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O processo de escolha e a posse dos aprovados

No documento INGRESSO E PROFISSÃO DOCENTE (páginas 54-58)

CAPÍTULO I – O C ONCURSO P ÚBLICO PARA O I NGRESSO AO M AGISTÉRIO O FICIAL

2. A realização do concurso para professores do estado de São Paulo em 2003

2.4. O processo de escolha e a posse dos aprovados

Para a primeira sessão de escolha dos cargos de História, realizada nos dias l6 e 17/06/2004, foram convocados os primeiros 1.000 classificados, para o preenchimento de 810 cargos vagos. Para a segunda sessão de escolha, ocorrida nos dias 30/11, 1º, 02 e 03/12/2004, foram convocados mais 1.790 professores para o preenchimento de 1.403 cargos; desses, 191 eram remanescentes da sessão anterior e 1.212 criados pela Lei nº 550/04. Entre os dias 17 e 23/11/2005 houve a terceira sessão de escolha, com a convocação de 4.300 professores para a

ocupação de 3.124 cargos. Tanto os editais de convocações quanto as vagas disponíveis, por escola foram publicados no Diário Oficial e no site www.educacao.sp.gov.br da Secretaria de Educação. No local designado para as sessões de escolha, a fim de facilitar os trabalhos, o DRHU colocou à disposição dos professores 3 microcomputadores com o endereço de todas as escolas estaduais do estado de São Paulo e a atualização simultânea do número de vagas existentes nessas escolas; além disso, estava afixado em uma das paredes do saguão do anfiteatro um imenso mapa do estado de São Paulo. No início da primeira sessão não houve problemas, uma vez que os primeiros colocados acabavam escolhendo na sua cidade de origem ou nas proximidades. A partir do terceiro dia, a situação começou a mudar. Foi constante a consulta, por parte dos professores, do referido mapa. Alguns professores queixavam-se apontando a distância no mapa entre a sua cidade de origem e a cidade onde trabalhariam. Na terceira sessão de escolha, devido ao aumento na carga horária da disciplina de História, surgiram mais vagas, inclusive em diretorias de ensino do interior que nas escolhas anteriores não haviam disponibilizado vagas. Alguns professores mais bem classificados manifestaram preocupação com relação a isso quando das primeiras sessões:

Os critérios para atribuição de aulas são falhos e favorecem os últimos classificados prejudicando os primeiros, pois muitas vagas só serão enviadas no próximo ano e o professor que já escolheu não terá acesso. (1ª)

Os professores que escolheram na primeira sessão foram, realmente, os mais prejudicados, pois a maioria precisou se deslocar para outras regiões do estado12 e aqueles que estavam vinculados como temporários, com carga completa, foram obrigados a escolher o cargo inicial de 20h/aulas, pois nessa escolha não era permitido complementar a jornada de trabalho para atingir 40 horas/aulas. Os professores que escolheram na terceira sessão, portanto os que tiveram piores classificações, tiveram a possibilidade de escolher em sua própria região ou em um lugar próximo devido ao surgimento de um grande número de vagas (Quadro 1), em decorrência do aumento na grade curricular de História. É importante notar que esse aumento fez surgir vagas em todas as diretorias de ensino do estado, mas nas diretorias em que o número de vagas era menor, estas foram preenchidas pelo concurso de remoção, realizado pouco antes da disponibilização da vagas para a escolha dos ingressantes. As vagas remanescentes da primeira sessão também foram disponibilizadas para o concurso

de remoção ocorrido pouco antes da segunda sessão de escolha, por isso é compreensível o questionamento de um dos professores:

As vagas que sobraram da primeira chamada não apareceram na segunda chamada e isto é um absurdo. Onde elas estão? (2ª)

O pouco tempo entre a data da divulgação dos nomes das escolas onde havia vagas disponíveis e a data da escolha dos cargos deixou os candidatos apreensivos, ansiosos e preocupados, pois isto dificultou seu acesso a informações detalhadas sobre a possível escola que escolheriam e muitos deles não conheciam a região, nem a localização das escolas onde estavam as vagas, conforme explicitam os relatos que se seguem:

Deveria haver mais informações para escolha de vagas. (1ª)

Faltou uma melhor ajuda do concurso para nos indicar os endereços (ou mapa) do local das escolas para nossa escolha!!! (1ª)

Que na escolha das aulas haja indicação de bairro e horário das escolas relacionadas. (2ª)

As relações cidade-vaga disponíveis deveriam ser mais divulgadas, ou poderia existir uma espécie de serviço de auxílio para aqueles que, como eu, não conhecem a geografia do Estado. (2ª)

Quando realizamos o concurso não nos é passada a relação, nem mesmo aproximada, do número de vagas existentes na nossa região de residência. (2ª)

O modo como a secretaria disponibiliza os cargos é muito confuso e no período de atribuições o professor efetivo acaba sendo prejudicado. (3ª)

Outro questionamento dos professores diz respeito ao fato de conhecerem escolas onde havia vagas, mas que não as disponibilizaram para a escolha.

Escolha de vagas – não liberam todas as vagas que existem, principalmente nas escolas centrais. (1ª)

Duas inferências são possíveis a partir desse depoimento: a vaga pode ter sido ocupada por concurso de remoção, que ocorrera pouco antes da divulgação das vagas para a escolha ou o número de aulas era insuficiente para a formação de um cargo (20h/a).

Em relação às poucas vagas surgidas no interior, em particular, também há questionamentos dos professores, demonstrando sua preocupação quanto à necessidade de se

deslocar para a capital ou Grande São Paulo para poderem se efetivar, conforme o relato de um deles:

Na maioria das regiões não foram abertas vagas, mas é grande a carência de professores concursados. A Lei diz que só depois de 02 anos de carência a vaga é disponibilizada para concursados. No fim, fica a impressão de que fomos “castigados”, porque a maioria foi obrigada a escolher cidades distantes e os alunos, provavelmente, ficarão sem professores qualificados. (2ª)

É necessário fazer também algumas observações sobre a posse dos professores. A posse dos professores que participaram da primeira sessão de escolha foi a que teve maior repercussão negativa, pelos transtornos provocados, uma vez que ocorreu no meio do ano letivo. Tanto Teixeira (1988) quanto Másculo (2002) observam que esse problema ocorreu em concursos anteriores e, apesar dos prejuízos causados tantos aos professores quanto ao processo educacional, ele persistiu. Teixeira aponta, ainda, que as entidades representativas do magistério, desde a década de 1980, vêm reivindicando que a posse dos professores concursados ocorra em janeiro, antes do início do ano letivo. A posse dos professores que participaram da 2ª e 3ª sessões de escolha parece ter atendido a tais reivindicações, já que os professores que escolheram em novembro e dezembro de 2004 tomaram posse em janeiro de 2005, e os professores que escolheram em 2005 tomaram posse em janeiro de 2006. Nesse caso, os professores puderam participar das atribuições de aula na escola para onde foram nomeados e, desta forma, a escola construiu o quadro de aulas de acordo com o horário de cada professor. Com isso, seria possível iniciar o ano letivo dedicando-se ao ensino, podendo elaborar projetos e atividades que favoreçam os vínculos existentes entre alunos, professores e comunidade escolar. Mas não é assim que ocorre na maioria das escolas estaduais, pois, entre outros fatores, há possibilidade de se solicitar a prorrogação de posse e afastamento pelo Art. 22 da LC 444/8513, fazendo com que as aulas do professor efetivo sejam atribuídas a professores temporários até a posse do titular, no caso de prorrogação, ou até o seu retorno, no caso de afastamento.

13 “O Art. 22 da Lei Complementar nº 444/85, regulamentado pelo Decreto 24.948 de 03/04/1986, permite que os docentes efetivos do magistério oficial, afastados, por qualquer razão, de suas atividades, sejam substituídos por pessoas legalmente habilitadas, inclusive por outros efetivos”. (Fonte: APEOESP, Assessoria Jurídica).

No documento INGRESSO E PROFISSÃO DOCENTE (páginas 54-58)

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