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Após a obtenção dos dados chega o momento de definição do quadro de análise, para tanto tomamos nesse momento, como material de pesquisa todos os diálogos com as interlocutoras45 durante as entrevistas e as respostas do questionário, os quais foram

45 Usaremos os termos „interlocutoras‟ e „docentes‟ como palavras sinônimas ao termo „professora‟ durante toda a análise e discussão dos dados, nos referindo às participantes da pesquisa. Também gostaríamos de salientar que em respeito às questões de gênero trataremos a nomenclatura “professor/a” no que se refere aos docentes de uma forma geral. E utilizaremos as palavras “professora(s), docente(s) e ou interlocutora(s)” para as nove profissionais mulheres que participaram da pesquisa.

transcritos, lidos e relidos antes de serem tabulados. Esses dados foram tomados para compor os perfis das professoras, as informações sobre os percursos profissionais e as opiniões do grupo sobre a educação multicultural. Também utilizamos esses dados na construção das categorias de análise que a seguir apresentaremos, ficando os diálogos dos grupos focais para serem analisados separadamente. Os mesmos trazem nas entrelinhas das discussões outras questões que devem ser tratadas posteriormente, complementando os dados que agora serão apresentados.

Assim, com base nas transcrições das entrevistas e do questionário, identificamos os temas discutidos pelas professoras e a frequência com que ocorriam. No entanto, os dados que não tiveram grande ocorrência, mas que demonstraram uma perspectiva diferente do problema, também foram considerados. Mediante o universo apresentado nas discussões, tornou-se necessário tomar como guia as questões norteadoras para não perder o rumo do trabalho, as quais direcionaram o nosso olhar na busca dos elementos fundamentais na definição das categorias. Por isso, para não perder o rumo e a partir dessas categorias tecer as impressões encontradas, retomamos a pergunta de partida:

 Com base na formação docente e nas práticas pedagógicas desenvolvidas pelas

professoras, como estas se comportam em relação às questões multiculturais presentes nas classes da educação de jovens e adultos?

Para aprofundar a discussão referente à problemática inicial, outras questões surgiram como coadjuvantes no processo, proporcionando uma base de investigação. Sendo essas:

 Como se deu sua formação enquanto professora?

 Que tipo de formação teve para trabalhar com a diversidade cultural da educação de jovens e adultos?

 As questões relacionadas à educação multicultural estiveram presentes em algum momento da sua formação profissional?

 Sua prática pedagógica está alicerçada numa visão mono ou multicultural?

Partindo dessas perguntas e de outras contidas nos instrumentos de pesquisa, os dados foram coletados e analisados. Contudo, antes da análise julgamos necessário expor algumas informações acerca desses instrumentos (questionário e a entrevista). Como exposto no anexo, o questionário foi composto por 07 tópicos, sendo que 04 perguntas abertas, as quais buscavam as informações particulares de cada professora sobre seus dados pessoais, nível de escolarização, tempo de trabalho etc. E 03 questões abertas com solicitação de justificativa, as quais foram em sua maioria deixadas em branco pelas docentes que responderam ao questionário.

A escolha por questões abertas e fechadas justificou-se pela dinâmica destes dois tipos de pergunta, já que nas “questões abertas solicita-se aos respondentes que ofereçam suas próprias respostas [...] e, nas questões fechadas pede-se aos respondentes para que escolham uma alternativa dentre as que são apresentadas numa lista” (GIL, 2010, p.122). Assim, esses dois tipos de questões proporcionaram as interlocutoras responderem sobre suas próprias informações pessoais, como também escolher dentre as demais alternativas, a opção que mais se aproximava da sua linha de pensamento.

Outro aspecto da pesquisa que necessitou maior explicação foi a utilização do questionário como instrumento, pois conforme estudos de Gil (2010), esse instrumento melhor se aplica a um universo maior de pessoas. Porém, tivemos que recorrer a esse para a obtenção de informações importantes, assim como também recorremos à entrevista para complementar as respostas e concluir o ciclo da pesquisa. Em relação à entrevista, retomando, a mesma foi composta de setes perguntas semiestruturadas, as quais tiveram como objetivo complementar as informações dadas pelas professoras acerca da sua formação e da prática pedagógica desenvolvida em sala de aula, (ver em anexo).

Durante a coleta dos dados e ao iniciar a análise, optamos pela não utilização dos nomes das interlocutoras envolvidas na pesquisa, conforme havíamos informado às mesmas no momento da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (ver em anexo). Assim foi empregada a denominação “Professora” associando a esta uma numeração de 1 a 9 (1P a 9P), considerando o número de docentes da EJA que participaram da investigação e associando a ordem alfabética de cada nome. Portanto, esta nomenclatura estará sendo utilizada durante todo o processo da interpretação e discussão dos dados.

Prosseguindo com as informações sobre os procedimentos de análise, as categorias foram selecionadas de acordo com a pertinência do objeto investigado. Assim, ao analisar as respostas obtidas por meio do questionário e da entrevista percebemos que a profundidade das reflexões revelou pensamentos expressivos nos direcionando para a definição de quatro categorias de análise, configuradas da seguinte maneira:

1. Percursos formativos do tornar-se professora: entraves e sucessos; 2. Saberes docentes relacionados à educação de jovens e adultos;

3. Concepções e práticas pedagógicas referentes à educação multicultural;

4. A prática pedagógica frente à diversidade e adversidades no trabalho com as questões étnico-raciais.

Essas foram as categorias escolhidas para o esclarecimento da questão de partida e dos objetivos traçados para o estudo ora apresentado. Assim, a partir da definição das categorias

acima listadas, apresentaremos as conclusões dos dados por meio da análise dos mesmos, tendo como alicerce os pressupostos teóricos de Bardin (1977), com seus estudos sobre a Análise do Conteúdo (AC), o qual nos permitiu trabalhar com esses dados por ordem de temas e não por ordem sequencial, com o objetivo de auxiliar na compreensão dos dados coletados.

Abaixo, apresentaremos a análise das respostas obtidas por meio do questionário, as quais foram compiladas e estão representadas por meio dos gráficos e as respostas das professoras no momento das entrevistas, as quais estão registradas por meio da transcrição das falas das interlocutoras, seguidas de comentários e análises. Portanto, iniciaremos a próxima seção com as discussões acerca da primeira categoria que trata dos percursos formativos das docentes e os entraves e sucessos nessa trajetória profissional.