CAPÍTULO 2 – A PERTINÊNCIA DA CONJUGAÇÃO
3.3 O Programa Bolsa Família e o Plano Brasil Sem Miséria
O Programa Bolsa Família expandiu-se rapidamente, como foi visto, desde a sua criação. De forma muito acelerada o PBF foi alcançando milhões de famílias e seu complexo esquema de execução foi sendo consolidado. Em que pesem os importantes resultados que o PBF já vinha demonstrando desde sua implementação, passados alguns anos, ainda persistiam alguns desafios no país, no campo do enfrentamento da pobreza.
A partir de um diagnóstico amplo sobre a situação dos mais pobres no Brasil, elaborado com subsídios do Censo 2010, houve um consenso no Governo Federal (com apoio de vários especialistas do campo) acerca da necessidade de aprofundar os avanços sociais já conquistados.
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Em linhas gerais, os dados do Censo 2010 apontavam que cerca de 16,2 milhões de brasileiros se encontravam em situação de extrema pobreza, os quais sofriam déficits estruturais de acesso a serviços e a benefícios e não eram “visíveis”, assim, para o Estado.
Com esta perspectiva, foi criado em 2011, o Plano Brasil Sem Miséria (BSM), que se colocou como uma estratégia coordenada para a superação da pobreza extrema no país. A compreensão da pobreza como fenômeno multidimensional orientou o desenho do Plano, o qual contava com a articulação de um amplo espectro de setores e de atores, entre eles e atuando como uma das peças fundamentais desta complexa engrenagem, o Programa Bolsa Família.
Segundo Costa e Falcão (2014) o PBF foi paradigmático na concepção do BSM. Primeiro, porque o programa já articulava ações em diversas áreas em razão, principalmente, do acompanhamento das condicionalidades, e, portanto, possibilitou a acumulação de muita aprendizagem quanto à gestão intersetorial (coordenação horizontal). Segundo, porque o PBF funciona numa perspectiva de gestão compartilhada com os entes federados (coordenação vertical), base de funcionamento também do BSM, necessária para seu efetivo alcance nos territórios. E, por último, porque com o PBF veio o desenvolvimento e aperfeiçoamento do Cadastro Único de Programas Sociais, a base informacional-chave para que o Plano pudesse ancorar-se.
Assim, o PBF passou por um ciclo de aperfeiçoamento, em 2011, para que também pudesse apoiar os objetivos do BSM, de superação da pobreza extrema. A primeira medida de mudança, ocorrida ainda em 2011, foi o reajuste dos benefícios do PBF que favoreceu, principalmente, crianças e adolescentes. Logo depois, o BSM ampliou de três para cinco o numero de benefícios destinados a crianças e adolescentes que cada família tinha o direito de receber, incluindo, dessa maneira, cerca de mais de 1,3 milhões de novos benefícios para a faixa de 0 a 15 anos.
Também com o advento do BSM foi iniciado o pagamento de benefícios para famílias com gestantes ou com bebês em fase de amamentação.
Outra medida que foi incorporada ao PBF, como consequência do BSM e de especial interesse desta tese, foi o advento do “retorno garantido”, criado, também em 2011. O retorno garantido relaciona-se diretamente com os desligamentos voluntários do PBF. Isso porque, este dispositivo visou dar àquelas famílias que melhoraram seu padrão de renda, a segurança e o apoio para sair do programa, pois caso a sua renda volte a cair, estas podem
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voltar a receber o beneficio, sem precisar passar por um novo processo de habilitação. Ou seja, como requisito para usufruir deste mecanismo, a família deve, ao solicitar o desligamento voluntario do PBF47, informar à gestão do programa no seu município, que marque a opção de “desligamento voluntario”, pois desta forma ela poderá retornar a ser beneficiaria, em até 36 meses depois de optar pelo desligamento.
Ademais destas importantes mudanças ocorridas no PBF, pela influencia do BSM, em 2012 também ocorreu uma inovação importante, com o lançamento da Ação Brasil Carinhoso, que aumentou o beneficio das famílias atendidas pelo PBF, que contassem com crianças de zero a 6 anos de idade na sua composição. Ademais, a Ação previa uma perspectiva de inclusão prioritária destas crianças em serviços de creches e de saúde.
Em março de 2013 o beneficio de superação da pobreza foi concedido a todas as famílias do PBF que ainda se mantinham em situação de miséria, independentemente da composição familiar. Do ponto de vista da renda, todos os benefícios do PBF que foram ampliados no âmbito do BSM, possibilitaram retirar 22 milhões de pessoas da miséria e com isso, eliminar a extrema pobreza dos beneficiários do PBF, segundo os dados do MDS.
Abaixo o Quadro 3.2 sintetiza as principais reformulações propostas pelo BSM, para o eixo “garantia de renda”, no qual se insere o PBF:
Quadro 4 – Síntese das reformulações do Eixo Garantia de Renda, a partir das demandas do Plano Brasil Sem Miséria
Dificuldades e Demandas Estratégias
Inclusão da população elegível no Cadastro Único e no Bolsa Família
Busca ativa e concessão do beneficio do Bolsa Família
Aumento da eficácia do Bolsa Família, com 1. Reajuste do beneficio variável (0 a 15 anos) 2. Alteração no limite de benefícios variáveis
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O retorno garantido somente pode ser concedido para aquelas famílias que solicitam o desligamento de forma espontânea, não sendo valido para aquelas famílias que foram excluídas em decorrência da revisão cadastral realizada pelo MDS.
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foco nas crianças e adolescentes de 3 para 5 filhos por família. 3. Ação Brasil Carinhoso Compensar a defasagem entre a linha de
pobreza nacional e linhas estaduais
Políticas complementares de renda nos estados
Existência de famílias que mesmo com o Bolsa Família seguiam na extrema pobreza
Criação do beneficio de superação da pobreza para garantir que nenhuma família PBF estivesse abaixo da linha da extrema pobreza. Fonte: Elaboração própria, a partir de Campello e Mello (2014).
3.4 Principais resultados do Programa Bolsa Família quanto à redução da pobreza e