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2 ECONOMIA SOLIDÁRIA: CONTEXTUALIZAÇÃO, ORGANIZAÇÃO E

3.3 A política pública de economia solidária de São Carlos

3.3.1 O Programa de Fomento à Economia Solidária

O Programa de Fomento à Economia Solidária é executado pelo DAES e foi desenvolvido ao longo dos anos com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de iniciativas na geração de trabalho e renda visando a criação de empreendimentos populares e solidários.

Seu objetivo é atender aos cidadãos e aos grupos, com prioridade para aqueles que vivam em situação de vulnerabilidade social que habitem em regiões com baixo índice de desenvolvimento humano, que desejem se organizar em empreendimentos populares e solidários e/ou consolidar aqueles já constituídos, que sejam residentes e domiciliados ou sediados no município de São Carlos. É um programa de apoio e fomento para geração de ocupação e renda, assessorando e apoiando na organização de empreendimentos coletivos (associativos, cooperativas e comunitários) e familiares/individuais. (SÃO CARLOS, 2009b).

Neste contexto, está posto ao Programa de Fomento à Economia Solidária o desafio de fomentar e fortalecer a cultura e as estratégias da economia solidária, vendo nesta uma nova forma de organização, produção e relacionamento social, com forte conteúdo emancipatório nas dimensões social, cultural, política e econômica.

Dentro desta estratégia de construção a parceria com a sociedade civil e universidades é condição essencial para a sustentabilidade de mais longo prazo das ações que se propõe a realizar, assim como para as reflexões sobre uma nova gestão de políticas públicas de cunho social.

No escopo do programa estão atividades de formação em autogestão e específica da atividade a ser desenvolvida, capacitação em gestão de empreendimento e acompanhamento do grupo após o início de suas atividades. O programa objetiva criar melhores condições para que os grupos busquem alternativas para geração de trabalho e renda de uma maneira solidária e participativa, desta forma considera também as necessidades específicas demandadas pelos empreendimentos, tendo o seu atendimento como uma prioridade.

Como ação complementar para a promoção do programa são realizados cursos de autogestão para multiplicadores. Os cursos são destinados a lideranças comunitárias e gestores públicos municipais que atuam com desenvolvimento social nas comunidades e buscam ampliar a capacidade de atender demandas existentes na área da formação e assessoria, além de construir relações transversais de parceria para a execução da política pública.

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O Programa de Fomento à Economia Solidária foi instituído formalmente pela Lei Municipal 15.196 de 26 de fevereiro de 2010 (cópia no anexo A). O processo de elaboração da lei durou aproximadamente dois anos, com ampla participação de representantes dos segmentos que compõem o movimento de economia solidária – gestores, entidades de fomento e empreendimentos – em várias reuniões, plenárias e grupos de trabalho. No IV Encontro de Economia Solidária realizado em maio de 2009 a proposta foi debatida e deliberada e enfim encaminhada para o processo burocrático de aprovação no executivo e legislativo, que só foi finalizado no início de 2010.

No texto da lei o objetivo do programa é a implantação da política pública de economia solidária no município. No artigo 6º são definidos os princípios da política municipal de economia solidária, como sendo:

I - a valorização do ser humano; II - o bem-estar e a justiça social; III - o direito do trabalho decente;

IV - o primado do trabalho, com o controle do processo produtivo pelos

trabalhadores;

V - a valorização da autogestão, da cooperação e da solidariedade; VI - a instituição de relações igualitárias entre homens e mulheres;

VII - o tratamento igualitário a todas as pessoas, sem qualquer discriminação de

raça, cor, sexo, idade, credo político ou religioso e quaisquer outras formas de discriminação;

VIII - o desenvolvimento local integrado e sustentável com a preservação do

equilíbrio dos ecossistemas. (SÃO CARLOS, 2010).

Além dos princípios, consta na lei no artigo 7º os objetivos da política pública municipal de economia solidária:

Art. 7º - São objetivos da Política Municipal de Fomento à Economia Solidária: I - contribuir para a erradicação da pobreza e da marginalização, reduzindo as

desigualdades sociais no Município;

II - contribuir para o acesso dos cidadãos ao trabalho e renda, como indicação

essencial para a inclusão e mobilidade sociais para elevação da autoestima e melhoria de qualidade de vida;

III - fomentar o desenvolvimento de novos modelos sócios-produtivos coletivos e

autogestionários, bem como a sua consolidação, incorporando conhecimento e estimulando o desenvolvimento de tecnologias adequadas a esses modelos;

IV - incentivar e apoiar a criação, o desenvolvimento, a consolidação, a

sustentabilidade e a expansão dos Empreendimentos de Economia Solidária, organizados em cooperativas, ou sob outras formas associativas compatíveis com os critérios fixados nesta Lei;

V - estimular a produção e o consumo de bens e serviços oferecidos pelos

integrantes de iniciativas no campo da Economia Solidária;

VI - fomentar a criação de redes, cadeias e arranjos produtivos de Empreendimentos

de Economia Solidária e de grupos sociais produtivos, assim como fortalecer as relações de intercâmbio e de cooperação entre os mesmos e os demais atores econômicos e sociais do território onde estão inseridos, bem como em âmbito local, regional e nacional;

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VII - promover a intersetorialidade e a integração de ações do Poder Público que

possam contribuir para a difusão dos princípios e implementação dos objetivos estabelecidos nesta Lei;

VIII - criar e dar efetividade a mecanismos institucionais que facilitem sua

implementação;

IX - estimular a produção intelectual sobre o tema, bem como de material didático

de apoio aos Empreendimentos de Economia Solidária;

X - oferecer formação autogestionária e capacitação técnica aos trabalhadores dos

Empreendimentos de Economia Solidária, bem como estimular a elevação do grau de escolaridade;

XI - criar e consolidar uma cultura empreendedora baseada nos valores da Economia

Solidária;

XII - orientar e apoiar a organização e o registro dos Empreendimentos de

Economia Solidária, constituindo banco de dados atualizado contendo o cadastro dos empreendimentos que cumpram os requisitos desta Lei;

XIII - promover a visibilidade da Economia Solidária, fortalecendo os processos

organizativos, de apoio e adesão da sociedade;

XIV - criar oportunidades e espaços permanentes de intercâmbio de conhecimentos,

informações, experiências e relações entre as iniciativas de Economia Solidária e os demais setores da sociedade;

XV - estimular a inclusão do tema Economia Solidária na rede municipal de ensino,

visando ao fortalecimento da cultura do empreendimento autogestionário como forma de organização da produção, do consumo e do trabalho;

XVI - promover cursos de formação em Economia Solidária para gestores públicos

e interessados. (SÃO CARLOS, 2010).

Assim, a política pública de economia solidária visa o rompimento com situações de pobreza e a promoção da autogestão econômica dos empreendimentos de várias formas. Faz parte do processo de construção autogestionária fomentar a constituição de fóruns próprios dos/as empreendedores/as populares e dos grupos de economia popular e solidária que surgirem do processo de formação e capacitação, ou que se aproximarem da política pública, para que possam debater, intercambiar e articular formas de organização emancipadoras, autônomas e com capilaridade cada vez mais abrangentes no município.

Para implementação da política pública há uma equipe responsável pela coordenação, planejamento, execução, monitoramento e avaliação das atividades desenvolvidas.

Em SÃO CARLOS (2009b) é definida a operacionalização desse programa, constituída por 3 (três) frentes de ação:

a) promoção da inclusão produtiva: apoiar investimentos econômicos e sociais junto aos grupos em situação de vulnerabilidade social, subsidiando financeira e tecnicamente iniciativas que possam garantir o fortalecimento de políticas emancipatórias sustentáveis para promoção da inclusão produtiva da população, sendo necessário atuar em sintonia com a política nacional de economia solidária desenvolvida pela SENAES, envolvendo as ações pertinentes à proteção social básica e especial da Secretaria de Cidadania e

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Assistência Social, por meio dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e dos Centros de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS). Os beneficiários neste caso são prioritariamente os usuários do Sistema Único de Assistência Social (SUAS);

b) disponibilizar tecnologias sociais: tecnologias sociais compreendem produtos, técnicas e/ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem efetivas soluções de transformação social. Os principais pré-requisitos para a criação de tecnologias sociais são: capital intelectual, ou seja, o conhecimento e informações sobre o problema a ser abordado; capacidade de realização; visão estratégica do problema, pensar o problema de maneira global; replicabilidade, ou seja, a possibilidade de emprego em grande número de situações semelhantes e disponibilidade de recursos. Fomentar a elaboração de tecnologias sociais, sistematizar e disponibilizar para coletivos autogestionários é fundamental para o sucesso econômico destes empreendimentos, dado que na grande maioria deles a força de trabalho é o único recurso disponível;

c) disponibilizar microcrédito popular: não há uma alternativa democrática do sistema financeiro específica para os empreendimentos funcionando na política pública de economia solidária, que adeque produtos financeiros às necessidades básicas dos empreendimentos coletivos, geralmente excluídos do sistema bancário tradicional. O microcrédito é oferecido dentro dos parâmetros do Banco do Povo Paulista, por meio de um convênio entre a Prefeitura Municipal e o Governo do Estado de São Paulo.

Estas frentes de ação, em função da complexidade desta política pública, que exige interdisciplinaridade e transversalidade, tem cinco estratégias na implementação da política pública:

a) Produção, tecnologia, logística, comercialização e consumo; b) Formação, comunicação e informação;

c) Marco legal; d) Finanças solidárias;

e) Articulações, parcerias e fortalecimento político e social da economia solidária. (SÃO CARLOS, 2009b).

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Por meio de estabelecimento de convênios com Governo Federal e organizações não governamentais o programa já encaminhou vários projetos para obtenção de dotação orçamentária complementar ao orçamento do município, necessária para implantação de projetos nos diversos segmentos.