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Capítulo I - Conceitualização de formação contínua

5) O modelo de investigação ou indagativo

1.9 O professor e o seu desenvolvimento profissional

O professorado constituiu-se em profissão graças à intervenção e ao enquadramento do Estado, que substituiu a Igreja como entidade de tutela do ensino. Esta mudança complexa no controlo da acção docente adquiriu contornos muito específicos em Angola em particular, devido à precocidade das dinâmicas de centralização do ensino e de funcionarização do professorado.

A profissão docente encontra-se sob a influência de dois processos antagónicos, que Mark Ginsburg sintetiza do seguinte modo: «A profissionalização é um processo através do qual os trabalhadores melhoram o seu estatuto, elevam os seus rendimentos e aumentam o seu poder/autonomia. Ao invés, a proletarização provoca uma degradação do estatuto, dos rendimentos e do poder/autonomia; é útil sublinhar quatro elementos deste último processo: a separação entre a concepção e a execução, a estandardização das tarefas, a redução dos custos necessários à aquisição da força de trabalho e a intensificação das exigências em relação à actividade laboral». (Ginsburg, 1990:335).

A formação de professores pode desempenhar um papel importante na configuração de uma "nova" profissionalidade docente, estimulando a emergência de uma cultura profissional no seio do professorado e de uma cultura organizacional no seio das escolas.

Em outras linhas de pensamento, José M.P. Aza8, refere que as preocupações sobre a formação docente aproximam-se da concepção de Comênio (Didática Magna, 1657), segundo a qual o "bom professor" seria aquele capaz de dominar a "arte de ensinar tudo a todos". Comênio, como um baconista convicto, tinha uma profunda confiança no poder do método, achava possível que a arte de ensinar fosse codificável num conjunto de prescrições cuja observância estrita faria de uma pessoa interessada um professor competente, ele queria implantar no campo da educação a reforma pretendida por Bacon no domínio das ciências. Como para Bacon fazer ciência era aplicar um método, Comênio imaginou que ensinar era também a aplicação de um método.

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O autor, afirma por outro lado, que quando Comênio falava em método de ensino era no sentido claro e forte de uma transposição para a educação da concepção baconiana de método científico. Essa ideia, embora equivocada, pois respaldava-se numa discutível analogia entre o desenvolvimento do conhecimento individual e o desenvolvimento social da ciência, sobreviveu pelo menos até os trabalhos de John Dewey, neste século. Mas, nos últimos tempos, essa vinculação directa entre método de conhecimento e método de ensino teve o seu significado original substituído por uma pletora de metáforas sobre conhecimento das quais se fazem enigmáticas ilações sobre ensino. 9

Ainda assim, no que diz respeito às propostas de formação docente, o estado de coisas está tão desarranjado que, quando se fala em metodologias e estratégias de ensino, não se consegue discernir entre possíveis relações conceituais entre conhecimento, ensino e valores e hipotéticas relações entre capacidade de aprender e supostas fases de desenvolvimento psicológico. Enfim, nem sempre se procura e se consegue distinguir entre o que são exercícios de um jargão na moda daquilo que tem respaldo em investigações teóricas e empíricas.

Por isso, Aza10, danos a ideia de que ensino eficaz é basicamente a aplicação competente de um saber metodológico, epistemologicamente fundamentado em outros saberes, principalmente de natureza psicológica, é altamente discutível.

A ausência de um projecto colectivo, mobilizador do conjunto da classe docente, dificulta a afirmação social dos professores, dando azo a uma atitude defensiva mais própria de funcionários do que de profissionais autónomos.

Fazendo referência a Lemosse, (1989) e Bourdoncle, (1993), citados por Perrenoud (2001), que definem o profissional como um prático que adquiriu, através de estudos o status e a capacidade para realizar com autonomia e responsabilidade actos intelectuais não rotineiros na busca de objectivos inseridos em uma situação complexa. Neste sentido, os autores distinguem os “profissionais práticos”, possuidores de rotinas, automatismos e esquemas de acção eficaz, dos “profissionais reflexivos”, capazes de analisar e de teorizar sobre as suas práticas. De acordo com a evoluçaão das profissões em ciências humanas, os novos ofícios devem integrar as competências e capacidades

9 José Mário Pires Aza, in: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-97022004000200016&script=sci_arttext, acessado em 21/4/2013

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dos “profissionais práticos e reflexivos” o que coloca novas exigências do ponto de vista de formação e identificação profissional destes profissionais. (Perrenoud, et ali, 2001:14).

“Ser professor – uma profissão impossível”, como afirmava Freud. “Ele tem que ensinar a criança a dominar os seus impulsos… deve inibir, proibir e reprimir, o que traz consigo o perigo da doença neurótica para o professor, segundo Freud. Durante séculos, de professor se exigiu “que fosse o modelo de virtudes e mais recentemente quedesempenhasse as funções de um técnico, capaz de mudar os comportamentos e atitudes de todo o tipo de alunos”. (Fontes, C., 2004).

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PRIMEIRA PARTE - FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Capítulo II - O desenvolvimento histórico legislativo da formação contínua

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