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O PODER DO ASSOMBRO

No documento Contagio - Jonah Berger.pdf (páginas 85-87)

Im agine-se parado bem na beira do Grand Cany on. A fenda verm elho- sangue estende-se por todo alcance de sua vista em todas as direções. Debaixo de seus pés, em um a queda íngrem e, o leito do cany on. Você se sente zonzo e recua da beirada. Falcões circulam por fendas tão áridas e destituídas de vegetação que você bem poderia estar na lua. Você está deslum brado, se sente m inúsculo. Você se sente enlevado. Isso é assom bro.

De acordo com os psicólogos Dacher Keltner e Jonathan Haidt, assom bro é a sensação de m aravilham ento e deslum bram ento que ocorre quando alguém é inspirado por grande conhecim ento, beleza, sublim idade ou poderio.82 É a experiência de se confrontar com algo m aior do que você m esm o. O assom bro expande o âm bito de referência do indivíduo e im pulsiona a autotranscendência. Abrange adm iração e inspiração, e pode ser evocado por tudo, de grandes obras de arte ou m úsica a transform ações religiosas, de paisagens naturais de tirar o fôlego a proezas hum anas de audácia e descoberta.

O assom bro é um a em oção com plexa e com frequência envolve um senso de surpresa: inesperado ou o m istério. De fato, com o Albert Einstein notou: “A m ais bela em oção que podem os experim entar é o m istério.83 É o poder de toda arte e ciência verdadeiras. Aquele para quem a em oção é um a estranha, que não consegue m ais parar para se m aravilhar e se extasiar em assom bro, está quase m orto”.

leitores sentiram após olhar as m atérias de ciência do New York Times. A foto da tosse em “A tosse m isteriosa capturada em film e” era assom brosa tanto com o espetáculo visual, quanto com o ideia – de que algo trivial com o um a tosse pudesse produzir aquela im agem e entregar segredos capazes de solucionar m istérios m édicos centenários.

Decidim os testar se o assom bro leva as pessoas a com partilhar. Nossos assistentes de pesquisa foram lá de novo e avaliaram os artigos baseados no espanto que evocaram . Artigos sobre um novo tratam ento para a Aids ou um goleiro de hockey que j oga apesar de ter câncer no cérebro evocaram m uito assom bro. Artigos sobre ofertas natalinas, no entanto, evocaram pouco ou nenhum assom bro. A seguir, usam os a análise estatística para com parar essas avaliações com a quantidade de com partilham ento dos artigos.

Nossa intuição estava certa: o assom bro estim ulava o com partilham ento.

Artigos que inspiravam assom bro tinham probabilidade 30% m aior de chegar à lista dos Mais Enviados por E-Mail; os que anteriorm ente se j ulgava terem baixa Moeda Social e Valor Prático – a m atéria de Grady sobre tosse ou um artigo sugerindo que gorilas podem , com o os hum anos, lam entar-se quando perdem aqueles que am am – ainda assim chegaram à lista devido ao assom bro que inspiraram .84

Alguns dos vídeos m ais virais da web tam bém evocam assom bro. As risadinhas com eçaram assim que a m ulher roliça e m atronal adentrou o palco. Ela parecia m ais um a m erendeira que um a cantora. Prim eiro, era velha dem ais para estar com petindo no Britain’s Got Talent. Com 47 anos, tinha m ais que o dobro da idade de m uitos outros concorrentes. Mas o m ais im portante é que ela tinha um aspecto, bem , antiquado. Os outros com petidores j á estavam vestidos para ser a próxim a sensação. Sexy, descolados ou com um a beleza agreste. Usavam vestidos colados, traj es sob m edida e lenços de verão. Mas aquela m ulher parecia m ais um exem plo do que não vestir. Sua roupa parecia um a m istura de um velho conj unto de cortinas com um vestido de segunda m ão perfeito para dom ingo de Páscoa.

E ela estava nervosa. Quando os j urados com eçaram a fazer perguntas, ela em pacou e gaguej ou. “Qual é o sonho?”, perguntaram . Quando ela respondeu que queria ser cantora profissional, dava para im aginar os pensam entos que estavam passando pela cabeça deles. Essa é boa! Você? Cantora profissional? As câm eras focaram m em bros da plateia rindo e revirando os olhos. Até os j urados deram risadinhas. Era evidente que a queriam fora do palco o m ais rápido possível. Todos os sinais indicavam que ela faria um a apresentação horrível e seria prontam ente escorraçada do show.

Mas, quando parecia que não podia ser pior, ela com eçou a cantar. E o tem po parou.

Quando os prim eiros acordes de I dreamed a dream, de Les Misérables, flutuaram a partir dos alto-falantes, a voz prim orosa de Susan Boy le brilhou com o um farol. Tão bonita, tão poderosa que fez o cabelo da nuca arrepiar. Os j urados ficaram assom brados, a plateia gritava, e todo m undo irrom peu em um trem endo aplauso. Alguns com eçaram a chorar enquanto ouviam . A apresentação deixou as pessoas sem palavras.

A prim eira aparição de Susan Boy le no Britain’s Got Talent é um dos vídeos m ais virais de todos os tem pos. Em apenas nove dias, o clipe acum ulou m ais de cem m ilhões de visualizações.85

É difícil assistir a esse vídeo e não ficar assom brado pela força e sentim ento dela. Não é apenas com ovente, causa assom bro. E essa em oção incita as pessoas a passá-lo adiante.

Q UALQ UER EMOÇÃO ESTIMULA

No documento Contagio - Jonah Berger.pdf (páginas 85-87)