3. PROCESSO ELETRÔNICO NO BRASIL
3.4 O PROCESSO ELETRÔNICO
Trata-se de um sistema informatizado de tramitação de demandas judiciais administrado pelo Conselho Nacional de Justiça.
O processo judicial, instituído pelo Conselho Nacional de Justiça, em uso pela maioria dos Estados do país, denomina-se PROJUDI tendo o nome origem nas iniciais de “processo judicial digital” o qual tem por principal intenção o gerenciamento e controle do trâmite de demandas judiciais na tentativa de reduzir o tempo de duração das ações bem como os custos, com o intuito de garantir a efetividade de alguns princípios constitucionais como a Razoável Duração do Processo e o Acesso à Justiça, por exemplo.
De acordo com o CNJ, Conselho Nacional de Justiça, o principal objetivo da utilização do Sistema Projudi é a completa informatização da Justiça, reduzindo a burocracia dos atos processuais.
Na definição do próprio CNJ, trata-se de “um sistema de informática que reproduz todo o procedimento judicial em meio eletrônico, substituindo o registro dos
atos processos realizados no papel por armazenamento e manipulação dos autos em meio digital”3.
O processo digital só foi positivado no ordenamento jurídico brasileiro por meio da Lei n.º 11.419 de 19/12/2006, porém o mesmo já vinha sendo utilizado em alguns órgãos jurisdicionais como no Supremo Tribunal Federal (Sistema e-STF), Superior Tribunal de Justiça (Sistema E-Pet), Tribunal Superior do Trabalho (Sistema e-DOC) e Tribunal Regional Federal da Primeira Região (Sistema e-Proc).
O artigo 8º da Lei determina que: “os órgãos do Poder Judiciário poderão desenvolver sistemas eletrônicos de processamento de ações judiciais por meio de autos total ou parcialmente digitais, utilizando, preferencialmente, a rede mundial de computadores e acesso por meio de redes internas e externas”.
Segundo José Carlos de Araújo Almeida Filho (2010, p. 203):
“Nos termos do artigo 8º podemos observar que os autos o Processo Eletrônico podem ser processados inteiramente desta forma ou parcialmente.
Isto quer dizer que implantamos um sistema “meio eletrônico” para o Processo Eletrônico. Ou o processo é eletrônico ou não é. A parcialidade não atinge o desiderato pretendido e está distante da prática adotada pela maioria dos países que se utilizam desde meio para o processamento de seus feitos.”
O processo eletrônico é a atual realidade jurídica brasileira, com grandes indícios de que sua utilização somente crescerá, o que gera ainda mais o dever na observância dos princípios constitucionais.
Neste sentido Juliana Fioreze (FIOREZE, 2009, p. 98) ressalta que: “É certo que o Direito não pode permanecer estático frente ao desenvolvimento tecnológico, e sua modernização é imprescindível para que se alcance segurança jurídica nas relações mantidas na sociedade informatizada.”
No processo eletrônico todas as citações, intimações e notificações, inclusive da Fazenda Pública, serão realizadas por meio eletrônico, excepcionalmente, quando por motivo técnico não for possível assim proceder, será realizado por meio físico, precisando ser digitalizado o documento e destruído posteriormente.
3 Referência ao sistema no site do CNJ, disponível em;
<http://www.cnj.jus.br/index.php?option=com_content&view=article&id=5782&Itemid=735>
No processo físico ao distribuir uma petição inicial, o procedimento será o do artigo 166 do CPC: “o escrivão a autuará, mencionando o juízo, a natureza do feito, o número de seu registro, os nomes das partes e a data do seu início; e procederá do mesmo modo quanto aos volumes que se forem formando”.
Já no processo eletrônico o artigo 10º da Lei dispõe que:
“A distribuição da petição inicial e a juntada da contestação, dos recursos e das petições em geral, todos em formato digital, nos autos de processo eletrônico, podem ser feitas diretamente pelos advogados públicos e privados, sem necessidade da intervenção do cartório ou secretaria judicial, situação em que a autuação deverá se dar de forma automática, fornecendo-se recibo eletrônico de protocolo.em que a autuação deverá fornecendo-se dar de forma automática, fornecendo-se recibo eletrônico de protocolo”.
Quando a prática do ato depender de prazo, será considerado tempestivo até 24 horas do último dia do prazo. Além disso, os Tribunais deverão disponibilizar computadores, scanners e acesso a internet para todos os interessados poderem distribuir suas peças processuais.
Os documentos juntados ao processo eletrônico, produzidos eletronicamente ou digitalizados serão considerados originais para todos os efeitos legais. Ainda, os documentos originais questionados como falsos, deverão ser preservados até o transito em julgado da decisão.
Uma das maiores preocupações em relação ao processo eletrônico é a questão da segurança, com isso, a Lei determina em seu artigo 12º, § 2º que: “os autos dos processos eletrônicos deverão ser protegidos por meio de sistemas de segurança de acesso e armazenados em meio que garanta a preservação e integridade dos dados, sendo dispensada a formação de autos suplementares”.
Segundo Petrônio Calmon (2008, p. 121):
“Para oferecer um serviço de autos digitais, os órgãos judiciários devem levar a sério uma rígida política de segurança, se não as que são exigidas das entidades que fazem parte a Infra- Estrutura de Chaves Públicas Brasileiras – ICP- Brasil, pelos menos algo que seja semelhante, mas tenha idêntica credibilidade”
Quando houver a necessidade de ser remetida a demanda que tramita via meio eletrônico para outro Tribunal, que não disponha de sistema eletrônico compatível será
feita a impressão em papel e autuado pelo escrivão ou chefe de secretária, nos moldes dos artigos 166 a 168 do CPC, ou seja, o processo seguirá normalmente a tramitação estabelecida para os processos físicos.
No Estado do Paraná, o item 2.21.3.10 do Código de Normas da Egrégia Corregedoria Geral de Justiça do Estado, em seu inciso II, traz a possibilidade da remessa dos autos via CD-ROM.
2.21.3.10 – Os processos eletrônicos, que necessitem ser encaminhados à instância recursal, que não disponha de sistema de processo eletrônico compatível e, cuja remessa não ocorra diretamente pelo sistema, após serem integralmente exportados, poderão ser:
I – impressos e remetidos por via postal;
II – salvos em CD-Rom, que será remetido por via postal ou por meio eletrônico de comunicação oficial do Tribunal de Justiça do Paraná.
Estas são alguns dos atos que mesclam a tramitação de feitos digitais com feitos físicos, acarretando em um retrocesso à tramitação do processo eletrônico e, via de conseqüência, a celeridade.