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O Portefólio e a aprendizagem do professor

4 A utilização do Portefólio na sala de aula – análise de práticas

4.4 O Portefólio e a aprendizagem do professor

Ao longo deste estudo ocorreram algumas situações que me permitem verificar e considerar que o portefólio é um instrumento que também contribui para a aprendizagem do professor e para o seu desenvolvimento profissional.

O portefólio permite, através das reflexões dos alunos, verificar e perceber as dificuldades dos alunos e, posteriormente arranjar estratégias para ultrapassar essas mesmas dificuldades. Quando se estudou o sujeito e o predicado, verifiquei, através das conversas de explicitação que muitos alunos construíram um conhecimento erróneo. Foram vários os alunos que me referiram “que o sujeito corresponde ao nome e o predicado ao verbo” (R. E 21-11-2012). Também houve um dos alunos que me referiu que o predicado correspondia apenas ao verbo, pois o resto da frase (complemento direto) correspondia ao “complemento” (A. E 21-11-2012).

Neste sentido, partindo destas conversas recolhi informações úteis sobre o processo de aprendizagem dos alunos e sobre as suas necessidades que me permitiram alterar e ajustar a prática, planificando intencionalmente novas atividades com o intuito de melhorar a aprendizagem dos alunos. Assim, depois das conversas de explicitação percebi que teria de planificar novas tarefas relacionadas com este conteúdo, para alterar o conhecimento que havia sido construído pelos alunos.

Posteriormente, consegui compreender que as novas tarefas provocaram uma alteração na aprendizagem dos alunos, pois alguns alunos voltaram a selecionar tarefas relacionadas com este conteúdo, referindo na sua reflexão, tal como R.B., que a tarefa selecionada ajudou-os a aprender, porque “(…) ainda não sabia que dentro do predicado havia o verbo e o complemento direto” (P 12-12-2012).

Também foi possível compreender que o facto de o estudo dos pronomes e determinantes, se ter realizado em apenas uma semana, não permitiu que este conteúdo ficasse bem consolidado. Através das conversas de explicitação e das reflexões dos alunos

86 verificou-se que alguns confundiam os pronomes com os determinantes, pois não sabiam quando se utilizavam uns e outros.

PE: Qual foi a primeira tarefa de Língua Portuguesa que tu selecionaste? C: Foi a tarefa sobre os pronomes e os determinantes possessivos.

PE: Então e o que é que tu aprendeste sobre os determinantes e os pronomes? C: Os pronomes substituem os nomes e os determinantes são depois do nome. PE: Tens a certeza que os determinantes vêm depois do nome?

(C.E. 3-12-2012)

PE: Pela tua reflexão consegui perceber que tu consegues dar-me exemplos de pronomes e

determinantes possessivos. Mas consegues dizer-me o que aprendeste sobre os pronomes e determinantes?

A: (Silêncio durante alguns segundos) Aprendi (…) Eu não sabia muito bem os possessivos.

PE: E com esta tarefa ficaste a saber melhor? A: Sim.

PE: Lembraste o que distingue os determinantes dos pronomes possessivos?

A: Não, não me lembro. Eu acho que preciso de melhorar esta matéria com outras tarefas.

(…)

(C.E. 3-12-2012)

Partindo também deste diálogo foi possível planificar novas tarefas para que a aprendizagem dos alunos melhorasse.

Na última sessão de recolha e reflexão das tarefas também percebi que o estudo das situações aleatórias no âmbito da área de Matemática não ficou consolidado como era desejado e que para alguns alunos não tinha sido significativo, como se pode verificar no excerto extraído da conversa de explicitação com um dos alunos:

PE: Muito bem! Agora vamos conversar um pouco sobre as tarefas de matemática. Qual

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D.B.: A tarefa das circunferências.

PE: Tens a certeza que essa tarefa era sobre as circunferências? D.B.: Ai não. Era sobre o raio e o diâmetro.

PE: De certeza? D.B: Sim.

PE: Então lê lá a tarefa.

[O aluno leu a tarefa]

PE: Então essa tarefa era sobre circunferências? D.B.: Não.

PE: Então era sobre o quê?

D.B.: Não me lembro como se chama.

PE: Não te lembras de termos trabalhado as situações aleatórias? D.B: Não, já não me lembro.

(…)

(C.E. 12-12-2012)

Como o período de estágio estava a terminar, passei esta informação à professora cooperante que se aprontou a voltar a trabalhar este conteúdo com os alunos.

Além de todos estes aspetos, o portefólio “ensinou-me” a utilizar, em situações futuras, os conceitos de uma área curricular numa linguagem acessível para os alunos, pois através das reflexões escritas dos alunos foi possível verificar algumas estratégias singulares que os mesmos arranjam para mais tarde, se lembrarem de algo: D.B: “A tarefa do prefixo, sufixo e ambas ajudou-me a saber que no lado esquerdo é o prefixo, no lado direito é o sufixo e do lado esquerdo e direito é ambas” (P 19-12-2012). O facto de o professor proporcionar aos alunos a oportunidade de escreverem sobre o que aprendem, permiti-lhe conhecer essas estratégias e vir a utilizá-las no futuro com outros alunos, com o intuito de facilitar a sua aprendizagem.

Ainda relativamente às aprendizagens que o portefólio proporciona ao professor, é importante ressaltar que também permite compreender o género de tarefas que os alunos

88 preferem. Com esta experiência foi possível compreender que os alunos não gostam de tarefas que não criam desafio, uma vez que referem gostar de tarefas: M: “que nos fazem puxar pela cabeça e pensar” (C.E. 21-11-2012). Também se verifica que alguns alunos, tal como B. consideram que aprendem mais com tarefas difíceis: B: [relativamente às tarefas fáceis] “Porque assim faço logo e não aprendo muita coisa. Se fosse uma tarefa mais difícil aprendia mais” (C.E. 12-12-2012). Desta forma, este aspeto ajuda o professor a recolher dados que lhe permitem planificar as futuras tarefas adequadas às capacidades e interesses dos alunos.

Do exposto, podemos afirmar que o portefólio, pelo seu conteúdo, permite ao professor compreender o que cada aluno já aprendeu e o que ainda lhe falta aprender, para além de lhe permitir adequar a sua prática às necessidades e interesses dos alunos. Assim, através da utilização deste instrumento de trabalho fiquei a conhecer melhor como é que o currículo estava a ser desenvolvido e praticado, adquiri também uma maior compreensão dos processos de ensino e aprendizagem e tive a oportunidade de agir intencionalmente para que os alunos progredissem. Deste modo, por um lado, o portefólio é um instrumento que permite ao professor refletir sobre todo o processo em que está envolvido, através de uma postura de questionamento (Alarcão, 1996) que é “condição considerada na actualidade como essencial para o desempenho desta profissão” (Mezirow, 1991 referido por Pinto & Santos, 2006, p.158). Neste sentido, Santos (2010, p.7) acresce ainda que o portefólio dos alunos funciona como um “ espelho” da prática do professor e suscita “momentos propiciadores de confrontação e reflexão.” Por outro lado, proporciona mudança na prática do professor e nas suas conceções e consequentemente permite-lhe aprender aspetos relacionados com o ensino, promovendo assim, o seu próprio conhecimento profissional.

4.5 O Portefólio na perspetiva dos alunos e da professora titular de