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Andava a fidalguia da nossa côrte por então tão dividida de interesses, tão retalhada de facções, e tão agitada pela ambição de logares, de preeminencias, e de poderio, que ao principe, n ’este caso, seria muito mais dificil o ignorar do que o saber, ainda que não

325 perguntasse.325

É por vezes difícil o entendimento do sucedido em Lisboa no ano de 1759 com a morte, em praça pública, dos marqueses de Távora e dos seus dois filhos, o marquês novo Luís Bernardo e o seu irmão José Maria, do duque de Aveiro e do conde de Atouguia, bem como das consequências, para a aristocracia portuguesa, deste acontecimento.

322 Carta da marquesa de Alorna ao seu filho de 14 de Setembro de 1745 - ANTT, Casas de Fronteira e

Alorna, n.° 122, referida em nota de rodapé em Nuno Gonçalo Monteiro, Meu pai e..., p. 62

323 Cit. in Laura de Mello e Souza, «Fragmentos da vida nobre em Portugal». In Walnice Nogueira Galvão e Nádia Batella Gotlib (organização), Prezado senhor, prezada senhora: estudos sobre cartas. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p.84.

324 Ibidem, pp. 84-85.

Noventa anos antes, a mesma aristocracia, advogando que «tinha sido pela sua «graça» que os Bragança se tinham tornado reis de Portugal»326, tinha patrocinado a conjura que depôs o rei D. Afonso VI, anulando assim a influência que o conde de Castelo Melhor, “um dos seus”, tinha junto do rei enquanto seu valido. Agora, pelo contrário, abstinha-se de se defender, pecando pela reacção tardia para a qual terá indiscutivelmente contribuído a rapidez do Processo e o crime de lesa-majestade que lhe deu origem. É certo que Monteiro vem questionar até que ponto a condenação dos Távoras não seria mais do interesse do próprio rei do que do marquês de Pombal327, o que não nos parece ser particularmente relevante neste ponto porque ambos defendiam o poder real em competição com a aristocracia, tendo ambos beneficiado largamente deste acontecimento.

A tomar por certa a afirmação do jovem conde de Assumar sobre a família de sua mulher, em que este dizia «que basta o simples nome de Tavora para se fazerem formidáveis em matéria de reputação e de valor»328, podemos perceber que esta família estava longe de ser das mais queridas e aceites na Corte portuguesa mas, ainda assim, convém relembrar que a sociedade que patrocinava a altivez dos Távoras, e que era em grande medida também definida por ela, era a mesma sociedade que começou a colapsar após o Processo que vitimou e encarcerou mais de oito chefes de Casas aristocráticas e ainda aquela onde o puritanismo encontrava o seu lugar enquanto mecanismo de construção e manutenção de elites, motivo pelo qual propomos a ideia de que a não reacção da aristocracia se terá devido, também, a um engano.

Ainda assim, e mesmo que se tratasse de uma vendeta pessoal do rei, o motivo pelo qual se mantiveram nas prisões da Junqueira, sem qualquer acusação formal nem acesso a julgamento, o conde de Óbidos, o conde da Ribeira Grande, o visconde de Vila Nova de Cerveira e, no meio do rol de nomes da lista inicial de presos directamente relacionados com a família Távora (incluindo o conde de Atouguia e o marquês de Alorna), D. Manuel de Sousa (Calhariz), ao qual se juntaram mais tarde os seus filhos, mantém-se desconhecido329.

326 Ângela Barreto Xavier e Pedro Cardim, D. Afonso V I . , pp. 134-135. 327 Nuno Gonçalo Monteiro, D. J o s é ., pp.135-166.

328 Idem (Selecção, Introdução e Notas), Meu Pai e . , p. 125.

329 O Processo dos Távoras (escrito sobre a direcção de A. Pedro Gil). Lisboa: Amigos do Livro, [s.n.], p. 31, e Luiz T. de Sampayo, Em volta do processo dos Távoras. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1929, p. 12-13 e 27-28.

Este facto assume uma maior curiosidade porque, conforme já referimos atrás, os

puritanos que se encontravam presos ficaram imediatamente excluídos do alcance do Alvará porque, tomando por certo o testemunho de D. Luís da Cunha sobre o facto de a

mulher de D. Manuel de Sousa, a princesa Maria Ana de Holstein, viver «na ultima indigencia, sem ter que comer nem quem a sirva»330, leva-nos a pressupor que o acesso que todas estas Casas teriam ao seu património estaria muito limitado, senão completamente interdito, pelo menos no que respeitava aos bens da Coroa e Ordens331, não obstante as tentativas de Pombal em interferir com a reprodução social destas Casas. Como nos relata o marquês de Alorna acerca da Casa dos condes de Óbidos e dos receios sobre os impactos na sua: «se a ordem q’aquela caza recebeu, para não cuidar em matrimonio ainda agora, tem algum fim que não podemos saber, que venha a tirar a Condeça d’Obidos e a seu filho, a liberdade de fazerem n’essa materia o que quizerem, será coiza rara, que a nossa corte não tem praticado com ninguem, e poderá cauzarnos damno, pello empate a q’ nos vemos obrigados»332.

No entanto, a atenção da aristocracia já a teria captado Pombal anos antes do início da sua carreira política, quando conheceu a viúva D. Teresa de Noronha Almada, neta do 3.° conde dos Arcos, e com ela fugiu para se casarem em segredo, tendo inclusive sido perseguidos pelos seus primos, o 5.° conde dos Arcos e o 4.° marquês de Minas, para que se desfizesse o enlace, o que não aconteceu333. O casal remeteu-se ao exílio em Soure, onde permaneceu alguns anos, até que Sebastião José é chamado para servir o rei em Londres. D. Teresa permanece em Portugal, morrendo em 1739, supõe-se, sem nunca se ter reconciliado com a sua família. Bessa-Luís refere a pena que esta morte terá causado a Sebastião José, ignorando se seria tão grande como a vergonha que passou na corte pelo casamento e posterior reclusão em Soure até porque, de acordo com a mesma, «temia tudo o que o podia embaraçar e despromover»334, o que não sendo o motivo da sua animosidade para com os aristocratas portugueses, seguramente não terá promovido uma melhor relação com os mesmos.

330 Luiz T. de Sampayo, Em volta d o . , p. 37.

331 Também confirmado por Monteiro, que refere que «em 1777, eram dadas como vagas 242 comendas (pouco menos de metade do total), nelas se incluindo não apenas as das Casas extintas, mas ainda todas ou a maior parte das que antes eram administradas por Casas como a dos duques de Lafões, dos marqueses de Alorna e Valença, dos condes de Óbidos/ Sabugal, de São Lourenço, de São Miguel, e de Vila Nova, entre muitas outras.». Rui Ramos [et al.], História d e . , p. 426.

332 Cit. in José Cassiano Neves, M iscelânea., p. 130. 333 Augustina Bessa-Luís, Sebastião J o s é ., p. 23. 334 Ibidem, p. 9.

Certo é que, em 1768, já o caminho trilhado por Pombal ia longo, não apenas no controlo da aristocracia, mas também no das principais instituições que à data persistiam enquanto garantes de uma sociedade que se queria, como temos comprovado, pura. A sua influência nas Ordens Religiosas Militares começou a sentir-se logo em 1755 com a instituição da dispensa régia à verificação da mecânica335, sob a forma de lei, a todos os que investissem em 10 ou mais acções da Companhia Geral do Grão Pará e Maranhão. Posteriormente reproduziu esta mesma fórmula aquando da criação das Companhia da Agricultura e da Vinhas do Alto Douro e Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba336, e desde sempre relacionado com a prossecução do seu objectivo de criação de uma elite comercial337 capaz de manter a influência portuguesa no mapa das relações comerciais à escala mundial338, através da tentativa de privilegiar o seu acesso ao exclusivo grupo da nobreza339, mas que, mais do que isso, foi permitindo que o poder e a discricionariedade do rei imperassem sobre quaisquer outros critérios de definição e legitimação das elites (como as provanças), independentemente a sua origem.

Paralelamente, desde 1760 que Paulo de Carvalho, seu irmão, era cabeça do Conselho Geral da Inquisição e o seu genro, o conde de São Paio, Gentil-homem da câmara do infante D. Pedro, cuja primeira nomeação ocorre logo em 1759, confirmada novamente em 1768340, dois annus horribilis para a aristocracia portuguesa. Também se assiste, em 1768, à nomeação de Henrique José de Carvalho e Melo, filho de Pombal, para Gentil-homem da Câmara do infante D. Pedro341, não podendo ser descartada a hipótese da existência de uma movimentação da aristocracia em torno de D. Pedro, o que aconteceria, precisamente, cem anos decorridos sobre a deposição de D. Afonso VI e a da subida ao trono do seu irmão D. Pedro, fortemente patrocinadas pela aristocracia.

Assim, parece confirmar-se que, em 1768, a aristocracia já estaria, de facto, controlada por Pombal, e que o Alvará surgiria no âmbito exclusivo do fim da distinção

335 Instituição da Companhia Geral do Grão Pará e Maranhão (6 de Junho de 1755), art.° 39.°, in António Delgado da Silva (org.), Collecção da..., p. 387.

336 A Companhia da Agricultura e da Vinhas do Alto Douro em 1756 e a Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba em 1759.

337 Ou de uma Burguesia, cf. nos é sugerido em Teresa Bernardino, Sociedade e atitudes mentais em

Portugal (1777-1810). Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1986, p. 40.

338 Nuno Luís Madureira, Mercado e Privilégios: A Indústria Portuguesa entre 1750 e 1834. Lisboa: Editorial Estampa, 1997, pp. 83-93; e Kenneth Maxwell, O M a rq u ê s., pp. 79-80.

339 Fernanda Olival, As Ordens Militares. , pp. 202-204.

340 Celestino José Fernandes da Silva, António José de São Payo, 1.° Conde de São Payo (1720-1803):

Donatário, Guerreiro e Homem de Corte. Lisboa: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2003.

Dissertação de Mestrado, pp. 169-170.

entre cristãos-novos e cristãos-velhos que se vai materializar cinco anos depois, em 1773342. Acresce a este facto que a 2 de Maio do mesmo ano de 1768 já outra acção tinha sido tomada por Pombal no âmbito de garantir um poder real enquanto «única fonte da qual sómente he que podem emanar as honras, as graduações, e as qualificações Civis»343 com o fim dos Róis de Fintas344 e da sua divulgação pública, impedindo assim que as famílias de cristãos-novos que tivessem pago este imposto pudessem ser pesquisáveis por terceiros. Mas se tal era verdade, por que razão sentiu Pombal a necessidade de voltar a nomear o seu genro, o 1.° conde de São Paio, e nomear o seu filho como Gentis-Homens da Câmara do infante D. Pedro, à data do Alvará? É possível supor que, não obstante os muitos aristocratas que se encontravam presos e o controlo efectivo que Pombal j á detinha sobre a nobreza de corte - nomeadamente na aristocracia, pelo apoio e confissões de lealdade que foi recebendo de homens como o marquês de Tancos345 - continuaria a sentir-se ameaçado ou de alguma forma posto em causa pelos demais membros da aristocracia portuguesa que continuavam fora do seu alcance?

A resposta a estas perguntas julgamos poder encontra-las no famoso casamento não consumado do filho segundo de Pombal, José Francisco de Carvalho e Daun, futuro conde da Redinha e 3.° marquês de Pombal por morte sem descendência de seu irmão, com Isabel Juliana Monteiro Paim de Sousa Coutinho346, bisneta paterna dos 10.os condes de Redondo e do já referido Roque Monteiro Paim. O casamento ter-se-á realizado a 11 de Abril de 1768, contra a vontade expressa da noiva, porque numa carta de sua tia D. Leonor de Portugal347 ao marido no Brasil, esta dizia «Eu vim a Lisboa por baixo de água com grande trabalho (...). E me parece que se não venho, isto digo só a Dom Luís (rasgue esta logo), se não efectuava este casamento»348. Se a obstinação da noiva, aliada à

ingenuidade e imbecilismo do noivo349, possibilitaram que a não consumação do

342 Kenneth Maxwell, O Marquês. , p. 170. 343 Alvará, p. 183.

344 Os róis de fintas eram listas que confirmavam o pagamento do imposto devido pelos cristãos-novos. 345 Luiz T. de Sampayo, Em volta d o . , p. 34.

346 Aparece referenciada com inúmeros nomes como D. Isabel Juliana Bazeliza José de Sousa, in Pedro Urbano, A Casa P a lm ela ., p. 14, ou com os apelidos invertidos - Sousa Coutinho Monteiro Paim - in Maria de Fátima Bonifácio, Memórias d o . , p.54 (nota de rodapé).

347 D. Leonor de Portugal (1722-1806) era irmã de D. Vicente de Sousa Coutinho, pai de Isabel Juliana, e de Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho, governador de Angola e pai do futuro conde de Linhares. Casou com o morgado de Mateus, nomeado capitão-general e governador da Capitania de São Paulo, no Brasil. 348 Heloísa Liberalli Bellotto (transcrição, introdução e notas), Nem o T em p o ., p. 293.

349 O 1.° duque de Palmela refere que: «O marquês de Pombal havia sido infeliz nos seus filhos; e ( . ) [José Francisco], sobre todos, era quase notoriamente imbecil, e foi conhecido por tal até ao termo da sua vida. ( . ) Pode portanto dizer-se, que ( . ) José Francisco de Daun foi o inconsciente cúmplice mais útil de minha mãe.» in Maria de Fátima Bonifácio, Memórias d o . , 2011, pp. 63-64. Já Maria Amália Vaz de Carvalho escreve que: «Nos primeiros tempos [de casamento] a propria ignorancia infantil do noivo - que só pena

casamento permanecesse no íntimo do casal, será difícil conceber que este desconhecimento se tivesse mantido durante os seis meses que intermedeiam este

casamento e a publicação do Alvará350.

Assim, tomando por certa a descrição de Carvalho de que «a côrte interessava-se, como é de prever, n’esta lucta extravagante, original, em que o terrivel ministro apparecia

pela primeira vez mais ridiculo do que ameaçador»351, permitindo-nos, pelo menos,

equacionar a existência de uma motivação pessoal de Pombal na promoção da legislação contra os Puritanos. Certo é que a imagem que nos é transmitida pelo nome carinhoso com que Pombal a tratava - Bichinho-de-Conta -, ainda que seja utilizado por alguns

para referir alguma simpatia pela sua nora352, não encontram qualquer fundamento no seu

esforço de a manter presa num convento após o início do processo de nulidade do

casamento e onde permaneceu até à morte de D. José353.

É certo que o núcleo puritano que ainda se mantinha na corte portuguesa se encontrava já muito descaracterizado, mas a julgar pela obsessão de Pombal na associação do grupo dos puritanos à Confraria dos Escravos de Santa Engrácia, assumindo que com todas as mortes e prisões que decorreram desde 1759 muitos seriam os lugares vagos na

mesma e supondo que Pombal nunca nela teria sido admitido354 - lembrando ainda a

causa, e não indignação, pois era tão infeliz como ella - a auxiliou n ’este proposito difficil. // Nem aos paes o pobre pequeno ousou revelar o mysterio humilhante do seu simulado matrimonio.», in Vida do Duque de

Palmela D. Pedro de Sousa Holstein, Volume I. Lisboa: Imprensa Nacional, 1898, p. 19. Por fim, Andrée

Mansuy-Diniz Silva, acerca de D. Isabel Juliana, diz: «Cependant, l ’union célébrée le 11 avril 1768 ne fut jamais consommée: en dépit de toutes les pressions quotidiennement exercées sur elle, Isabel Juliana s’y refusa avec une obstination que rien ni personne ne put ébranler [ . ] » , transcrevendo posteriormente uma carta de D. Rodrigo de Sousa Coutinho, primo de D. Isabel Juliana e futuro conde de Linhares, a seu pai, D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho, governador de Angola, onde este diz que a discórdia entre os noivos «só se deveu à mesma natureza humana, que uniforme sempre em todos os seculos, jamais pode consentir que uma alma grande e nobre e cheia de talentos, s’unisse e obedessece à outra fraca, estupida, ignorante, e para a qual não podia olhar semm o maior desprezo.» in Portrait d ’un homme d ’Etat: D.

Rodrigo de Souza Coutinho (1755-1812). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, p. 49 e 326,

respectivamente.

350 T anto mais que a recusa da noiva em casar era j á sobej amente conhecida porque j á um ano antes, a 8 de Fevereiro de 1676, escrevia a mesma D. Leonor a seu marido dizendo: «a menina esteve com intento de ser freira, eu ignorava isso ( . ) . Isto deu infinita aflição a minha Mãe, e como víamos que poderia ser tentação e não devoção, e que lá este casamento muito nos servia e que não podia ter acerto melhor tentação, digo que lhe dissessem não cassasse ainda ou coisa semelhante», o que fizeram, reagendando-o para após o aniversário do noivo, mas que só aconteceu, como dissemos acima, um ano depois, in Heloísa Liberalli Bellotto (transcrição, introdução e notas), Nem o T em p o ., p. 261.

351 Maria Amália Vaz de Carvalho, Vida d o . , p. 19 352 Augustina Bessa-Luís, S ebastião. , p. 245.

353 Maria de Fátima Bonifácio, Memórias d o . , pp. 64-65.

354 De acordo com Mário Domingues, «numa célebre Carta que a Portugal se escreveu e um grande de

Espanha, recentemente impressa, um panfleto datado de 25 de Fevereiro 1756» dizia-se que o pai de

Pombal «tinha publicado, sob nome suposto, um livro de genealogias, para nele instituir a sua ascendência fidalga, motivo por que a nobreza de Sebastião José era mais do que duvidosa.», in Marquês d e . , p. 161. Também Augustina refere «que Sebastião José era judeu dos quatro costados e, além disso, tendo por tio-

importância que as comemorações do Desacato de Santa Engrácia sempre tiveram para a nobreza portuguesa - será também legítimo questionar se a sua revolta, mais do que contra o puritanismo aristocrático que dificilmente poderá ser advogado enquanto promotor de divisões na aristocracia portuguesa entre cristãos-velhos e cristãos novos (até porque um nobre, ainda mais titular ou detentor de um ofício maior da Casal Real, jamais poderia ser um cristão-novo de acordo com os estatutos tanto das Ordens Religiosas Militares como do Tribunal do Santo Ofício), não seria, sobretudo, relativa à exclusão que o próprio sentiria de, enquanto nobre, titular, grande e detentor do mais influente cargo palatino, continuar a ser excluído de um grupo que se ocupava a «injuriar a maior

parte da Nobreza desta Corte, e Provincias deste Reino»355, parte da nobreza essa que,

muito provavelmente, seria precisamente aquela que o apoiava, para além, claro está, da sua recém-adquirida grandeza.