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6. PERCURSO METODOLOGICO

6.5 O PRODUTO EDUCACIONAL

Na quarta categoria, definimos compreender como os docentes veem e utilizam o método ativo de aprendizagem, buscamos compreender como os professores lidam com o uso deste método, se têm conhecimento sobre ele, se já utilizam em sala de aula e em caso de negativa, compreender os fatores que os levam a desconsiderar seu uso.

Ao final da análise e demonstração dos dados, apresentamos as considerações e os apontamentos de fatores positivos e negativos vislumbrados pelos dados, bem como a:

fundamentação e ratificação a partir de contribuições de teóricos pesquisadores nos assuntos propostos, bem como as contribuições dos pesquisadores para justificar a legitimidade e a eficiência da proposta de pesquisa.

6.5 O PRODUTO EDUCACIONAL

Durante o período de elaboração do projeto, após fazermos uma análise das possibilidades de escolhas que tínhamos sobre os conteúdos presentes no componente curricular do ensino de ciências para o ensino fundamental da educação básica, escolhemos o bioma Cerrado por consistir em tema de grande relevância ambiental e local.

Por possuir uma perspectiva inclusiva atrelada ao uso de TDIC como ferramenta didática de apoio ao ensino de Ciências Naturais, elegemos o aplicativo mobile para hospedar o conteúdo criado para uma trilha em um parque ecológico no perímetro urbano da cidade de Cuiabá, Mato Grosso.

Sabe-se que uma aula de campo pode se tornar um recurso pedagógico muito eficiente no protagonismo educacional, quando bem estruturada e planejada pelo seu proponente e deve fugir do formato das aulas expositivas. Um(a) professor(a) preocupado(a) com a diversidade de aluno(a)s em sua sala de aula, está em constante busca de recursos, métodos e estratégias pedagógicas e, nesse contexto, há uma variedade de espaços sociais de aprendizagem, extramuros da escola, onde é possível promover alfabetização e divulgação científica. Há espaços naturais, como áreas de proteção ambiental e parques urbanos, onde é possível desenvolver práticas educativas, e a cidade de Cuiabá possui quinze unidades de conservação (SANTANA et al, 2021).

De acordo com Vilella e Ferreira (2017) antes de levar os alunos para a aula de campo é importante que o professor vá até o ambiente natural de aprendizagem para delimitar a área e conhecer os espaços e a vegetação existente.

66 Nessa perspectiva desenvolvemos um roteiro didático inovador alinhado ao aplicativo Connect Park, que abrange tanto o percurso planejado em uma trilha ecológica, quanto atividades propostas a serem realizadas pelos alunos e professores durante o trajeto no parque, quando poderão observar a paisagem típica desse bioma, fazer fotografias e desenhos, trazendo a arte como um fio que entrelaça “habilidades artísticas com outros modos de percepção dos objetos” na prática educativa. (SANTANA et al., 2021, p.9). Espaço de Ciência e de criatividade artística.

No sentido de facilitar a aprendizagem e a inclusão de alunos com algum impedimento físico, sensorial e ou cognitivo, as atividades propostas nesta aula de campo buscam explorar os sentidos dos alunos de modo a levá-los à reflexões, a fim de que tenham um entendimento e consigam construir suas próprias ideias em torno das espécies pertencentes ao cerrado, bem como compreendam que é urgente a necessidade de preservação deste ambiente natural e sua vegetação típica. Destacamos aqui que nossa intencionalidade foge ao lugar comum de uma pedagogia meramente metodológica, mecânica, na qual todos os passos de cada etapa seguem diretrizes. previamente estabelecidas, engessadas.

Antes de escolher em qual parque iríamos desenvolver o trabalho, fizemos uma visita aos três principais parques ecológicos da cidade de Cuiabá em Mato Grosso:

Massairo Okamura, Mãe Bonifácia e o Zé Bolo Flô para que pudéssemos avaliar os critérios de acessibilidade, disponibilidade de espécies nativas do bioma cerrado e localização geográfica do parque.

Após as visitas, os pesquisadores optaram pelo parque Zé Bolo Flô, pois além de atender a maioria dos critérios acima levantados, o parque ainda possui uma carência de projetos que integram a educação ambiental ao ambiente natural de aprendizagem, sendo, portanto, mais escasso o número de pesquisas na área de ensino por lá.

Após a escolha do parque, convidamos o Prof. Dr Germano Guarim Neto para realizar conosco uma visita técnica ao parque. O Prof Germano é Doutor em Botânica, especialista, sendo referência em pesquisas desenvolvidas no cerrado mato-grossense e possui diversas publicações, entre livros e artigos, nesta área de conhecimento.

Juntamente com o especialista em questão, fizemos um mapeamento das espécies existentes no local, para que pudéssemos realizar a escolha das espécies a serem inseridas no conteúdo do aplicativo.

Para a seleção das espécies, foi necessário levarmos em consideração os aspectos externos de cada espécime tais como texturas dos caules e folhas, presença de frutos,

67 sementes e flores, pois assim traríamos subsídios para experiências sensoriais nos momentos de paradas investigativas da trilha, incluindo todos que participarem desse tipo de aula.

Um outro critério de seleção foi a localização do espécime na trilha para que pudéssemos fixar o totem de identificação e sinalização a partir do QR CODE.

A partir da escolha das espécies, iniciamos uma pesquisa bibliográfica dos principais autores relacionados à botânica do cerrado. Vale lembrar que o bioma possui uma vegetação de Savana, cujo termo é defendido por pesquisadores em substituição ao termo cerrado. Por considerarmos o termo cerrado de grande conhecimento empírico aos possíveis usuários do conteúdo e pelo termo ainda não ter sido atualizado na maioria dos livros didáticos disponíveis pelo PNLD – Programa Nacional do Livro Didático, optamos por manter o conteúdo bioma cerrado.

A bibliografia escolhida para ser utilizada como referência no conteúdo elaborado foi a coleção Árvores Brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil, do autor Harri Lorenzi (1992), que precisou ser adaptada pelos pesquisadores para que tivessem um melhor entendimento dos termos técnicos apresentados no teor dos textos apresentados pelas obras. Foram descritos os nomes comuns e científicos das plantas, local de ocorrência, aparência morfofisiológica das folhas, flores e frutos, bem como a forma de cultivo.

Ainda sobre o conteúdo inserimos o uso dessas plantas na medicina natural e os marcadores: “Para saber mais” e o “#FICADICA”, com sugestões de conteúdo extra e dicas de saúde e educação ambiental respectivamente. Além de fotos das árvores e partes delas tais como tronco, folhas, flores e frutos.

Ao conteúdo de cada espécie inserimos uma atividade investigativa a ser realizadas pelos alunos com a supervisão dos Professores. Essas atividades problematizadoras foram pensadas e elaboradas no sentido de incitar a construção do conhecimento científico através da observação e dos sentidos dos participantes da aula de campo.

No App ainda é possível acessar um blog que funciona como repositório de informações, bem como meio de interação entre os usuários e os pesquisadores.

Concomitante ao processo de elaboração do conteúdo, levamos a ideia e o projeto de construção do aplicativo ao desenvolvedor Alexandre H. Lopes Hardoim e, após exposição das necessidades quanto ao design e as ferramentas de acessibilidade para executá-lo, firmamos com ele uma parceria para a elaboração dessa etapa. Devido ao alto

68 grau de especificidades e a necessidade quanto ao uso de linguagem de programação, o aplicativo em si foi desenvolvido por um parceiro, mas esclarecemos que existem várias plataformas gratuitas de criação de aplicativos e que podem ser utilizadas por pesquisadores em futuras pesquisas. É mister afirmar que o que compõe o produto educacional em questão não se resume apenas ao aplicativo e sim a sequência investigativa nele proposto para o uso em uma trilha ecológica.

Para promover acessibilidade, as ferramentas inseridas no aplicativo foram:

botões de áudio para a descrição de fotos das plantas, vídeo com texto do app em libras, além das APIs9: leitor de QR Code e tela. A áudio descrição das fotos foi narrada por um dos autores da pesquisa e os vídeos em libras realizado pela ETC Filmes de São Paulo, a empresa fez a tradução do texto das espécies e o tutorial para a LIBRAS e português.

Facilitando acessibilidade a pessoas com surdez e cegos cujo celular não possua leitor de tela.

Para avaliar as funcionalidades técnicas sobre as TA do aplicativo, convidamos alguns especialistas em acessibilidade para avaliar e fornecer um parecer técnico. Os laudos completos encontram-se anexos neste trabalho.

Para avaliar os vídeos com a tradução em Libras convidamos a mestre Tatianne Fernanda Lopes Hardoim, Docente do curso de Letra Libras da UFMT. A especialista relata que nos vídeos os trechos dos textos em datilologia (processo de soletração manual dos nomes) foram precisos e ágeis, não apresentando erro algum. A avaliadora reforça, ainda, que houve um cuidado especial por parte dos TILS (Tradutores e Intérpretes de Língua de Sinais) em realizar pesquisa prévia para apresentar os sinais de conteúdo de Botânica e do Cerrado, pois segundo ela, foram utilizados sinais específicos para traduzir o nome de plantas e animais citados no texto traduzido, o que ela considerou um ponto positivo, pois traz mais clareza e entendimento aos usuários surdos.

Pedagogicamente, a avaliação foi feita por Suely Gonçalves de Araújo Silva, Professora de História, lotada atualmente no Instituto dos Cegos do Estado de Mato Grosso-ICEMAT; atualmente, Coordenadora Pedagógica. A avaliadora sugeriu alterações no texto do tutorial e inserções de dados como localização e identificação do

9De acordo com o Canaltech a expressão Application Programming Interface, ou, em português, Interface de Programação de Aplicativos, originou o acrônimo API. APIs são “tradutores” com a função de conectar sistemas, softwares e aplicativos. Dessa forma, é possível entregar uma experiência de uso mais familiar para as pessoas. Disponível em: https://canaltech.com.br/ acesso em 05/04/2021.

69 Parque Zé Bolo Flô. Destacou a importância e relevância do trabalho, parabenizando os autores.

Após verificarmos as solicitações dos peritos, realizamos todas as alterações necessárias no aplicativo e uma versão atualizada foi disponibilizada na loja da Google.

Para baixar e conferir o aplicativo, basta acessar o App Store ou clicar no link abaixo.

https://play.google.com/store/apps/details?id=io.kodular.xandyhardoim.ConnectPark.

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