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2.5. O professor do Ensino Superior e os programas de apoio à

aprendizagem

De facto, não existe apenas um único processo de “ensino-aprendizagem”. No entanto, devemos ter em consideração a necessidade de considerarmos dois momentos distintos na relação “ensino-aprendizagem”: i) O momento de aprendizagem desenvolvido pelo aluno; ii) O momento do ensino, da responsabilidade do professor. Enquanto dois processos que se relacionam, importa questionar, por um lado, os limites de actuação do professor, por outro, as formas de implicação do aluno em cada um destes dois momentos. O processo de ensino parece ser mais da responsabilidade do professor (o professor como sujeito), enquanto o de aprendizagem o sujeito é o aluno. Se importa referir que nem tudo o que o professor ensina o aluno aprende, e por outro lado, que nem sempre o que aluno aprende é exactamente o que o professor tem a intenção de ensinar, não deixa de ser igualmente importante referir que o professor deve procurar compreender o caminho de aprendizagem que o seu aluno percorre, e em função disso, decidir o modo como há-de intervir. Intervir dentro e fora da sala de aula.

O papel do professor não se deve confinar ao mero exercício de instrução dentro da sala de aula. Tharp & Gallimore (2007) realçam, e.g., o papel do questionamento dirigido pelo professor no contexto do ensino. A pergunta, em contraste com a instrução, fornece um meio distinto e importante de desempenho assistido. A pergunta exige explicitamente uma resposta cognitiva e linguística activa, ou seja, estimula o aluno a produzir criações próprias. Se um professor perguntar, duas vantagens educativas podem ser obtidas (Ibid: 2007:177): i) Os alunos activam-se verbal e

57 mentalmente, o que lhes confere prática e exercitação; ii) Durante a exercitação do discurso e do pensamento dos alunos, o professor será capaz de acompanhar e regular a recolha de evidências e o uso da lógica pelos estudantes. Se o professor se limitar à exposição verbal, poderá nunca saber o que os estudantes estarão a pensar (Tharp & Gallimore, 1988). Quando tais perguntas são usadas para elaborar a instrução de acordo com o ponto de avanço do aluno da ZDP, elas passam a fazer parte da instrução competente. A pergunta que auxilia coloca um questionamento a fim de produzir uma operação mental que o aluno não pode ou não produzir sozinho. Esta operação mental tem início na assistência oferecida pelo professor. Por outro lado, julgamos ser de capital importância a continuidade da sua intervenção nos tempos de estudo do seu aluno procurando definir com ele estratégias de aprendizagem que facilitem o desenvolvimento de competências cognitivas e metacognitivas, de forma a torná-lo mais capaz, mais hábil e, deste modo, ser mais proficiente e bem sucedido nos resultados a obter.

Em nosso entender, a existência e implementação de uma metodologia de estudo torna-se determinante. Partindo da premissa de que não há ensino se não houver aprendizagem, importa entender, por um lado, se o papel do professor em ensinar o aluno a aprender deve transpor o espaço confinado à sala de aula, por outro lado, se assim for, como se processará a sua intervenção, a sua colaboração. “Como aprende o meu aluno?”, “Como estuda o meu aluno a matéria que é ministrada na sala de aula?”, “Quais as dificuldades que se lhe apresentam quando estuda sozinho com ou os seus pares?”, “E como pode o professor correr em auxílio do seu aluno nos seus tempos de estudo?”, estas são algumas das perguntas que docente e universidade devem ter a preocupação de fazer. E ainda que não haja modelos e metodologias de ensino universais e mágicas, capazes de responder e resolver todas as questões formuladas, universidade, professores e alunos devem fazer parte da concepção triológica de uma Pedagogia que vá no sentido de construir uma filosofia de ensino-aprendizagem como resposta a uma ideologia a qual priorize formas de ensinar e aprender, julgadas em si mesmas pela concepção social que se tem do ensino e do papel atribuído aos cidadãos de uma determinada sociedade ou modelo de sociedade.

De que necessitam então as sociedades actuais? De professores, educadores que formem pessoas autónomas, capazes de fazer escolhas, tomar decisões, resolver problemas e saberem como governarem e se governarem, ou pessoas que ficarão sempre

58 dependentes de outras, não compreendendo o que fazem e por que o fazem, que obedecem a ordens sem pensar, que não têm iniciativa e se limitam a ser governadas, mal ou bem, pelos outros?

O projecto pedagógico precisa de ser definido segundo o tipo de pessoas que se pretende formar, e neste sentido, quer o perfil do professor quer o do aluno não só irão retratar o modelo de sociedade que lhe subjazem, como afectarão, muito em particular, por um lado, as metodologias de ensino-aprendizagem, por outro lado, as competências e habilidades que necessitam de ser desenvolvidas pelos alunos na construção desse perfil. A abordagem do ensino deverá ultrapassar as meras funções da transmissão de saberes organizados, na medida em que, ao procurar auxiliar o aluno no desenvolvimento das suas competências, habilidades e capacidades, o desempenho do professor (a sua metodologia e organização de conteúdos, dentro e fora da sala de aula) deve considerar o aluno como o centro do processo. O papel do professor não será tanto o de “ensinar” mas mediar e oferecer informações, conteúdos, conhecimentos que possam favorecer o desenvolvimento das tais competências e habilidades. Competências enquanto modalidades estruturais da inteligência, ou melhor, acções e operações que utilizamos para estabelecer relações com e entre objectos, situações, fenómenos e pessoas que desejamos conhecer11. Habilidades enquanto práticas que decorrem das competências adquiridas e que se referem ao plano imediato do “saber fazer” (por meio das acções e operações, as habilidades aperfeiçoam-se e articulam-se, possibilitando uma nova reorganização das competências).

Em suma, ao professor caberá, então, organizar as suas estratégias de ensino e propor métodos de estudo de modo a favorecer no aluno, o desenvolvimento de competências e habilidades relativas ao perfil pretendido pelo curso universitário que frequenta, ou seja, o professor deverá criar situações de aprendizagem, dentro e fora da sala de aula, capazes de favorecer esse desenvolvimento.

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Definição contida no documento básico do INEP/MEC sobre o ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio (www.inep.gov.br/basica/enem/publicacoes).

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CAPÍTULO TERCEIRO

Metacognição e o desenvolvimento da autoregulação