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2. OS INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURA NA HISTÓRIA RECENTE BRASILEIRA

2.2. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) teve seu lançamento em janeiro de 2007 e foi um dos pilares do segundo mandato do governo Lula. O objetivo do programa era destravar a economia brasileira, de modo a possibilitar que o país mantivesse taxas de crescimento na ordem de 5% ao ano. Desta forma, o PAC teria como principais objetivos promover o crescimento econômico, aumentar o emprego e promover uma melhoria nas condições de vida gerais da população do país.

Segundo o Governo Federal (2007), as medidas do PAC foram organizadas em cinco blocos: 1) investimentos em infraestrutura; 2) estímulos ao crédito; 3)

14 Ainda assim, Carneiro (2012) ressalva que estes contariam com um expressivo componente de

infraestrutura, o qual se diferenciaria dos gastos correntes.

15 A estratégia de desenvolvimento adotada pelo social desenvolvimentismo tenderia a gerar déficits

na balança de pagamento, o que tornariam necessário contar com as exportações de commodities, de modo a trazer equilíbrio à mesma.

melhora no ambiente de investimentos; 3) aperfeiçoamento do sistema tributário e desonerações; e 5) medidas fiscais de longo prazo.

O primeiro bloco, referente aos investimentos em infraestrutura, previa inicialmente investimentos na ordem de quinhentos bilhões de reais, os quais seriam divididos entre logística, energia e infraestrutura social e urbana.

Os investimentos destinados a logística, segundo Macedo (2011), corresponderiam a pouco mais de um décimo do total planejado. Os principais alvos desses investimentos seriam aprimoramento da malha ferroviária, bem como a construção de hidrovias, rodovias, portos e aeroportos.

O setor de energia receberia pouco mais de metade do total investido pelo PAC, representando aproximadamente 54,6% do mesmo. O objetivo dos gastos seria, majoritariamente, promover a geração e distribuição de energia elétrica, além de também promover a produção, exploração e o transporte de gás natural, petróleo, e de combustíveis renováveis. (MACEDO, 2011)

Por fim, o setor de infraestrutura social e urbana corresponderia a aproximadamente um terço dos gastos previstos, representando gastos em habitação, saneamento e transporte, além de programas sociais, como o Luz para Todos. (MACEDO, 2011)

O principal objetivo seria, desta forma, eliminar gargalos presentes na economia brasileira, além de também reduzir custos e, assim, elevar a produtividade no país. Outros objetivos destacáveis se encontrariam na promoção dos investimentos privados, bem como na redução das desigualdades regionais.

Em relatório final16 sobre o balanço do PAC I, o Comitê Gestor do PAC (2010) indica que, além de possibilitar uma passagem mais suave pela crise financeira internacional, em 2008 e 2009, possibilitou que os investimentos públicos dobrassem entre 2007 e 2010 em participação do PIB, passando de 1,62% do PIB em 2006 para 3,27% em 2010.

Segundo o relatório, o total desembolsado pelo PAC I em logística totalizou R$ 65,4 bilhões, ao passo que o total destinado a energia foi de aproximadamente

R$ 148,5 bilhões, enquanto os gastos de cunho social e urbano totalizaram R$ 230,1 bilhões, representando 82% das ações concluídas até o fim de 2010.

Com o fim do segundo mandato do presidente Lula e o início do primeiro mandato da presidente Dilma, o PAC entrou em sua segunda fase. O chamado PAC II manteve os investimentos em infraestrutura como prioritários, destacando o programa Minha Casa, Minha Vida.

Segundo o Comitê Gestor do PAC (2014), em relatório final17 sobre a segunda fase do PAC, um total de R$ 796,4 bilhões foram gastos em ações concluídas desde 2011, sendo R$ 449,7 bilhões para o programa Minha Casa, Minha Vida. Outro destaque do PAC II foi o setor de energia, que recebeu R$ 253,3, principalmente para obras de geração e transmissão de energia elétrica e do setor de petróleo e gás natural.

Garcia-Escribano, Goes & Karpowicz (2015) argumentam que o PAC, excluindo-se os gastos em defesa, em educação, e com o programa Minha Casa Minha Vida, representou 0,5% do PIB em 2013, demonstrando significativa evolução quando comparado ao ano de seu início, quando representou aproximadamente 0,3% do PIB.

Esse acréscimo na representatividade do PAC foi importante para ajudar a impedir que a taxa de investimentos em infraestrutura caísse ainda mais, uma vez que sua proporção em relação ao PIB, mesmo com implementação do PAC, ficou bem abaixo de seu nível histórico anterior.

Gráfico 1 – Investimentos públicos e privados em infraestrutura como porcentagem do PIB.

Fonte: Garcia-Escribano, Goes & Karpowicz (2015, p. 12)

Na segunda metade dos anos noventa, há uma forte queda na participação dos investimentos em infraestrutura, os quais passaram de níveis próximos – e em muitos anos superiores – a 5% do PIB no início dos anos oitenta para algo ao redor de 2% na metade dos anos noventa.

Apesar da queda no fim do século XX e no início do século XXI, a participação dos investimentos em infraestrutura no PIB voltou a crescer no fim da primeira década do século XXI, porém ainda em patamares abaixo dos historicamente vistos, girando em torno de 2%.

Esse valor, no entanto, ainda é considerado insuficiente, uma vez que, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (2014), a média de

demanda de serviços de infraestrutura na América Latina giraria em torno de 6,2% dos PIBs anuais de seus países18.

Conforme destacado pelo gráfico 2, a média de investimentos em infraestrutura em relação ao PIB apresentado pelo Brasil ficou abaixo da apresentada por todos os países dos BRICS, sendo superior apenas à da Itália, dos Estados Unidos, do Reino Unido, da França e da Alemanha, todos países já desenvolvidos e com infraestrutura também desenvolvida.

Gráfico 2 – Média dos investimentos em infraestrutura como porcentagem do PIB entre 2008 e 2013.

Fonte: Elaboração própria com base em dados do Statista (2017).

18 Já a consultoria McKinsey (2016) estima que a média global necessária de investimentos em

infraestrutura em proporção ao PIB seja de 3,8% em 2015.

0% 1% 2% 3% 4% 5% 6% 7% 8% 9% 10% China Quatar Índia África do Sul Austrália Arábia Saudita Rússia Japão Turquia Canadá Indonésia México Brasil Itália Estados Unidos Reino Unido França Alemanha

Tais dados realçam a necessidade de aumentar os níveis de investimentos em infraestrutura, uma vez que todos os demais países em desenvolvimento presentes nos dados disponibilizados pelo Statista (2017) apresentam maiores proporções de investimentos infraestrutura em relação ao PIB que o Brasil, no qual a proporção dos mesmos foi em média de 2,5% ao ano entre 2008 e 201319.

Os outros países do BRICS apresentam níveis muito acima dos apresentados pelo país, com Rússia e África do Sul pouco abaixo do dobro do Brasil, enquanto a Índia tem níveis de investimento em infraestrutura pouco acima do dobro e a China apresenta níveis aproximadamente três vezes e meia maiores que os brasileiros.

Assim, ainda que o PAC tenha trazido importantes recursos para a promoção de obras de infraestrutura, ele ainda se mostra aquém do ideal, com os investimentos em infraestrutura em níveis bem inferiores aos presentes noutras economias mundiais, especialmente nas em desenvolvimento, como destacado anteriormente.

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