O PROGRAMA DE AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL DA UNIVERSIDADE DO OESTE DE SANTA CATARINA: DO PROJETO À
5 Grifo nosso
4.2.2 O processo de implementação
A implementação do Programa de Avaliação Institucional da UNOESC - PAIU, no campus de São Miguel do Oeste foi de fundamental importância na aceitação, na cultura que se pretende construir com o programa e especialmente na garantia de continuidade do mesmo.
Após a decisão política da instituição em implementar o Programa de Avaliação observou-se a preocupação com o que os documentos chamam de “compromisso institucional”, como uma condição para aprovação das propostas, significando, tal compromisso, que o projeto devia ser adequadamente discutido e apreciado no âmbito da instituição. Estes aspectos também vem sendo enfatizado desde o início, com a mesma idéia básica, ou seja, é importante para o PAIUB que a proposta de Avaliação tenha legitimidade interna, refletindo o apoio efetivo da comunidade acadêmica.
O processo de sensibilização, primeira etapa do Programa de Avaliação, aconteceu com a preocupação dos dirigentes do campus e coordenadores do PAIU, em discutir internamente a Avaliação Institucional e criar as condições efetivas de se iniciar um trabalho importante de reflexão, não sem muitas resistências iniciais e ainda presentes, percebidas durante a pesquisa.
Tais constatações também foram evidenciadas nas seguintes falas:
Lembro-me do primeiro Seminário do PAIU, quando o projeto foi apresentado aos alunos e professores, criando uma grande expectativa.
(Docente)
... em 1995, tive meu primeiro contato com o Programa de Avaliação, foi quando conheci seus objetivos, princípios e metodologia. (Docente)
O PAIU é importante por nos permitir muitas reflexões e avaliações da Universidade. (Discente)
Participei da fase de sensibilização, quando conheci o Programa de Avaliação e discutimos os indicadores do primeiro instrumento. (Docente)
Para Trigueiro (1998), as instituições privadas apresentam maior agilidade e flexibilidade na condução da Avaliação que as instituições públicas. Também afirma o autor que nas instituições privadas, como é o caso da UNOESC, a participação tende a ser mais reduzida, concentrada, em geral, no grupo decisório que procura viabilizar a Avaliação como parte de seu processo de deliberação, tendo um sentido muito claro da necessidade de vincular este trabalho à busca de maior eficácia e eficiência organizacionais. Esses são valores importantes nas decisões e considerações das instituições privadas: a otimização dos recursos humanos aplicados e o melhor gerenciamento interno de seus resultados.
Nas declarações dos entrevistados, particularmente dos docentes que participaram ou participam da Comissão de Avaliação, podemos verificar como estes percebem a utilização dos resultados do programa de avaliação no processo decisório.
Considero um posicionamento estratégico, que resultou das informações-da Avaliação, a política de capacitação docente.(Docente)
... é meu entendimento que a utilização dos resultados do PAIU, tem exclusivamente pela Pró-Reitoria de Ensino, atendendo só o Ensino de Graduação. (Docente)
... é lamentável que, nem sempre os gestores do campus, em diferentes níveis, utilizam- se dos resultados da Avaliação Institucional para nortear e priorizar suas ações, pois a riqueza contida nos relatórios de avaliação oferecem subsídios para a gestão do campus a curto, médio e longo prazo. (Docente)
Os resultados do Programa, muitas vezes não são utilizados para fins gerenciais e estratégicos. (Docente)
As falas dos docentes evidenciam que a otimização dos recursos e o melhor gerenciamento que pode ser decorrente de um Programa de Avaliação Institucional, ainda não é uma prática adotada pelos Pró-Reitores do campus. Constatando-se, portanto, que o Programa de Avaliação e todas as implicações que decorrem de sua implementação fazem parte do cotidiano do campus, mas lamentavelmente, como disse uma entrevistada, não se faz uso de todo o potencial de informações oferecido pelo referido programa.
Para Dias Sobrinho(1998), a Avaliação Institucional por certo apresenta excelente instrumento de modernização de administração universitária e de educação. A visualização da realidade da instituição mediante o processo da
avaliação, permite tomada de decisão ponderada por parte dos administradores para o redimensionamento dos desafios que se apresentam.
Nas entrevistas realizados com docentes e discentes, não constatamos resistências ao Programa de Avaliação, talvez indiferença por falta de maior conhecimento do PAIU. Já a aceitação por parte dos envolvidos é marcante entre os entrevistados. Destacamos algumas falas em apoio ao PAIU:
Julgo ser este programa importante e necessário para que se possa conhecer e julgar o que acontece na organização. (Docente)
... através da Avaliação feita pelo discente, a auto-avaíiação e a avaliação da estrutura da universidade, foram muitas as reflexões e contribuições possibilitadas aos professores e alunos, para a melhoria dos cursos. (Docente)
O Programa de Avaliação Institucional contém um conjunto de informações que muito tem a contribuir na construção da Universidade que todos os segmentos universitários desejam. (Docente)
Sintetizando, existe aceitação pelo Programa, em meio a dúvidas e incertezas quanto aos resultados dessa atividade na universidade, devido à extensão entendida como maior envolvimento, participação pelos segmentos diretamente relacionados ao ensino de graduação.
Para Dias Sobrinho (1999), a grande contribuição de um Programa de Avaliação é permitir que seus integrantes tenham consciência clara de suas potencialidades e limites, bem como contar com mecanismos capazes de indicar, as diretrizes futuras.
Na mesma direção, Belloni (1995), enfatiza que para atingir a finalidade de busca permanente da melhoria da qualidade e relevância científica e política das IES, estas tem encontrado na Avaliação os indicadores necessários para definir as prioridades e projeções com este fim.
Outro aspecto do Programa de Avaliação Institucional, que ficou evidenciado nas entrevistas foi a demora na divulgação dos resultados, no retorno do produto da avaliação à comunidade acadêmica.
Os entrevistados assim manifestaram-se sobre a devolução dos dados aos interessados:
Na implementação do PAIU, considero negativo a dificuldade de agilizar os relatórios gerais dos cursos. (Docente)
... a morosidade em darmos retorno das avaliações, pode levar o Programa e um certo descrédito, pois espera-se que as questões apresentadas sejam logo atendidas. (Docente)
A socialização dos dados mereceria uma agilização maior. (Docente)
Entendemos que deveria acontecer agilização na sistematização dos dados...(Discente)
Queremos responder os questionários hoje e termos os resultados destes amanhã. (Discente)
A falta de mecanismos ágeis para viabilizar as mudanças apontadas como necessários pelo programa, faz com que o processo avaliativo não consiga se
impor como um programa efetivo e de qualidade.
Verifica-se, na análise dos documentos e nos procedimentos acadêmicos e administrativos, que o processo de Avaliação Institucional está bastante desvinculado do processo de planejamento da instituição, assim como.de seus sistemas de informações gerenciais. A utilização dos resultados de Avaliação é precário e restringe-se à área acadêmica.
Em alguns momentos, ao ouvirmos os sujeitos da pesquisa, pareceu-nos que a instituição vivência na sua totalidade o ônus que um Programa de Avaliação traz consigo e não usufrui na mesma proporção o bônus que este oferece.
Ao buscarmos na literatura e nas informações obtidas pela pesquisa de campo, as transformações em nível gerencial, a partir dos resultados oferecidos pelo PAIU, é possível verificar que este programa tem fornecido dados, informações, necessidades e interesses da comunidade acadêmica, esta sem dúvida é uma valiosíssima contribuição que o Programa presta. Por estar o PAIU, contudo, desconectado de políticas e estratégias gerenciais, não tem prestado maiores contribuições.
Verifica-se entretanto que nos segmentos acadêmicos, (Pró Reitoria de Ensino, Centros e Cursos), os volumosos relatórios são analisados e tem oferecido subsídios para implementação de mudanças e busca de soluções dos problemas detectados pelo Programa. Para Dias Sobrinho (1996), esta situação visa “apagar
incêndio”, na maioria dos casos, e o programa pode muito mais, se for implementado como uma política estratégica na busca da melhoria, no meio universitário.
Docentes e discentes assim confirmaram a importância do Programa de Avaliação para a melhoria do ensino de graduação.
Como professora, o PAIU permitiu que repensássemos nossa prática docente, como por exemplo: na busca constante de novos conhecimentos a cada semestre letivo; o compromisso na indicação de bibliografia atualizada e qualificada para sua disciplina; preocupação constante com a metodologia de ensino e ser adotada; cada turma onde atuo merece uma atenção especial, para o quai procura criar, inovar e identificar a melhor maneira de desenvolver o trabalho. (Docente)
Confesso que algumas perguntas do instrumento de avaliação me auxiliaram a perceber o que tinha acertado ou errado como professor. (Docente)
Reconheço que o PAIU serve para possibilitar a auto-avaliação do professor, do aluno, do curso e da Instituição e que muitas coisas tem mudado na relação de tais segmentos a partir da avaliação. (Discente)
No primeiro semestre de 1999, quando vivemos uma crise, no curso devido à problemas com a coordenação e professores, o PAIU, aplicou um questionário especial, com perguntas dissertativas, que acredito tenham contribuído para resolver problemas do Curso, que hoje está muito bom. (Discente)