• Nenhum resultado encontrado

3 HISTÓRICO DO PLANEJAMENTO PUBLICO NO BRASIL, COM ÊNFASE NA

3.6 Governo do Presidente Costa e Silva - Plano Decenal (1967-1969)

3.6.2 O Programa Estratégico de Desenvolvimento (1968 – 1970)

O Programa Estratégico de Desenvolvimento (PED) foi elaborado durante o governo do Presidente Costa e Silva, sob a administração do então ministro Hélio Beltrão, na pasta de Planejamento e Coordenação Geral.

Para o governo, segundo Rizzotto (apud, BRASIL, 1967b, p. 13), o PED foi proposto a partir de metas definidas no Plano Decenal de Desenvolvimento Econômico Social. Partia-se do pressuposto de que o primeiro governo militar de Castelo Branco (1964-1967) havia resolvido os quatro problemas básicos da sociedade brasileira: a inflação, a estagnação econômica, a crise do balanço de pagamento e a “desordem político-social”, cabendo ao segundo governo de Costa e Silva, “a importante missão de consolidar a obra revolucionária e, sobretudo, a de promover a aceleração do desenvolvimento”.

Como documento de trabalho a prazo médio, o governo elaborou, já sob orientação do novo ministro do Planejamento, Hélio Beltrão, um Programa Estratégico de Desenvolvimento para o período de (1968-1970), enfatizando as metas setoriais definidas no Plano Decenal. Apresentado em julho de 1967, ele consistia, numa primeira fase, de diretrizes de política econômica e de diretrizes setoriais, com alguns vetores de desenvolvimento regional. O governo reconhecia a existência de um processo inflacionário e se propunha estimular adequadamente o setor privado32.

Este plano tinha como elemento fundamental á criação de um programa de investimentos para áreas consideradas como estratégicas para o governo, como também a programação dos instrumentos financeiros, e um conjunto de medidas com ação direta no setor privado.

Segundo Lopes (1990), o Programa Estratégico pretendia reorientar a

economia, no período de 1968-1970, de forma a corrigir certas distorções que se faziam sentir. Os objetivos básicos do Programa Estratégico previam:

32

• Aceleração do desenvolvimento econômico, simultaneamente com a contenção da inflação.

• Desenvolvimento a serviço do progresso social.

• Expansão das oportunidades de emprego de mão-de-obra. Foram fixados, ainda, objetivos-condição:

• Manter o controle do balanço de pagamento.

• Evitar o agravamento das disparidades econômicas regionais e estabilidade institucional.

Eram estabelecidas “metas estratégicas” por setor, com previsão dos níveis a serem atingidos em 1970 (LOPES, 1990, p. 91).

O Documento “Diretrizes de Governo33 continha à nova orientação da política econômica brasileira; O desenvolvimento há de ser os objetivos básicos do governo, que condicionará toda a política nacional, no campo interno como nas relações com o exterior. E há de estar a serviço do progresso social, Isto é, da valorização do homem”.

Na avaliação de Almeida (2004, p.19), a elevada taxa de crescimento do produto em 1968 e a redução do nível de preços, criaram uma boa base de transição para a fase de crescimento acelerado que se seguiu, conforme define tabela abaixo:

Tabela 4 -Taxas de Crescimento do Produto e Setores (1968-1973)

Ano PIB Indústria Agricultura Serviços

1968 9,8 14,2 1,4 9,9 1969 9,5 11,2 6,0 9,5 1970 10,4 11,9 5,6 10,5 1971 11,3 11,9 10,2 11,5 1972 12,1 14,0 4,0 12,1 1973 14,0 16,6 0,0 13,4 Fonte: IBGE 33

Diretrizes do Governo, Programa Estratégico de Desenvolvimento (Brasília, Ministério do Planejamento e Coordenação Geral, 1967).

O PED foi responsável por programas regionais ao incentivar o trabalhador do campo e estendendo os benefícios da previdência social, como o Programa de Integração Nacional (PIN), voltada para atender o Nordeste e a Amazônia; o Proterra, que visava dar viabilidade à reforma agrária; o Provale, programação de infra-estrutura para atender o vale do rio São Francisco; o Prodoeste, incentivos para o Centro-Oeste; o Prorural e o Programa de Integração Social, que visava à participação dos trabalhadores do setor privado no valor agregado pela atividade empresarial (Almeida, 2004, P. 19).

O Brasil então vivia a fase do “milagre econômico” e de acordo com Gremaud (2002, p. 396), o período caracterizou-se pelas maiores taxas de crescimento do produto brasileiro na história recente, com relativa estabilidade de preços, conforme tabela.

Tabela 5. Milagre Econômico – Resultados Macroeconômicos(1968-1973).

Ano PIB Taxa de

Crescimento Indústria Taxa de Crescimento Divida Externa US$ (milhões) Inflação Variação do IGP-DI 1968 9,8 3.780,00 20,14 1969 9,5 4.403,50 19,44 1970 10,4 5.295,20 20,32 1971 11,34 11,81 8.283,70 17,31 1972 11,94 14,18 11.463,90 14,91 1973 13,96 17,03 14.857,20 28,69 Fonte: IPEA (2002).

Para Rossetti (1987, p.224), no período de execução do Programa Estratégico de Desenvolvimento, existiam condições efetivas para a retomada do crescimento econômico. A capacidade ociosa das empresas atingira níveis não conhecidos desde o pós-guerra e poderia ser então mobilizada, sem custos adicionais em formação de capital fixo; a demanda global encontrava-se reprimida, e existia mão-de-obra desempregada, notadamente a menos qualificada, que poderia ser incorporada aos quadros de produção.

[...] os objetivos da política nacional de saúde para o período, eram de intensificar o combate às doenças transmissíveis; melhorar a produtividade do sistema de proteção e recuperação da saúde para melhoria da taxa de atendimento da demanda de assistência médica; e expandir a rede de unidades locais de saúde.Tais objetivos foram pensados a partir da constatação de que as doenças transmissíveis eram as principais responsáveis por altas taxas de mortalidade, morbidade e incapacidades, e que os programas de combate às doenças transmissíveis deveriam ser ampliados para todas as regiões endêmicas do país.

Segundo Rizzotto (apud, BRASIL, 1967b, p. 141), como estratégias o PED, propunham ampliar as campanhas de combate às doenças transmissíveis em nível nacional, fundamentalmente por meio do uso de vacinas, inseticidas e adoção de métodos terapêuticos modernos; saneamento do meio; apoio técnico e financeiro às instituições que prestavam assistência médica; ampliação de unidades locais de saúde; qualificação dos profissionais de saúde e ampliação da formação de pessoal auxiliar. Para melhorar a produtividade dos hospitais, orientavam que fosse reduzido o tempo de internação, realizado mais atendimento ambulatorial e qualificado o quadro de pessoal.

Na mesma direção do documento preliminar, o PED, publicado em 1968, partiu do diagnóstico de que o nível de saúde do povo brasileiro era baixo e que havia uma escassez de recursos humanos e materiais disponíveis para o setor. A partir disso, propunham-se três grupos de ações: saúde coletiva, saúde individual e infra-estrutura de saúde (RIZZOTTO, 2007, p. 141).

Conforme destaca a mesma autora Rizzotto (apud, BRASIL, 1968, p. XVII-3), no grupo de saúde coletiva, as atividades deveriam estar centradas no saneamento do meio, em campanha de vacinação e nos serviços locais, com a criação de programas permanentes de imunização contra poliomielite, difteria, coqueluche, tétano e sarampo. No grupo da saúde individual, propunha-se a experimentação de uma “ampla integração de todos os recursos humanos e materiais à disposição de diferentes órgãos de assistência médica, da esfera pública e privada”, visando a aumentar a produtividade dos serviços.

Em relação ao grupo de infra-estrutura de saúde, o PED elencava a assistência farmacêutica, a formação e o aperfeiçoamento de pessoas, pesquisa, estatística e administração. Cabe destaque, neste grupo, para a perspectiva em relação à pesquisa e à administração. No que concerne à pesquisa, os recursos seriam orientados para estudos que visassem à solução de problemas tipicamente tropicais, pois existem “intensos programas de pesquisa médica e farmacológica no mundo desenvolvido, para a solução de problemas que lhe são comuns (doenças cardíacas, mentais, renais, câncer, etc)” (BRASIL, 1968, p. XVII-5)34.

De fato, conclui Rizzotto (2007, p.142), nesse período houve enorme expansão dos serviços hospitalares privados no país, com subvenção do Estado, cujos resultados ainda hoje se fazem sentir, na medida em que cerca de 80% dos leitos hospitalares disponíveis no país estão nas mãos da iniciativa privada. Isso sem dúvida tem dificultado a implementação do Sistema Único de Saúde.