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O Processo de Trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde no Brasil

Desde a institucionalização inicial dos ACS, a partir do projeto emergencial de calamidade no Ceará na década de 1980, até dezembro de 2017, o seu número no Brasil chegou a mais de 600 mil, estando presentes tanto em comunidades rurais e periferias urbanas, quanto em municípios altamente urbanizados e industrializados (BRASIL, 2018).

O agente é um profissional da área de saúde integrante da equipe de saúde da família, com exclusividade de exercício no âmbito do SUS, com suas ações desenvolvidas na Atenção Primária à Saúde APS (BRASIL,1997).

Starfield (2004) afirma que a APS em sua forma mais desenvolvida, é o primeiro contato com o sistema de saúde e o local responsável pela organização do cuidado à saúde dos indivíduos, de suas famílias e da população ao longo do tempo.

Martines e Chaves (2007) afirmam que a inserção do ACS no Sistema único de Saúde (SUS), surgiu por meio do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), institucionalizado em 1991 em convênio com a Fundação Nacional de Saúde.

O PACS foi criado como uma estratégia de transição para o Programa de Saúde da Família (PSF), que teve sua implantação em 1994. Estas duas estratégias se constituíram em caminhos possíveis no processo de reorganização da APS, representando uma intervenção concreta no contexto da mudança da atenção à saúde (BRASIL, 2001).

De acordo com os documentos do Ministério da Saúde, o PACS e a Estratégia Saúde da família representam um dos maiores avanços recentes na história da Saúde Pública no Brasil, sendo inovador quando estimula e a ativa participação de agentes sociais na execução das políticas públicas de saúde. O desenvolvimento das principais ações deste programa se dá por meio dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), que são pessoas escolhidas dentro da própria comunidade para atuarem junto à população (BRASIL, 2009).

O ACS deverá atender entre 400 e 750 pessoas, dependendo da realidade e das necessidades locais, como também, desenvolver atividades de prevenção de doenças e promover saúde por meio de ações educativas individuais e coletivas, nos domicílios e na comunidade. Realiza, sob supervisão, geralmente do Enfermeiro da equipe, atividades de prevenção de doenças e promoção da saúde, mediante ações domiciliares ou comunitárias, individuais ou coletivas, desenvolvidas em conformidade com as diretrizes incorporadas por esse sistema. Este profissional deve preencher os seguintes requisitos para o exercício da profissão: residir na área da comunidade em que atuar; ter concluído o ensino fundamental e o curso de qualificação básica para a formação de Agente Comunitário de Saúde (BRASIL, 1997).

O seu perfil de atribuições, antes voltadas para o foco materno-infantil, envolve atualmente competências para atuação no apoio às famílias e coletivos sociais. Dessa forma, o papel social do ACS junto às comunidades confere legitimidade e eficácia humana ou cultural a seu perfil ocupacional (BRASIL, 2001).

Os ACS devem concentrar suas ações na promoção da saúde, prevenção de doenças, mobilização de recursos e práticas sociais para intervenção no campo político e social. Esses profissionais, ainda devem participar do diagnóstico de saúde, das atividades de planejamento e da avaliação da saúde do território de atuação. Além disso, a figura do agente

de saúde assenta-se, conforme preconizado pelo MS, em dois aspectos: identidade com a comunidade e pendor para a ajuda solidária. Esses traços identificadores permitem que se possa cumprir a missão básica de execução de atividades de prevenção de doenças e promoção da saúde no âmbito da comunidade em que resida e na qual tenha liderança, manifestando solidariedade entre os seus pares (BRASIL, 2009).

Através de documentos do Ministério da Saúde, constata-se que o Decreto Federal nº 3.189, de 4 de outubro de 1999, “fixa diretrizes para o exercício da atividade de Agente Comunitário de Saúde (ACS), e dá outras providências”. No artigo 2º deste decreto, estão arroladas as atividades do ACS, sendo que, as atividades atribuídas aos ACS em sua micro- área de atuação são:

Cadastramento/diagnóstico – é a primeira etapa do trabalho junto à comunidade. Consiste em registrar na ficha de cadastro do Sistema de Informação de Atenção Básica (SIAB) informações sobre cada membro da família assistida a respeito de variáveis que influenciam a qualidade da saúde, como situação de moradia, condições de saúde, etc. Essas Informações, uma vez consolidadas e analisadas, serão divulgadas e discutidas junto às comunidades e posteriormente encaminhadas às Secretarias Municipais de Saúde, que por sua vez enviará cópia para as Secretarias Estaduais de Saúde. Uma vez reunidas e processadas no Estado, darão origem a um relatório a ser encaminhado ao Ministério da saúde.

Realizam o mapeamento, que consiste no registro em um mapa da localização de residências das áreas de risco para a comunidade, assim como dos pontos de referência no dia-a-dia da comunidade, com o objetivo de facilitar o planejamento e o desenvolvimento do trabalho do agente. Identificação de micro-áreas de risco – uma vez realizado o mapeamento, o ACS identifica setores no território da comunidade que representam áreas de risco. Ou seja, locais que apresentam algum tipo de perigo para a saúde das pessoas que moram ali como inexistência ou precariedade do sistema de tratamento de esgoto sanitário, de abastecimento de água, entre outros.

Desenvolvem suas funções com a realização de visitas domiciliares, que é o principal instrumento de trabalho dos ACS e consiste de, no mínimo, uma visita mensal a cada família residente na área de atuação do agente. A quantidade de visitas por residência varia em função das condições de saúde de seus habitantes e da existência de crianças e gestantes, as quais recebem atenção especial por comporem grupos prioritários.

Estes profissionais atuam em ações coletivas, com vistas a mobilizar a comunidade, promovendo reuniões e encontros com grupos diferenciados – gestantes, mães, pais, adolescentes, idosos, grupos de situações de risco ou de portadores de doenças comuns –

e incentivam a participação das famílias na discussão do diagnóstico comunitário de saúde, no planejamento de ações e na definição de prioridades.

Atuam também nas ações intersetoriais podendo atuar em outras áreas como na educação, onderealiza identificação de crianças em idade escolar que não estão frequentando a sala de aula;

Destacam-se também na promoção da cidadania/direitos humanos, com ações humanitárias e solidárias que interfiram de forma positiva na melhoria da qualidade de vida (reforço a iniciativas já existentes de combate à violência e criação de comissões em defesa das famílias expostas à fome e a desastres naturais como secas e enchentes). É importante ressaltar que as atividades desenvolvidas pelos agentes são acompanhadas e orientadas por um(a) enfermeiro(a) lotado em uma unidade de saúde na proporção máxima de 12 ACS para cada enfermeiro(a), o qual atua como instrutor-supervisor. Esse(a) enfermeiro(a) também é responsável pela capacitação das ACSs, que é desenvolvida de acordo com as necessidades identificadas na comunidade.

Em julho de 2002, a categoria dos ACSs teve seu ofício reconhecido como profissão por meio da Lei 10. 507, de 10 de julho de 2002. Esta mesma lei, caracteriza-o pelo exercício em consonância com os princípios e diretrizes do SUS, sob supervisão de um gestor local, de prevenção de doenças e promoção da saúde, em ações domiciliares ou comunitárias, individuais ou coletivas. Reafirma os requisitos básicos para exercer esta profissão: residir na área da comunidade em que atuar; ter concluído o ensino fundamental e o curso de qualificação básica para a formação de Agente Comunitário de Saúde. Atualmente este profissional integra a política de atenção básica no Brasil (BRASIL, 2009).

De acordo com a portaria de 2488, da política de atenção básica de 11 de julho de 2011, são atribuições dos ACS: trabalhar com adscrição de famílias em base geográfica definida, a microárea; cadastrar todas as pessoas de sua microárea e manter os cadastros atualizados; orientar as famílias quanto à utilização dos serviços de saúde disponíveis; realizar atividades programadas e de atenção à demanda espontânea; acompanhar, por meio de visita domiciliar todas as famílias e indivíduos sob sua responsabilidade.

Estes profissionais, também, deverão acompanhar pessoas com problemas de saúde, bem como ao acompanhamento das condicionalidades do Programa Bolsa Família ou de qualquer outro programa similar de transferência de renda e enfrentamento de vulnerabilidades implantado pelo Governo Federal, estadual e municipal de acordo com o

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