• Nenhum resultado encontrado

O ato de escrever remete a uma interação, a um diálogo entre o escritor e o mundo do autor, remetendo a cada traçado uma nova realidade que é desconhecida para o aluno, mas que em sendo bem trabalhado o processo de interpretação haverá a facilitação do entendimento e a consequente motivação para o ato contínuo da escrita. A escrita representa o pensamento humano de um tempo, de uma época histórica. É, portanto, a expressão de um modo de viver, pensar, sentir, ver a realidade como se apresenta historicamente em seus aspectos sociais, políticos, econômicos, culturais, ideológicos.

Pode-se, então, entender que a escrita é a obra do homem que ajuda aos seus semelhantes no processo de conhecimento, comunicação e consciência do mundo que o cerca.

Não obstante, por representar um momento histórico, não é algo acabado, pronto, definitivo e absoluto. Implica uma intencionalidade, uma interação ao diálogo, onde se procura elaborar o aprendizado cujo fundamento se apresenta nas diferentes experiências vividas que se apresentam entre ambos. Sendo assim, há a intencionalidade pela busca de respostas para problemas cotidianos que se apresentam no contexto de suas vidas.

Conforme Carvalho (2002),

“A leitura de um texto pressupõe objetivos, intencionalidade [...] O leitor, ao se dirigir ao texto, está preocupado em responder às questões suscitadas pelo seu mundo e, através do enfrentamento das posições assumidas pelo autor, busca encontrar pistas que o auxiliem no desenvolvimento de sua realidade. É somente neste encontro histórico, onde experiências diferentes se defrontam que é possível a compreensão e interpretação de textos”. (Carvalho, 2002, p. 121).

Assim sendo, quando se tem uma proposta para o estudo, tal ato requer do leitor uma postura proativa, ou seja, vivenciar a matéria de tal forma a dar via ao objeto, atendendo a uma posição ativa e crítica a partir do momento em que se tem a capacidade. Conforme Carvalho (2002),

“Estudar seriamente um texto é estudar o estudo de quem, estudando, o escreveu. É perceber o condicionamento histórico-sociológico do conhecimento. É buscar as relações entre o conteúdo em estudo e outras dimensões afins do conhecimento. Estudar é uma forma de reinventar, de recriar, de reescrever - tarefa de sujeito e não de objeto. Desta maneira, não é possível a quem estuda, numa tal perspectiva, alienar-se ao texto, renunciando assim à sua atitude crítica em face dele”. (Carvalho, 2002, p. 126).

A prática da leitura crítica não é mecânica, pois ela requer uma intenção de julgar o que se lê, onde não há espaço para situações neutras e sim um posicionamento a partir da sua criticidade, fazendo com que o ato da leitura seja uma ação criativa onde ele se impõe como colaborador dos conteúdos apreendidos a partir da sua compreensão. Segundo Luckesi et al (2000),

“O leitor será sujeito do estudo e da leitura quando imprimir uma ação crítica ao ato de ler e estudar. Será objeto quando adotar uma ação acrítica frente ao texto objeto de seu estudo. O leitor objeto deixa-se ofuscar pelo "júbilo" ou pelo "medo" em relação ao texto estudado. Em ambos os casos, perde-se a objetividade da leitura e o que fica é uma retenção acrítica e alienante das informações. O leitor objeto está "submisso" ao texto”. (Luckesi et al, 2000, p. 140).

Sendo assim, o leitor como crítico deve ter a compreensão necessária e poderá integrar o que lê conforme sua visão o que remete a uma avaliação, relacionando com ações vividas cotidianamente e para tal, se faz necessário que seja questionador, que procure uma interação com o tema, com o que propõem os autos, o que facilita a geração de novas e criativas ideias e mensagens. Segundo Luckesi et al, 2000, p. 14) o “O leitor sujeito se transforma em um leitor-autor".

Contudo, há que se citar Severino (2001), quando se refere sobre modelos eficazes a serem seguidos para uma boa interpretação de texto.

“O primeiro passo seria a análise geral do texto, que consiste em levantar elementos, tanto para a compreensão, como para fazer um julgamento crítico posterior. Nesta fase é importante levantar os dados bibliográficos do autor; apresentar a obra no período e no espaço; procurar esclarecer fatos históricos, doutrinas envolvidas, vocabulário e outros possíveis elementos necessários e importantes para o entendimento do texto”. (Severino, 2001, p. 47).

Assim Severino (2001) fala que isso implica estabelecer um critério sequencial do tema a ser estudado ou texto a ser lido, de maneira que o leitor possa estar totalmente informado sobre os elementos textuais. O segundo passo que seria a análise do tema propriamente dito, que submerge a abrangência da mensagem do autor, por meio da assimilação e apreciação do título, tema, problema, ideia central e periférica, raciocínio e argumentação.

Dessa forma, o leitor estará informado de todas as questões que irão envolver a matéria a ser lida e interpretada, ficando cercado de todo o material que permeia a essência da matéria explanada pelo autor.

Também Severino (2001) fala que o terceiro passo que seria a interpretação e avaliação do texto, envolvendo não só o conhecimento sobre o autor em suas percepções filosóficas, para poder enterder as suas mensagens e conceitos, como também fazer uma discrição de valor sobre aquilo que foi lido. É o período derradeiro da leitura que nos induz a acionar uma discrição crítica e exibir um escopo de ação. Se ajuizar é avaliar valor, com o desígnio de tomada de uma ação, então, poderemos "ler, julgar e agir", afastando e trabalhando as informações positivas da leitura, designando novas ideias e mensagens.

Como se pode verificar, Severino (2001) coloca que os atos de estudar e entender um texto não são tarefas fáceis. É um desafio constante e exige trabalho, cabe a cada um. A constante interligação entre o conteúdo do texto (quer se verse de um conto romântico ou de elucidação de um acontecimento científico) e o leitor, é regulada deliberadamente com que se

lê no escrito, bem como pela intensificação de um conjunto de microprocessos que auxiliam na abrangência expressiva da leitura. Dessa maneira, as estratégias se intensificam ao longo da leitura e agem como expressões controladoras da própria leitura. Como tais, essas condições exigem a apresentação de desígnios a serem alcançados, de uma estimativa das consequências e da futura mudança, se necessário, de atividades de aprendizagem.

A relação das táticas de leitura no campo da capacidade do aluno lhe consentirá avançar no sentido da autor-regulação de sua própria agilidade de leitura.

Tais estratégias teriam de ser analisadas, também como parte de aprendizagem e ensino nos diversos contextos linguísticos, sejam favoráveis da área de linguagem ou de qualquer outra área do currículo. Assim, a atenção que se dedicar ao ensino e à aprendizagem dessas estratégias de leitura não será, de modo algum, banal, mas, ao contrário, será extremamente importante para facilitar a compreensão e a aprendizagem do texto.

Partindo dessa lógica, é obvio não sujeitar uma aprendizagem ao mero treinamento de uma série de habilidades ou sub-habilidades de leituras; ela tem de responder à necessidade, por parte dos colegiais, de descobrir formas de resolução de problemas indicados tornando-os apropriados para reter o conteúdo e exprimir do texto informações que possam ser confrontadas com seu conhecimento de mundo, suas experiências, suas opiniões. Essa permanente aplicação das estratégias de compreensão nas diversas situações de leitura exige que “aquilo” que se tem de ensinar em relação às estratégias de leitura, assim como a aprendizagem que os alunos devem realizar. O aluno precisa ser capaz de ler, decodificar e resolver problemas em quaisquer áreas do currículo sejam elas no campo das letras, dos números, dentre outros.

Nas diferentes situações de trabalho na sala de aula, emergirá a necessidade de ativar e utilizar uma ou mais estratégias. Portanto, será nos contextos reais de aprendizagem que seu ensino adquirirá sentido e nos quais serão objeto de aprendizagem em si mesmas. Em qualquer das atividades nas quais o professor se propõe a ensinar aos alunos, deve haver a interatividade e a inovação na apresentação dos conteúdos, pois isso pressupõe a motivação para o ato de ler e escrever, condicionando o leitor a interpretar, a ser mais minucioso para desmascarar o que o autor está procurando demonstrar. Assim, deve-se recorrer às e aprendizagem estratégias de escrita e leitura relacioná-las ao processo de ensino.

2.4.1 Interdisciplinaridade

Não podemos falar de interdisciplinaridade sem antes fazer um pequeno relato a respeito da disciplina que é fundamental para que possamos entender o desenvolvimento das ciências, do pensamento humano no contexto escolar. Segundo Brasil (1999, p. 89) a “disciplina é regime de ordem imposta ou mesmo consentida”. A disciplina é uma condição imposta nas diversas áreas do conhecimento principalmente na educação, como um conjunto de regras ou regulamento e estratégias organizadas, com procedimento didático e metodológico que possibilite o desempenho do aluno, mediante o processo de aprendizagem e a avaliação do ensino. Para se compreender o termo interdisciplinaridade.

A interdisciplinaridade não anula as disciplinas, pelo contrário, preserva sua individualidade integrando as disciplinas a partir da percepção das inúmeras causas ou fatores, que interferem sobre a veracidade e trabalha todas as linguagens obrigatórias para a construção de conhecimentos, entendimento e transação de significados e lançamento sistemático dos resultados.

É necessário entender que para acontecer à interdisciplinaridade não basta eliminar a disciplina, mas considerá-las com uma ação comunicativa entre si, idealizando como procedimentos sócio e cultural, revendo o seu progresso que é fundamental no exercício do ensino-aprendizagem.

Para Japiassu (1976, p. 74): “A interdisciplinaridade caracteriza-se pela intensidade das trocas entre os especialistas e pelo grau de interação real das disciplinas no interior de um mesmo projeto de pesquisa”. Esse termo é entendido como um método de trabalho em sala de aula muito utilizado atualmente. Onde se propõe um tema com interpretação em diferentes disciplinas, na busca do entendimento dando oportunidade aos educandos de interagir numa relação professor-aluno na tentativa de superar as dificultadas do aprendizado.