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Capítulo 1. A SOCIEDADE DA INFORMACAO E AS TIC

1.7 O professor 3.0

O desafio aos professores na educação 3.0 é migrar da simples transmissão de conteúdos para dimensões menos integradas ou visíveis como as competências e habilidades intelectuais, emocionais e éticas.

O próprio papel do professor que deve ser o de mediador, facilitador, gestor, mobilizador e motivador.

Cada vez mais as mídias passivas e tradicionais serão substituídas por mídias participativas e interativas. Em vez de falar sobre docentes transmissores de conteúdos como ocupantes de papéis separados dos alunos receptores, podemos agora considerá-los como participantes, interagindo de acordo como um novo conjunto de regras, na era da inteligência em rede num sistema de colaboração e participação mútua. O conhecimento de uma comunidade de pensamento não é mais conhecimento compartilhado, pois hoje é impossível um único ser humano, ou mesmo um grupo de pessoas, dominar todo o conhecimento, todas as habilidades. Trata-se, fundamentalmente, de conhecimento coletivo, impossível de reunir em uma única criatura.

As declarações de Lévy(2000), são de grande valia para a educação, significando que os grandes problemas de aprendizagem não podem ser resolvidos por uma única disciplina e por um único professor e que deve haver uma atitude de abertura não preconceituosa de todas os educadores, em que todo o conhecimento individual anula-se frente ao saber universal, e que, com a ajuda da tecnologia, podemos realmente melhorar o ensino- aprendizagem através da utilização da interdisciplinaridade e da a enorme inteligência coletiva que temos em nossas escolas.

O mundo plano e em redes requer um docente que saiba oferecer causas, muito mais que conteúdo, que promova o desafio e a necessidade, que estimule e não apenas exija, pois segundo William L. Sanders “ O fator mais importante que afeta a aprendizagem do aluno é o professor”. Se não mudarmos a maneira como nossos professores ensinam, com ou sem tecnologia, já estamos defasados, salienta Luiz Kaufman.

Estudantes que passam tanto tempo jogando games interativos e divertidos não aceitarão mais um aprendizado entediante. Eles demandarão um ambiente de aprendizado mais envolvente e mais motivador.

O docentes tem muito a aprender com os designers de games. A forma como eles tem de manter o jogador envolvido, motivado a completar cada nível em um game inteiro. Talvez pudéssemos adicionar jogabilidade/ ludicidade às atividades de aprendizagem, acrescentando, na medida do possível, um pouco de incerteza em tudo o que ensinamos. Não é a capacidade de atenção do aluno que mudou, mas sua tolerância e possibilidades. Na rotina de seu dia a dia, os jovens Y devem continuamente escolher entre a sonoridade de uma música, a tensão de um bom filme, o encanto e desencanto da Internet e o penoso e estressante ambiente de uma sala de aula.

O jovens Y têm um imenso desejo de aprender de forma diferente, pois absorvem informações de forma diversa. Se a geração X tem sua aprendizagem na sequência de texto, som e imagem, ou seja, pensam no texto como sua forma de comunicação primária e nas imagens como auxiliar, a geração Y aprende de forma invertida, na sequência de imagem, som e texto. Dessa forma, um dos grandes desafios dos docentes 3.0 envolve o intervalo de atenção. Pedir para que um aluno Y sente e leia um livro durante horas pode ser quase que inadmissível. Os professores precisam transmitir ou organizar os conteúdos da maneira que eles estão acostumados a digerir. Eles querem formas de aprendizagem que sejam significativas, que os faça ver imediatamente que os momentos gastos na educação

formal são preciosos, e que os professores fazem bom uso da tecnologia que eles acessam e com a qual convivem no seu dia a dia.

1.7.1 O Perfil do Educador 3.0 segundo Legel(2012)

a)O educador conduz pesquisas que geram novos conhecimentos:

Com seus conhecimentos e habilidades, o professor orientará os alunos quanto à leitura da realidade, a interpretação das fontes de informações e como elas podem ser aplicadas na busca por soluções, em sua área de atuação.

Na Educação 3.0, o foco está na solução de problemas reais ou significativos para a sociedade ou vida acadêmica, para muitas dessas situações, não existem respostas prontas. Além disso, o projeto relevante para um ano pode não ser relevante para o ano seguinte, ou para outra comunidade. O professor, nesse momento, é fundamental, pois é ele quem promoverá a apropriação de novos conhecimentos. Ele também se beneficia e adquire novas experiências com esse processo.

b)Mais que transmitir conhecimento, o educador desenvolve habilidades:

O papel do professor tornou-se, então, ainda mais importante, embora necessite de reinvenção constante. Atualmente, informações estão ao alcance de qualquer pessoa com acesso à internet, muitas vezes com atualizações em tempo real. O objetivo dos projetos focados na solução de problemas reais é, também, desenvolver habilidades – a capacidade para utilizar as tecnologias para obter informações, para identificar aquelas que são relevantes e dignas de credibilidade, habilidade para aplicar essas informações na elaboração de soluções de problemas, capacidade de expor ideias de forma convincente, capacidade de conviver com pessoas diferentes...

c)O educador utiliza sua área de conhecimento em prol de um projeto interdisciplinar:

Cada especialista contribuirá trabalhando, em sala de aula, a relação que sua área de conhecimento tem com o tema da pesquisa. Os conceitos importantes, como as informações coletadas, se relacionam ou demonstram esses conceitos, as melhores formas

de interpretá-las e analisá-las de acordo com o conteúdo das diferentes áreas será uma das atribuições do professor.

d)O educador utiliza as tecnologias da informação e comunicação:

Na Educação 3.0 usa-se o princípio – toda a informação está na palma da mão. Cada tecnologia tem seu espaço, e cabe ao professor utilizá-las como qualquer outra pessoa as utiliza atualmente e ensinar aos seus alunos como podem fazer isso de forma equilibrada e consciente. A tecnologia é utilizada também para a comunicação com os estudantes, orientação constante e para o monitoramento do andamento das pesquisas.

A utilização consciente das tecnologias tornou-se uma necessidade básica. Quando os alunos da geração Z chegarem ao mercado de trabalho, a expectativa sobre eles será a capacidade de utilização desses dispositivos como nativos digitais. Num futuro muito próximo, os alunos que não tiverem a oportunidade de utilizá-las ficarão excluídos de importantes oportunidades educativas e profissionais. Não é mais necessário se dirigir ao prédio de uma faculdade para fazer um curso, não é preciso sair da própria cidade para assistir a uma palestra, a situação de aprendizagem também pode ser muito facilitada pelos dispositivos de comunicação. Não é mais necessário que o professor escreva na lousa e que os alunos copiem algo que pode ser acessado através de um link passado por mensagem instantânea.

e)O educador trabalha em parceria com outros professores e profissionais da sociedade:

Ao pesquisarem um tema, os alunos obterão informações, mas a condução da análise desses dados pode e deve ser orientada pelos professores, de acordo com sua área de especialização. Ao professor de Matemática caberá instruir a respeito do cálculo dos fatores pertinentes. Da mesma forma que o projeto envolve o conhecimento de várias disciplinas, ele envolve também vários professores. Cada especialista das diversas áreas deverá contribuir, conforme a pertinência do assunto. Espera-se que, na Educação 3.0, haja tal nível de parceria com a sociedade que não apenas os professores contribuam, mas pais, especialistas de diversas áreas, profissionais atuantes na sociedade, estejam em contato com os estudantes.

f)O educador participa ativamente na criação de um novo currículo:

Devido à exigência da relevância dos projetos, o professor é quem melhor conhece seu entorno, sua comunidade e seus alunos e, por esse motivo, poderá atuar de maneira decisiva para definir diretrizes de atuação.

A escola 3.0 precisa se reinventar a medida que a sociedade muda e necessita de pessoas com novas habilidades. Não se trata mais de conformar as novas tecnologias aos currículos, mas sim de adaptar os aspectos da formulação, o educador terá mais capacidade de decisão e implantação de projetos.

Segundo Jim Lengle, o papel do professor será “buscar desenvolver alunos engajados, motivados e prontos para enfrentar os desafios de hoje e do futuro, enxergar o aprendizado como uma ação continuada, que não se restringe às oportunidades apresentadas pelo professor; acreditar que o aprendizado é para todos e ninguém deve ser excluído; reconhecer que as pessoas aprendem de forma diferente; e prover uma infraestrutura necessária para o aprendizado, que ainda é físico, mas cada vez mais virtual”.