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ENTRE TRABALHO E EMPREGO:

2. Quatro tópicos de reflexão: recorrências e tensões

2.2. O princípio da «divisão funcionalista tripartida»

O princípio da «divisão funcionalista tripartida» entre os que concebem, os que comandam e os que executam, reforça o anterior princípio no sentido de agravar ainda mais a distinção entre «produtivos» e «improdu- tivos». Este princípio permite, fundamentalmente, constituir-se na base de uma organização hierárquica em classes ou estratos da sociedade. A este propósito Pinard (1998) considera que foram desenvolvidas duas interpre- tações contraditórias. A primeira adopta o ponto de vista da integração sistémica das sociedades contemporâneas que aprenderam a escapar pro- gressivamente aos constrangimentos oriundos da divisão social do trabalho (Touraine, 1970; 1984). Os actores sociais desligam-se da organização capi- talista industrial do trabalho, relativizando-se a consciência de si enquanto produtores. O trabalho, cada menos expressivo e rotinizado, exigindo meno- res qualificações e autonomia, conduziria à sua própria implosão. Paralela- mente, a difusão do que vulgarmente se designa sociedade de consumo, com novos padrões e valores sócioculturais, contribuiria para atenuar as diferenças produzidas na esfera do trabalho e fundamentaria movimentos sociais centrados em realidades diferentes (por exemplo, os movimentos ecológicos e em prol da paz). A segunda interpretação avança os pressu- postos do fim da própria divisão do trabalho. Eliminar-se-ia o carácter penoso, repetitivo e desqualificante do trabalho pela manipulação do poten- cial das novas tecnologias de informação e pelo carácter cada vez mais incerto dos mercados. Os trabalhadores, nestes novos contextos de trabalho, veriam as suas qualificações aumentar, bem como o poder e a autonomia no campo das decisões, concretizando-se o potencial emancipador do tra- balho (Kern e Schumann, 1984; 1989). O sentido do trabalho alterar-se-ia

pelo fim da dominação da racionalidade instrumental do trabalho (Offe, 1985) e pela crescente terciarização das actividades profissionais que assu- miriam a forma de mediação na sociedade, de natureza «reflexiva», ao apelar à autonomia dos trabalhadores nos processos de produção e repro- dução. Esta interpretação baseia-se no princípio de que é a natureza do trabalho que confere sentido e que constitui fonte de cidadania e lugar privilegiado de expressão da subjectividade do ser humano pela construção da sua identidade social e profissional.

Se as transformações recentes exprimem uma crescente intelectuali- zação da produção e flexibilização dos processos produtivos e dos modos de gestão participativa dos trabalhadores, estes não podem ser os únicos argu- mentos de uma crítica simplista ao fim do modelo «taylorista-fordista». Mesmo que se verifique um alargamento da autonomia dos trabalhadores e do conceito de produtividade, esses movimentos expõem situações diferen- ciadas a partir do tipo e natureza de empresa (nacional e multinacional), do sector de actividade, dos produtos ou serviços, das qualificações reque- ridas, etc. E, perante tal diversidade, o modelo alternativo àquele, designado por «pós-fordista», não representa uma alteração daquela divisão tripartida do trabalho. A «ilusão» de que o trabalhador domina o seu próprio tra- balho esquece «(…) as condições ocultas da violência oculta exercida pela nova gestão. Se se exclui o recurso aos constrangimentos mais brutais e visíveis dos modos antigos de governar, esta violência suave continua a apoiar-se numa relação de força que ressurge na ameaça de despedimento e no receio (…) ligado à precariedade da posição ocupada» (Bourdieu, 1996: 90). Aquela alteração continua por se fazer, seja pelo acesso directo dos trabalhadores (por instituições auto-gestionárias), seja indirecto (por instituições horizontais e verticais representativas dos trabalhadores, incluindo os administradores assalariados)…

2.3. Princípio da divisão entre «trabalho» e «tempo livre» ou «não-trabalho»

O princípio da divisão entre «trabalho» e «tempo livre» ou «não-traba- lho»9, repousa sobre uma restrita divisão entre espaço e tempo do trabalho imposto e necessário à reprodução do trabalhador, concebido como força de trabalho, e espaço e tempo do «não-trabalho», livre e de descanso.

À medida que as sociedades evoluem e se especializam verifica-se uma tendência para impor a cada actor social, em particular e em colectivo, tem- poralidades precisas com base em expectativas sociais de que a sociedade

9Precisar a distinção entre «tempo livre» e «não-trabalho» coloca questões específicas que escapam ao âmbito de um trabalho desta natureza.

é depositária, em última instância. O século XIX fez do tempo não apenas uma medida da eficiência, mas também um veículo de controlo social. O capital, para além da posse dos meios de produção, impunha a sua con- cepção de tempo10. Os constrangimentos resultantes das atitudes face ao tempo eram, geralmente, o centro de conflitos entre burgueses e a resis- tência popular. Mas o significado do tempo não se reduzia ao ciclo de horas de trabalho sacrificado pelo dinheiro para ser consumido nas horas de descanso. O objectivo era tornar-se, também, tempo social, talvez não mais parte integral, como acontecia nas culturas tradicionais de trabalho e de comunidade, mas, sobretudo, tornar-se tempo libertado pela divisão do trabalho. No fim do século XIX e inícios do século XX, os trabalhadores procuraram criar uma clara separação entre o «master’s time and their own» (Gross, 1993:5). O tempo do «não-trabalho» era um tempo que assumia o significado «concreto» de liberdade face à divisão do trabalho e ao direito de se ser «preguiçoso»11.

Se é verdade que a modernidade se traduz num processo progressivo de aumento da complexidade social e da rapidez com que se produzem as mudanças, ela apresenta, por um lado, uma proliferação de contextos onde se desenrola a vida quotidiana e os tempos sociais que enquadram este tempo actual da vida, e, por outro lado, produz um aumento da incerteza que caracteriza a projecção social e individual no futuro. Isto significa que, no plano colectivo e da sociedade, se verifica uma transformação das normas temporais. As consequências visíveis da flexibilização e dessin- cronização progressiva dos modelos produtivos consistem na eliminação progressiva da uniformidade temporal do tempo de trabalho (disciplina dos horários fixos e colectivos), da oposição entre trabalho e «não-trabalho» e da segmentação rígida das actividades. No plano individual, pode-se ante- ver um leque de espaços de vida possíveis ou impostos, sem que se tenha, ao mesmo tempo, nem um escala de prioridades que oriente a escolha, nem uma ideia clara da evolução possível do próprio envolvimento num ou noutro espaço ou, mesmo, um conhecimento dos meios de que a sociedade dispõe no interior de cada um desses espaços.

Na actualidade, há alguns, e inequívocos, sinais de transformação das normas temporais. Vejamos alguns exemplos das transformações em curso das normas do tempo de trabalho.

10 Presença dominadora, o relógio na parede constituiu um símbolo de definição dos tempos e gestos de trabalho necessários ao processo produtivo e de definição dos ritmos de trabalho e «não-trabalho». Tempos Modernos, realizado e interpretado por Charles Chaplin, constitui uma excelente referência clássica cinematográfica de análise sociológica sobre o «taylorismo» e suas consequências sociais.

11 Era este o significado para os trabalhadores quando a lei das oitos horas foi ganha no princípio do século XX (Gross, 1993).

Antes de mais, o posicionamento do tempo de trabalho ao nível do ciclo de vida alterou-se12. Não só a esperança de vida é maior e a idade da reforma (e da pré-reforma) tende a diminuir, como também a expansão da escolarização e o prolongamento dos estudos têm feito com que os jovens estejam mais tempo no sistema de ensino e que entrem mais tarde no mer- cado de emprego. Esta alteração do ciclo de vida e das representações das «idades da vida» têm tornado mais visível a divisão da sociedade entre activos e não activos, entre trabalhadores e desempregados, entre inseridos ou integrados e excluídos.

Mas esta alteração do tempo de trabalho também se verifica pela progressiva redução do seu horário semanal. A partir dos inícios da década de 80, o seu debate, no contexto europeu, centra-se sobre os elementos de «rigidez» do mercado de trabalho. Se até então «partilhar o trabalho» era concebido como um meio para melhorar as condições de vida dos trabalhadores e como uma medida de promoção do emprego, nos anos 80, e como solução da crise (acompanhada pelas reestruturações produtivas e organizativas), a «redução da duração do trabalho» passa a ser entendida como uma das consequências e/ou contrapartidas do pro- cesso de restituição às empresas de maior capacidade de reacção e de ajus- tamento, em tempo útil, a um ambiente económico em rápida mutação (Varejão, 1996: 55). A possibilidade actual de as empresas, por exemplo, praticarem horários flexíveis para optimizar, ao máximo, o rendimento dos equipamentos produtivos tem sido acompanhada por processos de negociação colectiva e luta sindical. A «partilha do emprego», a «redução progressiva do horário de trabalho», sem perda de salário integral, tor- nam-se no enjeux dominante para os vários actores sociais implicados: trabalhadores, empregadores, poderes públicos, entre outros13. As solu-

12 L. Tomás (1999) analisa as principais transformações da estrutura por idades e por sexo da população activa portuguesa entre 1950 e 1991. Hoje, diz-nos o autor, trabalha-se menos e vive-se mais tempo, pelo menos nas sociedades ocidentais, induzindo reestruturações do ponto de vista da redefinição de certas categorias como a juventude ou a velhice onde se reconhece um fundamento ligado à idade. Para além da diminuição da natalidade e do número de pes- soas com menos de 20 anos, retardam-se e antecipam-se as saídas nas duas extremidades da estrutura da população por idades: os activos jovens são menos numerosos nas classes etárias mais jovens e os activos idosos são cada vez mais raros nas classes etárias mais elevadas.

13 Por exemplo, Portugal, que no conjunto da União Europeia apresenta uma das mais longas durações de trabalho, ilustra bem a dificuldade de pôr em prática novas soluções de redução e de reorganização do tempo de trabalho. A nova legislação laboral inclui alterações acordadas sobre o tempo de trabalho e sua flexibilização. De 44h semanais projectam-se 40h semanais para 1995, bem como a possibilidade de utilização de equipas de fim-de-semana e a organização de períodos de descanso semanais ou o alargamento do limite máximo de horas de trabalho suplementar por ano. Mas os baixos salários constituem uma determinante neste processo. A predisposição para aceitar reduções dos horários para melhor compatibilizar as actividades familiares e sociais com os compromissos laborais só se concretizaria num

ções14 avançadas colocam um problema central que tem alimentado e continua a alimentar esta polémica. Quem suporta(rá) financeiramente estas soluções? O assalariado? A empresa? A colectividade? O que está aqui em causa não é apenas uma relação de emprego resultante da natureza do contrato de trabalho e da sua duração. Está também em causa, e esta é uma questão incontornável, a capacidade de pôr em prática novos modos de redistribuição do dinheiro, isto é, de riquezas colectivas, produzidas cada vez mais com menos trabalho.

O debate sobre o tempo de trabalho, que na Europa em particular se enquadrou numa vertente do desemprego, não deixa de contemplar também a crescente desconexão de ritmos de criação e de eliminação de empregos pelas TIC15. Se as formas «atípicas» de emprego – contratos a termo certo, a tempo parcial, contratos sazonais, etc. – podem correspon- der a um «tempo escolhido» que permitiria, no caso das mulheres, conciliar a vida familiar com a vida profissional, constituem, na maior parte dos casos, um «tempo imposto». Com efeito, os empregadores propõem mais frequentemente esta modalidade de emprego às mulheres e aos jovens em início de actividade profissional (Hirata e Rogerat, 1988; Schnapper, 1989; Maruani, 1989, 1996). Ora, sabendo que o trabalho a tempo parcial perma- nece como um tipo de emprego desvalorizado face à norma do trabalho a tempo inteiro, o tempo de trabalho concorre para ampliar as diferenciações por grupos de género e por classes de idades. Por outro lado, a flexibilidade de horários, as horas entrecortadas no dia e dispersas pela semana – como modos de ajustamento às «flutuações da clientela» – concorrem, também, para a vivência e representação, por parte dos indivíduos, de um «tempo descontínuo», um tempo constituído por períodos alternados de trabalho e de desemprego ou de inactividade (Schehr, 1999).

cenário de compensação salarial integral. Por outro lado, os baixos salários praticados pela generalidade das indústrias secundárias e de certos serviços (por exemplo, no sector bancário) são compensados pelas horas extraordinárias (Varejão, 1996), o que agrava a já de si longa jornada de trabalho. A estrutura do sector produtivo de pequenas e médias empresas e de acti- vidades de mão-de-obra intensiva em sectores vulneráveis à concorrência internacional explica, por sua vez, a posição, em princípio contrária, dos empresários face à redução do tempo de trabalho (Varejão, 1996; Varejão, Ruivo, 1996).

14 Veja-se, por exemplo, que o debate sobre o fim do trabalho e da instauração de novas bases para uma cidadania preconiza essa mesma solução (Méda, 1995; Rifkin, 1997)

15 Os ritmos de eliminação dos empregos em todos os sectores de actividade (não só na agricultura e na indústria, mas também nos serviços) e os ritmos dos que aí podem ser criados em torno das TIC e das novas actividades de serviços têm alimentado posições mais optimistas, pessimistas e, mesmo, fatalistas, na relação estabelecida entre TIC e emprego. Pensamos, contudo, que não se trata, sobretudo, de uma questão da ‘quantificação’ do fenó- meno de eliminação e criação de emprego, mas da questão dos efeitos de desconexão dos ritmos de criação e de eliminação de empregos, com visíveis consequências sociais.

Por fim, normalmente, a um tempo de trabalho precede um tempo de educação ou formação. Mas hoje essa lógica linear deixa de estar suportada exclusivamente por um tempo estandardizado. As necessárias adaptações às transformações profissionais e reconversões tecnológicas e organizacio- nais dos jovens e dos trabalhadores com mais idade fazem da formação um tempo social com importância crescente. A designada ‘crise’ do modelo linear de formação pode ser ilustrada, nomeadamente, pela acumulação crescente de diplomas e períodos de formação intercalados no percurso profissional. A ideia central de aprendizagem ao longo da vida, exposta no «Livro Branco» elaborado pela Comissão Europeia (1994), é, ao mesmo tempo, um desafio e uma das pistas para se entrar ‘preparado’ no século XXI.

Estas transformações do tempo de trabalho e do tempo de formação e suas articulações com a repartição ao longo do ciclo de vida são inse- paráveis das transformações das normas do tempo de «não-trabalho». Este apresenta também transformações significativas. Reparte-se, de forma diferenciada, na sua duração (dia, semana, ano, fim da vida), nos seus esta- tutos (férias, desemprego, inactividade, reforma, pré-reforma, etc.) e nos seus conteúdos (lazeres, trabalho doméstico, participações em associações, actividades diversas não salariais).

É, sobretudo, pela análise das transformações das normas destes dois tempos – de trabalho e de «não-trabalho» – que podemos apreciar a cres- cente complexidade e interdependência das relações sociais.

Antes de mais, pode-se continuar a argumentar que a concepção económica específica do tempo de trabalho persiste para a generalidade dos trabalhadores. De par a par, as lógicas de produção e de consumo têm conseguido manter-se dominantes. O tempo é dinheiro e, por isso, quanto mais tempo de trabalho, mais dinheiro. Com mais dinheiro, maior é a pos- sibilidade de se concretizarem, pelo consumo, os ‘desejos materialistas’ de cada indivíduo. Assumem proporções mais elevadas mas, simultaneamente, são cada vez mais escassos. A moderna organização e tecnologia criam a plenitude do tempo e dos bens, mas também criam instrumentos de con- trolo social: «Tempo e dinheiro conferem poder e disciplinam – e fazem ambas as coisas nos domínios da produção e do consumo» (Gross, 1993: 5). Por isso, ironicamente, nas sociedades de produção ou de consumo, o tempo e o dinheiro são ambos libertadores e constrangedores. Esta continua a ser uma das questões centrais na análise das práticas e atitudes dos trabalha- dores face à redução do tempo de trabalho e, consequentemente, ao tempo de «não-trabalho».

Quanto ao argumento de possibilidade de «realização pessoal» fora da esfera do trabalho como única via face ao conteúdo desqualificante do trabalho executado (Braverman, 1976; Gorz, 1980) ele não é aceite pela sua generalização implícita. A diversidade de conteúdos de trabalho que os «novos modelos de produção» (Kern e Schumann, 1984; Coriat, 1995)

podem proporcionar revela alguns processos de requalificação e realização profissional possíveis no contexto do trabalho. Ao mesmo tempo, com a crescente intelectualização do trabalho, a fronteira entre tempo de trabalho «constrangedor» e «tempo livre» é cada vez menos visível. É, por exemplo, a situação de certos profissionais como jornalistas, investigadores, gestores, engenheiros, técnicos, cujo interesse pelo trabalho, e dado o investimento real pressuposto, não nos permite estabelecer uma fronteira rígida entre o tempo consagrado ao trabalho e o tempo de «não-trabalho». Transportam para outros espaços, nomeadamente para o espaço doméstico e privado, as preocupações e reflexões da sua actividade profissional. Ainda por cima, as novas tecnologias de informação, como o computador ou o telemóvel, só para mencionar as mais conhecidas, permitem deslocar certas actividades para outros espaços (e não estamos a falar da modalidade de «tele-traba- lho»), como permite que o trabalhador se encontre disponível para qual- quer informação, decisão ou resolução solicitada (pelo empregador ou pelo cliente). Parece-nos, portanto, que, ao invés da questão da diminuição do tempo de trabalho para certos grupos profissionais (que, pelo contrário, tem vindo a intensificar-se), importa, sobretudo, a questão da responsabi- lização crescente, da criatividade e realização profissional, pouco compa- tíveis com medições quantitativas do tempo a disponibilizar.

A um tempo único, abstracto, universal, sobrepõem-se vivências dife- renciadas de tempos (horários, durações, ritmos) que nos remetem para um tempo como uma «construção social». Exprime o estado das relações – his- tóricas, sociais e contingentes – entre o tempo de trabalho e o tempo de «não-trabalho». Estas «temporalidades sociais» são a expressão concreta da multiplicidade de modos de actividade no tempo e de diferentes maneiras de ter consciência dele e que permitem atribuir a grupos e instâncias sociais «temporalidades particulares» (Mercure, 1995). A individualização ou particularização da temporalidade vivida, sobreposta ou em oposição às temporalidades sociais, conduz a «levantar o problema das ligações aparentes diversas, das contradições possíveis e dos conflitos latentes ou manifestos entre diferentes tipos de temporalidades» (ibidem: 23).

Os problemas de concordância de tempos daí decorrentes, numa socie- dade «salarial» (Castells, 1995), constituem um problema mais geral que nos remete para uma questão mais abrangente. Ou seja, assiste-se hoje a uma transformação dos tempos de trabalho e, indirectamente, a uma trans- formação das relações sociais. E a questão é a de saber como é que a socie- dade se tem organizado ou se vai organizar para funcionar 24 horas sobre 24 horas. O que está aqui em causa vai muito além de uma questão econó- mica a que a sociedade terá de saber responder.