• Nenhum resultado encontrado

1. MULTILETRAMENTOS FACE AOS AVANÇOS TECNOLÓGICOS

2.4 O processo de escrita em Língua Inglesa (LI)

A produção textual, sendo uma atividade contínua, interativa e complexa de produção de sentido, implica uma reflexão sobre os papéis que cada indivíduo pode exercer nesse processo. Marcuschi (2008), quanto à linguagem interativa, menciona que essa concepção de linguagem por meio do enfoque na escrita, relaciona aspectos históricos e discursivos, não ignora os aspectos formais, nem deixa de observar a regularidade sistemática da língua. Passarelli (2012), por sua vez, argumenta que o processo de produção textual deve ser interpretado à luz da linguagem, implicando interação entre os sujeitos que se comunicam no intuito de realizar ações com/sobre/para o outro.

Vale enfatizar que, na concepção de linguagem como forma de interação, o texto é visto como uma unidade de sentido, ou ainda, um “evento comunicativo em que convergem ações linguísticas, sociais e cognitivas” (MARCUSCHI, 2008, p.80):

 O texto é visto como um sistema de conexões entre vários elementos tais como: sons, palavras, enunciados, significados, participantes, contextos, ações, etc.;

 O texto é construído numa orientação de multissistemas, ou seja, envolve tanto aspectos linguísticos como não linguísticos no seu processamento (imagem, música) e o texto se torna em geral multimodal;

 O texto é um evento interativo e não se dá como um artefato monológico e solitário, sendo sempre um processo e uma coprodução (coautorias em vários níveis);

 O texto compõe-se de elementos que são multifuncionais sob vários aspectos, tais como: um som, uma palavra, uma significação, uma instrução, etc. e deve ser processado com esta multifuncionalidade.

Tendo em vista essas características, notamos que um texto não pode ser entendido somente no plano da linguagem. Existem outros elementos formadores, tais como cultura, história, sociedade, indivíduos, recursos digitais. Todos esses elementos apontam para uma convergência de relações linguísticas, sociais e cognitivas. De acordo com Calkins (1994), a arte de escrever começa exatamente com a arte de ver beleza nas coisas mais triviais da vida e ver beleza nos textos mais rudimentares que os aprendizes produzem. A premissa básica dessa construção de significados resultantes da elaboração de ideias, o compartilhar de informações até o produto final, que é o texto realizado, está no fato de valorizar o que o aluno já sabe para, em seguida, partir para estimulação da descoberta e nunca para a pura transmissão de conhecimento do professor para o aluno. Calkins

(1994) rejeita o ensino da escrita por meio do uso de exercícios mecânicos voltados para gramática e, em contrapartida, dá ênfase ao uso da escrita como ato de comunicar algo que se tem a dizer. Ela ressalta a importância do professor ajudar a estabelecer as conexões entre a leitura e a escrita descrevendo a escrita na perspectiva de processo de aprendizagem, dando sentido ao mundo por intermédio da construção de investigação de hipóteses. A autora considera a produção da escrita não como um mero exercício automático, mas como um processo que requer uma organização do pensamento: “Escrever para organizar o pensamento, compor ideias, escrever como um andaime para novas ideias, não como uma forma de responder a perguntas pré-estabelecidas e com respostas corretas” (2011, p.47)

Dentro de uma perspectiva de aprendizagem de Língua Inglesa, Almeida Filho (2005), Finardi e Porcino (2014) e Harmer (1998) são unânimes em defender a ideia de que as quatro habilidades (ouvir, falar, ler e escrever) devem ser trabalhadas e, muita embora as abordagens comunicativas enfatizem a comunicação oral (ALMEIDA FILHO, 2005), o aprendizado da escrita precisa estar vinculado a essa abordagem metodológica. Do contrário, teremos aprendizes da língua que apesar de terem a capacidade de se comunicar oralmente, terão dificuldades com a produção escrita. Por intermédio das tecnologias da informação e comunicação torna-se ainda mais relevante o aperfeiçoamento da produção escrita em LI. Com o uso da internet, os alunos que cresceram com a utilização dessa ferramenta têm em suas mãos uma ferramenta efetiva para aprimoramento e desenvolvimento de suas habilidades. A internet, além de ser um espaço de criação e interação sem fronteiras, oferece oportunidades para a realização de tarefas autênticas e excelentes oportunidades de colaboração e comunicação entre aprendizes separados geograficamente (DUDENEY & HOCKLY, 2007). Dessa forma, refletir sobre o uso da rede mundial para motivar os alunos a produzirem textos com maior autenticidade tornou-se o objetivo principal desta pesquisa.

Por meio de ferramentas como a webquest e as Narrativas multimídias, os alunos são engajados em um universo que lhes é familiar e onde serão desafiados a promoverem uma interação entre um texto formal de suas próprias criações, fazendo uso de vídeos, imagens e hiperlinks; sendo capazes de perceber o processo e não somente o resultado. Com base em estratégias direcionadas pelo professor, os aprendizes serão levados a novos conhecimentos e à execução das atividades solicitadas. O resultado do processo de utilização da webquest e das NM consideram as habilidades acionadas pelo leitor para construir sentido e coerência

nos textos produzidos. Para o leitor engajado no processo de interação com o texto multimodal, ou por assim dizer, hipertexto (ARAUJO, 2007), existe uma tendência a variadas interpretações que o levam a construção de sentido.

Araújo (2010, p. 127) descreve algumas das peculiaridades do hipertexto para o ensino de produção textual em língua estrangeira:

A possibilidade de constante reformulação, pois o autor pode reformulá-lo e corrigi-lo infinitas vezes antes de publicá-lo e distribuí-lo para consumo na www; e o caráter interativo, uma vez que, tanto o autor quanto o leitor, interagem com o texto, optando pelas conexões a serem incluídas em seu roteiro de escrita ou leitura. É impossível ir de um ponto a outro do texto ou ir para outro texto que esteja disponível na www, de modo que a informação se organize em redes semânticas alternativas e dependentes do trajeto escolhido.

As TICs são responsáveis por um engajamento dos aprendizes que por meio de contextos criados e pela interação propiciada pelo ambiente virtual, conseguem explorar as potencialidades desse ambiente, influenciando um maior uso da leitura e a produção ativa e crítica de textos que sejam relevantes para suas vidas sociais (ARAÚJO, 2007). Na seção que se segue faremos uma reflexão acerca da produção escrita considerando-a como competência comunicativa.