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3 O PAPEL DA JUDICIALIZAÇÃO DAS POLÍTICAS DE VALORIZAÇÃO

3.4 O poder judiciário brasileiro e as competências do Supremo Tribunal Federal e

O artigo 92, da CF/88 apresenta os órgãos do Poder Judiciário e sua hierarquia, que

resulta no organograma explicitado na figura 1:

Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário: I - o Supremo Tribunal Federal;

I-A - o Conselho Nacional de Justiça; II - o Superior Tribunal de Justiça; II-A - o Tribunal Superior do Trabalho;

III - os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais; IV - os Tribunais e Juízes do Trabalho;

V - os Tribunais e Juízes Eleitorais; VI - os Tribunais e Juízes Militares;

VII - os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios. § 1º O Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de Justiça e os Tribunais Superiores têm sede na Capital Federal.

§ 2º O Supremo Tribunal Federal e os Tribunais Superiores têm jurisdição em todo o território nacional.

Figura I: Organograma do Poder Judiciário.

Fonte:<http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/sobreStfCooperacaoInternacional/anexo/STF__Brasil__Estr utura_e_Atribuicoes.pdf> Acesso: 10/06/2018.

3.4.1 Supremo Tribunal Federal

A CF/88, relativamente ao Supremo Tribunal Federal, dispõe que:

Art. 101. O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze Ministros, escolhidos dentre cidadãos com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada.

Parágrafo único. Os Ministros do Supremo Tribunal Federal serão nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal (BRASIL, 1988).

Estabelece no artigo 102 a competência, ao dispor no caput que “Compete ao Supremo

Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição” e elenca nos incisos e alíneas, os

instrumentos processuais que lhe compete julgar, dos quais, interessa à esta pesquisa:

I - processar e julgar, originariamente:

a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal;

[...]

última instância, quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição;

b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;

c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição.

d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal.

§ 3º No recurso extraordinário o recorrente deverá demonstrar a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o Tribunal examine a admissão do recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de seus membros (BRASIL, 1988).

Desta forma, a CF/88 “colocou o STF em uma posição de absoluto destaque na política

nacional, transformando-o em um órgão que passou, pouco a pouco, a agir declaradamente

como uma das mais importantes instâncias políticas da nação” (VERÍSSIMO, 2008, p. 410)

Salienta o autor que o texto constitucional alçou o STF como responsável pela “guarda”

da Constituição, ampliando a via de acesso a este órgão ao ampliar o rol dos legitimados a

exercer controle concentrado de constitucionalidade e ao facilitar o controle difuso ao eliminar

o requisito de relevância geral como pré-requisito do recurso extraordinário (VERÍSSIMO,

2008).

No controle concentrado de constitucionalidade o STF, analisa a constitucionalidade de

leis ou atos normativos, de ADI, ADI por omissão, ADC e ADPF, interpostas diretamente nesta

corte, atua, portanto, de forma originária (NUNES JUNIOR, 2008).

Já no controle difuso de constitucionalidade, o STF:

[...] atua, por meio da competência recursal, como órgão de revisão das causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: (i) contrariar dispositivo da Constituição; (ii) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; (iii) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face da Constituição; (iv) julgar lei local contestada em face de lei federal (art. 102, III, “a”, “b”,“c” e “d”) (NUNES JUNIOR, 2008, p. 166).

A CF/88 atribuiu ao STF um “papel de mediação de interesses e arbitramento de

disputas entre atores políticos, sobretudo entre governo e oposição” (VERÍSSIMO, 2008, p.

412) e por ser o guardião da Constituição, não tem como missão a simples solução de

controvérsias, “mas sim a de estabilização da interpretação constitucional em um regime de

controle misto, no qual a importância do controle difuso exercido pelos mais diversos órgãos

judiciários do País, é significativa” (VERÍSSIMO, 2008, p. 414).

Vieira (2008) cunhou a expressão “supremocracia”

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ante a ampliação do papel do STF

39 Supremocracia tem aqui um duplo sentido. Em um primeiro sentido, o termo supremocracia refere-se à autoridade do Supremo em relação às demais instâncias do judiciário. Criado há mais de um século (1891), o

como guardião dos ideais democráticos, tais como justiça e igualdade, gerando a paradoxal

situação de que ao suprir as lacunas do sistema representativo com suas decisões o tribunal

contribuiu para a crise da democracia e do sistema representativo, o que tem resultado no

aumento de pesquisas acerca do papel desempenhado por este tribunal no cenário atual, por um

viés mais institucionalista. Esclarece que:

O STF está hoje no centro de nosso sistema político, fato que demonstra a fragilidade de nosso sistema representativo. Tal Tribunal vem exercendo, ainda que subsidiariamente, o papel de criador de regras, acumulando a autoridade de intérprete da Constituição com o exercício de Poder Legislativo, tradicionalmente exercido por poderes representativos (VIEIRA, 2008, p. 441).

Convêm informar que pelo Regimento Interno do STF (artigo 93 e seguintes) o

julgamento de alguns processos que chegam a Suprema Corte são de competência do

Presidente, outros podem ser julgados pela via monocrática – nestes casos a atribuição, fixada

em lei para o julgamento, é do relator – ou por colegiado, hipótese em que o julgamento pode

se dar nas Turmas ou no Plenário e resulta neste caso na prolação do acórdão.

Conforme se extrai do sítio eletrônico do STF, a Corte Suprema atualmente é composta

pelos seguintes ministros(as): Ministra Cármen Lúcia (Presidente); Ministro Dias Toffoli

(Vice-Presidente); Ministro Celso de Mello (Decano); Ministro Marco Aurélio; Ministro

Gilmar Mendes; Ministro Ricardo Lewandowski; Ministro Luiz Fux; Ministra Rosa Weber;

Ministro Roberto Barroso; Ministro Edson Fachin e Ministro Alexandre de Moraes (STF,

2019).

3.4.2 Superior Tribunal de Justiça

O Superior Tribunal de Justiça foi criado pela CF/88, tratando-se de “um novo tribunal

de sobreposição em matéria infraconstitucional [...] destinado a absorver parte das

competências antes atribuídas ao Supremo Tribunal Federal” (VERISSIMO, 2008, p. 412).

Supremo Tribunal Federal sempre teve uma enorme dificuldade em impor suas decisões, tomadas no âmbito do controle difuso de constitucionalidade, sobre as instâncias judiciais inferiores. [...] Assim, supremocracia diz respeito, em primeiro lugar, à autoridade recentemente adquirida pelo Supremo de governar jurisdicionalmente (rule) o Poder Judiciário no Brasil. [...] Em um segundo sentido, o termo supremocracia refere-se à expansão da autoridade do Supremo em detrimento dos demais poderes. [...] A ampliação dos instrumentos ofertados para a jurisdição constitucional tem levado o Supremo não apenas a exercer uma espécie de poder moderador, mas também de responsável por emitir a última palavra sobre inúmeras questões de natureza substantiva, ora validando e legitimando uma decisão dos órgãos representativos, outras vezes substituindo as escolhas majoritárias (VIEIRA, 2008, p. 444-445).

Segundo o Conselho Nacional de Justiça o STJ:

É a última instância da Justiça brasileira para as causas infraconstitucionais (não relacionadas diretamente à Constituição Federal), responsável por uniformizar, padronizar, a interpretação da Constituição em todo o Brasil. É composto por 33 ministros nomeados pelo presidente da República a partir de lista tríplice elaborada pelo próprio STJ. Como órgão, o STJ aprecia os recursos vindos da Justiça comum (estadual e federal). Sua competência está prevista no art. 105 da Constituição Federal, que estabelece quais podem ser os processos iniciados no STJ (originários) e aqueles em que o tribunal age como órgão de revisão, inclusive nos julgamentos de recursos especiais (CNJ, 2018).

Esta corte criada pela CF/88, artigo 27, do ADCT, é composta por 33 ministros,

escolhidos em conformidade com o disposto no art. 104, parágrafo único, da CF/88:

Art. 104. O Superior Tribunal de Justiça compõe-se de, no mínimo, trinta e três Ministros.

Parágrafo único. Os Ministros do Superior Tribunal de Justiça serão nomeados pelo Presidente da República, dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo: I - um terço dentre juízes dos Tribunais Regionais Federais e um terço dentre desembargadores dos Tribunais de Justiça, indicados em lista tríplice elaborada pelo próprio Tribunal;

II - um terço, em partes iguais, dentre advogados e membros do Ministério Público Federal, Estadual, do Distrito Federal e Territórios, alternadamente, indicados na forma do art. 94 (BRASIL, 1988).

Convém informar que a escolha do Presidente da República se pautará numa lista

tríplice

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formulada pelo próprio tribunal e o indicado ainda passará por uma sabatina no Senado

Federal, pela Comissão de Constituição e Justiça antes da nomeação.

O artigo 105, da CF/88 traz a competência do STJ, sendo que sinteticamente o sítio

eletrônico do STJ, explana que é sua atribuição uniformizar e interpretar as leis federais, sendo

responsável dos casos cíveis e criminais que não envolvam assunto constitucional ou justiça

especializada, sendo o Recurso Especial (REsp) o principal tipo de processo julgado pelo STJ,

podendo ter caráter repetitivo quando houver múltiplos recursos sobre uma mesma questão

legal.

Atualmente o STJ possui a seguinte composição: Laurita Hilário Vaz (Presidente);

40 Conforme art. 10, VI c/c art. 171, parágrafo único do Regimento Interno do STJ, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Ministério Público (MP) indicam seus representantes em lista sêxtupla, na sequência o STJ, escolhe um dos nomes indicados pela OAB, um indicado pelo MP e indica um membro da magistratura (Juiz ou Desembargador).

Humberto Eustáquio Soares Martins (Vice-Presidente); Antonio Carlos Ferreira; Antonio

Herman de Vasconcellos e Benjamin; Antonio Saldanha Palheiro; Assusete Dumont Reis

Magalhães; Benedito Gonçalves; Fátima Nancy Andrighi; Felix Fischer; Francisco Cândido de

Melo Falcão Neto; Geraldo Og Nicéas Marques Fernandes; João Otávio de Noronha; Joel Ilan

Paciornik; Jorge Mussi; Luis Felipe Salomão; Luiz Alberto Gurgel de Faria; Marcelo Navarro

Ribeiro Dantas; Marco Aurélio Bellizze Oliveira; Marco Aurélio Gastaldi Buzzi; Maria Isabel

Diniz Gallotti Rodrigues; Maria Thereza Rocha de Assis Moura; Mauro Luiz Campbell

Marques; Napoleão Nunes Maia Filho; Nefi Cordeiro; Paulo de Tarso Vieira Sanseverino;

Paulo Dias de Moura Ribeiro; Raul Araújo Filho; Regina Helena Costa; Reynaldo Soares da

Fonseca; Ricardo Villas Bôas Cueva; Rogerio Schietti Machado Cruz; Sebastião Alves dos Reis

Júnior e Sérgio Luíz Kukina (STJ, 2019).

Conforme disposto no Regimento Interno, o STJ se organiza internamente para julgar

da seguinte forma: (i) Plenário: todos os ministros se reúnem para assuntos administrativos; (ii)

Corte Especial: composta pelos 15 ministros mais antigos para julgar ações penais contra

governadores e outras autoridades ou decidir recursos que haja interpretação divergente entre o

órgão especializado do tribunal; (iii) Seções: composta por 10 ministros, sendo 3 seções

especializadas – 1ª Seção(direito público), 2ª Seção (direito privado), 3ª Seção (direito penal);

(iv) Turmas: composta por 5 ministros, sendo 6 turmas especializadas – 1ª e 2ª Turma (direito

público), 3ª e 4ª Turma (direito privado) e 5ª e 6ª Turma (direito penal).