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O problema da modalidade no enunciado complexo

5. Verbos conceptuais em enunciados do tipo „V (1ª pessoa gramatical)

5.2 O problema da modalidade no enunciado complexo

A questão que se coloca, e a que procuraremos responder neste sub-capítulo, é a de saber como se constroem valores modais em enunciados complexos cujas relações predicativas, ligadas por uma relação de imbricação (que é uma relação de localização), podem, por princípio e como veremos, apresentar diferentes valores modais, ou, pelo menos, diferentes fontes modais.

Para tal, procuraremos identificar e descrever as operações de determinação modal que estão em jogo no enunciado complexo e, assim, responder à pergunta “o que é a modalidade do enunciado complexo?”.

Conforme já atrás exposto em particular relativamente à modalidade epistémica (ver § 3.3.2), o cálculo dos valores modais construídos faz-se com recurso à ponderação dos parâmetros quantitativo (Qnt) e qualitativo (Qlt). Esse

ibidem: 10)), pelo que, afirmam estes autores, se expressa mediante enunciados complexos

- “les formes dites de „commentaire‟ ne sont jamais autonomes mais liées” (idem, ibidem) - diferenciando-se, assim, do que designam como “constats”, ou “[...] formes simples, dans lesquelles ce qui est dit apparaît détaché de tout point de vue” (idem, ibidem).

cálculo envolve o parâmetro abstracto subjectivo (S) (mas também o parâmetro abstracto espácio-temporal (T)) da localização abstracta em relação a um sistema de referência (Sit) (ver §§ 3.3, 3.3.1 e 3.3.2).

Tenhamos presente, nesta fase da nossa exposição, os enunciados complexos que têm como predicado verbos que podem ser, segundo classificação proposta por Deschamps (1997), declarativos, conceptuais (ou de pensamento) e perceptivos249. A determinação modal dos enunciados em que ocorrem estes

verbos resulta, ora da estabilização de um valor (I ou E), consequente eliminação de toda a alteridade e construção de um valor de asserção250, ora da

impossibilidade de se construir um valor estabilizado, o que implica a reintrodução da alteridade, isto é, a perspectivação de um valor (I) em relação com o seu complementar (E).

Ou seja, quando ocorrem na relação imbricante, os verbos que integram as classes aqui referidas podem determinar o valor modal construído ao nível da relação predicativa imbricada, nomeadamente um dos três valores de modalidade epistémica (no sentido de Campos), que correspondem a diferentes graus de validação da relação imbricada (assunção total, assunção nula e assunção parcial)251. Este facto introduz a relevância do semantismo do predicado da

imbricante para a determinação modal dos enunciados complexos e abre caminho

249 Conforme já exposto (ver § 4.1), é com base no tipo de operação primitiva de

localização de que certos verbos são marcadores, que Deschamps (1997) identifica várias classes de verbos, a que atribui diferentes designações, aqui adoptadas.

250 Afirma-se em Culioli (1989) que “[...] for an assertion to be produced, we must

eliminate alternative values […] so that we shall construct a loop by identifying the notional representation of an event, attached to a predicative relation, with the representation of what actually is the case, as defined by the asserting subject” (idem, ibidem: 119).

251 No contexto deste estudo, a exclusão, de entre as classes definidas por Deschamps

com base no tipo de localização nocional, da classe dos verbos apreciativos (“verbes d‟affect”) (em português, os verbos gostar, detestar, apreciar...) deve-se ao facto de estes marcarem uma localização da relação predicativa relativamente ao sujeito de que resulta uma apreciação e assim, pelo seu semantismo, determinarem a construção de um valor modal apreciativo.

para uma análise mais fina dos verbos que compõem as diferentes classes, particularmente e no âmbito deste estudo, dos verbos conceptuais.

Antes disso e retomando a construção de valores modais epistémicos resultantes, ora da estabilização, ora da não estabilização de um único valor, o primeiro caso implica uma identificação entre sujeito enunciador (S0) e locutor (S1)

(enunciador-locutor) e o segundo caso caracteriza-se pela impossibilidade de uma identificação entre estes sujeitos (ver § 5.1).

A articulação entre a origem enunciativa absoluta (S0) e uma origem

enunciativa outra é calculável com o recurso às operações de quantificação (Qnt) e de qualificação (Qlt). Definido como um processo operatório, a cada valor construído pode corresponder um tipo de relação específico entre os dois parâmetros, quantitativo (Qnt) e qualitativo (Qlt), que subjazem à construção da determinação enunciativa. A asserção - assunção total da validação (valor I) / não-validação (valor E) da relação predicativa - supõe uma estabilização total da relação Qnt / Qlt, corresponde a uma operação de determinação equiponderante – Qnt Qlt. A não estabilização de um único valor tende a desestabilizar a relação entre os parâmetros Qnt e Qlt, correspondendo a avaliação da validabilidade da relação predicativa252 a uma operação de determinação preponderantemente

quantitativa – Qnt (Qlt). A construção da relação predicativa como validável não é confirmada por uma estabilização mas mantém-se validável / não validável (ver § 3.3.2).

Para este cálculo confluem, não só a pessoa gramatical do sujeito da imbricante (central na construção dos valores modais destes enunciados complexos; ver § 5), mas também, em português (como em francês ou castelhano), os valores de que as formas em presença na imbricada são marcadoras, nomeadamente o modo gramatical do verbo (ver, de forma particular, §§ 11.2 e 12.1), e o respectivo sujeito sintáctico (S2) (ou argumento em posição de sujeito

(C0)), em relação de correferência ou de não correferência com o S2 da imbricante.

252 Embora a não estabilização de um único valor caracterize igualmente os valores

das modalidades intersujeitos e apreciativa, a opção por privilegiar a modalidade epistémica (valores do domínio do não-certo) deve-se às características semânticas dos verbos em análise, propiciadoras da construção destes últimos valores modais.

É assim que a possibilidade de centrar o trabalho de cálculo dos valores modais no parâmetro abstracto subjectivo (S) do sistema de referência (Sit) constitui um meio teórico de agrupar e distinguir entre si os diversos tipos de funcionamento dos verbos das classes acima referidas (com destaque para a classe dos verbos conceptuais), que ocorrem numa relação imbricante, e os valores modais susceptíveis de ser veiculados ao nível da relação imbricada.

A determinação modal dos enunciados complexos que têm como predicado um verbo declarativo, conceptual ou perceptivo, compreende, por um lado, a asserção desse predicado verbal253. No caso particular dos verbos conceptuais,

digamos que, como localizadores situacionais baseados no parâmetro subjectivo (S)254, têm como termo localizado uma relação predicativa saturada (uma lexis). Se

253 Embora se vise, com estas considerações, descrever a forma como,

genericamente, se constrói a categoria modalidade em enunciados complexos com um predicado verbal (declarativo, conceptual ou perceptivo), estas são, no que concerne a este aspecto e em geral, extensivas aos casos em que o predicado é um predicado adjectival (com valor modal apreciativo ou epistémico, como, por exemplo, ser interessante e ser

possível) ou em que ocorre um operador modal de natureza adverbial, em posição periférica

relativamente à relação predicativa modalizada (por exemplo, provavelmente, certamente). Por necessária delimitação do objecto de investigação, mas reconhecendo o interesse que esta matéria representa no estudo da modalidade, limitamo-nos a uma breve referência ao que sejam as diferenças sintáctico-semânticas entre predicados adjectivais e operadores modais adverbiais, assim como a algumas propostas de descrição com algum relevo.

Por exemplo, ambas as construções apresentam diferentes restrições quando o valor modal epistémico de que são marcadoras se combina com outros valores modais, nomeadamente, com a interrogação e a negação (ver, por exemplo, Nuyts, 1993: 935-936). De igual modo, estas diferentes formas linguísticas de marcar a construção de um valor modal epistémico permitirão, segundo outros autores (Hengeveld, 1989, por exemplo) que não o próprio Lyons, ilustrar a proposta deste autor (1977) quando distingue “objective epistemic modality” de “subjective modality”.

Em Nuyts (1993), por exemplo, defende-se que “[...] the speaker‟s decisions concerning how to express a certain epistemic modal qualification are codetermined by a number of additional factors apart from the epistemic qualification itself” (idem, ibidem: 955). Particularmente, a opção por parte do enunciador pelo emprego de um predicado adjectival ou de um operador modal de natureza adverbial dever-se-á – continua este autor – a uma confluência de factores: “discourse functionality [...], evidentiality [...] and performativity” (idem, ibidem: 938).

254 Em Wyld (2001), reconhece-se exactamente esta “incidência” no parâmetro

uma relação predicativa é localizada em relação a um sistema de referência – para, só assim, se tornar um enunciado (decorrendo desta operação de localização o valor referencial modal) -, está, por conseguinte, estabilizada no domínio de validação, pelo que corresponde a uma asserção (ver Culioli, 1989: 119ss).

Por outro lado, a determinação modal dos enunciados complexos em que ocorrem completivas-nominais compreende, ao nível da relação imbricada, um valor modal calculável por localização em relação à fonte modal, construída, invariavelmente, com valor de identificação em relação ao sujeito sintáctico (S2) da

imbricante. Querendo modular a asserção - isto é, querendo pôr em causa o valor único que, por definição, se constrói asserindo -, recorre-se a meios de marcar que “o facto de eu declarar que <r> é o caso não exclui a representação alternativa, isto é, que <r> não é o caso”.

O emprego de verbos conceptuais como pensar, crer, julgar, acreditar é um meio que permite marcar esta modulação255. Em Culioli (1989), refere-se que se dá,

nestas circunstâncias, uma “desasserção” da asserção, convertendo este valor modal numa forma que corresponde a uma “asserção deformada”: “[...] the solution is to de-assert the assertion, turning it into a shape that is a deformed assertion, kept on hold, until it is provided with a site” (idem, ibidem: 120)256. É assim - defende

(idem, ibidem: 51ss), que justifica o que atrás proposemos como validação subjectiva (ver § 5.1).

255 É no âmbito da reflexão de Halliday (1970) sobre a modalidade - segundo o qual o

enunciado se organiza, simultaneamente, como mensagem e como evento de interacção - que se enquadra o conceito de modulação (“modulation”), definida por este autor, não como um comentário do enunciador, mas como parte integrante da significação do enunciado.

Lyons ([1977] 21978) define modulação (“modulation”) como “[...] a sobreposição no enunciado de uma coloração atitudinal particular, indicativa do envolvimento do locutor no que está a dizer e do seu desejo de impressionar ou convencer o auditor” (idem, ibidem: 61). O modo como se concretiza esta “modulação” está parcialmente descrito em Culioli (1989), Cherchi (1983) e Franckel; Lebaud (1990).

256 A concepção por parte de Culioli de uma “desasserção da asserção” (“to de-assert

the assertion”) vai no mesmo sentido da concepção – atrás referida (ver § 3.3.2) – da “desasserção do certo” (“désassertion du certain”), em Franckel (1981).

este autor - que verbos conceptuais como pensar, crer, julgar, acreditar fornecem um site, um localizador:

“Since <r> loc. [Sit] has been de-asserted, it is in need of a site je

crois provides such a site [...]. Hence the interlocking structure

<Sit.locates something> + Qt2 located <<r> located [Sit]> = >4 <3<Sit

locates2 <Qt2> located 1<0<r>0 located <<r> located [Sit] >1>2>” (idem,

ibidem: 120-121).

Assim, se a relação imbricada exibe um determinado valor modal (asserção de um predicado), na relação imbricante, o valor modal exibido, além de ser distinto deste último, é, como dizíamos, fortemente tributário do semantismo do predicado da imbricante257.

Quando o predicado da imbricante é um verbo declarativo (de que dizer é um exemplo), estamos, ao nível predicativo, perante uma relação predicativa pré-construída que vai instanciar o lugar do argumento objecto (C1) do verbo da

imbricada. Um verbo declarativo apresenta, assim, um funcionamento discreto: pela determinação espácio-temporal da imbricante, atribui-se ao verbo declarativo um objecto (a relação predicativa imbricada) que o delimita. Temos, por conseguinte, a construção de uma ocorrência de /dizer/, por exemplo, pelo que os valores de determinação (espácio-temporal e modal) da imbricada são calculáveis em relação aos valores que determinam a imbricante, valores estes localizados em relação à situação de enunciação origem (Sit0).

Vejamos o enunciado que se segue:

5.17 O ministro disse que os subsídios serão atribuídos a quem apresente os melhores projectos

257 É este o princípio que preside ao estudo que se propõe em Chuquet (2001) da

forma como se constrói a modalidade no enunciado complexo: “[...] la subordination de „completives‟ [...] exhibent à la fois une modalité dans la relation imbriquée [...] et une modalité ou un prédicat relevant d‟une modalité dans la relation imbricante [...]” (idem,

Construída pelo seu objecto (a relação predicativa imbricada), temos uma ocorrência de /dizer/, localizada com um valor de posterioridade em relação a Sit0.

Por outro lado, a ocorrência de /dizer/ construída ao nível da imbricante institui uma fonte enunciativa referencialmente distinta de S0 (o ministro), em relação à qual se

especifica o valor modal da imbricada.

Se, quando o predicado da imbricante é um verbo declarativo, estamos perante uma localização da relação predicativa imbricada numa relação interlocutória e perante um cálculo da modalidade da imbricada em relação à fonte enunciativa da imbricante, no caso de o predicado integrar um verbo conceptual, estamos perante uma localização subjectiva, uma vez que a relação imbricada é localizada relativamente ao parâmetro subjectivo (S) do sistema de referência: neste caso, temos, não uma asserção estrita, mas sim uma validação subjectiva.

Dir-se-á, assim, que esta classe de verbos introduz uma modulação na forma como a fonte enunciativa (construída enquanto referencialmente distinta ou enquanto abstractamente disjunta de S0) se posiciona perante a validação /

não-validação da relação imbricada. Como já referido (ver § 5), mais especificamente e em virtude do seu semantismo, os verbos conceptuais marcam a construção de uma modalidade epistémica com valor do domínio do não-certo (verbos pensar, julgar, crer, achar, supor e acreditar) e com valor do domínio do certo (verbo saber).

Por conseguinte, de entre os verbos conceptuais, saber apresenta um funcionamento compacto: não é delimitável em ocorrências de /saber/. Embora instancie o lugar do argumento objecto da relação predicativa imbricante, a imbricada não delimita estes processos. Enquanto complemento com funcionamento predicativo258, tem, portanto, uma estabilização independentemente

da sua construção como complemento.

Identificada com o sujeito do enunciado (S2 da imbricante), a localização da

imbricada em relação à fonte modal descrever-se-á à maneira de uma predicação

258 Ver adiante (§§ 9.3 e 10.2) descrição do funcionamento predicativo do complemento

de propriedade. Isto é, está em causa a predicação de uma propriedade a propósito de um sujeito (seu suporte) e está em causa uma operação de validação, que é, por excelência, uma operação modal.

No caso de todos estes predicados – „pensar / julgar / crer / achar / supor /

acreditar que p‟ e também „saber que p‟ - o valor modal construído prende-se, como vimos atrás (ver § 5.1), com a forma como se constrói, ao nível da relação imbricante, uma fonte modal, abstracta ou referencialmente dissociada de S0. Essa

fonte modal identifica-se com o sujeito sintáctico (S2) da relação imbricante e é o

localizador do valor modal construído, de assunção parcial, em maior ou menor grau, ou de assunção total (caso particular de saber) da validação da relação imbricada. Em virtude do semantismo destes verbos enquanto expressão de uma actividade cognitiva, a fonte modal assim construída – isto é, construída como garante da validabilidade ou da não validabilidade da relação imbricada – institui-se enquanto sujeito cognitivo.

A relação de localização entre imbricada e imbricante é, assim, dupla. Por um lado, ao nível predicativo (ver § 4.2), a relação imbricada é, em virtude da instanciação, localizada em relação a uma origem enunciativa construída como fonte modal. Por outro lado, a um nível enunciativo, a imbricante é localizada em relação à imbricada. É por via desta localização (da imbricante em relação à imbricada) que a imbricante, de acordo com as propriedades do seu predicado, especifica a imbricada, isto é, lhe atribui uma delimitação qualitativa (Qlt) e – conforme vimos descrevendo - temos, a este nível, a modalização epistémica da imbricada, a validação da relação imbricante relativamente à relação imbricada (ver Chuquet, 2001: 149).

A natureza dupla da relação de imbricação (relação de localização entre imbricada e imbricante) consiste, pois, ao nível predicativo, numa operação de instanciação e, ao nível enunciativo, numa operação de especificação259.

Em virtude da ordem da relação de localização estabelecida ao nível enunciativo (mediante a qual a imbricante é localizada em relação à imbricada), ser

259 Sobre os conceitos operatórios de instanciação e de especificação, ver Paillard

o inverso da ordem da localização que se estabelece ao nível predicativo (a imbricada é localizada em relação à imbricante), em Wyld (2001: 15ss), fala-se de “subordination inverse”260. A relação predicativa imbricada desempenha o papel de

“imbricante” numa relação de imbricação que tem como alvo o sujeito (S2) desta

última, por parte da imbricante, assim tornada “imbricada”.

O problema da modalidade no enunciado complexo prende-se, pois, com o facto de a relação de imbricação ser analisável em termos de incidência sobre a ligação entre a imbricante e o parâmetro S do seu sistema de localização enunciativo, isto é, em termos de especificação. A descrição metalinguística assim proposta permite explicar a forma como a imbricada, incidente sobre a relação entre a imbricante e o parâmetro S do seu sistema de localização, modula o valor modal da imbricante261.

A modalidade do enunciado complexo, construída com incidência maior no parâmetro S – em virtude de o valor modal ser calculável por localização em relação ao sujeito da relação imbricante -, põe em jogo igualmente o parâmetro T (espácio-temporal) da localização abstracta em relação a Sit. Assim – como, aliás, referimos noutro momento -, ambas as operações de determinação da relação predicativa, Qnt e Qlt, devem ser tidas em linha de conta: a validação da imbricante em relação à imbricada é calculável em termos de ponderação das operações Qnt e Qlt.

A dupla relação de localização entre imbricante e imbricada permite compreender, por exemplo, que, no caso de construção de enunciação relatada (ver § 7.1), a localização em relação ao sistema de referência se organiza,

260 Ao longo do estudo proposto em Wyld (2001), faz-se corresponder a “subordination

inverse” expressões como “subordination incidente au paramètre S” (atrás referida), “subordination à vocation modalisante” ou “subordination subjective” (idem, ibidem: 138).

261 Esta visão é, numa primeira aproximação, relacionável com a concepção da

oposição de modus / dictum da escolástica. Temos como que uma repartição das duas relações predicativas do enunciado complexo de modo que a embricada se associe ao

simultaneamente, em T e em S: dá-se, neste caso, uma “suspensão” de um tempo – afirma-se em Chuquet (2001: 150) - para se poder dar lugar à operação de localização em relação a uma origem assertiva. A localização em relação às coordenadas temporais (Qnt) decorre da localização da imbricada em relação à imbricante, sendo as coordenadas temporais da imbricante, por sua vez, calculadas em relação à origem enunciativa (Sit0) – e, portanto a T0 -, pelo que se dá –

propõe-se em Chuquet (ibidem) – “un ajustement des repérages par rapport à T0”.

A mesma ordem de considerações se aplica aos valores referenciais de que os pronomes pessoais são marcadores – vimo-lo atrás (ver § 5.1). Caso estes ocorram na imbricada, o seu valor é calculado em função da sua localização em relação ao sujeito da imbricante, por sua vez, calculado em relação a S0.

Sendo a validação da imbricante em relação à imbricada calculável em termos de ponderação das operações Qnt e Qlt, a especificação da imbricada pela imbricante corresponde a uma determinação Qlt. A origem desta operação de especificação da imbricada pela imbricante - que assegura as operações de determinação modal entre o predicado da imbricante e o valor modal da imbricada - é o sujeito modal (abstractamente disjunto ou referencialmente distinto de S0).