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O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DAS SOCIEDADES

2 REVISÃO DE LITERATURA

2.2 O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DAS SOCIEDADES

CAPITALISTA E A EDUCAÇÃO FORMAL, COMO FERRAMENTA DAS DESIGUALDADES.

Aqui busca-se construir uma trajetória dos processos de educação formal, e como seu contexto de surgimento e institucionalização foi favorecido por interesses capitalistas, sua dinâmica discursiva, dificultando a formação de um consciente coletivo de práxis libertadora. Parte-se do pressuposto que a educação formal não é autônoma nem independente dos contextos históricos e sociais. Desta forma, fazer um apanhado histórico da formação educacional, parece relevante, pois como Norbert Elias acreditava, as mudanças são processuais e históricas.

O homem, como ser natural, necessita retirar do meio alimentos e outros insumos que possibilitem sua sobrevivência. Para isso, tem modificado intensamente os ambientes naturais. A degradação da natureza foi inseparável do processo de desenvolvimento das sociedades humanas.

Ao longo da história da construção das civilizações humanas, percebeu-se a crescente utilização dos bens naturais, visto que o homem primitivo era nômade e mantinha uma sociedade baseada na subsistência. Este modelo possibilitava que a diversidade da flora e fauna tivessem tempo hábil para se recompor. Com a fixação em determinadas regiões, e a criação das cidades, houve um crescente aumento das populações humanas, que demandavam grandes quantidades de insumos para sua sobrevivência. De seres nômades, que utilizavam de extrativismo e caça como forma de manutenção dos processos vitais, a seres que se fixaram em determinado território e que se utilizaram das técnicas da agricultura, da pecuária e do comércio como forma de manutenção das suas vidas. Os ambientes naturais e seus bens passaram a ser vistos, como fonte para gerar riquezas, os bens ecossistêmicos apenas como fontes mercadológicas. Ao longo da história humana, houve uma construção de um ser social, dependente agora não apenas da natureza, mas, dos meios de produção, para satisfazer suas “necessidades”.

A questão ambiental, neste sentido, define, justamente, o conjunto de contradições resultantes das interações internas ao sistema social e deste com o meio envolvente. São situações marcadas pelo conflito,

esgotamento e destrutividade que se expressam nos limites materiais ao crescimento econômico exponencial; na expansão urbana e demográfica; na tendência ao esgotamento de recursos naturais e energéticos não- renováveis; no crescimento acentuado das desigualdades socioeconômicas intra e internacionais, que alimentam e tornam crônicos os processos de exclusão social; no avanço do desemprego estrutural; na perda da biodiversidade e na contaminação crescente dos ecossistemas terrestres, entre outros. (DA COSTA LIMA, 1999, p. 135)

Vive-se a falácia do capitalismo como único modelo promotor de satisfação das necessidades sociais e econômicas. Decorrentes desse modelo e vinculado a relações de dominação historicamente estabelecidos, surge uma crise ambiental, pois este sistema econômico lança mão de recursos naturais como se o fossem inesgotáveis. As alterações nesses padrões, não levaram em consideração que a depleção dos recursos naturais de forma gradativa pode levar a sua exaustão.

As cidades tornam-se a fuga da pobreza e modelo dos que estão em sintonia com o mundo globalizado. Tendo ultrapassado mundialmente o número de moradores do campo, há alguns anos, e com tendência a aumentar cada vez mais, ocorre com esse processo o inchaço do meio urbano, que não consegue dar conta de serviços básicos como: moradia, educação, saúde, segurança, emprego e lazer para seus residentes. A população das cidades convive com riscos de ordem social e natural, havendo com isso o entendimento de intensificação da vulnerabilidade socioambiental com a urbanização

Esta condição engendra uma série de novos e complexos problemas para a compreensão e gestão do espaço e da sociedade urbanos, sendo que aqueles de ordem socioambiental encontram-se destacados no contexto das cidades, particularmente daquelas de países em condições socioeconômicas de alta complexidade, como é o caso do Brasil.(MENDONÇA, 2004, p.140).

A problemática socioambiental surge, então, a partir da discussão transversal entre recursos, população e meio ambiente, que alerta para os riscos ocasionados pela dinâmica do crescimento econômico na atual sociedade capitalista, a qual não leva em conta a capacidade de suporte dos ecossistemas. (FOLADORI, 2000).

As questões socioambientais, foram criadas, historicamente por meio desses modelos de desenvolvimento econômico fundamentados na produção e consumo em massa, sem levar em consideração os limites naturais.

De uma maneira simplificada podemos dizer que o meio ambiente tornou- se problemático se intensificaram e ampliaram os impactos e o mal-estar, individuais e sociais, provenientes da relação entre a sociedade e o ambiente, porque acirraram os conflitos pela posse e uso dos bens

ambientais, tornou mais visível o potencial predatório do estilo de vida e desenvolvimento ocidental e também porque se aprofundaram a observação, a reflexão, a pesquisa e a divulgação dos problemas socioambientais presentes e futuros. (LIMA, 2005, p. 26).

Os seres humanos, seres biológicos, possuem dificuldade de perceber-se como ser natural, compreendendo o meio ambiente como os elementos naturais, onde não se vê incluso a ele. Entender o meio ambiente composto somente com elementos naturais, não se colocando como parte integrante dele é, sem dúvida, um impasse da racionalidade humana, pois: “Não há como falar em meio ambiente dissociado dos seres humanos, posto haver uma profunda interdependência e inter- relação entre eles. Os seres humanos, a natureza e seus elementos devem estar englobados neste conceito”. (LORENZETTI, p.169, 2005). Esta falta de reflexo de seu eu com o ambiente permite cegá-lo em relação a interdependência homem- meio.

Alguns aspectos históricos da EA são evidenciados primeiramente por uma visibilidade internacional sobre os limites do desenvolvimento que começa a ganhar espaço na década de 60, quando começam as ilações sobre os riscos da degradação do meio ambiente e as vidas humanas. Inicia-se uma discussão global sobre os limites deste crescimento e o reconhecimento de que é impossível resumir esta problemática apenas à uma visão economicista. Assim, surge a necessidade do implemento de ações que vão na contramão desse olhar, sejam elas de EA e/ou de alternativas ao desenvolvimento.

No Brasil dos anos 1970, as discussões em relação a problemática socioambiental nos meios acadêmicos era ainda incipiente. Em 1972, na conferência da Nações Unidas para o Ambiente Humano, realizada em Estocolmo na Suécia, ocorrem as primeiras abordagens da educação para o meio ambiente (REIGOTA, 1995). Em 1975 a UNESCO, promove o Encontro de Belgrado, Iugoslávia, neste encontro foram formulados princípios básicos para EA. Em 1977, novamente a UNESCO e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) promovem em Tbilisia primeira Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental. Neste encontro elaboraram-se objetivos, estratégias e recomendações para EA.

Nos anos oitenta, a discussão sobre meio ambiente e desenvolvimento começa a se tornar mais densa. Iniciavam-se as preocupações com a Natureza como componente do desenvolvimento, a degradação dos ecossistemas naturais

poderia comprometer a qualidade de vida no futuro. Em 1987, uma nova Conferência Internacional foi promovida em Moscou, pela UNESCO e PNUMA. Esta tinha o objetivo primordial de avaliar os resultados da década anterior e tração de prerrogativas para a década de 90. Neste mesmo ano foi publicado o relatório “Nosso Futuro Comum”, produzido pela Comissão das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento CNUMAD, criada pela ONU e presidida pela então primeira ministra da Noruega Gro Harlem Bruntland, ficando conhecido como relatório Bruntland. O conceito de desenvolvimento sustentável que articula ecologia, práticas econômicas viáveis e justiça social é introduzido, e vincula a EA a construção desse modelo.

Um outro documento oficial da EA foi o “Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global”, produzido pelo grupo de Trabalho das Organizações Não-Governamentais - ONGs, durante à Conferência da Sociedade Civil sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, simultaneamente à Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento no Rio de Janeiro em 1992. Este documento foi produzido prioritariamente por ONGs, ou seja, representantes da sociedade civil, que introduziram um caráter mais ético e político a EA.

 No estudo em pauta, não se pretende defender ou criticar pontos de vista. Contudo, como expõe Sampaio (2010), compreende-se que a problemática ambiental é eminentemente social e surge da maneira como a sociedade se relaciona com a natureza. A problemática ambiental é econômica, social, cultural e espiritual. A natureza propriamente dita não tem problemas e, se os tem, são inerentes à sua dinâmica e resolvidos por ela (resiliência). O conceito de problemática ambiental, portanto, está diretamente ligado às atividades sociais e ao conservacionismo apregoado na temática desenvolvimento sustentável.