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O poder dos públicos concedido pela Internet

CAPÍTULO 2 A COMUNICAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES NA PERSPECTIVA DAS

2.5. Teorias de Grunig referente aos Públicos nas Relações Públicas

2.5.2. O poder dos públicos concedido pela Internet

posições face às organizações, derivadas das ações tanto dos públicos, como das organizações, uma vez que daí decorrem consequências que podem influenciar ambas as partes.

2.5.2. O poder dos públicos concedido pela Internet

Por outro lado, Grunig (2009, p. 6), reforça a ideia de que a internet concedeu aos públicos, poder, de uma forma extraordinariamente revolucionário, uma vez que, os indivíduos, se encontram menos delimitados pelos media tradicionais, onde estes filtram os conteúdos a disponibilizar ou que as organizações pretendem que se torne público.

Com o advento da internet, a informação e milhões de fontes passam a estar à disposição dos indivíduos, à distância de um click, permitindo o confronto das mesmas, desta forma, os membros dos públicos interagem entre si num todo, interagindo com as organizações ou outros públicos se assim o entenderem. Assim, ao estabelecer-se este diálogo global, é necessário o recurso às Relações Públicas pelas organizações, de forma a estas poderem participar nestes diálogos, online e OCS tradicionais. No entanto, Grunig (2009), crê que este tipo de diálogo, já é anterior ao advento da era digital, mas com grandes limitações. Os OCS Digitais, facilitaram aos públicos, a sua formação e estabelecimento de relações de uma forma global, adicionalmente, estes também estabelecem um diálogo similar ao interpessoal, que ganham sentido através do agregado de mensagens, tal como nos media sociais (Phillips & Young, 2009). Os OCS Digitais, permitem desta forma facilitar a aplicação pelas organizações, da Teoria de Excelência das Relações Públicas (Grunig, 2009, p. 6).

Por outro lado, segundo Grunig (2009, p. 12), Stakeholders, poderão definir-se enquanto partes interessadas, com vastas categorias de indivíduos que podem ser afetados por decisões de gestão ou que podem afetar estas (funcionários ou

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residentes da comunidade). O termo stakeholder19 (Grunig, 2009, p. 14), define um

amplo grupo de pessoas com interesses similares numa organização, podendo ser definido como um indivíduo que apresente o mesmo grau de risco resultante de um relacionamento com uma organização (Post, Preston, & Sachs, 2002), no entanto, convém clarificar que nem todos os membros de um grupo de stakeholders são membros do mesmo público, pois poder-se-ão encontrar vários tipos diferentes de públicos dentro de cada categoria de stakeholders, podendo ser públicos ativistas, ativos, passivos e não públicos. Neste sentido, é fundamental segmentar os stakeholders e os públicos para compreender os seus diferentes relacionamentos com uma organização e para poder-se comunicar com estes sobre os seus assuntos, problemas e interesses recorrendo aos novos medias (Phillips e Young, 2009).

Para Grunig (2009, p. 14), os stakeholders, identificam-se de acordo com o impacto das consequências ou possíveis consequências das decisões de gestão, e em grupos como funcionários, clientes ou acionistas, sendo que seguidamente, deverão ser segmentados os públicos dos grupos de stakeholders recorrendo à Teoria Situacional dos públicos (Grunig, 1997; Kim & Grunig, na imprensa), este processo de segmentação poderá ser realizado através dos media digitais enquanto base de dados. Segundo a Teoria Situacional dos Públicos de Grunig (1997), que se caracteriza pela identificação e segmentação dos públicos ativos, passivos, latentes e dos nãos públicos, que poderão estar presentes na categoria dos públicos/stakeholders. Assim, os públicos ativos geralmente manifestam-se como consequências das decisões organizacionais, podendo este comportamento ser ao nível individual ou coletivo (implica a organização dos membros dos públicos, formando-se grupos ativistas). Porém, os públicos reagem negativamente às consequências prejudiciais dos comportamentos de uma organização (poluição ou discriminação), e agem

19 A person suck as an employee, customer, or citizen who is involved with an organization, society, etc. and

therefore has responsabilities towards it and an interest in its success – Indivíduo, como um funcionário, cliente ou cidadão, que se encontra envolvido com uma organização, sociedade, etc. e na qual tem responsabilidades e interesses no seu sucesso

http://dictionary.cambridge.org/es/diccionario/ingles/stakeholder?fallbackFrom=learner-english

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positivamente quando pretendem garantir que o comportamento de uma organização tenha benefícios para estes. É no seguimento do anteriormente exposto que constatamos que os públicos colaboram com as organizações para garantir que as consequências sejam de benéficas para ambas as partes, numa perspetiva de WinWin, no entanto, os públicos que não conseguem impedir consequências que lhes são prejudiciais ou quando não são beneficiados, tendem a gerar consequências para as organizações, podendo originar crises caso não sejam bem geridas, sendo mais sensato, gerir as questões ou questões potenciais através do debate e negociação com os públicos, promovendo uma clara melhoria das relações com estes.

O desenvolvimento e implementação de programas de comunicação, visam promover e gerir os relacionamentos com públicos, bem como gerir conflitos com estes. A comunicação com potenciais públicos é fundamental antes das tomadas de decisões pois é mais efetiva na gestão de assuntos e crises e porque os gestores estão menos propensos a tomar decisões que choquem com os receios demonstrados pelos públicos, aquando da formação dos públicos e por último durante as fases de crise e gestão de assuntos. Um aspeto importante a reter, se as Relações Públicas não estabelecem comunicação com os públicos, a probabilidade de solucionar eficazmente um conflito é muito reduzida (Grunig, 2009, p. 12).

Por último, Grunig (2009, p. 13), considera que divulgar as tomadas de decisão, pode auxiliar a construção de uma relação assente na reputação entre uma organização e o público exposto às suas mensagens, mas apenas de uma forma delimitada e em determinadas circunstâncias. No entanto, Grunig salienta que as organizações têm relações de reputação apenas com indivíduos que não se encontram expostos às consequências das decisões da organização, sendo definidas como Audiências porque não são verdadeiramente públicos, apresentando pouca relevância para a organização, no entanto, a partir do momento em que uma organização ou público tenha consequências sobre o outro, deixa de existir uma relação de reputação ou de envolvimento reduzido, passando a desenvolver uma relação comportamental, e onde

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um grupo de indivíduos se transforma num público ativo, estratégico e não uma audiência passiva.

Em resumo, neste capítulo foram abordadas as técnicas das relações públicas, nomeadamente o Press Release, e a forma como foram sendo mudadas com a ajuda das ferramentas da web.

Adicionalmente, foram apresentadas as teorias referentes aos públicos das Relações Públicas numa perspetiva de enquadramento, no sentido em que a comunicação em relações públicas é um ciclo que só se completa com a participação dos públicos. A Web 2.0 veio permitir a concretização dos modelos preconizados por Grunig em que existe a comunicação bidirecional entre instituições e os seus públicos. Esta realidade é possível acontecer em tempo real com a ajuda da web através de sites, blogs, redes sociais, referindo as ferramentas mais comuns.

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