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Legitimado pelo Programa Estadual de Educação de 1999 e pelo Plano Plurianual - 2000/2003, foi lançado pelo Governo do Estado de Goiás, em 09 de outubro

de 2000, O Programa Estadual de Educação para a Diversidade numa Perspectiva Inclusiva, ficando sua coordenação, diretriz, gerenciamento e acompanhamento a cargo da Superintendência de Ensino Especial – SUEE.

O lançamento do Programa contou com a presença de diversas autoridades do Estado como, o governador Sr. Marconi Ferreira Perillo Júnior, a Secretária Estadual de Educação, Profa. Dra. Raquel Figueredo Alessandri, a Procuradora-Geral de Justiça do Estado, Sra. Ivana Farina e o Superintendente de Ensino Especial da SEE/GO, Sr. Dalson Borges Gomes. Também estiveram presentes o representante da Secretaria Nacional de Educação Especial – SEESP/MEC e o assessor técnico da SUPEE para projetos de inclusão escolar e social, Prof. Romeu Kasumi Sassaki.

A presença e o discurso dessas autoridades reforçaram e legitimaram toda a iniciativa da SUEE, que, em todo o momento, tem afirmado e enaltecido o comprometimento do Governo Estadual em relação ao Programa mencionado.

Nas falas das autoridades ficou notória a preocupação excessiva dos nossos dirigentes com dados quantitativos. Praticamente não houve referência à importância das mudanças atitudinais da sociedade e da transformação da própria estrutura da SEE para que a inclusão de fato ocorra. As Superintendências de Ensino Fundamental e Médio sequer foram citadas, como se não fossem importantes para a implantação da escola inclusiva.

Estão anexados neste trabalho, a síntese do Programa em folder ampliado no anexo A e as informações sobre a escola inclusiva, coletadas no site da SEE no anexo B.

Conforme documentação de 1999, o Programa Estadual de Educação para a Diversidade numa Perspectiva Inclusiva está embasado nos dados atuais de atendimento às pessoas com necessidades educacionais especiais no Estado de Goiás, nas referências legais, nos tratados, nas convenções, simpósios, congressos, encontros de âmbito internacional, nacional, regional e local que apontam para a direção de um sistema educacional centrado na diversidade humana e na universalização do acesso à escola e à permanência do aluno até o final de sua escolarização básica.

O Programa propõe a reformulação da política estadual de ensino, visando a torná-la mais eficaz e moderna, adota a filosofia de uma educação inclusiva para todos, sem qualquer distinção, com o intuito de contribuir de maneira significativa para o crescimento qualitativo do Estado de Goiás e, por conseguinte, do Brasil.

As iniciativas e a pretensão da SUEE de garantir a inclusão ficam evidenciadas em documentos como:

Ao considerarmos a filosofia inclusiva como um processo, propomos disseminar de forma gradativa a semente para que o Sistema Educacional de Goiás seja construído de tal sorte que todos os educandos, independentemente de suas capacidades, habilidades, etnias, nível sócio-cultural e limitações, sejam contemplados. Sem mega-estruturas segregadoras de atendimento, o ser humano deve ser visto como um todo e suas necessidades específicas devem ser valorizadas e respeitadas. (SEE/SUEE, 1999, p. 7)

Enfim, para a SUEE (1999):

Por força dessa tendência [inclusiva] foram reformuladas propostas, mudados paradigmas e revistos princípios, no momento histórico em que nosso governo e a sociedade assumem juntos o compromisso nacional de ‘assegurar a todos, sem discriminação, com ética e eqüidade, uma educação básica de qualidade’. Isto também significa colocarmos em prática uma política de respeito às diferenças individuais, garantindo a todos as mesmas condições de participação e contribuição de suas eficiências na construção social do saber, independentemente de suas diferenças. (SEE/SUPEE, 1999, p. 7-8)

Segundo a SUEE (1999), os dados da Educação Especial em Goiás, até o início de 1999, foram fundamentais para a elaboração do Programa, pois, apesar de o Estado de Goiás, possuir atualmente 242 municípios, apenas 77 possuíam algum tipo de atendimento voltado para as pessoas com necessidades educacionais especiais.

A Diretoria de Integração do Deficiente, da extinta Fundação da Criança, do Adulto e da Integração da Pessoa Deficiente – FUNCAD – (1999), informou que o município de Goiânia possuía, em 1999, 2.582 turmas na rede regular de ensino, com 93.159 alunos matriculados e deste total apenas 89 eram alunos com alguma deficiência. Pode-se assim perguntar onde estariam os outros milhares de alunos com deficiência? Em casa, em instituições especializadas ou abandonados à própria sorte?

Para a formulação do Programa, a SUEE considerou ainda os seguintes dispositivos legais: Constituição Federal (1988), Constituição Estadual, Resoluções dos Conselhos Nacional e Estadual de Educação, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. 9394/96, Lei Complementar Estadual n. 26/98, que estabelece as Diretrizes e Bases do Sistema Educacional do Estado de Goiás, Política Nacional de Educação Especial do MEC, Estatuto da Criança e do Adolescente - Lei n. 8069/90 e os pressupostos teóricos que fundamentam uma educação para todos. Quais seriam esses pressupostos teóricos?

Segundo a documentação da SUEE, a educação inclusiva reconhece as diferenças individuais do alunado e crê na possibilidade de cada pessoa construir-se socialmente. Essas idéias, conforme a SUEE, têm como base os pressupostos teóricos do sociointeracionismo de Vygotsky.

No mesmo documento (1999), a Superintendência afirma que, para Vygotsky, a criança com alguma deficiência não é menos desenvolvida que a considerada normal, mas se desenvolve de forma diferente. É pessoa capaz e pode contribuir socialmente, como as demais, diferenciando-se apenas quanto ao ritmo, ao tempo e aos caminhos percorridos na realização de suas funções psíquicas superiores.

Para Rabelo, citada em documento da SUEE (1999):

O socioconstrutuvismo enfatiza o caráter social da produção do conhecimento e as interações dialógicas. Os conceitos formulados dessa maneira são juízos de valores culturais que se formam nos processos de ações coletivas, na cooperação social e na formação socializada do pensamento. (SEE/SUEE, I999, p. 8)

A mesma autora (1996, p. 8) entende que para Vygotsky:

Se a criança busca novos caminhos através das áreas não afetadas, isto não significa que sua deficiência tenha sido isolada ou esquecida, mas que está influenciada e impulsionada pelo seu desenvolvimento global, dentro de suas potencialidades.

Como educadora, aproximamos-nos das concepções vygotskyanas, sobretudo por ele ter tido preocupação explícita com questões pedagógicas da pessoa com deficiência.

Como objetivo geral do Programa, a SUEE/SEE pretende:

Implementar em Goiás uma política educacional inclusiva que leve em conta as potencialidades individuais inerentes ao ser humano, envolvendo uma reformulação nos projetos políticos pedagógicos das escolas, nas estruturas físicas, na capacitação de recursos humanos, atendendo às necessidades provenientes da diversidade das pessoas, de forma que haja uma educação solidária, ética, democrática, inovadora, com eqüidade e qualidade para todos. (SEE/SUEE, 1999, p. 8)

Para tanto, foram traçados os objetivos específicos: implementar unidades inclusivas, instituir unidades de referência, implantar projetos de atendimento educacional hospitalar, implantar e/ou racionalizar projetos de metodologias e recursos especiais e desenvolver parcerias e interfaces.

Em síntese, O Programa Estadual de Educação para a Diversidade numa Perspectiva Inclusiva inclui 10 projetos, a saber:

• Projeto Depende de Nós

Norteia e acompanha a participação da família e da comunidade no processo de implementação da educação inclusiva em Goiás.

• Projeto Escola Inclusiva

Uma proposta de escola para todos/garantia de respeito à diferença. Dentro dos aspectos organizacionais tem como eixo a aprendizagem, utilizando iniciativas institucionais e práticas, tais como o Plano Individualizado de Educação – PIE, adaptação curricular, avaliação referencial, estilos e ritmos de aprendizagem, instrução multinível, múltiplas inteligências, avaliação e promoção.

• Projeto Hoje

Uma proposta de atendimento educacional hospitalar, em classes hospitalares, para alunos com necessidades educacionais especiais internados com prognóstico de média e/ou longa duração.

• Projeto Refazer

Atendimento educacional para autistas em escolas especiais e de ensino regular.

• Projeto Unidades de Referência

Unidades de atendimento que favorecem a inclusão dos alunos com necessidades especiais na escola, na família e na sociedade.

• Projeto Caminhar Juntos

Envolve parcerias com os municípios, visando à municipalização da educação numa perspectiva inclusiva.

• Projeto Comunicação

Uma proposta educacional para pessoas surdas, visando à promoção de sua comunicação com o mundo ouvinte.

• Projeto Despertar

Uma proposta de atendimento educacional inclusivo para alunos com indícios de altas habilidades.

• Projeto Espaço Criativo

Inclusão pela arte, visando à utilização dos vários tipos de artes para promover a construção da aprendizagem no ensino regular e especial.

Projeto Prevenir

Prevenção e detecção de deficiências em uma perspectiva de inclusão escolar e social. Articulação e parcerias com outros órgãos, sobretudo com os relacionados à área da saúde.