junto terão a sua comunidade da visão. E assim que tiver a comunidade da visão, então terá o poder.
A história a seguir é inspirada nas obras de Loren Aisley – cientista e poeta. Destas duas pers- pectivas, ele escreveu obras sobre nosso mundo e nosso papel nele.
“Era uma vez, um homem muito sábio, bem parecido com o próprio Aisley, que costumava ir à praia para escrever. Ele tinha o costume de caminhar pela praia antes de começar a trabalhar. Um dia ele estava passeando pela areia, e ao olhar mais adiante ele via um vulto humano que parecia estar dançando. Ele sorriu ao pensar em alguém que dançasse o dia todo. Então, apertou o passo para alcançá-lo. Quando chegou mais perto, viu que se tratava de um rapaz, e que o rapaz não estava dançando, mas estava se abaixando, pegando algo na areia, e cuidadosamente atirando ao oceano.
Quando chegou mais perto ele gritou: – Bom dia! O que está fazendo? O jovem parou, olhou para ele e respondeu: – Jogando estrelas-do-mar ao oceano. Eu acho que devia perguntar por que está jogando estrelas-do-mar no oceano. O sol está a pino e a maré está baixando, se eu não as jogar lá elas vão morrer. Mas meu caro, você não percebe que há milhas e milhas de praia e estrela-do-mar em todas elas? É impossível você fazer alguma diferença. O jovem escutou atentamente e então se curvou e pegou mais uma estrela-do-mar e a jogou no oceano. Fiz diferença para essa daí... Sua res- posta surpreendeu o homem. Ele ficou confuso, não sabia o que responder. E assim ele virou as cos- tas e voltou para casa, para começar a escrever. O dia inteiro enquanto escrevia a imagem daquele rapaz ficou em sua mente, ele tentou ignorar, mas a visão persistia. Finalmente, ao cair da noite ele percebeu que ele, o cientista, ele, o poeta, havia deixado passar a natureza básica da atividade do jovem. Foi quando ele percebeu que o que o jovem fazia era uma opção por não ser um observador no universo, a apenas vê-lo. Pois ele optara por agir no universo e a fazer alguma diferença. Ele ficou envergonhado, e naquela noite foi dormir preocupado. Ao raiar da manhã, sabendo que devia fazer alguma coisa, então se levantou, vestiu suas roupas e foi à praia encontrar o jovem. E junto com ele passou toda a manhã jogando estrelas-do-mar ao oceano.”
Percebem o que os atos daquele jovem representaram? Há uma coisa muito especial em cada um de nós. Todos nós fomos dotados da capacidade de fazer alguma diferença e se pudermos, como aquele rapaz, nos conscientizar desse dom, conquistaremos através da força de nossas visões o poder de moldar o futuro. É esse o desafio de vocês, e é também o meu desafio. Cada um precisa achar a sua estrela-do-mar. E se jogarmos nossas estrelas sabiamente não tenho dúvida que o sécu- lo XXi será um lugar maravilhoso.
Lembrem-se:
“Uma visão sem ação não passa de um sonho. Ação sem uma visão é só passatempo. Uma visão com ação pode mudar o mundo”.
Atividades
1. Como podemos definir a palavra “cenário”, no mundo dos negócios?
2. Por que as empresas, na constante busca de oportunidades, devem estar em sintonia com as transformações mundiais?
3. Por que os executivos das empresas devem sempre buscar o entendimento dos cenários?
4. Como podemos entender a palavra “informação”, no contexto dos negócios?
5. Cite e explique quais são as cinco etapas da gestão estratégica.