A Reforma Universitária que se dividiu em duas na UFPR, a primeira
promovida pelo Estatuto de 1970 e a segunda pelo de 1974, alterou de forma
substancial a estrutura da universidade durante o período da ditadura civil-militar.
Adotando inúmeras medidas como a extinção de órgãos, reorganização de
departamentos e setores, criação de novos cursos, reestruturação da hierarquia
administrativa e a criação de novas disciplinas, a UFPR vivenciou momentos de
intensas mudanças durante a década de 1970, que, inclusive, permearam todo
processo de implantação da disciplina de EPB nos currículos da Universidade.
2.2 O PROCESSO DE IMPLANTAÇÃO DA DISCIPLINA ESTUDO DE PROBLEMAS
BRASILEIROS NA UFPR
A disciplina Estudo de Problemas Brasileiros, anunciada como obrigatória
em todas as universidades do país por meio dos dispositivos do Decreto n. 869 de
12 de setembro de 1969, só passou a compor as matrizes curriculares da UFPR em
meados de 1971.
Flávio Suplicy Lacerda
37(29/05/1967 a 30/05/1971). Após análise das atas do
Conselho Universitário da UFPR foram encontrados excertos da discussão sobre a
implantação da disciplina de EPB na ata da sessão realizada no dia 27 de maio de
1971, conforme a Figura 1.
37
Flávio Suplicy de Lacerda tornou-se professor de resistência dos materiais da Escola de
Engenharia do Paraná, defendendo em 1931 uma tese sobre o fenômeno de flambagem.
Doutorou-se em ciências físicas e matemáticas pela Universidade do Paraná. Em julho de 1950 assumiu o
cargo de reitor da Universidade do Paraná, a qual contribuiu na sua federalização, passando a
denominar-se Universidade Federal do Paraná. Durante sua gestão foram também incorporadas à
universidade as escolas de Agronomia e Veterinária, de Química, de Ciências Econômicas e de
Florestas e criadas as universidades volantes destinadas às populações do interior. Após o golpe de
1964, foi convidado pelo presidente Humberto Castelo Branco, por sugestão do general Ernesto
Geisel, chefe do Gabinete Militar da Presidência da República, a assumir o Ministério da Educação e
Cultura (MEC). Em janeiro de 1966 transmitiu o cargo a Pedro Aleixo, sendo reconduzido à reitoria da
Universidade Federal do Paraná em 1967. Acumulou essa função até 1968 com a de membro do
Conselho Federal de Educação e, em 1971, deixou a reitoria, aposentando-se como reitor agregado
(ABREU, 2001).
FIGURA 1
38– ATA REUNIÃO CONSELHO UNIVERSITÁRIO.
FONTE: UFPR, Conselho Universitário, Livro Ata nº 4, p. 34.
38
As imagens utilizadas nesse trabalho foram introduzidas apenas para fins de ilustração. De toda a
ata esse é o único trecho relativo à EPB.
Para os devidos trâmites legais, o Conselho Universitário abriu um processo
sob o n. 17.305 para a implantação da disciplina de EPB na Universidade
39.
Segundo os fragmentos da ata, após o parecer oral do relator e Conselheiro
José Nicolau dos Santos
40, o assunto foi amplamente discutido pelo Conselho.
Nesse sentido, e seguindo as proposições do parecer do relator, foi aprovada a
designação de até catorze
41professores para ministrarem a disciplina de EPB na
Universidade (UFPR, 1971).
O Conselho Universitário decidiu que esse trabalho seria realizado mediante
o pagamento de uma gratificação correspondente a 100% do vencimento básico.
Também ficou decidida, por meio das contribuições do Conselheiro Atlântido Borba
Côrte, a contratação de conferencistas estranhos a Universidade, à razão de até
Cr$150,00
42por conferência, quando a matéria exigisse um especialista no assunto.
Possivelmente, como forma de atrair os docentes para o ensino da disciplina, os
conselheiros tenham decidido pagar gratificações de valor mais expressivo. De
acordo com o professor Ênio José Coimbra de Carvalho
43[...] “havia professores que
davam aulas em outros setores, mas escolhiam dar aula de EPB, pois pagava-se
com a hora-aula de conferência, que era um valor mais confortável” (CARVALHO,
2014).
Para organizar o dispendioso trabalho de ofertar a disciplina de EPB para
toda a Universidade, o Conselho Universitário sugeriu a criação de uma
Coordenação Geral que deveria orientar o programa a ser desenvolvido nos
diversos cursos. A princípio essa coordenação deveria ser composta pelos
professores designados e presidida provisoriamente pelo Conselheiro Brasil Pinheiro
Machado
44(UFPR, 1971).
39
Após inúmeras buscas no Arquivo Geral da UFPR o processo n. 17305 não foi localizado pelos
funcionários responsáveis pelo acervo.
40
O professor José Nicolau dos Santos lecionou na Faculdade de Direito e de Filosofia da UFPR.
Além disso, ocupou o cargo de Reitor da Universidade de 29/05/1964 a 29/05/1967 (ABREU, 2001).
41
Essa sessão do Conselho Universitário aprovou a designação de até 14 professores para o ensino
de EPB, mas não informou quem foram os professores selecionados para ministrar a disciplina.
42
Para fins de comparação o salário mínimo no Brasil no mês de maio de 1971 era de Cr$ 225,60
(OAB-SP).
43
Foi professor da disciplina de EPB durante as décadas de 1970 e 1980. Atuou como
subcoordenador de EPB no setor de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal do Paraná.
Também dedicou parte de sua vida ao teatro, participando de vários filmes e telenovelas. Atualmente
é Diretor da Faculdade Doutor Leocádio José Correia (CARVALHO, 2014).
44
Vice-reitor da Universidade do Paraná em 1945. Em 1946 foi nomeado pelo presidente Eurico
Dutra interventor no Estado do Paraná. Catedrático de História do Brasil da Faculdade de Filosofia da
Universidade do Paraná e diretor executivo do Conselho de Pesquisas dessa mesma faculdade em
A designação dos professores deveria ser indicada pelo Diretor da
Unidade
45. De acordo com a ata:
Foram dadas como aprovadas, ainda, as seguintes proposições do
Conselheiro Alceu Ribeiro de Macedo, no sentido de que cada curso
pudesse indicar, ao Diretor da respectiva unidade, um professor para o
ensino da referida disciplina (UFPR, 1971, p. 34).
Além disso, o parecer do relator incumbia a Faculdade de Educação de
estudar a organização de um curso de formação de professores para o ensino da
disciplina de EPB.
Com a criação de novos cursos e novas disciplinas como a EPB, a demanda
por docentes aumentou de forma progressiva. Nesse período, de acordo com o
professor Maury Rodrigues da Cruz
46“criou-se a figura do colaborador, o que era
uma lástima para a Universidade” (CRUZ, 2013).
O curso de formação de professores de EPB que deveria ser organizado e
ministrado pela Faculdade de Educação não chegou a ser elaborado, e segundo o
depoimento do professor Maury Rodrigues da Cruz, não houve um programa de
formação de professores
47para o ensino da disciplina.
O Conselheiro Sebastião Vicente de Castro solicitou a autorização da
impressão
48e distribuição aos alunos da Universidade da aula inaugural proferida na
Faculdade de Odontologia sob o título de “Principais Problemas Brasileiros”, por se
tratar de assunto relacionado com o programa da disciplina de EPB (UFPR, 1971).
Sendo assim, as primeiras aulas da disciplina Estudo de Problemas
Brasileiros passaram a ser ministradas na UFPR no ano de 1971.
Considerando que as medidas legais (Decreto n. 68.065/71 e Parecer CFE
1960, foi juiz do Tribunal de Contas do Paraná entre 1964 e 1967 (ABREU, 2001).
45
A expressão “unidade” foi utilizada na redação da ata, mas provavelmente os conselheiros estavam
se referindo aos responsáveis pelos Setores da Universidade.
46
Maury Rodrigues da Cruz nasceu em Castro – Paraná no dia 1º de maio de 1940. Realizou seus
estudos escolares em Curitiba. Na Universidade Federal do Paraná licenciou-se em Ciências Sociais,
bacharelou-se em Direito, concluiu pós-graduação em Orientação Educacional e Mestrado em
Educação. Foi professor primário em escolas isoladas, professor secundário e técnico profissional em
escolas oficiais e particulares, e professor, coordenador da disciplina de EPB e Diretor de Ensino
Superior da UFPR e na Faculdade de Direito de Curitiba e orientador de pesquisa de pós-graduação
(Mestrado e Doutorado). Foi também diretor do Museu Paranaense de 1987 à 1994. Atualmente
reside em Curitiba, onde é diretor presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBBE),
do Museu Nacional do Espiritismo (MUNESP) e das Faculdades Doutor Leocádio José Correia
(FALEC), instituições das quais foi fundador (SOCIEDADE, 2014).
47
De acordo com todos os entrevistados não houve nenhuma ação de formação para os docentes da
disciplina de EPB na UFPR.
48
n. 94/71) que regulamentaram o ensino de EPB só foram decretadas no início de
1971, pode-se afirmar que a implantação da disciplina na UFPR não ocorreu de
forma tardia. No entanto, instituições de ensino como a UFRJ implantaram a
disciplina de EPB ainda em 1970, menos de um ano após a publicação do Decreto
n. 869. Norteando-se por meio de um plano de emergência do CFE enunciado na
Indicação n. 8/70
49, a UFRJ passou a ministrar aulas de EPB para o último período
dos cursos de Graduação da Universidade em 1970 (CUNHA, 2012).
Esse plano de emergência surgiu a partir do ofício n. 70/70 da CNMC,
emitido no dia 28 de janeiro de 1970 e encaminhado ao CFE, sob o título “Subsídios
para Currículos e Programas Básicos de Educação Moral e Cívica”. No mesmo ano,
esse documento foi publicado sob forma de livro
50e foi o primeiro esboço do
programa de ensino da EPB. Todavia, era de responsabilidade do CFE estabelecer
os conteúdos programáticos das disciplinas. Nesse contexto, o CFE posicionou-se
publicando o Parecer n. 101/70, no qual seu relator, o Padre José de Vasconcellos,
esclarecia que o Conselho não dispunha de tempo suficiente para realizar um
estudo mais aprofundado sobre a questão. Neste documento também foi sugerida a
criação de uma Comissão integrada por membros das Câmaras de Ensino Superior
e de Ensino Primário e Médio para a organização dos programas e currículos da
disciplina (LEMOS, 2011).
A indicação n. 8, de 26 de junho de 1970, organizada pela Comissão
Especial do CFE, sugeriu que as instituições de ensino, a partir do segundo
semestre letivo daquele ano, incluíssem o ensino das disciplinas morais e cívicas em
suas estruturas curriculares (LEMOS, 2011).
Considerando que a implantação da EPB na UFPR ocorreu em maio de
1971, no semestre seguinte à publicação da indicação n. 8/70 e apenas três meses
49
Luiz Antônio Cunha com base na revista Documenta, n. 127 de junho de 1971, afirma que a
indicação nº 8, de 1970, elaborada por uma comissão especial do CFE presidida pelo Conselheiro
Raymundo Moniz de Aragão, tendo como relator o arcebispo Luciano Cabral Duarte (que veio a ser o
relator do parecer sobre a Educação Moral e Cívica, no ano seguinte), recomendou que, na falta de
condições para a oferta regular da disciplina, os colégios e as faculdades se valessem dos
professores das disciplinas mais relacionadas a ela, principalmente Filosofia, Religião, História,
Geografia, Organização Social e Política do Brasil, Sociologia, História da Educação, Economia,
Língua e Literatura Brasileira, de modo que, na ministração das mesmas, fossem “acentuados os
aspectos morais e cívicos que apresentam”. Palestras e conferências seriam as formas mais
adequadas a essa emergência, mormente se combinadas com o emprego de recursos como rádio e
televisão, “buscando atingir as grandes massas estudantis” (CUNHA, 2012, p. 198).
50
A versão preliminar do programa de ensino da disciplina de EPB encontra-se no Anexo A (BRASIL,
1970).
depois do Decreto 68.065/71 que regulamentava a medida legal que incutiu a
obrigatoriedade da EPB em todas as instituições de ensino superior do país,
pode-se afirmar que a implementação
51da EPB nos cursos de graduação e
pós-graduação da UFPR não foi tardia. Além disso, é importante frisar que a EPB foi
implantada sob a tutela do reitor Flávio Suplicy Lacerda, homem de confiança do
regime, que ocupou a pasta da Educação
52na gestão de Castelo Branco, e que
aparentemente não criou obstáculos para o estabelecimento dessa disciplina.
Nesse sentido, é interessante observar que não havia uma orientação muito
clara no que se refere à implantação da disciplina de EPB nas instituições de ensino
superior do país, propiciando interpretações diferentes das prescrições legais que a
normatizaram. Essa falta de clareza, aparentemente remete ao caráter multifacetado
da disciplina de EPB e à complexidade dos conteúdos que a integravam, é
importante ressaltar que parte da bibliografia que fundamentava os programas de
ensino desse componente curricular foi permeada por conteúdos doutrinários. A
implantação de uma disciplina com um intenso apelo doutrinário, talvez, tenha
levado a interpretações diferentes no que se refere a seu estabelecimento nas
instituições de ensino superior.
De acordo com o depoimento do professor Maury Rodrigues da Cruz, em
1972, ano seguinte à implantação da disciplina de EPB na UFPR, ele foi designado
como Coordenador Geral de Estudo de Problemas Brasileiros na UFPR. Licenciado
em Sociologia e Bacharel em Direito, esse professor já fazia parte do corpo docente
da Universidade desde a década de 1960, na qual lecionou a disciplina de
Legislação Social para o curso de Administração e também Ciência Política, na
extinta Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas e Letras.
Além disso, foi encontrado um programa
53de ensino da disciplina de EPB
assinado pelo professor Maury Rodrigues da Cruz em março de 1972 (Figura 2), o
que confirma sua assunção ao cargo. Também foram encontrados outros
documentos assinados pelo professor como Coordenador Geral da disciplina nos
anos subsequentes à implantação, como em 1974 e 1975.
51
Conforme apontado no início do capítulo, a UFPR passou por uma profunda reforma promovida
pelos dispositivos da Lei n. 5540/68 o que ocorreu ao mesmo tempo que o processo implantação da
disciplina.
52
Flávio Suplicy Lacerda foi Ministro da Educação de 15 de abril de 1964 a 8 de março de 1965, e de
22 de abril de 1965 a 10 de janeiro de 1966.
53
Os programas de ensino que nortearam o ensino da disciplina de EPB serão abordados no capítulo
3.
FIGURA 2 – PROGRAMA DE ENSINO DA DISCIPLINA DE EPB DE 1972.
FONTE: UFPR.
No entanto, após análise das medidas legais relacionadas à EPB publicadas
nos Boletins Administrativos
54da UFPR, foram encontrados indícios que sugerem
que o professor Maury Rodrigues da Cruz deixou de ser o Coordenador da disciplina
entre os anos de 1973 a 1975.
No boletim administrativo da UFPR n. 218 de julho de 1973 foi publicada a
Portaria UFPR n. 10.078 do dia 29 de junho do mesmo ano, que designava uma
Comissão composta pelos professores Ocyron Cunha, Ernani Simas Alves e Newton
França Bittencourt Filho para apresentar até o dia 31 de julho um projeto de
estruturação para centralizar a disciplina de EPB em um único órgão na
Universidade (UFPR, 1973a).
Apenas dois meses depois da publicação dessa Portaria, outra medida foi
sancionada com o intuito de regulamentar o ensino da disciplina de EPB. A Portaria
UFPR n. 10.398, de 6 de setembro de 1973, determinou que quando o Diretor do
Departamento não ministrasse o ensino de EPB, a designação de um Coordenador
setorial para a disciplina seria feita pela Reitoria, mediante indicação do Diretor
(UFPR, 1973b).
Todavia, sete dias depois da promulgação da Portaria UFPR n. 10.398, a
UFPR publicou no Boletim Administrativo n. 225 de setembro de 1973 a Portaria
UFPR n. 10.425, de 13 de setembro de 1973, designando o professor José Petrelli
Gastaldi como Coordenador Geral da disciplina de EPB. Esse docente lecionava na
Faculdade de Direito de Curitiba e ficou no cargo até o início do ano seguinte, sendo
destituído da função por meio da Portaria UFPR n. 11.306 de 8 de fevereiro de 1974.
Essa medida legal extinguiu a Coordenação Geral de EPB e delegou
somente aos Setores da Universidade a responsabilidade pelo ensino da disciplina.
De acordo com a Portaria UFPR n. 11.306:
O Diretor de cada Unidade, nos termos do disposto no artigo 7º, § 6º, do
Decreto Lei n. 869, de 12 de setembro de 1969, será o responsável pelo
ensino de Estudo de Problemas Brasileiros, podendo delegar poderes a um
Docente da UFPR, o qual será Coordenador Setorial da disciplina (UFPR,
1974a).
54
Os Boletins Administrativos asseguram apenas que determinados eventos ocorreram, mas não
fornecem subsídios que justifiquem a razão pela qual as circunstâncias ocorreram de uma
determinada forma e não de outra.
Diante da publicação dessas Portarias é possível concluir que, talvez, a
Coordenação Geral de EPB ainda não existisse legalmente na UFPR em 1973,
embora, nos programas de ensino de 1972 e 1974, apareça o nome e o carimbo
desse órgão, bem como o título de Coordenador Geral da disciplina para o professor
Maury Rodrigues da Cruz.
A Portaria UFPR n. 11.306 também previa que a indicação do Coordenador
Setorial deveria ser submetida à análise da Assessoria Especial de Segurança e
Informações
55(AESI) da UFPR, cuja nomeação só ocorreria após a aprovação
desse órgão.
Esse tipo de orientação indica que o controle sobre o ensino da disciplina de
EPB foi bem acentuado. Segundo essa medida legal, no início de cada mês, o
Diretor de cada Setor deveria encaminhar à AESI o que foi ministrado nas aulas de
EPB do mês anterior.
Até o dia 10 do mês subsequente, o Coordenador Setorial de EPB, por
intermédio do Diretor do Setor, enviará à AESI um relatório sucinto das
atividades mensais executadas, acompanhado dos planos de aula e dos
textos distribuídos aos alunos (UFPR, 1974a).
O texto dessa legislação também trazia orientações sobre como a disciplina
de EPB deveria ser ministrada e organizada na UFPR:
A disciplina de EPB deverá ser ministrada:
a) em 2 (dois) períodos letivos (EPB – 1 e EPB – 2);
b) com a carga horária mínima de 2 (duas) horas aula semanais,
correspondendo a 2 (dois) créditos por período letivo;
c) sempre que possível, nos mesmos turnos que as de Educação Física.
A disciplina de EPB será preferencialmente oferecida aos alunos nos 4
(quatro) últimos períodos letivos de cada curso.
Nos cursos em regime seriado ainda existentes na UFPR, a disciplina de
EPB será ministrada na última série, durante 1 (um) ano letivo (UFPR,
1974a).
Essa medida legal incumbiu aos Setores à função de organizar a disciplina
de EPB na UFPR, destacando que enquanto não fossem estabelecidos critérios
uniformes para todos os cursos da Universidade, os Diretores dos Setores deveriam
55
Não foram encontrados documentos referentes à AESI nos arquivos da UFPR, tornando impossível
compreender as relações entre esse órgão e as coordenadorias responsáveis pela EPB na
Universidade. Entretanto, uma pesquisa sobre essas relações seria de extrema relevância para a
compreensão da estrutura que a EPB mobilizou na Universidade.
controlar a frequência dos alunos e administrar o ensino da disciplina no Setor. Além
disso, a redação dessa medida orientava que até os dias 28 de fevereiro e 31 de
julho de cada ano, os diretores deveriam encaminhar à Reitoria, para aprovação, o
plano de curso da disciplina de EPB a ser desenvolvido em cada semestre letivo
(UFPR, 1974a).
Essa Portaria também foi responsável pelo fim do funcionamento do órgão
que coordenava o ensino da disciplina de EPB na UFPR, conforme citado
anteriormente,” [...] fica extinta a Coordenadoria Geral e dispensado o Coordenador
Geral de EPB designado pela Portaria UFPR n. 10.425, de 13 de setembro de 1973”
(UFPR, 1974a). De acordo com essa orientação legal, pelo menos no ano letivo de
1974, o ensino da disciplina de EPB foi administrado pelos Diretores dos Setores e
seus Coordenadores Setoriais em detrimento da extinta Coordenação Geral da
disciplina.
Até o dia 25 de fevereiro de 1974, deverão os Diretores das Unidades
enviar à Reitoria o nome do Coordenador Setorial indicado para a disciplina
de EPB, cumprido o estabelecido nos itens 3 e 4 da presente Portaria
(UFPR, 1974a).
No entanto, algumas questões ficaram sem resposta, pois o texto da Portaria
11.306 diverge do depoimento do professor Maury Rodrigues da Cruz, que não
mencionou a existência de outro Coordenador Geral em 1973, e tampouco de uma
medida legal que extinguiu temporariamente a Coordenação Geral de EPB.
Nesse contexto, o depoimento do professor Luis Nicolau Maeder Sunyé
56sugere que os dispositivos previstos na Portaria UFPR n. 11.306 foram de fato
aplicados na UFPR no ano letivo de 1974. De acordo com esse professor, sua
nomeação ao cargo de docente de EPB ocorreu por meio da indicação do professor
Temístocles Linhares, Diretor do Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes em
1974 e 1975, período em que a organização do ensino da disciplina passou por uma
série de modificações. Segundo Luiz Nicolau Maeder Sunyé, não havia um
programa de ensino padrão [...] “cabia ao professor que lecionava, selecionar temas
ou fazer o seu programa, quer dizer, não tinha assim um programa, diferente das
outras disciplinas, [...] então, devia ser criado o programa pelo próprio professor que
56