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O PROJECTO DE FORMAÇÃO

No documento Formar para cuidar (páginas 44-57)

A Parte II deste Relatório será desenvolvida em dois pontos distintos. No primeiro serão abordados os objectivos do Projecto de Formação, descrição e fundamentação, bem como o Planeamento da Intervenção. No segundo serão abordadas as competências adquiridas/desenvolvidas no módulo II do Estágio.

O módulo II do Estágio teve como objectivo geral: Elaborar um Programa de Formação das Auxiliares de Acção Directa dos parceiros da ECCIO. Foram definidos como objectivos específicos:

 Estabelecer necessidades/prioridades de intervenção:

 Definir estratégias de intervenção face às necessidades identificadas;  Elaborar um projecto de formação;

1. PLANEAMENTO DA INTERVENÇÃO

A realização do diagnóstico de situação permitiu identificar as necessidades de formação das AAD. Tendo em conta que não será possível colmatar todas as necessidades detectadas torna-se fundamental a definição de prioridades. A definição, escolha ou selecção de prioridades é a segunda fase do processo de planeamento da saúde e é condicionada pela etapa anterior – diagnóstico de situação – e determinará a seguinte – a fixação de objectivos (IMPERATORI, 1993).

A conceptualização da política de cuidados na área das pessoas idosas integra as dimensões sociais e da saúde. O social engloba o psicossocial e o serviço social, remetendo para a satisfação das necessidades básicas fundamentais, tais como a alimentação, a higiene pessoal e envolvendo um processo de participação, liberdade e direitos de integração social do indivíduo na comunidade. A saúde engloba a enfermagem, a reabilitação e a medicina e remete para os cuidados de saúde preventivos, de tratamento, de reabilitação e paliativos, permitindo integrar diferentes níveis de intervenção enquanto acções conjuntas pró-activas (CARVALHO, 2007). O envelhecimento é uma parte natural do ciclo de vida preconizando-se que constitua uma oportunidade para viver de forma saudável e autónoma o máximo de tempo possível, sendo necessária uma acção integrada ao nível da transformação de comportamentos e atitudes da população e da formação dos profissionais de saúde e de outras áreas de intervenção social, “uma adequação dos serviços de saúde e de apoio social às novas realidades sociais e familiares que acompanham o envelhecimento individual e demográfico e um ajustamento do ambiente às fragilidades que, mais frequentemente, acompanham a idade avançada“ (DGS, 2004).

É neste contexto que surge como primeira linha de intervenção na Equipa de Cuidados Continuados Integrados de Odivelas, através da experiência diária e directa na prestação de cuidados em conjunto com as AAD, a necessidade premente de formação contínua para o referido grupo profissional. Os próprios responsáveis dos parceiros envolvidos identificaram a formação das AAD como sendo uma necessidade.

Na definição das prioridades dever-se-á ter em consideração dois elementos: o horizonte do plano e a área de programação” (IMPERATORI, 1993, p. 30). Ou seja, o tempo

disponível para a intervenção; e a área da programação, nomeadamente as prioridades da ECCIO e dos parceiros. Como critérios utilizados destaca-se: a magnitude – caracterizar o problema pela sua dimensão; a vulnerabilidade – possibilidade de prevenção; a evolução – possibilidade de um problema se agravar; neste caso a prevenção do risco (IMPERATORI, 1993).

De acordo com o referido é desenhado o projecto “Formação Contínua para Auxiliares de Acção Directa” (ANEXO VII).

O projecto tem como objectivo geral:

 Desenvolver competências técnicas e relacionais inerentes à função das AAD. E como objectivos específicos:

 Qualificar os profissionais referidos, criando ou reforçando saberes e práticas que respondam às necessidades identificadas;

 Desenvolver um conjunto de boas práticas de referência em cuidados continuados;

 Aplicar a contextos reais de trabalho os conhecimentos adquiridos nas várias sessões do plano de formação.

As linhas orientadoras para o projecto de formação vêm no sentido de dar continuidade à orientação formativa dos últimos anos praticada pela ECCIO. Este projecto formativo serve para melhorar as competências do pessoal auxiliar ou o de apoio directo, adequando o seu desempenho às necessidades formativas identificadas, tendo em conta as exigências requeridas pelo novo campo profissional criado pela implementação da Rede Nacional de Cuidados Continuados. Pretende-se favorecer aptidões e conhecimentos especializados, uma maior capacidade de adaptação assim como a auto realização, o compromisso com a missão do local de trabalho e espírito de equipa.

Foram delineadas as seguintes estratégias para que os objectivos do projecto fossem atingidos:

 Divulgação do projecto na ECCIO e junto dos parceiros;

 Envolvimento dos profissionais, quer da ECCIO, quer dos parceiros na consecução do plano;

 Articulação com os parceiros da comunidade de forma a estabelecer protocolos de formação;

 Difusão do projecto às AAD.

Após a análise dos resultados, identificaram-se em reunião com os parceiros/ peritos as seguintes necessidades de formação prioritárias: Mobilizações e posicionamentos; Cuidados Paliativos; Primeiros socorros; Comunicação/desenvolvimento de técnicas comunicativas na relação com o outro; Gestão de conflitos; Higiene e conforto; Esterilização e higienização de equipamentos; Prevenção de úlceras de pressão; Alimentação por SNG/PEG; Técnicas de relaxamento; Prevenção de quedas; Comunicação com a pessoa em situação de dependência; a morte e o luto; Gestão de tempo.

Tendo em conta que o enfermeiro especialista em enfermagem comunitária procede ao diagnóstico de saúde de uma comunidade, estabelece prioridades em saúde, formula objectivos e estratégias face às necessidades identificadas e ainda, contribui para a capacitação de grupos e comunidades com vista à consecução de projectos de saúde colectivos, faz todo o sentido que seja o elemento dinamizador de uma equipa que forma e capacita este grupo profissional.

De acordo com as estratégias foram realizadas as seguintes actividades:

 Reunião com os parceiros da comunidade que participaram no estudo para partilha de dados e confirmação de prioridades de acordo com as suas necessidades (reunião de peritos para a definição de prioridades de formação);

 Reunião com os Bombeiros Voluntários de Caneças para apresentação do programa de formação e pedido de colaboração no tema Primeiros Socorros, criando parceria neste sentido;

 Contacto com o responsável do Departamento de Saúde da CM Odivelas para possível colaboração no projecto de acordo com os recursos humanos disponíveis;

 Negociação com os parceiros dos horários mais adequados para as sessões de formação;

 Apresentação do Plano de Formação à ECCIO/parceiros, na reunião da ADI;  Convite dos profissionais para integração da equipa de formadores de acordo

com a sua formação curricular;

 Reunião com o Centro Social e Paroquial da Póvoa de Santo Adrião para aferir horários possíveis e disponibilidade dos recursos físicos e materiais, criando parceria neste sentido;

 Elaboração do Plano de Formação;

 Elaboração do dossier pedagógico, com os respectivos documentos: Plano de sessão, sumário de presenças, folha de presenças, avaliação pelo formador e avaliação pelo formando (ANEXO VIII);

 Elaboração das sessões de formação de Técnicas de Relaxamento e Prevenção de Quedas;

 Divulgação das sessões junto dos parceiros;  Participação na reunião do ADI mensalmente;

 Apresentação de 2 sessões de formação sobre Técnicas de Relaxamento, nas quais participaram um total de 34 pessoas (ANEXO IX).

 Apresentação de 2 sessões de formação sobre Prevenção de Quedas, nas quais participaram um total de 35 pessoas (ANEXO X).

 Apresentação do resultado do trabalho desenvolvido nos módulos I e II (ANEXO XI) a todos os profissionais da ECCIO e aos parceiros envolvidos, aos quais efectuei o convite pessoalmente, tendo estado presentes 15 pessoas;  Entrega do projecto Formação Continua para Auxiliares de Acção Directa

aos parceiros.

Tendo em conta que plano de formação surge em reposta ao levantamento das necessidades formativas das AAD e ficando a cargo da equipa de formação, a duração do plano é flexível. As acções de formação deverão ter no mínimo a duração de 60 minutos. Contudo, devido à flexibilidade do plano e das acções a duração das mesmas será definida por cada formador, bem como o respectivo horário.

As destinatárias do projecto são as Auxiliares de Acção Directa, integradas na ECCIO e nos parceiros que prestam cuidados à população abrangida pela ECCIO.

Os recursos envolvidos são de extrema importância para que a realização das actividades seja possível. As acções de formação apresentadas decorreram no Anfiteatro do

CSPPSA e será neste espaço que decorrerá toda a formação inerente ao projecto, exceptuando as sessões sobre os Primeiros Socorros que decorreu na sala de formação da AHBVC. A equipa de formação é multidisciplinar, sendo constituída pelos enfermeiros e psicóloga da ECCIO e por elementos dos vários parceiros da comunidade, através de convite prévio.

Durante o desenrolar do projecto, o Lar Oficial de Odivelas e a Cruz Vermelha Portuguesa solicitaram participar nas acções de formação, de forma a integrarem o grupo de formandos.

Sendo que o projecto Formação Contínua para Auxiliares de Acção Directa se vai prolongar no tempo, vai ficar a cargo da Enfermeira Coordenadora da ECCIO e sob responsabilidade da Equipa de Formação os recursos físicos, humanos e económicos serão cedidos pelas parcerias criadas no inicio do mesmo.

A avaliação do projecto a curto prazo foi positiva traduzida pelos indicadores do processo nomeadamente: o número de AAD nas sessões de formação, % de AAD por parceiro em cada sessão de formação e indicadores da avaliação de cada sessão de formação pelas AAD e pelos formadores. Nas sessões por mim realizadas relativas ao tema Técnicas de Relaxamento participaram 34 pessoas. 80 % das formandas revelou ter poucos conhecimentos sobre o tema e 90% referiu que os conteúdos apresentados foram muito importantes para a sua prática profissional. Nas sessões relativas ao tema Prevenção de Quedas por mim apresentadas, 60 % das formandas referiu ter alguns conhecimentos sobre o tema e 90 % refere que os conteúdos apresentados foram muito interessantes.

Os indicadores de resultados só poderão ser avaliados a longo prazo já no final do plano de formação pela Equipa de Formação que dará continuidade ao projecto.

2. COMPETÊNCIAS ADQUIRIDAS/DESENVOLVIDAS

A apresentação do resultado do trabalho desenvolvido nos módulos I e II a todos os profissionais da ECCIO e aos parceiros envolvidos facilitou o desenvolvimento da capacidade de comunicar aspectos complexos de âmbito profissional e académico, tanto a enfermeiros, como a outros técnicos, como ao público em geral. De uma forma crítica procurou-se apresentar as questões e problemas mais complexos resultantes do estudo realizado, de uma forma fundamentada, incorporando os resultados da investigação no projecto desenvolvido. O convite aos parceiros para a apresentação teve como objectivo fortalecer as parcerias e envolver as instituições em causa nos projectos delineados.

A entrega, aos parceiros, do projecto de formação permite disponibilizar a informação que o suporta e garantir a continuidade do mesmo e eficácia das intervenções a desenvolver futuramente.

O trabalho desenvolvido com os parceiros permitiu promover o trabalho em parceria /rede no sentido de garantir uma maior eficácia das intervenções, optimizando e maximizando os recursos necessários a consecução das diferentes actividades inerentes ao projecto de formação, utilizando os vários profissionais provenientes da ECCIO e dos parceiros peritos nas diversas áreas de formação para a constituição da equipa de formação.

Para além das competências adquiridas/desenvolvidas no módulo I, o módulo II contribuiu ainda para o sedimentar de ter iniciativa e ser criativo na interpretação e resolução de problemas e o ter capacidade de reagir perante situações imprevistas e complexas. Isto porque inicialmente estavam previstas 10 formandas em cada sessão por mim leccionadas, e teve de haver adaptação pois o número de afluência foi superior ao esperado.

Permitiu ainda, gerir informação em saúde a um grupo específico, minimizando o risco em saúde, atendendo às responsabilidades sociais e éticas.

CONCLUSÃO

No presente relatório foi exposta toda a jornada de desenvolvimento de actividades e reflexões que visam a aquisição de competências específicas de enfermeiro especialista em enfermagem comunitária.

A primeira parte remeteu para a problemática identificada, quer no campo de estágio, quer na minha prática profissional diária.

Pela minha experiência profissional e pelo trabalho desenvolvido no estágio, considero importante continuar a estudar esta população e as suas necessidades.

“O investimento na formação e na valorização desta categoria profissional é condição para a qualidade do sistema de cuidados aos idosos pois só assim teremos organizações que prestarão cuidados de excelência para que consigamos dar mais qualidade à vida que queremos acrescentar aos anos” (SOUSA, 2011, p. 66).

As redes sociais de apoio revestem-se de importância crucial nos idosos dado que o sentimento de ser amado e valorizado, a pertença a grupos de comunicação e obrigação recíprocas, levam os indivíduos a escapar ao isolamento e ao anonimato. No plano das respostas organizadas para idosos, importa pois apresentar propostas que integrem novas relações emergentes entre diferentes gerações, mas que respeitam as opções pessoais de cada um, inerentes aos seus projectos de vida (GRÁCIO, citado por MARTINS, 1999).

O módulo I do estágio iniciou-se com o diagnóstico de necessidades de formação das AAD dos parceiros que prestam cuidados aos utentes da ECCIO. Constatou-se que a formação é de facto importante para este grupo profissional, havendo áreas de intervenção nas quais as AAD sentem ter mais dificuldades do que noutras.

No módulo II estabeleceram-se prioridades tendo em conta a metodologia do planeamento em saúde, o recurso temporal e procurando dar resposta aos problemas identificados, numa lógica de intervenção num grupo profissional especifico, integrado numa comunidade e trabalhando para a mesma.

Elaborou-se o projecto Formação Contínua para Auxiliares de Acção Directa. O projecto mobilizou as AAD dos parceiros, quer como participantes no estudo, quer como formandas. De referir a importância do trabalho desenvolvido com os parceiros e a mobilização dos vários profissionais, quer da ECCIO, quer dos parceiros para a constituição da Equipa de Formação. De salientar que o projecto fica sob a responsabilidade da Enfermeira Coordenadora da ECCIO e da Equipa de Formação, deixando o seu lastro junto da equipa, dos parceiros e, de forma mais pertinente, junto das AAD.

Os objectivos do estágio foram alcançados e as actividades propostas desenvolvidas. Para tal, o contributo dos vários elementos da ECCIO, dos utentes e familiares, dos parceiros, das AAD foi deveras importante para o desenrolar do projecto e para o meu desenvolvimento pessoal e profissional, desta forma de proximidade; o projecto de estágio que serviu de guião para viagem. Deveras importante o contributo quase diário da Orientadora de Estágio no meu

crescimento enquanto pessoa e enquanto enfermeira que desenvolve/adquire competências especializadas na área da enfermagem comunitária. Não menos importante também o apoio da Tutora de estágio que teve um papel importante no fio condutor na realização deste relatório.

Como tal considero que, a metodologia de planeamento, a identificação das necessidades do grupo alvo, dando resposta às mesmas, o trabalho em parceria, entre as muitas actividades realizadas terão contribuído para a aquisição das competências de enfermeiro especialista.

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