2.2 CARACTERÍSTICAS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
2.2.2 O processo de contratação de obras públicas no Brasil
Para Fabrício (2002) as normas têm a função de estabelecer as características e exigências mínimas para os materiais e componentes de construção e as boas práticas nos processos de construção e projeto. As normas representam nos projetos não só uma obrigação ou uma recomendação, conforme o caso, mas, em tese, consensos sobre o estado da arte das disciplinas e processos de projeto e parâmetros de desempenho acordados por representantes dos agentes interessados.
No Brasil a Lei 8.666/93 estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Subordinam-se ao regime desta Lei, além dos órgãos da administração direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios.
Licitação é o procedimento administrativo formal em que a administração pública convoca, mediante condições estabelecidas em ato próprio (edital ou convite), empresas interessadas na apresentação de propostas para o oferecimento de bens e serviços (BRASIL, 2006).
A licitação objetiva garantir a observância do princípio constitucional da isonomia e selecionar a proposta mais vantajosa para a administração, de maneira a assegurar oportunidade igual a todos os interessados e possibilitar o comparecimento ao certame do maior número possível de concorrentes (BRASIL, 2006).
O procedimento de licitação objetiva permitir que a administração contrate aqueles que reúnam as condições necessárias para o atendimento do interesse público, levando em consideração aspectos relacionados à capacidade técnica e econômico-financeira do licitante, à qualidade do produto e ao valor do objeto (BRASIL, 2006).
O processo licitatório será julgado de acordo com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório (por exemplo, o edital), do julgamento objetivo e de outros atos normativos correlatos (BRASIL, 1994).
Quanto às diretrizes para projeto, o artigo 12º da Lei 8.666/93 orienta quanto aos principais requisitos para a elaboração dos projetos básicos e executivos, sendo estes:
Segurança; funcionalidade e interesse ao serviço público; economia na execução, conservação e operação; possibilidade de emprego de mão de obra, materiais, tecnologia e matérias primas existentes no local para execução, conservação e operação; facilidade de execução, conservação e operação, sem prejuízo da durabilidade da obra ou serviço; adoção de normas técnicas, de saúde e de segurança do trabalho adequadas; impacto ambiental. (BRASIL, 1994, p. 10151).
Conforme Motta e Salgado (2003) o projeto para a obra pública está sendo orientado no sentido da racionalização e construtibilidade. Para a Lei 8666/93 (art.
6º, inc. IX) projeto básico é o:
Conjunto de elementos necessários e suficientes, com nível de precisão adequado, para caracterizar a obra ou serviço, ou complexo de obras ou serviços objeto da licitação, elaborado com base nas indicações dos estudos técnicos preliminares, que assegurem a viabilidade técnica e o adequado tratamento do impacto ambiental do empreendimento, e que possibilite a avaliação do custo da obra e a definição dos métodos e do prazo de execução (BRASIL, 1994, p. 10150).
De acordo com a Lei de Licitação, as obras e serviços podem ser executados de duas formas: execução direta, quando é feita pelos próprios meios da Administração, e execução indireta, quando a Administração Pública contrata terceiros para a execução do objeto (BRASIL, 1994).
No caso de execução indireta, são autorizados diversos regimes de contratação (BRASIL, 1994):
empreitada por preço global: quando se contrata a execução da obra ou do serviço por preço certo e total;
empreitada por preço unitário: quando se contrata a execução da obra ou do serviço por preço certo de unidades determinadas;
tarefa: quando se ajusta mão de obra para pequenos trabalhos por preço certo, com ou sem fornecimento de materiais;
empreitada integral: quando se contrata um empreendimento em sua integralidade, compreendendo todas as etapas das obras, serviços e instalações necessárias.
Os tipos de licitação para obras públicas, sendo uma classificação baseada nos critérios para seleção das propostas mais vantajosas, são os seguintes (BRASIL, 1994):
menor preço - quando o critério de seleção da proposta mais vantajosa para a empresa pública determinar que será vencedor o licitante que apresentar a proposta de acordo com as especificações do edital ou convite e ofertar o menor preço;
melhor técnica - quando se contrata empresa, independentemente do valor, pelo conhecimento que possui no serviço em referência;
técnica e preço - quando se contrata a empresa que possui o menor preço com a técnica mais apropriada;
maior lance ou oferta - nos casos de alienação de bens ou concessão de direito real de uso.
Outra classificação prevista em Lei é a modalidade de licitação, que define os procedimentos com que a obra será licitada. As modalidades de licitação que ocorrem em obras públicas são: convite, tomada de preços e concorrência. São definidas de acordo com o preço do objeto licitado, sendo os limites dos valores definidos por lei. O concurso é a modalidade para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico e o leilão é para venda de bens móveis inservíveis, venda de produtos apreendidos ou penhorados e alienação de bens imóveis, não sendo utilizados para licitação de obras. Outra modalidade só aplicada por órgãos públicos federais é o pregão, mas só pode ser usado em licitações para aquisição de bens e serviços comuns, previstos em decreto (KUHN, 2002).
Para Rezende e Andery (2007), problemas relacionados à construtibilidade e incompatibilidade do projeto com o método construtivo são críticos para o processo de desenvolvimento do projeto. Essas questões quase sempre esbarram em pontos polêmicos, nem sempre focados sob uma perspectiva técnica e gerencial, tais como os critérios de contratação definidos pelo menor preço e pela legislação que regulamenta as licitações públicas. Surge, assim, o risco de soluções simplistas ou tecnicamente inconsistentes, sugerindo a necessidade de uma revisão da legislação
que estabelece os critérios de licitação para o setor público, ou a aprovação de uma lei específica para serviços de engenharia.
Segundo Rezende e Andery (2007), diversos estudos revelam que é no aspecto de gestão do processo de projeto que ações de melhoria podem ser aplicadas com maior eficácia, objetivando reduzir problemas nas construções, sejam estes pela escolha inadequada da solução ou pela ausência de uma gestão integrada capaz considerar o empreendimento como um todo, integrando projeto e execução, a partir dos conceitos de projeto simultâneo.
Ainda conforme os mesmos autores, a engenharia simultânea é uma das mais importantes práticas empregadas no desenvolvimento de produto. A engenharia simultânea compreende a simultaneidade de atividades e de informações no processo de desenvolvimento.